Usuários de chip "31 anos" ainda hoje usufruem de ligações gratuitas aos fins de semana

Usuários de chip “31 anos” ainda hoje usufruem de ligações gratuitas aos fins de semana

Em março de 2002, a operadora Oi lançava uma promoção revolucionária no sistema de telecomunicações. Quem comprou chip ainda tem 19 anos de uso pela frente

Por Hayanne Narlla em Tecnologia

17 de novembro de 2014 às 10:00

Há 3 anos
César Guedes comprou um chip "31 anos" da Oi em 2002 (FOTO: Hayanne Narlla/ Tribuna do Ceará)

César Guedes comprou um chip “31 anos” da Oi em 2002 (FOTO: Hayanne Narlla/ Tribuna do Ceará)

Em março de 2002, a operadora de telefonia móvel Oi lançava uma promoção no mínimo revolucionária no sistema de telecomunicações brasileiro. A ideia inovadora apostava no inesperado. Qual empresa abriria mão de cobrar ligações durante os finais de semana por 31 anos?

Aos 15 anos, o estudante de Direito César Guedes adquiriu um chip com a promoção. Hoje, aos 27 anos, relembra com saudades o tempo de conferências e paqueras no celular. Chegava a ficar acordado até tarde na sexta-feira para, assim que chegasse o primeiro minuto de sábado, efetuar as chamadas. Às vezes, ele nem sabia quantas pessoas tinham em uma conversa.

Com espírito empreendedor na adolescência, Cesinha – como era chamado – ficou conhecido no colégio por alugar o chip 31 anos nos finais de semana. “Eu cobrava R$ 20 na época. Cheguei a ganhar um bom dinheiro com isso”.

Após 12 anos de promoção, o estudante ainda tem o chip. “Não uso mais dessa forma, era mais na adolescência. Hoje em dia é diferente. Dificilmente faço isso. Ainda tenho o chip, o que eu acho vantagem, porque muitas pessoas me conhecem pelo mesmo número. Mas a tarifa do 31 anos, que é pré-pago, para outra operadora é cara, que é de 74 centavos”.

Com Florêncio Borges, cabeleireiro, 49 anos, a história é outra. Adquiriu o chip quando já tinha mais de 30 anos, e também passou pela febre comportamental de fazer conferências. Porém, continua usufruindo da promoção, mesmo não sendo como antes. “Continuo ligando muito. Não é a mesma coisa, mas é ainda um número bom. Considero muito boa ainda a promoção”.

César se diverte ao ver a famosa caixinha da Oi (FOTO: Hayanne Narlla/ Tribuna do Ceará)

César se diverte ao ver a famosa caixinha da Oi (FOTO: Hayanne Narlla/ Tribuna do Ceará)

Aparelhos eram comprados na famosa caixinha da Oi disponível nas cores roxo e verde (FOTO: Reprodução)

Aparelhos eram comprados na famosa caixinha da Oi disponível nas cores roxo e verde (FOTO: Reprodução)

Promoção: antes e depois

O Tribuna do Ceará entrou em contato com a Oi para verificar quantos cearenses ainda possuem a tal promoção, que não é mais comercializada. Porém, a empresa não soube informar nem quantos adquiriram de início, nem o atual número.

Na época, a expectativa da Oi era de atrair 500 mil assinantes em nove meses e, por isso, lançou a promoção para cadastro de interessados antes mesmo de ter recebido licença da Anatel para começar a funcionar. De início, apenas nove capitais tiveram pontos de venda: Fortaleza, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Recife, Belém, Natal, Maceió, João Pessoa e Aracaju. Os outros estados só foram contemplados com a operadora depois.

Para o publicitário e gerente de projetos Evaldo Lima, a estratégia foi bem sucedida. O produto foi vendido, além da Oi se tornar uma marca conhecida no seu segmento, através de uma oferta competitiva e inédita.

“Do ponto de vista do marketing, seria arriscado se a promessa não fosse ou não pudesse ser cumprida. Além disso eles se prepararam estruturalmente pra receber tal demanda (mesmo com as filas enormes de compra quem quis comprar conseguiu) além, claro, da parte tecnológica”, considerou.

Mercado negro

Até hoje, chips 31 anos são comercializados na internet. Nas redes sociais ou no Mercado Livre, pessoas oferecem a promoção, ressaltando os anos que podem ainda efetuar ligações de Oi para Oi de graça. Um iPhone 4 usado com chip 31 anos, por exemplo, é vendido por R$ 900, cerca de R$ 200 a mais do que sem chip.

Porém, uma série de queixas a respeito de golpes também surgiram. Internautas reclamam de que, após comprar o chip, os tais vendedores esperariam por um ano até cancelar o chip, alegando roubo ou perda. Já que o número é cadastrado no CPF do comprador, ele é que tem direito sobre o produto.

