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Em vídeo, jornalista dinamarquês fala que teve medo de morrer em Fortaleza

Através do Skype, Mikkel Jensen revela ao Tribuna do Ceará os detalhes da sua estada no Brasil; Falou do fim do sonho de cobrir a Copa e reafirmou não ter coragem de voltar

“É um pouco estranho. Algumas pessoas acham que eu não existo”, desabafa ao Tribuna do Ceará o jornalista dinamarquês Mikkel Keldorf Jensen, que se decepcionou com a insegurança em Fortaleza e desistiu de cobrir a Copa do Mundo no Brasil.

A entrevista exclusiva foi realizada na manhã desta quinta-feira (17) pelo Skype durante 30 minutos. Logo no início, Mikkel Keldorf pediu apenas para desligar a webcam. “Não quero que gravem, tenho um vídeo que vou publicar na internet para os brasileiros verem que não sou fake [falso]”. E, somente assim, a conversa reveladora começou. Trabalho, onde apurou as informações, medo de morrer, diferença entre Fortaleza e Dinamarca e o fim do sonho de cobrir o megaevento esportivo foram os temas tratados na entrevista.

O dinamarquês reafirmou que saiu do Brasil e desistiu do sonho após se deparar com a insegurança em Fortaleza, cidade-sede onde registrou, por duas semanas, conversas com crianças de rua e com responsáveis por Organizações Não Governamentais (ONGs). “Tive medo de fazer contato com oficiais e com policiais. Muita gente falou para mim que era perigoso me identificar”, disse.

Mikkel confirmou não ter coragem de voltar à cidade-sede mais perigosa do mundo tão cedo. Após ver a situação de desigualdade, contou ser “difícil voltar, ficar na praia, tomando caipirinha todo o dia e ficar feliz todo o tempo, quando você abre os olhos e vê a realidade do Brasil”.

TRABALHO

Trabalhei em uma estação de televisão na Dinamarca, que chama TV2, como repórter de esporte. Depois estudei meio ano na PUC do Rio de Janeiro, no Brasil, quando estudei história, português e documentário. Depois fui para Shanghai, na China, e fiz alguns vídeos.

Em 2013, em setembro, voltei para o Brasil para fazer um documentário sobre a Copa do Mundo. Eu não estava aí para fazer notícias para televisão ou jornais, estava para fazer o documentário. Tenho muito material e gravei com muitas pessoas. Muita gente diz que eu não publiquei nada, mas quando se está fazendo documentário, você vai publicar o documentário e não publicar notícias.

É um pouco estranho. Algumas pessoas acham que eu não existo. É óbvio que eu existo. Quanto ao meu Facebook [surgiu a informação de que teria criado o perfil em 2013], eu criei uma conta para mim em 2007. Quem disse que eu fiz em 2013? Tenho várias publicações em anos anteriores, inclusive. Esse jornalista que disse isso está famoso no Brasil?

ONDE APUROU AS INFORMAÇÕES

Passei duas semanas em Fortaleza. Conversei com muitas crianças de ruas. Falei com várias organizações sociais. Encontrei essas crianças na Avenida Beira-Mar, mas também fui para outros bairros da cidade para ver como pessoas mais pobres estão vivendo. Fui para vários lugares, principalmente bairros de periferias. Não lembro dos nomes, fui em vários. Soube dos assassinatos de crianças através das pessoas que trabalham com essas crianças. Elas acham que existem grupos de extermínio.

MEDO DE MORRER

Tive medo de morrer, com certeza, porque é muito perigoso. Fortaleza é a cidade-sede mais perigosa do mundo, mas eu tive medo porque sou jornalista. Achei muito ruim, muita pobreza, tive medo de fazer contato com oficiais, com policiais. Muita gente falou para mim que era perigoso fazer isso, me identificar. Por isso estava um pouco difícil fazer meu trabalho como jornalista normal. Eu não acho que Fortaleza não é uma cidade normal, é a cidade-sede mais perigosa do mundo! É difícil ser jornalista aí. E, se você for gringo, acaba tendo muita atenção das pessoas, fica difícil de fazer uma coisa que as pessoas não percebam. Se eu estou com uma câmera, sou gringo e falo com crianças na rua, todo mundo sabe que eu sou jornalista. Por isso fiquei com medo.

