Pesquisadores da UFC criam desinfetante de alta potência para uso em hospitais
NANOTECNOLOGIA

Pesquisadores da UFC criam desinfetante de alta potência para uso em hospitais

O produto, uma demanda da iniciativa privada apresentado ao laboratório da UFC, será um aliado contra superbactérias

Por Matheus Ribeiro em Tecnologia

28 de outubro de 2016 às 07:00

Há 11 meses
O produto é desenvolvido a partir de nanopartículas para ser utilizado em unidades hospitalares no combate a superbactérias (Foto: Ribamar Neto/UFC)

O produto é desenvolvido a partir de nanopartículas para ser utilizado em unidades hospitalares (Foto: Ribamar Neto/UFC)

O elevado nível de bactérias em hospitais é um desafio constante pra quem trabalha no local ou precisa dos serviços por tempo prolongado. Mas uma solução para esse problema mundial pode está surgindo dentro da Universidade Federal do Ceará (UFC).

Pesquisadores do Laboratório de Materiais Funcionais Avançados (LaMFA), do Departamento de Física da UFC, estão desenvolvendo um produto na área de nanotecnologia: desinfetantes de alta potência para hospitais.

Segundo o pró-reitor de Pesquisa e Pós-Graduação, Antônio Gomes de Souza Filho, esse é um estudo totalmente elaborado pela instituição cearense. “É um case de ciência que vai para a produção-piloto no âmbito da interação com o setor privado. O interessante é que a demandante é uma empresa cearense e o desenvolvimento foi todo produzido no Ceará. Ou seja, um arranjo universidade-empresa completamente local”, explica.

O Produto

Tratando-se de um saneante de alta eficiência, o produto é desenvolvido a partir de nanopartículas para ser utilizado em unidades hospitalares no combate a superbactérias. Ele nasceu a partir de uma demanda da empresa cearense Tecnoquímica Indústria e Comércio, que buscou a Central Analítica com essa demanda.

De acordo com o diretor-presidente da Tecnoquímica, Felipe Sátiro, as redes hospitalares, de modo geral, costumam utilizar desinfetantes. A empresa quer produzir um produto que não permita que os micro-organismos desenvolvam resistência, diferentemente do que acontece com os desinfetantes comuns. “Será um grande achado para toda a área de saúde”, destaca. 

A primeira parte do projeto só foi possível porque a Central, laboratório multifuncional da UFC que atende a diversas unidades da própria Universidade na área de microscopia eletrônica, integra o Sistema Nacional de Laboratórios em Nanotecnologia (rede SisNano), do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações.

Ao todo, 10 pesquisadores se dedicaram para a produção do projeto, que é coordenado pelo professor Odair Pastor Ferreira. Juntos, os estudiosos conseguiram a parte mais difícil do desenvolvimento do produto, que é estabilizar as nanopartículas. Os resultados prévios mostraram que a fórmula desenvolvida é eficiente para um amplo espectro de micro-organismos.

Reconhecimento nacional

O desafio proposto pela empresa gerou um novo projeto que acabou vencendo uma chamada pública do Sistema Brasileiro de Tecnologia em Nanotecnologia (Sibratec-SisNano), programa de inovação na área de nanomateriais e nanodispositivos que opera com recursos da Financiadora de Recursos de Projetos (Finep) do MCTI. Com isso, a equipe do LaMFA irá receber R$ 300 mil ao longo dos próximos 18 meses para realizar essa etapa do desenvolvimento do produto. A empresa entrará com 10% de contrapartida.

Conforme Odair, a relação universidade-empresa fortaleceu para que o projeto fosse reconhecido. “Esta relação (entre Academia e setor privado) é muito importante. Porque quem faz a inovação é a empresa. É ela quem conhece as demandas do mercado. A Universidade contribui para essa inovação. De que forma? Com o conhecimento específico de seus pesquisadores”, diz o professor.

O pesquisador chama a atenção para dois fatores. O primeiro é o desdobramento desse tipo de pesquisa na cadeia produtiva local, uma vez que o projeto prevê o uso de matérias-primas cearenses. O segundo é o papel da atividades e pesquisa e desenvolvimento na absorção de pesquisadores formados pela própria UFC. Apesar de ser um projeto ainda em andamento, ele já gerou o primeiro emprego.

Atualmente, a UFC e a empresa estão negociando os termos do convênio – que deve gerar depósito de patente e, consequentemente, royalties a partir do momento da comercialização – para levar a cabo o desenvolvimento do produto. A negociação se dá por intermédio da Coordenadoria de Inovação Tecnológica (CIT), da Pró-Reitoria de Pesquisa e Pós-Graduação.

