Você se sente seguro em Fortaleza? De 10 entrevistados, todos disseram "não"

REFLEXO DA VIOLÊNCIA

Você se sente seguro em Fortaleza? De 10 entrevistados, todos disseram “não”

Fomos à Praça do Ferreira e ouvimos 10 pessoas, todas de bairros diferentes. A sensação delas é de medo com a violência em Fortaleza

Por Tribuna do Ceará em Segurança Pública

1 de Fevereiro de 2018 às 06:45

Há 5 meses

Na Praça do Ferreira, o Tribuna do Ceará ouviu a população sobre a segurança no Estado. (FOTO: Tribuna do Ceará)

Por Crisneive Silveira

Após a Chacina das Cajazeiras, ocorrida no último sábado (27), em Fortaleza, o tema segurança voltou a ser assunto de debate da população. O Tribuna do Ceará foi à Praça do Ferreira, a mais tradicional do Centro, e ouviu 10 pessoas, cada uma moradora de diferentes bairros, para saber: “você tem sensação de segurança na cidade?” Todos os entrevistados responderam que não têm sensação de segurança, e deram motivos diversos.

Dos dez entrevistados, foram cinco homens e cinco mulheres, com idades entre 23 e 68 anos. Os entrevistados são moradores dos bairros Joaquim Távora, Nossa Senhora das Graças, Aldeota, Bom Jardim, Carlito Pamplona, Cristo Redentor, Araturi, São Cristóvão e Gentilândia, além de um da cidade de Caucaia, na Região Metropolitana de Fortaleza.

Morador do São Cristóvão, André Luiz contou que os moradores já não têm mais coragem de ficar nas calçadas do bairro, e revela que evita até chegar tarde em casa.

“A gente não tem segurança. Quando chega 8 horas (da noite), você não vê mais ninguém nas ruas, nas calçadas. Saí de lá agora de manhã, parece que teve tiroteio na favela. Tava lá Raio, helicóptero, polícia… O pessoal vive ameaçando de invadir aquilo ali. Eu evito até de chegar tarde”, relatou o porteiro de 47 anos. 

Ytamara Nascimento, de 28 anos, diz que até vê policiamento, mas que a sensação de segurança perpassa por uma “condição social”. “Na verdade, até tem policiamento, mas a quantidade de pessoas desabrigadas na rua deixa a gente insegura com relação a isso”, disse a supervisora administrativa, moradora do Araturi, em Caucaia.

Houve críticas também a declarações de autoridades após a chacina do último sábado, do secretário de Segurança, André Costa, que disse que não havia motivo para pânico, e do governador Camilo Santana, que afirmou que tudo estava sob controle.

“O secretário e o governador foram infelizes, quando falaram que estava tudo sob controle. Sob controle deve estar lá na secretaria, onde ele fica cheio de segurança. Para os populares, não”, disse a técnica em segurança do trabalho Aíla Batista, de 49 anos, moradora do Joaquim Távora.

Para o taxista Osmildo Mendes, de 57 anos, a população se encontra sim em pânico. “A gente sabe que não está nada sob controle. Certo que ele está fazendo o trabalho dele, ele tem que fazer o lado dele. Mas tem que ver que não é do jeito que ele está dizendo. A população sente outra coisa. Todo mundo está sob pânico”, alertou o morador do Bom Jardim.

Chacina ocorreu na madrugada de sábado (FOTO: Reprodução/TV Jangadeiro)

Chacina ocorreu na madrugada de sábado (FOTO: Reprodução/TV Jangadeiro)

Maior chacina da história

14 pessoas foram vítimas de uma chacina na madrugada deste sábado (27), no Bairro Cajazeiras. O caso aconteceu em uma pequena casa de shows, conhecida como “Forró do Gago”, na Rua Madre Tereza de Calcutá, na Comunidade Barreirão. Foi a maior registrada na história do Ceará.

Pessoas armadas chegaram em carros e atiraram em outras que estavam na rua, sem qualquer alvo certo. Morreram clientes do local, trabalhadores que estavam vendendo lanches e até um motorista do Uber, que passava pela região.

