Posts com a tag: seca no Ceará

 

Ceará receberá 19,3 mil toneladas de grãos de milho

Entre janeiro de 2012 e outubro de 2013, a Conab intermediou a venda de 154 mil toneladas de milho através do Programa Vendas em Balcão Especial

Os pólos de Jaguaribe, Marco e Canindé, que estiveram fechados nos últimos meses, já normalizaram as atividades (FOTO: Divulgação)

Os pólos de Jaguaribe, Marco e Canindé, que estiveram fechados nos últimos meses, já normalizaram as atividades (FOTO: Divulgação)

A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) no Ceará receberá, nas próximas semanas, 19,3 mil toneladas de milho para venda aos pequenos criadores do estado. O produto será comercializado a preço subsidiado, segundo as diretrizes da operação especial de combate à seca do Programa Vendas em Balcão, nas Unidades Armazenadoras (Uas) da companhia nos municípios de Maracanaú, Sobral, Juazeiro do Norte, Russas, Iguatu, Senador Pompeu, Crateús e Icó, e nos polos de Quixadá, Lavras da Mangabeira, Tauá, Marco, Santa Quitéria, Quixeramobim, Jaguaribe, Itapipoca, Canindé e Brejo Santo.

Os pólos de Jaguaribe, Marco e Canindé, que estiveram fechados nos últimos meses, já normalizaram as atividades com a chegada das primeiras 6,5 mil toneladas de milho ao estado. O grão veio dos estados de Goiás e Mato Grosso. As demais 12,8 mil toneladas, cujo transporte foi contratado em leilão de frete no dia 6 de novembro, aguardam transferência.

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Entre janeiro de 2012 e outubro de 2013, a Conab intermediou a venda de 154 mil toneladas de milho através do Programa Vendas em Balcão Especial, realizando um total de 67.232 mil atendimentos, somente no Ceará. Atualmente, o estado conta com 40 mil produtores cadastrados.

Com informações da Conab

Planta se torna alternativa para enfrentar efeitos da estiagem no Ceará

Suco, pastel, panqueca, salada e até sobremesas como mousse e sorvete podem ser produzidos, utilizando como matéria-prima o broto da palma forrageira

No interior do Ceará, sertão onde a seca castiga milhares de pessoas e animais, os moradores do Assentamento Logradouro II, do município de Canindé, encontraram uma alternativa para enfrentar os efeitos da estiagem. Lá eles cultivam a palma forrageira para alimentar a família e os animais.

Com o anúncio do Plano Safra Semiárido, na ultima quinta-feira (4), uma nova medida do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) vai alavancar a produção de palma. O Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) ganhou nova modalidade. Agora, agricultores familiares que tenham excedente de forragem animal (silagem ou palma forrageira) poderão vendê-lo por meio do PAA. E o limite de venda por agricultor foi ampliada para R$ 8 mil/ano.

Palma forrageira se torna alternativa para enfrentar efeitos da estiagem (FOTO: Rômulo Serpa/MDA)

Palma forrageira se torna alternativa para enfrentar efeitos da estiagem (FOTO: Rômulo Serpa/MDA)

O que tem facilitado, ainda mais, a produção de palma, que começou há um ano no Assentamento Logradouro II, é a utilização da retroescavadeira que o município recebeu do MDA, seja para escoamento da produção ou para abertura de cacimbas. A ação, que faz parte da segunda etapa do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC 2), integra o conjunto de ações planejadas pelo Governo Federal para combater os efeitos da seca e melhorar as condições de convivência com o Semiárido.

O agricultor Francisco Antônio Sebastião Neto, 33 anos, vive no assentamento há mais de 20. Ele conta que está ansioso para ver a máquina começar a trabalhar e melhorar a condição de vida de muita gente que mora na zona rural de Canindé. “Vai ser muito bom para gente. Juntando o trabalho da retro e a plantação de palma vamos diminuir muito os prejuízos da seca”, diz.

