"Violência no Ceará não é caso isolado", afirma sociólogo após maior chacina no estado

CHACINA DAS CAJAZEIRAS

“Violência no Ceará não é caso isolado”, afirma sociólogo após maior chacina no estado

A Chacina das Cajazeiras deixou pelo menos 14 mortos. Segundo o secretário da Segurança, André Costa, o crime foi “um caso isolado”; especialistas discordam

Por Tribuna Bandnews FM em Segurança Pública

28 de Janeiro de 2018 às 11:09

Há 11 meses
Chacina ocorreu na madrugada de sábado (FOTO: Reprodução/TV Jangadeiro)

Chacina ocorreu na madrugada de sábado (FOTO: Reprodução/TV Jangadeiro)

A chacina que deixou pelo menos 14 pessoas mortas no sábado (28) chocou o Ceará. Especialistas comentaram o caso em entrevistas à rádio Tribuna BandNews FM.

Segundo o sociólogo do Laboratório de Estudos da Violência (LEV), Luís Fábio Paiva, a declaração do secretário da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS), André Costa, “é irresponsável e imoral”. André Costa havia afirmado em entrevista coletiva que a chacina havia sido um “caso isolado” e que “não havia motivo para pânico e temor”.

“Nós não estamos vivendo nenhuma situação isolada. Essa fala do secretário é irresponsável e imoral. Pode ser que ele [secretário] e o governador estejam vivendo alguma situação isolada, mas nós não”, enfatizou o especialista.

Luís Fábio lamentou os mais de 5.000 homicídios registrados no Ceará durante o ano de 2017 e reprovou novamente a fala de André Costa. “O que está acontecendo é uma sistemática de homicídios que vem se repetindo quase que da mesma forma: jovens muito bem armados e que acham e acreditam que podem fazer o que bem entendem. Na declaração do secretário, ele afirma que o Estado não perdeu o controle… eu também acho que o Estado não pode perder o controle daquilo que nunca teve”, destacou.

Para o presidente da Comissão de Direito Penitenciário da OAB-CE, Márcio Vítor Albuquerque, o problema vivenciado atualmente é um “descaso” que ocorre há pelo menos uma década. “A quantidade de homicídios vem aumentando nos últimos anos. Não interessa se as mortes são efetivamente só de gente ligada ao crime organizado, até porque nós não acreditamos nisso. É necessário haver a união do Ceará, um trabalho com todos os municípios e com a própria União de Segurança Nacional”, indica.

A procuradora da Justiça, Vanja Fontenele, lamentou a situação e informou que as investigações estão sendo feitas. “Isso não é só no Ceará, estamos acompanhando todos os noticiários, é uma situação do país. Por enquanto, não temos motivo para intervenção federal. Espero que a violência pare aqui”, concluiu.

Conselho cogita pedir intervenção federal

O presidente do Conselho Estadual de Segurança Pública, advogado Leandro Vásques, cogita pedir intervenção federal no Ceará. “Lamento muito. Temos a necessidade de rediscutir uma intervenção federal. Não podemos nos omitir, é um cenário apocalíptico mesmo. Estamos batendo todos os recordes de homicídios, não temos que esperar piorar para tomar medida mais incisiva”, enfatizou.

Segundo disse, se a maioria do Conselho não quiser debater a intervenção, ele recorrerá à Ordem dos Advogados do Brasil, secção Ceará. “O Conselho não é o único ente que tem legitimidade para debater isso não. Vou entrar em contato com a OAB para que a diretoria possa deliberar a discussão oficial do pedido de intervenção. Acredito que não podemos nos omitir. É um cenário apocalíptico”.

Maior chacina no Ceará

A Chacina das Cajazeiras ocorreu na madrugada de sábado (28). O caso aconteceu em uma pequena casa de shows, conhecida como “Forró do Gago”, na Rua Madre Tereza de Calcutá, na Comunidade Barreirão.

Pessoas armadas chegaram em carros e atiraram em outras que estavam na rua, sem qualquer alvo certo. Morreram clientes do local, trabalhadores que estavam vendendo lanches e até um motorista de um aplicativo de transporte de passageiros, que passava pela região. 

Apesar de a SSPDS confirmar 14 mortes, outros órgãos já afirmam que 18 pessoas teriam sido vítimas do crime. Segundo presidente do Sindicato dos Policiais Civis (Sinpol), Francisco Lucas Oliveira, mulheres são maioria das vítimas da chacina.

O caso teria sido um ataque de facção criminosa à comunidade de seus inimigos. Um dos suspeitos foi preso e um fuzil apreendido.

