Crianças de escola pública desenvolvem aplicativo para incentivar novos talentos


Crianças de escola pública desenvolvem aplicativo para incentivar novos talentos

As garotas ficaram em 2º lugar no evento internacional Startup Weekend e receberam apoio do Banco Palmas para tornar o projeto realidade

Por Roberta Tavares em Tecnologia

1 de junho de 2015 às 06:00

Há 4 anos
Meninas criaram ideia de app que funciona como uma pinacoteca virtual (FOTO: Divugalção)

Meninas criaram ideia de app que funciona como uma pinacoteca virtual (FOTO: Divugalção)

Transformar arte em produto. Essa é a ideia de cinco meninas, que criaram um aplicativo para incentivar novos talentos em instituições de ensino. As garotas, de faixa etária entre 11 e 14 anos, estudam na escola municipal Maria Helenilce Cavalcante Martins, no Conjunto Palmeiras, e pretendem beneficiar a comunidade onde vivem, uma das mais violentas de Fortaleza.

Pensando nos amigos com habilidade nos desenhos e sem oportunidades de expandir a aptidão, Tifany Ambrósio, Ana Vitória Ribeiro, Kaiane Costa, Rayssa Mara e Maria Keliane criaram a ideia do aplicativo Traço Kids.
“O propósito é transformar a região em um celeiro de jovens que possam usar a tecnologia e a programação para entender e transformar a sua realidade e a da comunidade”, afirma o professor Cleudson Santos.

Trata-se de uma pinacoteca virtual, onde os talentos infantis podem ser divulgados a partir de cadastros da escola e, em seguida, vendidos a empresas para serem utilizados em capas de cadernos, roupas, brindes corporativos ou cases para celulares. “A criança vai desenhar, a gente vai colocar no aplicativo, as pessoas vão baixar esse aplicativo. Se algum desenho interessar à pessoa, ela compra, e com o dinheiro arrecadado a gente compra material de desenho”, explica a estudante Tifany Ambrósio, de 14 anos.

Elas tiveram o projeto selecionado em um evento de tecnologia, que incentiva garotas a conhecer melhor o universo da programação e a criar aplicativos para celular para solucionar programas da comunidade. O objetivo do Startup Weekend é estimular a participação feminina na programação, universo tradicionalmente masculino.

“As empresas poderão usar os desenhos, e os valores serão revertidos para compras de materiais de pinturas ou disponibilização de cursos de desenho. É uma ideia revolucionária”, comemora o o professor.

As meninas foram orientadas por programadores e monitores no Instituto Banco Palmas, no Conjunto Palmeiras. O instituto também disponibilizou laboratório de informática para as atividades. “Fizemos uma reunião com elas, foi colocado e discutido o problema do bairro. Elas apontaram sugestões, e verificamos se tinha viabilidade econômica. A ideia foi apresentada em apenas 60 segundos”, conta o professor.

E não é que as garotas se deram bem? O aplicativo ficou em segundo lugar no Startup Weekend. Agora, o próximo passo é criar o selo Traço Kids, para que sejam vendidas licenças de uso da arte. Em seguida, as alunas desenvolverão a programação do app, com financiamento do Banco Palmas, e apoio do Instituto Centro de Ensino Tecnológico do Ceará (Centec). “Foi um fim de semana intenso. Elas estudaram de manhã até a noite. Vitória incrível”.

Cantando e aprendendo

Outras duas garotas cearenses, Thalita Cabral e Milena Souza, de 12 e 11 anos – respectivamente, também participaram do evento internacional, e receberam menção honrosa pelo desenvolvimento do protótipo do app “Cantando e Aprendendo”. O software tem a intenção de permitir que as pessoas treinem habilidades de fala enquanto cantam e auxiliar fonoaudiólogos em seus trabalhos.

“A educação é o caminho para mudar essa realidade, e a tecnologia é uma ferramenta acessível e atraente às crianças e adolescentes. É possível fazer coisas incríveis quando bem orientadas”, conclui o professor Cleudson.