Palma: receitas variadas

Suco, pastel, panqueca, salada e até sobremesas como mousse e sorvete podem ser produzidos, utilizando como matéria-prima o broto da palma forrageira. Iraci Amorim, técnica da Secretaria de Agricultura de Canindé, é quem ensina as receitas inovadoras para 38 famílias de Logradouro II. “A palma traz muitos benefícios para o consumo humano. Ela é rica em dois nutrientes muito carentes na culinária nordestina. O ferro, que é bom para anemia, e a vitamina A, boa para a visão”, explica.

Iraci comenta que no preparo da comida o que se usa da palma é a parte interior do broto, que é o filho da palma adulta. “Ele é cheio de espinhos, por isso tem que tirar a casca e usar só a parte de dentro. A casca pode servir de alimento para os animais, porque os espinhos não os machucam”, observa.

Máquinas garantem ajuda extra na seca

Para o presidente da Associação dos Assentados do Imóvel Logradouro II, Raimundo André de Souza, 61 anos, as novidades agradam. “A máquina vai ser boa porque vai nos ajudar a escoar a produção e a abrir cacimbas. A palma a gente pensava que era só para alimentar os animais, mas descobrimos que não. Nós também podemos comer e, ainda por cima, fica gostoso, fica bom demais”, comemora.

Raimundo mora no assentamento há 25 anos e conta que já sofreu muito com a seca. Para ele aprender essa medida alternativa é uma alegria imensurável para toda comunidade. “A gente planta milho, feijão, mamona, melancia, cria uns animais, mas vem o período de seca e acaba com quase tudo. Tivemos que vender grande parte do nosso rebanho este ano, mas agora que estamos plantando a palma dá pra amenizar muito a situação”, atenta.

O secretário de Agricultura do município, Francisco Amâncio, afirma que a palma pode ajudar muitas comunidades sem condições de enfrentar os efeitos da seca. “A palma é resistente à seca e contribui com o desenvolvimento das regiões áridas e semiáridas. Ela pode ser usada na produção de medicamentos, conservação e recuperação de solos, cercas vivas e, agora estamos vendo que, também, na alimentação humana”, destaca.

Conforme o secretário, a máquina retroescavadeira vai ser um grande apoio na plantação de palma. “A secretaria doou mais de três mil raquetes de palma para comunidades de Canindé. Com a máquina poderemos ajudá-las a melhorar sua produção”, salienta.

Com informações do MDA

Câmara aprova texto de MP que concede benefícios a atingidos pela seca

A medida provisória, que ainda precisa ser votada no Senado, também autoriza o pagamento de um adicional de até R$ 560 no benefício a ser recebido pelos agricultores

O plenário da Câmara aprovou na tarde desta quarta-feira (10) pouco o texto da Medida Provisória (MP) 610, que concede uma série de benefícios para municípios atingidos pela seca, especialmente aqueles localizados no Semiárido – que engloba oito estados do Nordeste e o norte de Minas Gerais. Os deputados votam neste momento os destaques com propostas de alteração do texto do projeto de lei de conversão aprovado pela comissão especial que analisou a MP.

A perda da safra do estado foi, em média, de 68%. Isso significa que sertanejo pensou que colheria 100 grãos, mas colheu apenas 32 (FOTO: Daniel Marenco/Flickr Creative Commons)

A perda da safra do estado foi, em média, de 68%. Isso significa que sertanejo pensou que colheria 100 grãos, mas colheu apenas 32 (FOTO: Daniel Marenco/Flickr Creative Commons)

A medida provisória, que ainda precisa ser votada no Senado, também autoriza o pagamento de um adicional de até R$ 560 no benefício a ser recebido pelos agricultores que aderiram ao Fundo Garantia-Safra referente ao período 2011/2012 e que foram atingidos pela estiagem do último ano. A proposta legislativa já havia sido aprovada ontem pela comissão especial mista do Congresso criada para analisar o texto.

Quatro parcelas de R$ 140

O pagamento será feito em até quatro parcelas mensais de R$ 140 subsequentes ao pagamento das parcelas adicionais autorizadas na Medida Provisória 587. Entretanto, o pagamento fica suspenso se coincidir com o pagamento do Fundo Garantia-Safra referente ao período 2012/2013.

A MP também autoriza a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) a comprar até 550 mil toneladas de milho em grão para venda direta aos pequenos agricultores de aves, suínos, caprinos, bovinos e ovinos que estejam na região da Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene).

