Acredite: ainda existe gente que escolhe viver sem telefone celular


Acredite: ainda existe gente que escolhe viver sem telefone celular

Telefone celular se tornou um apêndice do corpo para muitos nos tempos modernos. Mas há quem resista a essa dependência, gente vista como espécie em extinção

Por Renata Monte em Tecnologia

9 de Março de 2015 às 09:00

Há 4 anos
Pessoas que dizem não ao uso do celular representam parte pequena da população (FOTO: Reprodução)

Pessoas que dizem não ao uso do celular representam parte pequena da população (FOTO: Reprodução)

No meio de tanta tecnologia, celulares cada vez mais sofisticados, aplicativos e internet móvel, é difícil encontrar pessoas que não aderiram ao uso do aparelho. Essas pessoas que não sucumbiram aos chips e bits hoje quase são vistas como espécies de animais em extinção.

Segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas, em 2011, mais de 70% da população nordestina, entre 20 e 40, já possuía telefone celular para uso pessoal. De lá para cá, o número parece ter aumentado, mas ainda há quem ande na contramão disso tudo.

A bancária Olga Ribeiro nunca quis usar celular (FOTO: Arquivo pessoal)

A bancária Olga Ribeiro nunca quis usar celular (FOTO: Arquivo pessoal)

A bancária Olga Ribeiro resistiu e nunca teve um celular. Ela conta que não vê necessidade no uso do aparelho, já que é por telefone fixo que as pessoas a encontram, seja em casa ou no trabalho. “Eu só uso o que me é necessário, e o celular nunca foi utilitário para mim. Eu não condeno quem usa, mas acho que as pessoas se deixam aprisionar por esse objeto, e me sinto muito bem por não ser escrava dele”, afirma.

Olga, que tem duas filhas, afirma que nunca precisou do telefone para localizá-las ou controlá-las. “Minhas filhas só tiveram celular quando completaram 18 anos, e foi uma criação super tranquila. Não precisei de mecanismos artificiais para suprir minhas responsabilidades como mãe. Nossa relação sempre foi de muita confiança e muito diálogo. É só passar as instruções como se deve”, relata.

“As pessoas se deixam aprisionar por esse objeto, e me sinto muito bem por não ser escrava dele”. (Olga Ribeiro)

Bruno Alves resolveu praticar o desapego e não usa mais o telefone móvel (FOTO: Arquivo pessoal)

Bruno Alves resolveu praticar o desapego e não usa mais o telefone móvel (FOTO: Arquivo pessoal)

Bruno Alves, servidor público federal, até tinha um celular, mas decidiu praticar o desapego de bens materiais. “Eu já vinha tentando abandonar o celular, mas a decisão veio no fim do ano passado, quando terminei o namoro. Iniciei um desligamento progressivo, até que fui assaltado, no começo do ano, e então desisti do aparelho”, explica.

O funcionário público conta que não suporta Whatsapp e se incomoda até com o dos outros. Os amigos, por sua vez, estranham a escolha de Bruno. “Alguns formulários da Internet colocam telefone como um campo obrigatório de preenchimento, e eu sempre coloco números fictícios. Meus amigos em geral sabem onde me encontrar, e eu acesso o Facebook com certa regularidade”, afirma.

“Se eu quisesse ser achado em qualquer lugar onde eu estivesse, usaria uma tornozeleira eletrônica e não um celular”, ironiza Bruno, em tom de brincadeira acerca do quão livre se sente.

“Se eu quisesse ser achado em qualquer lugar onde estivesse, usaria uma tornozeleira eletrônica e não um celular”. (Bruno Alves)

A produtora cultural Cintia Simão não vive mais sem celular (FOTO: Arquivo pessoal)

A produtora cultural Cintia Simão não vive mais sem celular (FOTO: Arquivo pessoal)

Há ainda quem tentou resistir bastante, mas não conseguiu se manter “imune”. É o caso da produtora cultural Cintia Simão, que se absteve durante muitos anos do aparelho. “Eu achava uma besteira, que não tinha utilidade pra mim, que era algo que as pessoas possuíam só por possuir”.

Cintia não quis celular até entrar na faculdade, em 2008, e diz que antes não precisava do aparelho para encontrar os amigos. “Encontrava os amigos na escola, na rua, nos lugares comuns, onde sabia que iria encontrar a galera”.

Hoje, Cintia mudou de ideia e diz que não consegue mais viver sem o aparelho. “Foi ficando difícil viver sem. Ficou difícil encontrar pessoas em certo lugares ou para os meus amigos me encontrarem e, pra mim, o celular é fundamental. É algo que facilita minha vida. É meio que uma dependência boa, se você souber usar”, pontua.