Acompanhe o caso:

31/1 – Casa de shows onde aconteceu chacina tem o nome retirado da fachada

31/1 – Casa de show onde ocorreu chacina pode ser fechada por crime ambiental, avisa delegado

31/1 – Mãe de vendedora de lanches morta em chacina já havia perdido outros 2 filhos

30/1 – Temer aprova criação de grupo especializado da PF para combater crime organizado no Ceará

30/1 – Manifestantes bloqueiam BR-116 de novo e prometem que protesto vai durar 18 dias

30/1 – Secretaria da Justiça identifica responsáveis pelo massacre em cadeia de Itapajé

30/1 – Facções ganharam força no Ceará nos últimos 5 anos, reconhece chefe de gabinete do Governo

30/1 – Média diária de homicídios já supera a marca de 2017, ano que registrou recorde no Ceará

30/1 – Secretário de Segurança descarta entregar o cargo: “De forma alguma!”

29/1 – Senador Tasso Jereissati afirma que “as autoridades devem assumir suas responsabilidade”, sobre violência no Ceará

29/1 – Moradores bloqueiam BR-116 com fogo em manifestação após maior chacina no Ceará

29/1 – Sete homens são presos com armas em velório de vítima da Chacina das Cajazeiras

29/1 – “Facções parecem não acreditar que exista governo”, comenta Nonato Albuquerque

29/1 – Jornal Jangadeiro mostra todos os detalhes da chacina em Fortaleza; confira na íntegra

29/1 – Mais um ministro rebate críticas de Camilo: “Quem não tem competência, que não se estabeleça”

29/1 – 50% dos 5 mil mortos em 2017 faziam parte de facções, aponta secretário de Segurança

29/1 – Grande Fortaleza teve fim de semana mais violento do ano, com pelo menos 47 assassinatos

29/1 – “Governos não pedem apoio federal por questão política”, diz ministro da Justiça após fala de Camilo

29/1 – Garota de 19 anos havia ido comprar lanche quando foi morta em chacina

29/1 – 8 dos 14 mortos em chacina tinham até 25 anos. Veja os nomes das vítimas

28/1 – Cinco suspeitos de chacina já foram identificados, anuncia Camilo Santana

28/1 – “Preto e pobre vira estatística quando morre”, lamenta sobrinha de vendedor morto em chacina

28/1 – “Violência no Ceará não é caso isolado”, afirma sociólogo após maior chacina no estado

27/1 – Mãe da vendedora de lanches morta em chacina decide doar órgãos

27/1 – Motorista de Uber levava passageiro quando foi atingido por tiros na Chacina das Cajazeiras

27/1 – Facção assume autoria de Chacina das Cajazeiras; Facção rival promete revanche

27/1 – Sobrevivente detalha momentos de terror durante maior chacina do Ceará

27/1 – Preso o 1º suspeito de chacina que deixou pelo menos 14 mortos em Fortaleza

27/1 – “Não há motivo para pânico”, declara secretário da Segurança Pública após maior chacina no Ceará

27/1 – Número de homicídios no Ceará saltou 545% nos últimos 20 anos

27/1 – Presidente do Sinpol culpa Governo por chacina: “Governo negou existência de facções por muito tempo”

27/1 – Chacina das Cajazeiras deixa pelo menos 14 mortos durante festa

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REFLEXO DA VIOLÊNCIA

Você se sente seguro em Fortaleza? De 10 entrevistados, todos disseram “não”

Fomos à Praça do Ferreira e ouvimos 10 pessoas, todas de bairros diferentes. A sensação delas é de medo com a violência em Fortaleza

Por Tribuna do Ceará em Segurança Pública

1 de Fevereiro de 2018 às 06:45

Há 5 meses

Na Praça do Ferreira, o Tribuna do Ceará ouviu a população sobre a segurança no Estado. (FOTO: Tribuna do Ceará)

Por Crisneive Silveira

Após a Chacina das Cajazeiras, ocorrida no último sábado (27), em Fortaleza, o tema segurança voltou a ser assunto de debate da população. O Tribuna do Ceará foi à Praça do Ferreira, a mais tradicional do Centro, e ouviu 10 pessoas, cada uma moradora de diferentes bairros, para saber: “você tem sensação de segurança na cidade?” Todos os entrevistados responderam que não têm sensação de segurança, e deram motivos diversos.