Publiquei meu relato em dinamarquês no Facebook. Achei melhor publicar o relato em português só quando tivesse chegado na Dinamarca. Minha família ficou feliz por eu não ter publicado ainda estando no Brasil. Todo mundo sabe que está perigoso falar sobre isso.

Mas a minha chegada na Dinamarca foi um pouco estranha, porque quando eu fui embora de avião tinha uma estação de televisão que me entrevistou, perguntou porque eu estava saindo, foi muito estranho receber toda essa atenção e interesse. Fui para um programa aqui, onde falamos – durante 20 minutos – sobre o interesse dos brasileiros, sobre as notícias do Brasil, e também fizeram uma reportagem sobre todo mundo querer ouvir a história do Mikkel.

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DINAMARCA X FORTALEZA

Dinamarca é muito mais tranquila do que Fortaleza. Não temos muita violência. Eu acho que a vida é muito fácil, se comparar à vida no Brasil. Eu acho que é difícil para as pessoas na Dinamarca entenderem que está perigoso fazer os trabalhos, porque aqui você pode falar sobre tudo, tem liberdade de imprensa. É mais difícil no Brasil. As pessoas da Dinamarca não conhecem isso, não entendem isso.

É um absurdo. Se você gosta de humanos, tem que saber que muitos estão morrendo, inclusive crianças. Não entendo porque as pessoas da Dinamarca não querem saber o que está acontecendo nos outros lugares do mundo. Queremos ficar no nosso lugar e não saber que em outros países tem problemas graves. Acho mais fácil para os dinamarqueses.

É muito difícil ver que a vida de uma criança de rua não tenha o mesmo valor do que uma que tem pai e mão muito rico. Na Dinamarca é diferente, na minha cabeça isso é diferente. Eu acho difícil ver essa desigualdade, todo mundo deveria ter os mesmos direitos, mas tem lugares no Brasil que não tem isso.

O SONHO ACABOU

Para mim, é muito perigoso voltar para Fortaleza, porque agora eu estou presente em muitas mídias e muitas pessoas não acreditam e nem gostam do meu trabalho. Foi triste ter que abandonar o sonho [cobrir a Copa do Mundo no Brasil], porque eu gosto do Brasil. Muito, muito, muito. Tenho muitos amigos. Mas quando eu descobri o que acontece, tive uma reação muito negativa. Quando vi que muitas pessoas ainda têm pensamento antigo, de desrespeito à vida humana, é difícil de voltar, ficar na praia, tomando caipirinha todo o dia e ficar feliz todo o tempo. Quando você abre os olhos e vê a realidade do Brasil, é difícil de voltar para ser um turista.

Confira, na íntegra, a entrevista exclusiva do Tribuna do Ceará:

Caso de jornalista dinamarquês repercute no Brasil e no mundo

Tribuna do Ceará foi o 1º veículo nacional a publicar a história contada por Mikkel Keldorf Jensen, jornalista independente que se assustou com a violência em Fortaleza

Após a publicação do portal Tribuna do Ceará sobre Mikkel Keldorf Jensen ou  o ‘jornalista dinamarquês se decepciona com Fortaleza e desiste de cobrir Copa’, vários outros veículos do Brasil e do mundo repercutiram a informação. Além da imprensa em geral, jornalistas, políticos e programas de TV também comentaram em suas redes sociais o acontecimento. A Secretaria de Segurança Pública do Ceará (SSPDS) primeiro se calou, depois enviou uma nota.

UOL Facebook

UOL Facebook

Tribuna do Ceará é parceiro do UOL, e a matéria foi postada nas redes sociais do portal de notícias
UOL 1

UOL 1

Matéria do Tribuna do Ceará foi republicada na seção UOL Copa
Redação SporTV

Redação SporTV

Reprodução da matéria foi exposta e comentada no programa esportivo Redação SporTV (16/04)
Redação SporTV 2

Redação SporTV 2

Reprodução da matéria foi exposta e comentada no programa esportivo Redação SporTV (16/04)
Placar Facebook

Placar Facebook

Revista republicou a matéria em seu site, sem assinatura (Reprodução Facebook)
Placar Pós

