Triatleta denuncia agressão policial ao sair de casa para o treino com o filho

RELATO

Triatleta denuncia agressão policial ao sair de casa para o treino com o filho

Pai e filho saíam de casa para treinar às 4h30 da madrugada, com bicicleta e roupa de treino, quando foram abordados por policiais. O triatleta é uma das referências no esporte no Ceará

Por Tribuna do Ceará em Segurança Pública

29 de novembro de 2018 às 17:20

Há 2 semanas
Dude relata ter sofrido a agressão quando saía para treinar. (Foto: Reprodução)

Dude relata ter sofrido a agressão quando saía para treinar. (Foto: Reprodução)

Um dos melhores triatletas do Ceará Dudé Vitorino relata ter sido vítima de uma abordagem policial violenta na madrugada desta quinta-feira (29). Morador da comunidade Baixa Pau, na região do Poço da Draga, na Praia de Iracema, ele e o filho Victor Vitorino, de 15 anos, saíam de casa para treinar quando foram abordados por uma patrulha policial. O caso aconteceu por volta das 4h30.

“Tínhamos acabado de sair de casa. Onde moro é muito perigoso, é na parte onde o pessoal diz que é mais quente. Eles (policiais) devem ter vindo atrás de alguém, mas já vieram nos agredindo verbalmente, dizendo: ‘encosta, vagabundo’. A gente estava fardado, com material de treino, mas foram logo pedindo para botar a mão na cabeça, jogaram meu filho nas plantas”, conta Dudé.

> Leia também: Conheça Dudé: um dos melhores triatletas do Ceará que diz só estar vivo graças ao esporte

Segundo ele, uma senhora que mora em frente à sua casa tentou intervir, explicando que não se tratavam de bandidos, mas a Polícia teria mandado a moradora se calar, chamando-a também de “vagabunda”.

“Um dos policiais deu dois tiros para cima, ao lado do meu filho. Minha mulher saiu de casa, eles mandaram entrar, (dizendo) que não era hora de vagabundo estar na rua. Fiquei sem ação, ainda mais quando vi meu filho em estado de choque”, destaca.

Mais cedo, Dudé conta que ouviu disparos distante da sua casa, por isso esperou cerca de meia hora para sair para o treino. O triatleta é uma das referências no esporte no Ceará. Ele coleciona títulos como campeão cearense Triathlon, campeão da Copa Brasil, do IronMan, dentre outros.

Dudé ainda se encaminhou à Corregedoria da Polícia Militar, mas o prédio estava fechado devido ao horário. O esportista disse que não registrou Boletim de Ocorrência por considerar que “não adianta”. Ele ressaltou que a atitude truculenta não foi de todos os policiais, um deles ainda chegou a pedir desculpas.

“Não é a primeira vez. A pessoa que mora em comunidade vive desse jeito. Eles entram sem o nome, e a viatura não fica exposta, para ninguém pegar o número e denunciar se acontecer alguma coisa”, lamenta.

Em nota ao Tribuna do Ceará, a Polícia Militar afirmou que, no referido horário e local, foi registrada junto à Coordenadoria Integrada de Operações de Segurança (CIOPS) uma ocorrência de disparo de arma de fogo.

“Porém, os elementos de informação até então colhidos não são suficientes para afirmar se a ocorrência relatada na demanda é a mesma registrada na CIOPS, bem como se houve ou não excesso por parte da composição policial militar”, diz a nota.

Ainda segundo a PM, “a Corporação realizará as apurações devidas, divulgando oportunamente mais detalhes”.

Publicidade

Dê sua opinião

RELATO

Triatleta denuncia agressão policial ao sair de casa para o treino com o filho

Pai e filho saíam de casa para treinar às 4h30 da madrugada, com bicicleta e roupa de treino, quando foram abordados por policiais. O triatleta é uma das referências no esporte no Ceará

Por Tribuna do Ceará em Segurança Pública

29 de novembro de 2018 às 17:20

Há 2 semanas
Dude relata ter sofrido a agressão quando saía para treinar. (Foto: Reprodução)

Dude relata ter sofrido a agressão quando saía para treinar. (Foto: Reprodução)

Um dos melhores triatletas do Ceará Dudé Vitorino relata ter sido vítima de uma abordagem policial violenta na madrugada desta quinta-feira (29). Morador da comunidade Baixa Pau, na região do Poço da Draga, na Praia de Iracema, ele e o filho Victor Vitorino, de 15 anos, saíam de casa para treinar quando foram abordados por uma patrulha policial. O caso aconteceu por volta das 4h30.

“Tínhamos acabado de sair de casa. Onde moro é muito perigoso, é na parte onde o pessoal diz que é mais quente. Eles (policiais) devem ter vindo atrás de alguém, mas já vieram nos agredindo verbalmente, dizendo: ‘encosta, vagabundo’. A gente estava fardado, com material de treino, mas foram logo pedindo para botar a mão na cabeça, jogaram meu filho nas plantas”, conta Dudé.

> Leia também: Conheça Dudé: um dos melhores triatletas do Ceará que diz só estar vivo graças ao esporte

Segundo ele, uma senhora que mora em frente à sua casa tentou intervir, explicando que não se tratavam de bandidos, mas a Polícia teria mandado a moradora se calar, chamando-a também de “vagabunda”.

“Um dos policiais deu dois tiros para cima, ao lado do meu filho. Minha mulher saiu de casa, eles mandaram entrar, (dizendo) que não era hora de vagabundo estar na rua. Fiquei sem ação, ainda mais quando vi meu filho em estado de choque”, destaca.

Mais cedo, Dudé conta que ouviu disparos distante da sua casa, por isso esperou cerca de meia hora para sair para o treino. O triatleta é uma das referências no esporte no Ceará. Ele coleciona títulos como campeão cearense Triathlon, campeão da Copa Brasil, do IronMan, dentre outros.

Dudé ainda se encaminhou à Corregedoria da Polícia Militar, mas o prédio estava fechado devido ao horário. O esportista disse que não registrou Boletim de Ocorrência por considerar que “não adianta”. Ele ressaltou que a atitude truculenta não foi de todos os policiais, um deles ainda chegou a pedir desculpas.

“Não é a primeira vez. A pessoa que mora em comunidade vive desse jeito. Eles entram sem o nome, e a viatura não fica exposta, para ninguém pegar o número e denunciar se acontecer alguma coisa”, lamenta.

Em nota ao Tribuna do Ceará, a Polícia Militar afirmou que, no referido horário e local, foi registrada junto à Coordenadoria Integrada de Operações de Segurança (CIOPS) uma ocorrência de disparo de arma de fogo.

“Porém, os elementos de informação até então colhidos não são suficientes para afirmar se a ocorrência relatada na demanda é a mesma registrada na CIOPS, bem como se houve ou não excesso por parte da composição policial militar”, diz a nota.

Ainda segundo a PM, “a Corporação realizará as apurações devidas, divulgando oportunamente mais detalhes”.