Sobrevivente detalha momentos de terror durante maior chacina do Ceará

"TIVE MEDO DE MORRER"

Sobrevivente detalha momentos de terror durante maior chacina do Ceará

Foram cerca de 10 minutos de tiros e pelo menos 14 pessoas mortas. “Era muita gente tentando escapar deitando no chão, no telhado, eu tive muito medo de morrer”

Por Lyvia Rocha em Segurança Pública

27 de Janeiro de 2018 às 16:02

Há 5 meses
A jovem sobreviveu a chacina (FOTO: Reprodução/TV Jangadeiro)

A jovem sobreviveu a chacina (FOTO: Reprodução/TV Jangadeiro)

“Tive muito medo de morrer. Uma bala passou raspando em mim”. É dessa forma que descreve uma das sobreviventes da maior chacina da história do Ceará, que aconteceu na madrugada deste sábado (27), no bairro Cajazeiras, em Fortaleza.

A jovem que não pediu para não ser identificada disse que chegou à festa por volta de meia-noite e, meia hora depois, os tiros começaram. A entrevista foi concedida ao repórter Eumar Lima, da TV Jangadeiro/SBT.

“Eles invadiram e começaram a ‘meter bala’ em todo mundo. Eles não apontavam para ninguém, apenas ‘metiam a bala’. Eu, assim como outras pessoas, corri para o bar que fica ao lado para tentar sobreviver, mas eles foram lá também e conseguiram atingir uma amiga minha e uma bala passou pertinho de mim”, descreve os momentos de pânico que viveu.

A vítima ouviu pelo menos 10 minutos de muitos tiros e falou que muitas pessoas tentaram se salvar fugindo por vários lugares. “Foram mais ou menos 15 pessoas que chegaram e atiraram para todos os lados. Era muita gente tentando escapar deitando no chão, no telhado, eu tive muito medo de morrer”, diz a jovem sobrevivente.

O caso

Segundo a SSPDS, 14 pessoas foram vítimas de uma chacina na madrugada deste sábado (27), no Bairro Cajazeiras, em Fortaleza. No entanto, outros órgãos já afirmam que o número seria maior: 18 mortes.

O caso aconteceu em uma pequena casa de shows, conhecida como “Forró do Gago”, na Rua Madre Tereza de Calcutá, na Comunidade Barreirão.

Pessoas armadas chegaram em carros e atiraram em outras que estavam na rua, sem qualquer alvo certo. Morreram clientes do local, trabalhadores que estavam vendendo lanches e até um motorista de um aplicativo de transporte de passageiros, que passava pela região.

Imagens divulgadas em redes sociais mostram que a maioria das vítimas trata-se de mulheres. O caso teria sido um ataque de facção criminosa à comunidade de seus inimigos. Sobreviventes da chacina foram encaminhados ao Frotinha da Messejana.

Uma pessoa foi presa suspeita de participação na chacina que deixou pelo menos 14 pessoas mortas. De acordo com a Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS), um fuzil também foi apreendido.

Secretário diz que não “há motivo para pânico”

Após a chacina, o secretário da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS), André Costa, afirmou que “não há motivo para pânico, para temor”. A declaração foi concedida em entrevista coletiva neste sábado.

De acordo com André Costa, sete vítimas foram identificadas pela Perícia Forense. Das sete, três homens e duas mulheres maiores de idade, além de duas menores de idade. Indagado sobre a violência no estado, o secretário informou que o crime foi algo isolado. “Claro que não há perda de controle, foi um evento isolado. No mundo todo tem situações assim (…) é difícil evitar. Estamos acompanhando o atendimento dessas vítimas. Toda e qualquer pessoa que for responsável responderá. A gente está trabalhando desde o momento que aconteceu o fato”.

Também durante a coletiva, a procuradora de Justiça, Vanja Fontenele, lamentou a situação e informou que as investigações estão sendo feitas. “Estamos empenhados. Por enquanto, não temos motivo para intervenção federal. Espero que a violência pare aqui”, concluiu.

Em respeito às vítimas, o evento que seria realizado no Bairro Barroso, Feira Massa, foi cancelado.