Placar Pós

Matéria pós da revista em seu site, agora assinada
Brasil Post

Brasil Post

O portal primeiro duvidou da história do dinamarquês...
Brasil Post pós

Brasil Post pós

E depois entrevistou ele e confirmou a sua existência
G1 CE

G1 CE

Matéria republicada no portal brasileiro
Veja 1

Veja 1

A revista brasileira republicou a matéria em seu site
Veja SP

Veja SP

Matéria republicada no portal da 'Vejinha São Paulo' (Brasil)
ESPN

ESPN

O jornalista esportivo Mauro Cezar Pereira comenta o fato
Zero Hora

Zero Hora

O jornal gaúcho também escreveu sobre Mikkel Keldorf Jensen
EXTRA

EXTRA

O jornal carioca também escreveu sobre Mikkel Keldorf Jensen
Yahoo Notícias

Yahoo Notícias

O site de notícias também repercutiu a matéria
YouPix

YouPix

Site especializado em comentar o que é notícia na internet
Tribuna Hoje Alagoas

Tribuna Hoje Alagoas

Matéria republicada no portal de Alagoas (Brasil)
O Tempo MG

O Tempo MG

Site mineiro também republicou a matéria
O Jornal Hoje

O Jornal Hoje

Matéria republicada no portal
Pragmatismo político

Pragmatismo político

Matéria republicada no portal brasileiro que versa sobre política
Ekstra Bladet Dinamarca

Ekstra Bladet Dinamarca

A história de Mikkel Keldorf Jensen é destaque em sua terra natal
Berlingske Dinamarca

Berlingske Dinamarca

A história de Mikkel Keldorf Jensen é destaque em sua terra natal
Politiken Dinamarca

Politiken Dinamarca

A história de Mikkel Keldorf Jensen é destaque em sua terra natal
BT Dinamarca

BT Dinamarca

A história de Mikkel Keldorf Jensen é destaque em sua terra natal
Romário

Romário

O Deputado Federal Romário tuitou sobre a reportagem
Antero Grego 1

Antero Grego 1

O jornalista da ESPN tuitou sobre o caso do dinamarquês
Antero Grego 2

Antero Grego 2

O jornalista da ESPN tuitou sobre o caso do dinamarquês
Antero Grego

Antero Grego

O jornalista da ESPN também se manifestou sobre a matéria
Secretário de Turismo CE

Secretário de Turismo CE

Bismarck Maia usou sua conta pessoal no Facebook para comentar o assunto
Comunique se

Comunique se

O Portal Comunique-se repercutiu a matéria do dinamarquês
Comunique-se

Comunique-se

Portal Comunique-se ouviu o Secretário de Turismo do Ceará, Bismarck Maia

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Secretaria de Segurança se cala diante de acusações de jornalista dinamarquês

A assessoria de imprensa do órgão alega que não foi procurada pelo jornalista, e que não vai investigar a sugestão de que crianças estariam sendo mortas como 'limpeza social'

Tendo a missão de cobrir a Copa do Mundo, o jornalista desistiu e voltou para a Dinamarca ao ter contato com os problemas sociais do Brasil (FOTO: REPRODUÇÃO/FACEBOOK)

Tendo a missão de cobrir a Copa do Mundo, o jornalista desistiu e voltou para a Dinamarca ao ter contato com os problemas sociais do Brasil (FOTO: REPRODUÇÃO/FACEBOOK)

O artigo feito por um jornalista dinamarquês que desistiu de cobrir a Copa do Mundo no Brasil depois de conhecer a violência em Fortaleza repercutiu internacionalmente. Apesar disso, a Secretaria de Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS) preferiu se calar diante da sugestão de Mikkel Jensen de que o Estado estaria fazendo uma limpeza social por meio de grupo de extermínio visando o evento.

Contactada pelo Tribuna do Ceará por telefone, a assessoria de imprensa do órgão disse que não investigaria o caso porque não houve uma denúncia formal do jornalista. Além disso, a assessoria alegou que o correspondente não seria uma pessoa famosa, e que por isso não poderia saber a veracidade de suas acusações.

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O Tribuna do Ceará já havia procurado a assessoria da SSPDS, por telefone e por e-mail, na última segunda-feira (14), antes da publicação com exclusividade do depoimento de Mikkel. Na ocasião, a secretaria não respondeu até a publicação da matéria. Nesta quarta-feira (16), a assessoria alegou que não recebeu o e-mail.

Fac-símile do email enviado à SSPDS

Fac-símile do email enviado à SSPDS

Atualização às 18h30:

Após a publicação desta matéria, a SSPDS encaminhou uma nota ao Tribuna do Ceará.