Perda de safra

A perda da safra do estado foi, em média, de 68%. Isso significa que sertanejo pensou que colheria 100 grãos, mas colheu apenas 32, por exemplo. “O agricultor já veio de uma seca histórica, que foi a de 2012. E, infelizmente, esse ano, o período de março foi tão grave quanto o ano passado”, comenta.

A redução foi forte no plantio de mandioca. Segundo Severo, o motivo para o decréscimo é o fato de os agricultores terem utilizado parte da área da planta para consumo dos animais em 2012 e, como consequência, faltou mandioca para o plantio em 2013.

Quitação de dívidas

Também para os agricultores da área da Sudene, foram concedidas condições especiais para a quitação de dívidas de até R$ 100 mil contratadas pelos produtores rurais até 2006, inclusive eliminando do saldo devedor as multas ou sanções por inadimplemento e concedendo descontos que vão de 40% a 85%, a depender do valor da dívida.

Durante a análise da comissão especial, foram incorporados ao texto benefícios de desoneração tributária que estavam previstos na Medida Provisória 601, que perdeu a validade por decurso de prazo sem ser votada no Senado, e alguns incentivos previstos na Medida Provisória 612.

Com isso, foi incluída na MP a política de desoneração tributária da folha de pagamentos de setores econômicos como o de construção civil, de jornalismo e radiodifusão, de transportes ferroviário, metroviário e rodoviário, de gesso, de caju e de comércio varejista, para fomentar investimentos produtivos e dinamizar o nível de atividade da economia doméstica.

Com informações da Agência Brasil

Açudes do Ceará não sangram há mais de um ano

Dos 134 açudes monitorados pela Cogerh, apenas o Gavião está com sua capacidade acima de 90%

A maior seca dos últimos 50 anos no Ceará continua também reflete nos açudes por todo o estado. Segundo dados da Companhia de Gestão de Recursos Hídricos (Cogerh), faz um ano que nenhum açude sangra no Ceará. Conhecido popularmente, o fenômeno de “sangramento” é como a população batiza a ação de quando um açude começa a transbordar

Números

Dados ainda mais preocupantes diz respeito às capacidades dos reservatórios dos açudes. Dos 134 açudes monitorados pela Cogerh, apenas o Gavião, localizado em Pacatuba – Região Metropolitana de Fortaleza, está com sua capacidade acima de 90%. Na relação dos açudes, 25 estão em situação alarmante de 0 a 9%; 23 estão com reservatórios entre 10 e 19%; 28 apontam 20 a 29% de sua capacidade; 24 estão com 30 a 39% de água; 14 açudes estão com 40 a 49%; Num total de 114 açudes que estão com níveis abaixo de 49%. O outros números compreendem 10 açudes de 50 a 59%; Quatro com 60 a 69% – incluindo o gigante Orós (Orós); Três açudes que apresentam de 70 a 79%; E dois com a capacidade entre 80 e 89%.

Chuva?

Luiz Gonzaga já cantava a súplica cearense nos anos 60 e pedia pro sol se esconder um pouquinho. Pedia pra chover, mas chover de mansinho, “pra ver se nascia uma planta, uma planta no chão”. Mas a situação está difícil e parece que não vai melhorar, como atesta a Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme). Em boletim publicado, a Funceme reafirma que os meteorologistas mantiveram a previsão de maior probabilidade de chuvas abaixo da normal no Ceará. Esse é o prognóstico que abrange os dois últimos meses da quadra chuvosa no Estado (abril e maio) e o primeiro mês da pós-estação (junho).

Ações

A Cogerh informa que o registro do último açude acima de 90% da capacidade foi dia foi 28 de março de 2012. Já em relação às ações de combate, o Governo do Estado, através da Cogerh, informa que fará a construção de adutoras emergenciais e definitivas, ampliará o programa de perfuração de poços, construirá novas adutoras e irá adquirir novas bombas para Eixão das Águas.

