Secretário de Segurança questiona hipótese de união entre facções para atacar o Estado

ONDA DE ATAQUES

Secretário de Segurança questiona hipótese de união entre facções para atacar o Estado

Em entrevista à Tribuna Band News FM, o secretário André Costa criticou os “especialistas em segurança pública” que opinam sem conhecer a realidade policial

Por Tribuna do Ceará em Segurança Pública

1 de fevereiro de 2019 às 12:13

Há 3 meses
André Costa negou a existência de acordo entre as facções

O secretário de segurança concedeu entrevista na manhã desta sexta (1) à Tribuna BandNews FM (Foto: Divulgação/TV Jangadeiro)

O secretário de Segurança, André Costa, questiona a hipótese de que as facções criminosas tenham se unido para enfrentar o Estado com uma série de ataques a prédios públicos e privados, ônibus e veículos. Em entrevista à Rádio Tribuna Band News FM nesta sexta-feira (1), o titular da pasta categorizou as afirmações de especialistas em segurança como “inocentes” e “irresponsáveis”.

“Eu tenho ouvido algumas opiniões, mais uma vez volto a criticar alguns pseudo-especialistas defendendo categoricamente que essas organizações se uniram contra o Estado. Você acha que alguém iria se unir a quem matou a sua mãe, irmão ou filho?”, questiona.

Segundo ele, os grupos continuam rivais, mas se voltaram contra o governo devido “a uma série de ações enérgicas” adotadas. “Cada um está trilhando o seu caminho. Em momento nenhum houve uma trégua ou acordo, é muita inocência acreditar nisso. Agora, o foco deles não é o grupo rival, mas sim o Estado”, ressalta.

Áudio sugeriu pacto

No início dos ataques, a TV Jangadeiro teve acesso a um áudio de um criminoso, recebido por uma fonte do sistema prisional, que afirmava a existência desse pacto. O acordo teria causado, inclusive, impacto no número de homicídios em Fortaleza no mês de janeiro, que ficou bem abaixo da média segundo dados preliminares da SSPDS.

“Foi dada uma trégua entre as guerras de facções, pelo objetivo maior que é brigar contra o Governo do Estado, que tá querendo oprimir, torturar, matar nossos irmãos e todos os irmãos que se encontram no privado, entendeu?”, dizia um dos áudios.

Do dia 2 de janeiro ao dia 29 deste ano, o Ceará viveu 28 dias de terror, com 282 ataques em 56 cidades cearenses, sendo 133 concentrados na capital. Há três dias não são registrados ataques. Os ataques tiveram início um dia após o secretário de Administração Penitenciária, Luís Mauro Albuquerque, ter afirmado não reconhecer as facções e anunciar mudanças no sistema prisional.

O membro do Conselho Penitenciário (Copen), Cláudio Justa, entende que cada facção atuou com seus respectivos atentados em diversas cidades do Ceará, mas não estão trabalhando completamente em conjunto. “Não existe um trabalho em conjunto de todas as facções, o que existe é um pacto de não agressão e cada facção faz sua ação de terror”, explica Justa.

Confira outros destaques da entrevista do secretário André Costa:

Reconhecimento das facções

“Critico esses especialistas em segurança pública porque não têm vivências do que acontecem nas ruas. Quem tem essa vivência são os nossos policiais, que são especialistas de verdade em segurança pública. O trabalho sempre foi incansável. Sabíamos que ia ter reação. Não tem como. Quando você mexe no sistema prisional e age com rigor, é claro que vai ter reação na rua. Não tem como a polícia estar em toda esquina. São ações muito rápidas, mas as respostas têm sido dadas”, comentou.

Terrorismo

“Infelizmente, a Lei de Antiterrorismo foi uma lei no Brasil feita para os EUA e para Europa. Exige uma configuração de que seja considerada como terrorista uma ação com motivação religiosa, política e ideológica. Isso não temos no País. O que temos aqui é econômica, é uma facção tentar se contrapor ao Estado e à sociedade para angariar lucros do tráfico de drogas. Na segunda, iremos a Brasília e deverá ser enviado ao Ministério da Justiça um projeto de lei para adequar essa lei à realidade no nosso País”, ressalta.

Ausência de dados sobre ataques

“A gente está trabalhando nisso porque em todo o País não há uma metodologia para contabilizar esse tipo de atuação. A gente tem que definir quando uma pessoa usa um estilingue para quebrar a lâmpada de um poste. Isso devo considerar um ataque ou não? A gente está fazendo uma sistematização para que a gente tenha um dado preciso”, declarou André Costa, sobre a ausência de número de dados oficiais sobre os ataques.

Adolescentes presos

“30% dos detidos são menores apreendidos. A grande maioria permanece presa e foi enquadrada dentro de crimes por associação criminosa. O último dado foi de 473 presos, sendo 318 adultos e 148 adolescentes apreendidos. A grande maioria permanece presa e entregue aos cuidados do secretário Mauro e de agentes penitenciário”, declarou.