“A Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social do Estado do Ceará (SSPDS-CE) informa que não há registro de mortes de crianças em situação de rua em Fortaleza. A Delegacia Geral da Polícia Civil frisa que não existem denúncias em suas delegacias sobre a alegação do suposto jornalista. A SSPDS reitera que, na ocorrência de crimes reais, a população deve entrar em contato com a Coordenadoria Integrada de Operações Policiais (Ciops), por meio do telefone 190, ou procurar a delegacia mais próxima.”

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Veja a matéria que mostrou com exclusividade o caso de Mikkel Jensen

Vídeo flagra ação de assaltantes na principal via de acesso ao Castelão

Em entrevista ao Tribuna do Ceará, Hugo fala que já tem o costume de filmar a movimentação nesse local

Um registro minucioso de um assalto foi feito pelo tecnólogo Hugo Júnior, que voltava de moto para casa, no cruzamento da avenida Alberto Craveiro com a rua Pedro Dantas, principal via de acesso à Arena Castelão. O assalto foi realizado na última segunda (31), às 18h40. No vídeo, Hugo registra o trajeto que os assaltantes fazem após o ocorrido. A sugestão foi enviada por meio de e-mail.

Em entrevista ao Tribuna do Ceará, Hugo fala que já tem o costume de filmar a movimentação nesse local.“Por ser um trecho perigoso, coloco a câmera no capacete e tenho o hábito de filmar”.

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Ele conta porque seguiu o percurso dos criminosos. “Persegui a movimentação estranha, e quando vi que era um assalto, resolvi seguir os assaltantes, fazendo o papel da polícia que não estava presente, pois queria ajudar de alguma forma.”, relata.

Em certo ponto, os suspeitos percebem que estão sendo seguidos, o que faz com que o tecnólogo encerre do percurso. “Fiquei muito tenso com toda a situação, principalmente porque eles perceberam, e voltei para conversar ajudar as vítimas”.

Os assaltantes fugiram e não foram identificados. Veja o vídeo:


 

Violência em Fortaleza: 766 mortos em 2014, sendo 433 por arma de fogo

Os dados oficiais foram colhidos entre 1 de janeiro a 19 de março, na Coordenadoria de Medicina Legal (COMEL), dentro do site da Secretaria de Segurança Pública do Ceará

Fortaleza-do-medo

Arte: Tiago Leite

 

Em menos de três meses, 766 pessoas já foram mortas somente em Fortaleza, sendo 433 por arma de fogo, 14 a facadas e três a pauladas, entre outros casos. Os dados são da Coordenadoria de Medicina Legal (COMEL), colhidos entre o dia 1 de janeiro e 19 de março de 2014, direto do site da Secretaria de Segurança Pública e Defesa Social do Ceará (SSPDS-CE). Em 2013, Fortaleza foi considerada a 13ª cidade mais violenta do mundo. Um ano depois, uma das principais cidades-sede da Copa do Mundo de 2014 no Brasil, a capital cearense ocupa agora a posição de 7ª cidade mais violenta do mundo. E os números oficiais da SSPDS comprovam. Somente em 2014, a cada dia em Fortaleza 9,8 pessoas são assassinadas.

Segundo relatório da ONG mexicana, Conselho Cidadão para a Segurança Pública e Justiça Penal, Fortaleza tem uma taxa de 79.42 homicídios por cada 100 mil habitantes, com 2.754 homicídios registrados em 2013. Além do 7º lugar na taxa de assassinatos, a capital possui um número alarmante: é a 2º cidade entre as 50 que registraram maior número de homicídios, atrás somente de Caracas, na Venezuela, onde aconteceram 4.364 crimes deste tipo. A cidade San Pedro Sula, em Honduras, como o município mais violento do planeta. Lá, a taxa de homicídios em 2013 foi de 187,14.

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Fortaleza é apontada como a 7º cidade mais violenta do mundo

O estudo aponta que foram registrados 2.754 homicídios em Fortaleza no ano passado

A cabeleireira Tatiana Maria, de 39 anos, não sente-se mais segura de andar pelas ruas do bairro onde mora. Há oito meses ela perdeu o pai em um homicídio no Canindezinho, bairro que compõe o “Território da Paz” e é marcado pela violência. “A gente nunca acredita que algo assim [homicídio] possa acontecer com a gente ou alguém próximo. Não consigo mais sair tranquila e tenho medo até mesmo dentro de casa”, lamenta.