Chove em 53 municípios do Ceará

As maiores precipitações foram registradas no Litoral Norte do Estado do Ceará

A maior chuva foi registrada em Camocim (Foto: Andrêza Montenegro)

A maior chuva foi registrada em Camocim (Foto: Andrêza Montenegro)

Choveu em cerca de 50 municípios cearenses nas últimas 24 horas – das 7h de domingo (31) às 7h desta segunda-feira (1º) -, segundo relatório da Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme).

As maiores precipitações foram registradas no Litoral Norte do Estado do Ceará. Em Camocim chegou a chover 80 milímetros. Amontada e Bela Cruz passaram dos 70mm. No entanto, em mais da metade das cidades não houve registro de chuvas.

A previsão da Funceme para as próximas 24 horas diz que há possibilidade de chuvas isoladas no Litoral Norte, Litoral do Pecém e na Ibiapaba.

Dilma no Ceará, por Moésio Fiúza

Dilma no Ceará, por Moésio Fiúza

Bolsa Estiagem vai beneficiar mais de 882 mil agricultores em janeiro

Para reforçar a assistência, o Governo Federal anunciou a ampliação, em mais duas parcelas, do pagamento do benefício

O Bolsa Estiagem, auxílio emergencial financeiro coordenado pelo Ministério da Integração Nacional, pagou, em janeiro, mais uma parcela do benefício a 882,2 mil agricultores familiares afetados por estiagem.

O programa, que só em janeiro investiu R$ 70,7 milhões, atende moradores de Alagoas, Bahia, Ceará, Maranhão, Minas Gerais, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte, Sergipe, além do Paraná, Rio Grande do Sul e Santa Catarina, tem o objetivo de ajudar os trabalhadores rurais a repor a produção de alimentos prejudicada pela falta de chuva.

Mais duas parcelas

Para reforçar a assistência, o Governo Federal anunciou a ampliação, em mais duas parcelas, do pagamento do benefício. Agora, o agricultores vão receber 9 parcelas de R$ 80 por meio de cartões eletrônicos da Caixa Econômica Federal.

Para reduzir os efeitos da estiagem no Nordeste e no norte de Minas Gerais, o Governo Federal já investiu cerca de R$ 5 bilhões em ações como Operação Carro-Pipa, recuperação de poços, oferta de milho para consumo animal, dentre outras.

Ministério da Integração Nacional

Agricultores atingidos pela seca podem prorrogar dívida em até 5 anos

Financiamentos referentes a safras anteriores a de 2011/2012, por sua vez, terão o reembolso prorrogado em um ano

Produtores rurais que tiveram prejuízos em decorrência da seca podem renegociar suas dívidas junto ao Banco do Nordeste. Por meio das Resoluções CMN nº 4.082 e 4.083, os agricultores que custearam a safra 2011/2012 poderão prorrogar suas dívidas em até cinco parcelas anuais, sem encargos de inadimplência, vencendo-se a primeira um ano após a formalização. Para esses produtores, o prazo para formalizar a renegociação vai até 31 de março.

A medida beneficia produtores de todos os portes. A expectativa é que sejam contemplados mais de 650 mil clientes em toda a área de atuação do Banco – região Nordeste e norte de Minas Gerais e Espírito Santo -, sendo 131 mil somente no Estado do Ceará.

 Como negociar

Para regularizar sua situação, o produtor rural precisa comprovar perdas superiores a 30% da renda oriunda da exploração de seu empreendimento, mediante laudo emitido por funcionário do Banco, prestadores de assessoria empresarial ou técnicos conveniados.

Outros financiamentos

Financiamentos referentes a safras anteriores a de 2011/2012, por sua vez, terão o reembolso prorrogado em um ano após a data da última parcela. No caso dos investimentos com recursos do BNDES/Finame, as parcelas em atraso serão incorporadas ao saldo devedor e redistribuídas nas parcelas a vencer.

Neste caso, o cliente também pode optar pela prorrogação em até um ano da dívida, considerando a data da última parcela a vencer. A formalização para as safras anteriores a 2011/12 deve ser feita até o dia 28 de fevereiro.

Para enquadramento, as operações deveriam estar adimplentes na data de 31 de dezembro de 2011  e o produtor ter seu empreendimento localizado em municípios da área de atuação da SUDENE – região Nordeste e Norte dos Estados de Minas Gerais e Espírito Santo, com situação de emergência ou estado de calamidade pública decretado após 01 de dezembro de 2011, reconhecido pelo Governo Federal.