Dos dez entrevistados, foram cinco homens e cinco mulheres, com idades entre 23 e 68 anos. Os entrevistados são moradores dos bairros Joaquim Távora, Nossa Senhora das Graças, Aldeota, Bom Jardim, Carlito Pamplona, Cristo Redentor, Araturi, São Cristóvão e Gentilândia, além de um da cidade de Caucaia, na Região Metropolitana de Fortaleza.

Morador do São Cristóvão, André Luiz contou que os moradores já não têm mais coragem de ficar nas calçadas do bairro, e revela que evita até chegar tarde em casa.

“A gente não tem segurança. Quando chega 8 horas (da noite), você não vê mais ninguém nas ruas, nas calçadas. Saí de lá agora de manhã, parece que teve tiroteio na favela. Tava lá Raio, helicóptero, polícia… O pessoal vive ameaçando de invadir aquilo ali. Eu evito até de chegar tarde”, relatou o porteiro de 47 anos. 

Ytamara Nascimento, de 28 anos, diz que até vê policiamento, mas que a sensação de segurança perpassa por uma “condição social”. “Na verdade, até tem policiamento, mas a quantidade de pessoas desabrigadas na rua deixa a gente insegura com relação a isso”, disse a supervisora administrativa, moradora do Araturi, em Caucaia.

Houve críticas também a declarações de autoridades após a chacina do último sábado, do secretário de Segurança, André Costa, que disse que não havia motivo para pânico, e do governador Camilo Santana, que afirmou que tudo estava sob controle.

“O secretário e o governador foram infelizes, quando falaram que estava tudo sob controle. Sob controle deve estar lá na secretaria, onde ele fica cheio de segurança. Para os populares, não”, disse a técnica em segurança do trabalho Aíla Batista, de 49 anos, moradora do Joaquim Távora.

Para o taxista Osmildo Mendes, de 57 anos, a população se encontra sim em pânico. “A gente sabe que não está nada sob controle. Certo que ele está fazendo o trabalho dele, ele tem que fazer o lado dele. Mas tem que ver que não é do jeito que ele está dizendo. A população sente outra coisa. Todo mundo está sob pânico”, alertou o morador do Bom Jardim.

Chacina ocorreu na madrugada de sábado (FOTO: Reprodução/TV Jangadeiro)

Chacina ocorreu na madrugada de sábado (FOTO: Reprodução/TV Jangadeiro)

Maior chacina da história

14 pessoas foram vítimas de uma chacina na madrugada deste sábado (27), no Bairro Cajazeiras. O caso aconteceu em uma pequena casa de shows, conhecida como “Forró do Gago”, na Rua Madre Tereza de Calcutá, na Comunidade Barreirão. Foi a maior registrada na história do Ceará.

Pessoas armadas chegaram em carros e atiraram em outras que estavam na rua, sem qualquer alvo certo. Morreram clientes do local, trabalhadores que estavam vendendo lanches e até um motorista do Uber, que passava pela região.

Acompanhe o caso:

31/1 – Casa de shows onde aconteceu chacina tem o nome retirado da fachada

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30/1 – Temer aprova criação de grupo especializado da PF para combater crime organizado no Ceará

30/1 – Manifestantes bloqueiam BR-116 de novo e prometem que protesto vai durar 18 dias

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30/1 – Facções ganharam força no Ceará nos últimos 5 anos, reconhece chefe de gabinete do Governo

30/1 – Média diária de homicídios já supera a marca de 2017, ano que registrou recorde no Ceará

30/1 – Secretário de Segurança descarta entregar o cargo: “De forma alguma!”

29/1 – Senador Tasso Jereissati afirma que “as autoridades devem assumir suas responsabilidade”, sobre violência no Ceará

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