Acompanhe o caso:

27/1 – Chacina das Cajazeiras deixa pelo menos 18 mortos durante festa

27/1 – Presidente do Sinpol culpa Governo por chacina: “Governo negou existência de facções por muito tempo”

27/1 – Número de homicídios no Ceará saltou 545% nos últimos 20 anos

27/1 – “Não há motivo para pânico”, declara secretário da Segurança Pública após maior chacina no Ceará

27/01 – Preso o 1º suspeito de chacina que deixou pelo menos 14 mortos em Fortaleza

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"TIVE MEDO DE MORRER"

Sobrevivente detalha momentos de terror durante maior chacina do Ceará

Foram cerca de 10 minutos de tiros e pelo menos 14 pessoas mortas. “Era muita gente tentando escapar deitando no chão, no telhado, eu tive muito medo de morrer”

Por Lyvia Rocha em Segurança Pública

27 de Janeiro de 2018 às 16:02

Há 5 meses
A jovem sobreviveu a chacina (FOTO: Reprodução/TV Jangadeiro)

A jovem sobreviveu a chacina (FOTO: Reprodução/TV Jangadeiro)

“Tive muito medo de morrer. Uma bala passou raspando em mim”. É dessa forma que descreve uma das sobreviventes da maior chacina da história do Ceará, que aconteceu na madrugada deste sábado (27), no bairro Cajazeiras, em Fortaleza.

A jovem que não pediu para não ser identificada disse que chegou à festa por volta de meia-noite e, meia hora depois, os tiros começaram. A entrevista foi concedida ao repórter Eumar Lima, da TV Jangadeiro/SBT.

“Eles invadiram e começaram a ‘meter bala’ em todo mundo. Eles não apontavam para ninguém, apenas ‘metiam a bala’. Eu, assim como outras pessoas, corri para o bar que fica ao lado para tentar sobreviver, mas eles foram lá também e conseguiram atingir uma amiga minha e uma bala passou pertinho de mim”, descreve os momentos de pânico que viveu.

A vítima ouviu pelo menos 10 minutos de muitos tiros e falou que muitas pessoas tentaram se salvar fugindo por vários lugares. “Foram mais ou menos 15 pessoas que chegaram e atiraram para todos os lados. Era muita gente tentando escapar deitando no chão, no telhado, eu tive muito medo de morrer”, diz a jovem sobrevivente.

O caso

Segundo a SSPDS, 14 pessoas foram vítimas de uma chacina na madrugada deste sábado (27), no Bairro Cajazeiras, em Fortaleza. No entanto, outros órgãos já afirmam que o número seria maior: 18 mortes.

O caso aconteceu em uma pequena casa de shows, conhecida como “Forró do Gago”, na Rua Madre Tereza de Calcutá, na Comunidade Barreirão.

Pessoas armadas chegaram em carros e atiraram em outras que estavam na rua, sem qualquer alvo certo. Morreram clientes do local, trabalhadores que estavam vendendo lanches e até um motorista de um aplicativo de transporte de passageiros, que passava pela região.

Imagens divulgadas em redes sociais mostram que a maioria das vítimas trata-se de mulheres. O caso teria sido um ataque de facção criminosa à comunidade de seus inimigos. Sobreviventes da chacina foram encaminhados ao Frotinha da Messejana.

Uma pessoa foi presa suspeita de participação na chacina que deixou pelo menos 14 pessoas mortas. De acordo com a Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS), um fuzil também foi apreendido.

Secretário diz que não “há motivo para pânico”

Após a chacina, o secretário da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS), André Costa, afirmou que “não há motivo para pânico, para temor”. A declaração foi concedida em entrevista coletiva neste sábado.

De acordo com André Costa, sete vítimas foram identificadas pela Perícia Forense. Das sete, três homens e duas mulheres maiores de idade, além de duas menores de idade. Indagado sobre a violência no estado, o secretário informou que o crime foi algo isolado. “Claro que não há perda de controle, foi um evento isolado. No mundo todo tem situações assim (…) é difícil evitar. Estamos acompanhando o atendimento dessas vítimas. Toda e qualquer pessoa que for responsável responderá. A gente está trabalhando desde o momento que aconteceu o fato”.

Também durante a coletiva, a procuradora de Justiça, Vanja Fontenele, lamentou a situação e informou que as investigações estão sendo feitas. “Estamos empenhados. Por enquanto, não temos motivo para intervenção federal. Espero que a violência pare aqui”, concluiu.

Em respeito às vítimas, o evento que seria realizado no Bairro Barroso, Feira Massa, foi cancelado.

Acompanhe o caso:

27/1 – Chacina das Cajazeiras deixa pelo menos 18 mortos durante festa

27/1 – Presidente do Sinpol culpa Governo por chacina: “Governo negou existência de facções por muito tempo”

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27/1 – “Não há motivo para pânico”, declara secretário da Segurança Pública após maior chacina no Ceará

27/01 – Preso o 1º suspeito de chacina que deixou pelo menos 14 mortos em Fortaleza