Calendário agrícola do Ceará: saiba como plantio e colheita influenciam no mercado

O período entre janeiro e março é uma das épocas mais caras para o consumidor comprar produtos básicos como arroz e feijão

Com medo de que o drama do ano passado provocado pela seca se repita em 2013, os agricultores familiares do Ceará estudam atentamente o calendário da agricultura no estado. Qualquer interferência anormal do período de estiagem não prejudica apenas a vida de quem depende desse tipo de atividade para sobreviver, mas pode impactar também até mesmo no bolso do consumidor final.

Com a programação de plantio e colheita das principais culturas cultivadas no estado já definidas, a seca pode destruir o planejamento da agricultura cearense, como aconteceu em 2012. O coordenador do Desenvolvimento da Agricultura Familiar, da Secretaria do Desenvolvimento Agrário (SDA), Itamar Marques, explica que a estiagem provoca a queda na oferta de grãos, gerando um aumento no preço final de cada produto.

“A questão dos preços, redução ou elevação, dá-se muito mais em função da oferta e da demanda. Por exemplo, em anos de boa safra, a tendência é de que os preços caiam. Já em anos secos, como ocorreu em 2012, a tendência é de que os preços subam. Isto principalmente em se falando da produção de grãos”, destaca o coordenador ao ressaltar que o fato do consumidor conhecer o calendário pode ajudá-lo a entender o melhor período de oferta de cada cultura.

Início do ano mais caro

O período entre janeiro e março é uma das épocas mais caras para o consumidor comprar produtos básicos como arroz e feijão. De acordo com o calendário divulgado pela Fundação Instituto de Planejamento do Ceará (Iplance), esses três primeiros meses são utilizados para o plantio desses grãos principalmente nas regiões do Cariri e Ibiapaba e, por isso, a oferta é menor, tornando-os mais caros.

Essa realidade não é exclusiva do arroz e feijão, mas também se estende para as principais culturas cultivadas no Ceará, como algodão, mandioca, milho mamona e amendoim. O principal período de plantio desses grãos se concentra no início do ano, dificultando a quantidade ofertada no mercado.

Entenda como funciona o calendário agrícola do Ceará (ARTE: Luana Araújo)

Entenda como funciona o calendário agrícola do Ceará

“Primeiro se planta o feijão em dezembro e, posteriormente, o milho a partir de janeiro. As demais regiões seguem a mesma tendência, isto é, os plantios acontecem tão logo se firme o sistema principal de chuvas do estado com a chegada da zona de convergência intertropical – ZCIT. Isto acontece via de regra entre a segunda quinzena de fevereiro e a primeira de março”, acrescenta Marques.

O coordenador esclarece que o ciclo do feijão é em média de 90 dias e o do milho de 110 a 120 dias. Ele afirma que as culturas do milho e do feijão são responsáveis por cerca de 90% da produção de grãos do Ceará. “Há ainda o plantio de feijão irrigado que acontece a partir do mês de julho de cada ano”, acrescenta.

Verão deixa hortaliças mais baratas

Ao contrário do que acontece com os grãos, o plantio de hortaliças é mais fácil na época do verão, pois a produção desse tipo de cultura é mais difícil durante o inverno. “Em relação às hortaliças, acontece um fenômeno mais ou menos inverso ao de grãos, isto porque se torna mais difícil e mais caro produzir hortaliças no inverno, tendo em vista a maior ocorrência de pragas e doenças. Quando chega o verão é muito comum os preços das hortaliças caírem, pois há uma maior oferta pelo aumento da área plantada”, completa.

Produção nacional deve ser 8,6% maior

A produção nacional de grãos para o período 2012/2013 deve chegar a 180,41 milhões de toneladas, de acordo com o quarto levantamento feito pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Segundo os dados divulgados nesta quarta (9), o volume representa aumento de 8,6% ou 14,23 milhões de toneladas em relação à safra passada (166,17 milhões de toneladas).