Publicidade

Dê sua opinião

Crianças de escola pública desenvolvem aplicativo para incentivar novos talentos

As garotas ficaram em 2º lugar no evento internacional Startup Weekend e receberam apoio do Banco Palmas para tornar o projeto realidade

Por Roberta Tavares em Tecnologia

1 de junho de 2015 às 06:00

Há 4 anos
Meninas criaram ideia de app que funciona como uma pinacoteca virtual (FOTO: Divugalção)

Meninas criaram ideia de app que funciona como uma pinacoteca virtual (FOTO: Divugalção)

Transformar arte em produto. Essa é a ideia de cinco meninas, que criaram um aplicativo para incentivar novos talentos em instituições de ensino. As garotas, de faixa etária entre 11 e 14 anos, estudam na escola municipal Maria Helenilce Cavalcante Martins, no Conjunto Palmeiras, e pretendem beneficiar a comunidade onde vivem, uma das mais violentas de Fortaleza.

Pensando nos amigos com habilidade nos desenhos e sem oportunidades de expandir a aptidão, Tifany Ambrósio, Ana Vitória Ribeiro, Kaiane Costa, Rayssa Mara e Maria Keliane criaram a ideia do aplicativo Traço Kids.
“O propósito é transformar a região em um celeiro de jovens que possam usar a tecnologia e a programação para entender e transformar a sua realidade e a da comunidade”, afirma o professor Cleudson Santos.

Trata-se de uma pinacoteca virtual, onde os talentos infantis podem ser divulgados a partir de cadastros da escola e, em seguida, vendidos a empresas para serem utilizados em capas de cadernos, roupas, brindes corporativos ou cases para celulares. “A criança vai desenhar, a gente vai colocar no aplicativo, as pessoas vão baixar esse aplicativo. Se algum desenho interessar à pessoa, ela compra, e com o dinheiro arrecadado a gente compra material de desenho”, explica a estudante Tifany Ambrósio, de 14 anos.

Elas tiveram o projeto selecionado em um evento de tecnologia, que incentiva garotas a conhecer melhor o universo da programação e a criar aplicativos para celular para solucionar programas da comunidade. O objetivo do Startup Weekend é estimular a participação feminina na programação, universo tradicionalmente masculino.

“As empresas poderão usar os desenhos, e os valores serão revertidos para compras de materiais de pinturas ou disponibilização de cursos de desenho. É uma ideia revolucionária”, comemora o o professor.

As meninas foram orientadas por programadores e monitores no Instituto Banco Palmas, no Conjunto Palmeiras. O instituto também disponibilizou laboratório de informática para as atividades. “Fizemos uma reunião com elas, foi colocado e discutido o problema do bairro. Elas apontaram sugestões, e verificamos se tinha viabilidade econômica. A ideia foi apresentada em apenas 60 segundos”, conta o professor.

E não é que as garotas se deram bem? O aplicativo ficou em segundo lugar no Startup Weekend. Agora, o próximo passo é criar o selo Traço Kids, para que sejam vendidas licenças de uso da arte. Em seguida, as alunas desenvolverão a programação do app, com financiamento do Banco Palmas, e apoio do Instituto Centro de Ensino Tecnológico do Ceará (Centec). “Foi um fim de semana intenso. Elas estudaram de manhã até a noite. Vitória incrível”.

Cantando e aprendendo

Outras duas garotas cearenses, Thalita Cabral e Milena Souza, de 12 e 11 anos – respectivamente, também participaram do evento internacional, e receberam menção honrosa pelo desenvolvimento do protótipo do app “Cantando e Aprendendo”. O software tem a intenção de permitir que as pessoas treinem habilidades de fala enquanto cantam e auxiliar fonoaudiólogos em seus trabalhos.

“A educação é o caminho para mudar essa realidade, e a tecnologia é uma ferramenta acessível e atraente às crianças e adolescentes. É possível fazer coisas incríveis quando bem orientadas”, conclui o professor Cleudson.