Acompanhe o caso:

27/1 – Mãe da vendedora de lanches morta em chacina decide doar órgãos

27/1 – Motorista de Uber levava passageiro quando foi atingido por tiros na Chacina das Cajazeiras

27/1 – Facção assume autoria de Chacina das Cajazeiras; Facção rival promete revanche

27/1 – Sobrevivente detalha momentos de terror durante maior chacina do Ceará

27/1 – Preso o 1º suspeito de chacina que deixou pelo menos 14 mortos em Fortaleza

27/1 – “Não há motivo para pânico”, declara secretário da Segurança Pública após maior chacina no Ceará

27/1 – Número de homicídios no Ceará saltou 545% nos últimos 20 anos

27/1 – Presidente do Sinpol culpa Governo por chacina: “Governo negou existência de facções por muito tempo”

27/1 – Chacina das Cajazeiras deixa pelo menos 14 mortos durante festa

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CHACINA DAS CAJAZEIRAS

“Violência no Ceará não é caso isolado”, afirma sociólogo após maior chacina no estado

A Chacina das Cajazeiras deixou pelo menos 14 mortos. Segundo o secretário da Segurança, André Costa, o crime foi “um caso isolado”; especialistas discordam

Por Tribuna Bandnews FM em Segurança Pública

28 de Janeiro de 2018 às 11:09

Há 11 meses
Chacina ocorreu na madrugada de sábado (FOTO: Reprodução/TV Jangadeiro)

Chacina ocorreu na madrugada de sábado (FOTO: Reprodução/TV Jangadeiro)

A chacina que deixou pelo menos 14 pessoas mortas no sábado (28) chocou o Ceará. Especialistas comentaram o caso em entrevistas à rádio Tribuna BandNews FM.

Segundo o sociólogo do Laboratório de Estudos da Violência (LEV), Luís Fábio Paiva, a declaração do secretário da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS), André Costa, “é irresponsável e imoral”. André Costa havia afirmado em entrevista coletiva que a chacina havia sido um “caso isolado” e que “não havia motivo para pânico e temor”.

“Nós não estamos vivendo nenhuma situação isolada. Essa fala do secretário é irresponsável e imoral. Pode ser que ele [secretário] e o governador estejam vivendo alguma situação isolada, mas nós não”, enfatizou o especialista.

Luís Fábio lamentou os mais de 5.000 homicídios registrados no Ceará durante o ano de 2017 e reprovou novamente a fala de André Costa. “O que está acontecendo é uma sistemática de homicídios que vem se repetindo quase que da mesma forma: jovens muito bem armados e que acham e acreditam que podem fazer o que bem entendem. Na declaração do secretário, ele afirma que o Estado não perdeu o controle… eu também acho que o Estado não pode perder o controle daquilo que nunca teve”, destacou.

Para o presidente da Comissão de Direito Penitenciário da OAB-CE, Márcio Vítor Albuquerque, o problema vivenciado atualmente é um “descaso” que ocorre há pelo menos uma década. “A quantidade de homicídios vem aumentando nos últimos anos. Não interessa se as mortes são efetivamente só de gente ligada ao crime organizado, até porque nós não acreditamos nisso. É necessário haver a união do Ceará, um trabalho com todos os municípios e com a própria União de Segurança Nacional”, indica.

A procuradora da Justiça, Vanja Fontenele, lamentou a situação e informou que as investigações estão sendo feitas. “Isso não é só no Ceará, estamos acompanhando todos os noticiários, é uma situação do país. Por enquanto, não temos motivo para intervenção federal. Espero que a violência pare aqui”, concluiu.

Conselho cogita pedir intervenção federal

O presidente do Conselho Estadual de Segurança Pública, advogado Leandro Vásques, cogita pedir intervenção federal no Ceará. “Lamento muito. Temos a necessidade de rediscutir uma intervenção federal. Não podemos nos omitir, é um cenário apocalíptico mesmo. Estamos batendo todos os recordes de homicídios, não temos que esperar piorar para tomar medida mais incisiva”, enfatizou.

Segundo disse, se a maioria do Conselho não quiser debater a intervenção, ele recorrerá à Ordem dos Advogados do Brasil, secção Ceará. “O Conselho não é o único ente que tem legitimidade para debater isso não. Vou entrar em contato com a OAB para que a diretoria possa deliberar a discussão oficial do pedido de intervenção. Acredito que não podemos nos omitir. É um cenário apocalíptico”.

Maior chacina no Ceará

A Chacina das Cajazeiras ocorreu na madrugada de sábado (28). O caso aconteceu em uma pequena casa de shows, conhecida como “Forró do Gago”, na Rua Madre Tereza de Calcutá, na Comunidade Barreirão.

Pessoas armadas chegaram em carros e atiraram em outras que estavam na rua, sem qualquer alvo certo. Morreram clientes do local, trabalhadores que estavam vendendo lanches e até um motorista de um aplicativo de transporte de passageiros, que passava pela região. 

Apesar de a SSPDS confirmar 14 mortes, outros órgãos já afirmam que 18 pessoas teriam sido vítimas do crime. Segundo presidente do Sindicato dos Policiais Civis (Sinpol), Francisco Lucas Oliveira, mulheres são maioria das vítimas da chacina.

O caso teria sido um ataque de facção criminosa à comunidade de seus inimigos. Um dos suspeitos foi preso e um fuzil apreendido.

Acompanhe o caso:

27/1 – Mãe da vendedora de lanches morta em chacina decide doar órgãos

27/1 – Motorista de Uber levava passageiro quando foi atingido por tiros na Chacina das Cajazeiras

27/1 – Facção assume autoria de Chacina das Cajazeiras; Facção rival promete revanche

27/1 – Sobrevivente detalha momentos de terror durante maior chacina do Ceará

27/1 – Preso o 1º suspeito de chacina que deixou pelo menos 14 mortos em Fortaleza

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27/1 – Presidente do Sinpol culpa Governo por chacina: “Governo negou existência de facções por muito tempo”

27/1 – Chacina das Cajazeiras deixa pelo menos 14 mortos durante festa