A sensação de insegurança e a marca deixada na vida de Tatiana tem uma explicação. Com uma taxa de 79.42 homicídios por cada 100 mil habitantes, Fortaleza é considerada a 7ª cidade mais violenta do mundo, segundo relatório da ONG mexicana Conselho Cidadão para a Segurança Pública e Justiça Penal. A lista da organização mostra que 14 cidades das 50 relacionadas são brasileiras. No país, a capital cearense fica atrás somente de Maceió, em Alagoas, que possui taxa de 79,76 assassinatos por 100 mil habitantes.

O estudo aponta que foram registrados 2.754 homicídios em Fortaleza no ano passado. Além do 7º lugar na taxa de assassinatos, a capital possui um número alarmante: é a 2º cidade entre as 50 que registraram maior número de homicídios. A “Terra do Sol” fica atrás somente de Caracas, na Venezuela, onde aconteceram 4.364 crimes deste tipo. O relatório da ONG mexicana indica a cidade San Pedro Sula, em Honduras, como o município mais violento do planeta. Lá, a taxa de homicídios em 2013 foi de 187,14.

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O mesmo estudo, divulgado em 2013, apontou Fortaleza como a 13ª cidade mais violenta do mundo. Baseado em dados oficiais de 2012, a cidade apareceu no ranking com a taxa de 66,39 homicídios por 100 mil habitantes.

O estudo utiliza índices de população e de homicídios de estatísticas oficiais dos governos locais de cidades com mais de 300 mil habitantes.

Por um ano melhor

O comandante do Policiamento da Capital, coronel João Batista Bezerra, garante que 2014 vai ser um ano melhor na Segurança. “O problema é que o 1º semestre do ano passado foi pesado, mas desde outubro que os homicídios estão diminuindo. A população pode observar o comportamento e o trabalho da polícia. Com as Áreas Integradas de Segurança esse ano vai ser melhor. Eu acredito que vai ser melhor”, afirma.

De acordo ainda com o coronel Batista, um novo balanço será divulgado a cada três meses com dados da Segurança Pública. “É um trabalho trimestral. No 1º nós já verificamos uma queda. O próximo será em março e a tendência é que os números sejam ainda menores.”, complementa.

O estudo utiliza índices de população e de homicídios de estatísticas oficiais dos governos locais de cidades com mais de 300 mil habitantes. A maioria das cidades fica na América Latina. Das 50 cidades, nove estão no México, seis na Colômbia, cinco na Venezuela, quatro nos Estados Unidos, três na África do Sul, dois em Honduras e um em El Salvador, na Guatemala, Jamaica e Porto Rico.

PM prende um dos suspeitos de realizar assalto na Padre Antônio Tomás

Tony Félix já havia sido detido outras seis vezes, sendo três por tráfico, duas por roubo e uma por consumo de drogas (realizado TCO).

A Polícia Militar do Estado do Ceará (PMCE) prendeu, na tarde desta quinta-feira (16), no bairro Aldeota, em Fortaleza, um dos suspeitos de participação em assaltos no cruzamento das avenidas Padre Antônio Tomaz com Via Expressa, no bairro Cocó, na noite da última terça-feira (14).

Tony Félix já havia sido detido outras seis vezes, sendo três por tráfico, duas por roubo e uma por consumo de drogas (realizado TCO). (FOTO: Reprodução/Facebook)

Tony Félix já havia sido detido outras seis vezes, sendo três por tráfico, duas por roubo e uma por consumo de drogas (realizado TCO). (FOTO: Reprodução/Facebook)

Após ação conjunta do 8º Batalhão de Polícia Militar com agentes do serviço reservado da PM (membros da Área Integrada de Segurança 3 – AIS 3) , foi detido Anderson Tony Vinícius Weyne Félix, de 21 anos. O suspeito foi encaminhado para o 2º Distrito Policial, no bairro Meireles, e autuado por assalto qualificado.

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Tony Félix já havia sido detido outras seis vezes, sendo três por tráfico, duas por roubo e uma por consumo de drogas (realizado TCO).

Já foi identificado o criminoso que durante o assalto na última terça-feira, portava uma arma de grosso calibre, possivelmente uma escopeta calibre 12 de fabricação caseira. Policiais civis e militares continuam os trabalhos investigativos para localizar o suspeito.