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ONDA DE ATAQUES

Secretário de Segurança questiona hipótese de união entre facções para atacar o Estado

Em entrevista à Tribuna Band News FM, o secretário André Costa criticou os “especialistas em segurança pública” que opinam sem conhecer a realidade policial

Por Tribuna do Ceará em Segurança Pública

1 de fevereiro de 2019 às 12:13

Há 3 meses
André Costa negou a existência de acordo entre as facções

O secretário de segurança concedeu entrevista na manhã desta sexta (1) à Tribuna BandNews FM (Foto: Divulgação/TV Jangadeiro)

O secretário de Segurança, André Costa, questiona a hipótese de que as facções criminosas tenham se unido para enfrentar o Estado com uma série de ataques a prédios públicos e privados, ônibus e veículos. Em entrevista à Rádio Tribuna Band News FM nesta sexta-feira (1), o titular da pasta categorizou as afirmações de especialistas em segurança como “inocentes” e “irresponsáveis”.

“Eu tenho ouvido algumas opiniões, mais uma vez volto a criticar alguns pseudo-especialistas defendendo categoricamente que essas organizações se uniram contra o Estado. Você acha que alguém iria se unir a quem matou a sua mãe, irmão ou filho?”, questiona.

Segundo ele, os grupos continuam rivais, mas se voltaram contra o governo devido “a uma série de ações enérgicas” adotadas. “Cada um está trilhando o seu caminho. Em momento nenhum houve uma trégua ou acordo, é muita inocência acreditar nisso. Agora, o foco deles não é o grupo rival, mas sim o Estado”, ressalta.

Áudio sugeriu pacto

No início dos ataques, a TV Jangadeiro teve acesso a um áudio de um criminoso, recebido por uma fonte do sistema prisional, que afirmava a existência desse pacto. O acordo teria causado, inclusive, impacto no número de homicídios em Fortaleza no mês de janeiro, que ficou bem abaixo da média segundo dados preliminares da SSPDS.

“Foi dada uma trégua entre as guerras de facções, pelo objetivo maior que é brigar contra o Governo do Estado, que tá querendo oprimir, torturar, matar nossos irmãos e todos os irmãos que se encontram no privado, entendeu?”, dizia um dos áudios.

Do dia 2 de janeiro ao dia 29 deste ano, o Ceará viveu 28 dias de terror, com 282 ataques em 56 cidades cearenses, sendo 133 concentrados na capital. Há três dias não são registrados ataques. Os ataques tiveram início um dia após o secretário de Administração Penitenciária, Luís Mauro Albuquerque, ter afirmado não reconhecer as facções e anunciar mudanças no sistema prisional.

O membro do Conselho Penitenciário (Copen), Cláudio Justa, entende que cada facção atuou com seus respectivos atentados em diversas cidades do Ceará, mas não estão trabalhando completamente em conjunto. “Não existe um trabalho em conjunto de todas as facções, o que existe é um pacto de não agressão e cada facção faz sua ação de terror”, explica Justa.

Confira outros destaques da entrevista do secretário André Costa:

Reconhecimento das facções

“Critico esses especialistas em segurança pública porque não têm vivências do que acontecem nas ruas. Quem tem essa vivência são os nossos policiais, que são especialistas de verdade em segurança pública. O trabalho sempre foi incansável. Sabíamos que ia ter reação. Não tem como. Quando você mexe no sistema prisional e age com rigor, é claro que vai ter reação na rua. Não tem como a polícia estar em toda esquina. São ações muito rápidas, mas as respostas têm sido dadas”, comentou.

Terrorismo

“Infelizmente, a Lei de Antiterrorismo foi uma lei no Brasil feita para os EUA e para Europa. Exige uma configuração de que seja considerada como terrorista uma ação com motivação religiosa, política e ideológica. Isso não temos no País. O que temos aqui é econômica, é uma facção tentar se contrapor ao Estado e à sociedade para angariar lucros do tráfico de drogas. Na segunda, iremos a Brasília e deverá ser enviado ao Ministério da Justiça um projeto de lei para adequar essa lei à realidade no nosso País”, ressalta.

Ausência de dados sobre ataques

“A gente está trabalhando nisso porque em todo o País não há uma metodologia para contabilizar esse tipo de atuação. A gente tem que definir quando uma pessoa usa um estilingue para quebrar a lâmpada de um poste. Isso devo considerar um ataque ou não? A gente está fazendo uma sistematização para que a gente tenha um dado preciso”, declarou André Costa, sobre a ausência de número de dados oficiais sobre os ataques.

Adolescentes presos

“30% dos detidos são menores apreendidos. A grande maioria permanece presa e foi enquadrada dentro de crimes por associação criminosa. O último dado foi de 473 presos, sendo 318 adultos e 148 adolescentes apreendidos. A grande maioria permanece presa e entregue aos cuidados do secretário Mauro e de agentes penitenciário”, declarou.