A estiagem que atingiu o Ceará no ano passado, porém, deixa o estado distante dessa tendência nacional. “A grande redução apresentada pelo estado do Ceará se deve à estiagem que prejudicou toda a agricultura nordestina em 2012″, informa o documento apresentado pela Conab.

Como conviver com a seca: estratégias de sobrevivência serão catalogadas

Métodos de convivência com a falta de água serão catalogados para servir de orientação a outras famílias

Mais de 8 milhões de brasileiros sofrem com o atual período de semiaridez, definido por especialistas como a pior seca dos últimos 40 anos. Reduzir os efeitos da estiagem e aprender métodos de convivência com o problema são objetivos do projeto lançado pelo Instituto Nacional do Semiárido (Insa) e Rede de Articulação no Semiárido Brasileiro (ASA), com o apoio do Ministério do Meio Ambiente.

Hoje, 16% do território brasileiro são áreas que sofrem com a desertificação, abrangendo 1.488 municípios

Hoje, 16% do território brasileiro são áreas que sofrem com a desertificação, abrangendo 1.488 municípios (FOTO: Omar Jacob)

A iniciativa catalogará, a partir do próximo mês de março, estratégias e métodos já utilizados por pequenos agricultores para enfrentar e conviver, de forma sustentável, com a situação, tanto na região Nordeste como em parte Minas Gerais.

Disseminação das estratégias

“Essas práticas vão desde as coisas mais simples, como quantidade correta de água usada para irrigação, até estratégicas mais elaboradas, como o manejo florestal sustentável para produção de lenha e outros produtos”, explica o diretor do Departamento de Combate à Desertificação da Secretaria de Extrativismo e Desenvolvimento Rural Sustentável do Ministério do Meio Ambiente, Francisco Campello.

A ideia é que outras famílias possam conhecer e praticar aquilo que já vem sendo feito com sucesso por pequenos produtores da agricultura familiar, assentamentos da reforma agrária, dentre outros, nos estados que sofrem com o problema.

900 famílias

Segundo um dos coordenadores da iniciativa, responsável pelo projeto dentro da Rede ASA, Antônio Barbosa, casos de sucesso no convívio com a seca em 900 famílias de nove estados serão analisadas e posteriormente registrados e catalogados.

Localizadas nos estados de Alagoas, Bahia, Ceará, Minas Gerais, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte e Sergipe, essas famílias analisadas já vêm desenvolvendo estratégias, nos últimos anos de forte seca, com estruturas e práticas que garantem segurança alimentar e em algum casos, ainda, geram renda a essas famílias. “Alguns até conseguem passar pela estiagem quase sem perceber”, ressalta o coordenador.

A expectativa do grupo é apresentar as primeiras propostas e resultados de pesquisas até o final deste ano. Com a conclusão dessa, que é a primeira fase do projeto, em 2014, durante a segunda fase, serão selecionados os exemplos com maior impacto e caráter inovador e que podem ser multiplicados com facilidade pelas famílias do semiárido.

Sugestões de políticas públicas

Com o apoio de centros de pesquisa e universidades, serão realizados estudos de caso para avaliar, de forma científica, os impactos das estratégias na qualidade do solo e das sementes. Por fim, com base nos resultados apurados, serão formuladas sugestões de políticas públicas e de ações para outros institutos e organizações socais que atuam na região.

Construção de cisternas de baixo custo para armazenamento de água por maiores períodos e adoção de práticas corretas de irrigação (água em excesso causa o acúmulo de sais minerais que também em excesso fazem mal e causam a degradação do solo), são algumas práticas de convívio com a semiaridez já adotadas por produtores das regiões que sofrem com a seca.

Manejo

Além disso, algumas famílias já adotam projetos de manejo florestal comunitário sustentável de uso múltiplo, promovendo o planejamento ambiental de assentamentos, tornando recursos florestais em ativos ambientais, gerando renda para as famílias e assegurando a conservação da biodiversidade.

O manejo florestal de uso múltiplo além de ofertar lenha (biocombustível solido), promove a segurança alimentar dos rebanhos e das famílias, por meio da oferta forrageira e de produtos como frutas e mel.

Ministério do Meio Ambiente

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