Número de homicídios em Fortaleza chega a 818 em cinco meses

Os bairros mais violentos em maio foram Mondubim (9), Cristo Redentor (8), Granja Lisboa (8), Siqueira (7) e Jangurussu (7)

O número de homicídios em Fortaleza cresceu 14% de abril para maio, segundo dados divulgados pela Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS) nesta segunda-feira (08). Em maio, o número de assassinatos foi de 156.

Durante os cinco meses deste ano, pelo menos 818 pessoas foram assassinadas na capital cearense. Em média, Fortaleza tem 5 homicídios por dia, segundo o relatório da Secretaria de Segurança.

Os bairros mais violentos em maio foram Mondubim (9), Cristo Redentor (8), Granja Lisboa (8), Siqueira (7) e Jangurussu (7).

No Ceará

No Estado, o número de homicídios foi de 163 somente em maio. Nos cinco meses de 2013 já foram registrados 857 assassinatos no Ceará, excluindo Fortaleza. No total, 1.675 pessoas foram assassinadas em 2013.

No mês de maio, a maioria dos assassinatos fora da Capital aconteceram em Caucaia. Foram 20 homicídios no 5º mês do ano. Os números de junho ainda não foram divulgados pela SSPDS.

Fortaleza, Cidade Fantasma

Em outras cidades, como São Paulo e Rio de Janeiro, é bem comum encontrar pessoas que se deslocam a pé de lugares com distâncias significativas

Pô-do-sol no Cocó, por Emerson Damasceno

Pô-do-sol no Cocó, por Emerson Damasceno

Os muros são altos. São muitas grades. As ruas são desertas. A sensação de solidão se torna imensa. Quem percorre por alguns trechos de Fortaleza é capaz de não enxergar outro alguém na rua a não ser a si mesmo. Vagar pelas ruas a pé pode parecer um ato rude e menos proveitoso, quando comparado a se locomover em veículos. Mas como diria aquele clichê: “as aparências enganam”.

Em outras cidades, como São Paulo e Rio de Janeiro, é bem comum encontrar pessoas que se deslocam a pé de lugares com distâncias significativas. “Hoje, todo mundo que quer arrodear o quarteirão tem que pegar o carro [em Fortaleza]”, estranha a aposentada Elizabeth Coelho Tavares, 62 anos.

Costumes antigos

Em tom saudosista, a aposentada relembra uma época em que as pessoas se apropriavam da cidade. “A gente morava na [Avenida] Monsenhor Tabosa. Ia todo mundo a pé para os clubes, voltava na hora que as padarias faziam pão, de manhã. Todo mundo ia e voltava a pé. Para o colégio íamos a pé. Não tinha problema. Acho que a gente não tem mais essa liberdade de andar, a gente tem que dar uma caminhada na Beira-Mar bem cedo e é com medo de assalto”, contou.

Mesmo com a mudança de hábitos da sociedade como um todo, Elizabeth ainda mantém um velho costume: colocar as cadeiras no portão de casa para se sentar e esperar o tempo passar. “Quando comecei a namorar meu marido, eu tinha 14 anos. A gente já sentava na calçada e daí a gente manteve esse costume ate hoje, já fazem 45 anos. Toda noite costumamos sentar”, disse.

Segundo a aposentada, esse costume é que une a família, colocando os assuntos em dia e refletindo sobre a vida. “As pessoas ficam distantes quando chegam em casa, e a gente não. Ficamos mais próximos, conversando, discutindo os problemas do dia a dia. Quando chove, achamos ruim, porque não dá para colocar a cadeira para fora”, revelou. Sobre a insegurança, Elizabeth considera que o ato contribua para que a o bairro fique mais seguro, já que mais gente fica na rua conversando e se apoiando.

Para a universitária Lívia Katheryne, 20 anos, mesmo sendo mais jovem, viveu o costume da aposentada, mas em Pacoti, interior do Ceará. “Quando ia anoitecendo, as pessoas iam enchendo a casa, gostavam de ficar lá fora pra ver o movimento, conversar bastante até entardecer. Hoje, quando vou pra lá, grande parte da família ainda fica na calçada de casa revendo parte das pessoas que não vê diariamente, quase como um encontro de companhias”, comentou.