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Usuários de chip “31 anos” ainda hoje usufruem de ligações gratuitas aos fins de semana

Em março de 2002, a operadora Oi lançava uma promoção revolucionária no sistema de telecomunicações. Quem comprou chip ainda tem 19 anos de uso pela frente

Por Hayanne Narlla em Tecnologia

17 de novembro de 2014 às 10:00

Há 3 anos
César Guedes comprou um chip "31 anos" da Oi em 2002 (FOTO: Hayanne Narlla/ Tribuna do Ceará)

César Guedes comprou um chip “31 anos” da Oi em 2002 (FOTO: Hayanne Narlla/ Tribuna do Ceará)

Em março de 2002, a operadora de telefonia móvel Oi lançava uma promoção no mínimo revolucionária no sistema de telecomunicações brasileiro. A ideia inovadora apostava no inesperado. Qual empresa abriria mão de cobrar ligações durante os finais de semana por 31 anos?

Aos 15 anos, o estudante de Direito César Guedes adquiriu um chip com a promoção. Hoje, aos 27 anos, relembra com saudades o tempo de conferências e paqueras no celular. Chegava a ficar acordado até tarde na sexta-feira para, assim que chegasse o primeiro minuto de sábado, efetuar as chamadas. Às vezes, ele nem sabia quantas pessoas tinham em uma conversa.

Com espírito empreendedor na adolescência, Cesinha – como era chamado – ficou conhecido no colégio por alugar o chip 31 anos nos finais de semana. “Eu cobrava R$ 20 na época. Cheguei a ganhar um bom dinheiro com isso”.

Após 12 anos de promoção, o estudante ainda tem o chip. “Não uso mais dessa forma, era mais na adolescência. Hoje em dia é diferente. Dificilmente faço isso. Ainda tenho o chip, o que eu acho vantagem, porque muitas pessoas me conhecem pelo mesmo número. Mas a tarifa do 31 anos, que é pré-pago, para outra operadora é cara, que é de 74 centavos”.

Com Florêncio Borges, cabeleireiro, 49 anos, a história é outra. Adquiriu o chip quando já tinha mais de 30 anos, e também passou pela febre comportamental de fazer conferências. Porém, continua usufruindo da promoção, mesmo não sendo como antes. “Continuo ligando muito. Não é a mesma coisa, mas é ainda um número bom. Considero muito boa ainda a promoção”.

César se diverte ao ver a famosa caixinha da Oi (FOTO: Hayanne Narlla/ Tribuna do Ceará)

César se diverte ao ver a famosa caixinha da Oi (FOTO: Hayanne Narlla/ Tribuna do Ceará)

Aparelhos eram comprados na famosa caixinha da Oi disponível nas cores roxo e verde (FOTO: Reprodução)

Aparelhos eram comprados na famosa caixinha da Oi disponível nas cores roxo e verde (FOTO: Reprodução)

Promoção: antes e depois

O Tribuna do Ceará entrou em contato com a Oi para verificar quantos cearenses ainda possuem a tal promoção, que não é mais comercializada. Porém, a empresa não soube informar nem quantos adquiriram de início, nem o atual número.

Na época, a expectativa da Oi era de atrair 500 mil assinantes em nove meses e, por isso, lançou a promoção para cadastro de interessados antes mesmo de ter recebido licença da Anatel para começar a funcionar. De início, apenas nove capitais tiveram pontos de venda: Fortaleza, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Recife, Belém, Natal, Maceió, João Pessoa e Aracaju. Os outros estados só foram contemplados com a operadora depois.

Para o publicitário e gerente de projetos Evaldo Lima, a estratégia foi bem sucedida. O produto foi vendido, além da Oi se tornar uma marca conhecida no seu segmento, através de uma oferta competitiva e inédita.

“Do ponto de vista do marketing, seria arriscado se a promessa não fosse ou não pudesse ser cumprida. Além disso eles se prepararam estruturalmente pra receber tal demanda (mesmo com as filas enormes de compra quem quis comprar conseguiu) além, claro, da parte tecnológica”, considerou.

Mercado negro

Até hoje, chips 31 anos são comercializados na internet. Nas redes sociais ou no Mercado Livre, pessoas oferecem a promoção, ressaltando os anos que podem ainda efetuar ligações de Oi para Oi de graça. Um iPhone 4 usado com chip 31 anos, por exemplo, é vendido por R$ 900, cerca de R$ 200 a mais do que sem chip.

Porém, uma série de queixas a respeito de golpes também surgiram. Internautas reclamam de que, após comprar o chip, os tais vendedores esperariam por um ano até cancelar o chip, alegando roubo ou perda. Já que o número é cadastrado no CPF do comprador, ele é que tem direito sobre o produto.