“Ficou difícil encontrar pessoas em certo lugares ou para os meus amigos me encontrarem. É algo que facilita minha vida”. (Cintia Simão)

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Acredite: ainda existe gente que escolhe viver sem telefone celular

Telefone celular se tornou um apêndice do corpo para muitos nos tempos modernos. Mas há quem resista a essa dependência, gente vista como espécie em extinção

Por Renata Monte em Tecnologia

9 de Março de 2015 às 09:00

Há 4 anos
Pessoas que dizem não ao uso do celular representam parte pequena da população (FOTO: Reprodução)

Pessoas que dizem não ao uso do celular representam parte pequena da população (FOTO: Reprodução)

No meio de tanta tecnologia, celulares cada vez mais sofisticados, aplicativos e internet móvel, é difícil encontrar pessoas que não aderiram ao uso do aparelho. Essas pessoas que não sucumbiram aos chips e bits hoje quase são vistas como espécies de animais em extinção.

Segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas, em 2011, mais de 70% da população nordestina, entre 20 e 40, já possuía telefone celular para uso pessoal. De lá para cá, o número parece ter aumentado, mas ainda há quem ande na contramão disso tudo.

A bancária Olga Ribeiro nunca quis usar celular (FOTO: Arquivo pessoal)

A bancária Olga Ribeiro nunca quis usar celular (FOTO: Arquivo pessoal)

A bancária Olga Ribeiro resistiu e nunca teve um celular. Ela conta que não vê necessidade no uso do aparelho, já que é por telefone fixo que as pessoas a encontram, seja em casa ou no trabalho. “Eu só uso o que me é necessário, e o celular nunca foi utilitário para mim. Eu não condeno quem usa, mas acho que as pessoas se deixam aprisionar por esse objeto, e me sinto muito bem por não ser escrava dele”, afirma.

Olga, que tem duas filhas, afirma que nunca precisou do telefone para localizá-las ou controlá-las. “Minhas filhas só tiveram celular quando completaram 18 anos, e foi uma criação super tranquila. Não precisei de mecanismos artificiais para suprir minhas responsabilidades como mãe. Nossa relação sempre foi de muita confiança e muito diálogo. É só passar as instruções como se deve”, relata.

“As pessoas se deixam aprisionar por esse objeto, e me sinto muito bem por não ser escrava dele”. (Olga Ribeiro)

Bruno Alves resolveu praticar o desapego e não usa mais o telefone móvel (FOTO: Arquivo pessoal)

Bruno Alves resolveu praticar o desapego e não usa mais o telefone móvel (FOTO: Arquivo pessoal)

Bruno Alves, servidor público federal, até tinha um celular, mas decidiu praticar o desapego de bens materiais. “Eu já vinha tentando abandonar o celular, mas a decisão veio no fim do ano passado, quando terminei o namoro. Iniciei um desligamento progressivo, até que fui assaltado, no começo do ano, e então desisti do aparelho”, explica.

O funcionário público conta que não suporta Whatsapp e se incomoda até com o dos outros. Os amigos, por sua vez, estranham a escolha de Bruno. “Alguns formulários da Internet colocam telefone como um campo obrigatório de preenchimento, e eu sempre coloco números fictícios. Meus amigos em geral sabem onde me encontrar, e eu acesso o Facebook com certa regularidade”, afirma.

“Se eu quisesse ser achado em qualquer lugar onde eu estivesse, usaria uma tornozeleira eletrônica e não um celular”, ironiza Bruno, em tom de brincadeira acerca do quão livre se sente.

“Se eu quisesse ser achado em qualquer lugar onde estivesse, usaria uma tornozeleira eletrônica e não um celular”. (Bruno Alves)

A produtora cultural Cintia Simão não vive mais sem celular (FOTO: Arquivo pessoal)

A produtora cultural Cintia Simão não vive mais sem celular (FOTO: Arquivo pessoal)

Há ainda quem tentou resistir bastante, mas não conseguiu se manter “imune”. É o caso da produtora cultural Cintia Simão, que se absteve durante muitos anos do aparelho. “Eu achava uma besteira, que não tinha utilidade pra mim, que era algo que as pessoas possuíam só por possuir”.

Cintia não quis celular até entrar na faculdade, em 2008, e diz que antes não precisava do aparelho para encontrar os amigos. “Encontrava os amigos na escola, na rua, nos lugares comuns, onde sabia que iria encontrar a galera”.

Hoje, Cintia mudou de ideia e diz que não consegue mais viver sem o aparelho. “Foi ficando difícil viver sem. Ficou difícil encontrar pessoas em certo lugares ou para os meus amigos me encontrarem e, pra mim, o celular é fundamental. É algo que facilita minha vida. É meio que uma dependência boa, se você souber usar”, pontua.

“Ficou difícil encontrar pessoas em certo lugares ou para os meus amigos me encontrarem. É algo que facilita minha vida”. (Cintia Simão)