Para ela, a sensação de insegurança na capital cearense é o principal fator de isolamento entre a vizinhança. “Em Fortaleza, os muros não permitem a chegada de um sorriso ao próprio vizinho, devido a falta de segurança. Acho comum, e até vejo bairros pequenos e familiares, onde todos se conhecem, onde se tem esse clima de comunidade, de família. A atual segurança cria uma necessidade no indivíduo de se proteger atrás de grades e paredões, cultivando um individualismo até mesmo sem querer. O ruim é que não protege só da violência, e assaltos, mas da convivência, dos laços que podem ser adquiridos nesses simples momentos de jogar conversa fora”, considerou.

Mas por quê?

De acordo com a arquiteta e urbanista Regina Catunda, o fato de os fortalezenses não se deslocarem a pé é negativo. “O cidadão não se apossa da sua cidade, não interage com ela. Pelo contrário, ele se isola nos limites dos seus veículos, valoriza o isolamento, a solidão, o individualismo, totalmente desinteressado do que acontece fora deles, notadamente após o costume do uso dos filtros solares nos vidros, que elimina toda a possibilidade de inter-relacionamento entre os passageiros e as atividades urbanas”, ressaltou.

Quando questionada sobre como essa situação foi gerada, a arquiteta relata historicamente os motivos. “Olhando muito para trás – quando Fortaleza, cidade de migrantes, ainda tentava perder seus ares rurais, sua feição provinciana, pobre – os novos abastados sem vínculos com o interior se desligaram do Centro rumo à Zona Leste (Avenida Santos Dumont), com casas bem recuadas, grandes jardins que iniciaram o fim do costume das cadeiras na calçada”.

A partir daí, o vizinho não era, obrigatoriamente, aquele que se pedia uma xícara de açúcar, ou tinha algum tipo de proximidade e amizade. “Começava aí o abandono dos passeios pelas calçadas. Isso foi agravado com a sistemática metropolização da cidade, sem efetivas ações de planejamento urbano”, afirmou.

Além disso, as constantes migrações do interior fizeram a cidade “inchar”, sem estar preparada para receber o número de novos moradores. “Sem poder aquisitivo, sem instrução, as pessoas foram para periferia e zonas de risco com a aquiescência do poder público, que não tinha planos que administrassem esse crescimento desordenado e sem base econômica. Surgem as favelas. Ao mesmo tempo, vem a concentração de renda, a verticalização das moradias, a especulação imobiliária, a violência e a insegurança. Os muros sobem e aumentam o isolamento das ruas”,concluiu.

Outro fator que explica a falta de pessoas nas ruas são as condições das calçadas na cidade, de acordo com Regina. “Rampas, degraus, particularização do espaço público. É comum se ver nas ruas locais as pessoas andando pela pista mesmo, que é mais regular”, contou.

Dessa forma, para resgatar ou gerar o costume de se deslocar a pé por Fortaleza, é necessário acessibilidade e segurança, segundo a arquiteta. “Outro fator é a eficiência do transporte coletivo e o comprometimento da população com as novas responsabilidades com o meio ambiente. Mas segurança, acessibilidade e bons transportes urbanos são condições ‘sine qua non’ para a revitalização das nossas ruas”, apontou. O problema é que a sociedade de Fortaleza tem uma cultura de se importar mais com seus carros do que com as pessoas.

Clássico-Rei: PM detém 64 torcedores, mas todos são soltos

Apesar disso, os torcedores detidos foram soltos após serem ouvidos por uma juíza

A Polícia Militar deteve 64 torcedores por causar tumulto e portar objetos como pedras e pedaços de madeira na tarde deste domingo (17). Entres os detidos estavam 44 adultos e 20 adolescentes. Nenhuma arma de fogo foi encontrada.

De acordo o Estatuto do Torcedor, quem promover tumulto, praticar ou incitar a violência será punido com pena de reclusão de um a dois anos. Também fica proibido portar, deter ou transportar quaisquer instrumentos que possam servir para a prática de violência. A regra vale para quem cometer os crimes num raio de 5 km dos estádios ou durante o trajeto de ida e volta do evento esportivo.

Apesar disso, os torcedores detidos foram soltos após serem ouvidos por uma juíza. Os adolescentes foram levados para a Delegacia da Criança e do Adolescente (DCA), de onde também foram liberados.

Torcedor atingido por rojão

Um torcedor foi atingido por um rojão que ele mesmo atirou contra policias que estavam fora do ônibus. No momento do disparo, o rojão bateu no vidro da janela e voltou contra o acusado.
Ele teve o rosto ferido. Outra passageira que estava próxima à janela foi atingida pelos estilhaços de vidro.

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