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Pesquisadores da UFC criam desinfetante de alta potência para uso em hospitais

O produto, uma demanda da iniciativa privada apresentado ao laboratório da UFC, será um aliado contra superbactérias

Por Matheus Ribeiro em Tecnologia

28 de outubro de 2016 às 07:00

Há 11 meses
O produto é desenvolvido a partir de nanopartículas para ser utilizado em unidades hospitalares no combate a superbactérias (Foto: Ribamar Neto/UFC)

O produto é desenvolvido a partir de nanopartículas para ser utilizado em unidades hospitalares (Foto: Ribamar Neto/UFC)

O elevado nível de bactérias em hospitais é um desafio constante pra quem trabalha no local ou precisa dos serviços por tempo prolongado. Mas uma solução para esse problema mundial pode está surgindo dentro da Universidade Federal do Ceará (UFC).

Pesquisadores do Laboratório de Materiais Funcionais Avançados (LaMFA), do Departamento de Física da UFC, estão desenvolvendo um produto na área de nanotecnologia: desinfetantes de alta potência para hospitais.

Segundo o pró-reitor de Pesquisa e Pós-Graduação, Antônio Gomes de Souza Filho, esse é um estudo totalmente elaborado pela instituição cearense. “É um case de ciência que vai para a produção-piloto no âmbito da interação com o setor privado. O interessante é que a demandante é uma empresa cearense e o desenvolvimento foi todo produzido no Ceará. Ou seja, um arranjo universidade-empresa completamente local”, explica.

O Produto

Tratando-se de um saneante de alta eficiência, o produto é desenvolvido a partir de nanopartículas para ser utilizado em unidades hospitalares no combate a superbactérias. Ele nasceu a partir de uma demanda da empresa cearense Tecnoquímica Indústria e Comércio, que buscou a Central Analítica com essa demanda.

De acordo com o diretor-presidente da Tecnoquímica, Felipe Sátiro, as redes hospitalares, de modo geral, costumam utilizar desinfetantes. A empresa quer produzir um produto que não permita que os micro-organismos desenvolvam resistência, diferentemente do que acontece com os desinfetantes comuns. “Será um grande achado para toda a área de saúde”, destaca. 

A primeira parte do projeto só foi possível porque a Central, laboratório multifuncional da UFC que atende a diversas unidades da própria Universidade na área de microscopia eletrônica, integra o Sistema Nacional de Laboratórios em Nanotecnologia (rede SisNano), do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações.

Ao todo, 10 pesquisadores se dedicaram para a produção do projeto, que é coordenado pelo professor Odair Pastor Ferreira. Juntos, os estudiosos conseguiram a parte mais difícil do desenvolvimento do produto, que é estabilizar as nanopartículas. Os resultados prévios mostraram que a fórmula desenvolvida é eficiente para um amplo espectro de micro-organismos.

Reconhecimento nacional

O desafio proposto pela empresa gerou um novo projeto que acabou vencendo uma chamada pública do Sistema Brasileiro de Tecnologia em Nanotecnologia (Sibratec-SisNano), programa de inovação na área de nanomateriais e nanodispositivos que opera com recursos da Financiadora de Recursos de Projetos (Finep) do MCTI. Com isso, a equipe do LaMFA irá receber R$ 300 mil ao longo dos próximos 18 meses para realizar essa etapa do desenvolvimento do produto. A empresa entrará com 10% de contrapartida.

Conforme Odair, a relação universidade-empresa fortaleceu para que o projeto fosse reconhecido. “Esta relação (entre Academia e setor privado) é muito importante. Porque quem faz a inovação é a empresa. É ela quem conhece as demandas do mercado. A Universidade contribui para essa inovação. De que forma? Com o conhecimento específico de seus pesquisadores”, diz o professor.

O pesquisador chama a atenção para dois fatores. O primeiro é o desdobramento desse tipo de pesquisa na cadeia produtiva local, uma vez que o projeto prevê o uso de matérias-primas cearenses. O segundo é o papel da atividades e pesquisa e desenvolvimento na absorção de pesquisadores formados pela própria UFC. Apesar de ser um projeto ainda em andamento, ele já gerou o primeiro emprego.

Atualmente, a UFC e a empresa estão negociando os termos do convênio – que deve gerar depósito de patente e, consequentemente, royalties a partir do momento da comercialização – para levar a cabo o desenvolvimento do produto. A negociação se dá por intermédio da Coordenadoria de Inovação Tecnológica (CIT), da Pró-Reitoria de Pesquisa e Pós-Graduação.