"Se não fosse a divulgação de vídeo, caso seria esquecido", diz irmão de Dandara

CRIME BRUTAL

“Se não fosse a divulgação de vídeo, caso seria esquecido”, diz irmão de Dandara

Os cinco acusados vão a júri popular no primeiro trimestre de 2018. A decisão foi da juíza Danielle Pontes de Arruda

Por Lyvia Rocha em Segurança Pública

3 de dezembro de 2017 às 07:00

Há 2 semanas
A morte de Dandara foi brutal e divulgada nas redes sociais (FOTO: Reprodução)

A morte de Dandara foi brutal e divulgada nas redes sociais (FOTO: Reprodução)

Após 10 meses de angústia e de sofrimento com a perda do ente querido, o irmão de Dandara comenta sobre o caso que chocou o mundo, após a decisão na última quinta-feira (29), da juíza Danielle Pontes de Arruda, titular da 1ª Vara do Júri, de que os acusados irão a júri popular no primeiro trimestre de 2018.

Em entrevista ao programa Barra Pesada, da TV Jangadeiro/SBT, Ricardo Ferreira diz que o sentimento é de justiça sendo feita. “Eu me sinto um pouco aliviado, já que a família nunca quis vingança, mas sim justiça. Estamos felizes por estar indo à frente um caso que chocou o país e o mundo e não pode ser esquecido jamais”, disse.

Apesar de todo o sofrimento, o irmão de Dandara diz que o sentimento de alívio é grande, mas afirma que apesar das imagens brutais divulgadas, elas foram essenciais para que o caso não fosse esquecido.

“Se não fosse o vídeo, era mais um caso que ia ficar impune. O vídeo que chocou o país e o mundo fez com que o caso não caísse no esquecimento. Apesar de ter acontecido com ele, não quero que aconteça com ninguém jamais. A bandeira vai ser levantada e que os assassinos paguem e não venham mais cometer e pensem duas vezes antes de maltratar um ser humano”, desabafa.

Os cinco acusados que irão a júri popular são: Francisco José Monteiro de Oliveira, Isaías da Silva Camurça, Jean Vitor da Silva Oliveira, Júlio Cesar Braga da Costa e Rafael Alves da Silva Paiva. Eles foram denunciados por homicídio triplamente qualificado por motivo fútil e que impossibilitou a defesa da vítima. O acusados podem ser condenados de 12 a 30 anos de prisão.

O caso

Dandara dos Santos foi linchada e morta no dia 15 de fevereiro no Bairro Bom Jardim, em Fortaleza. Um vídeo, gravado por um dos agressores, ganhou repercussão internacional e mostra o momento do espancamento.

Segundo coordenador da Diversidade Sexual da Secretaria de Cidadania e Direitos Humanos de Fortaleza, Paulo Diógenes, relatos da comunidade afirmam que Dandara teria ficado cerca de 20 minutos à espera de socorro, mas nada foi feito.

“Uma fatalidade que autoridades precisam dar os devidos esclarecimentos!”, reforçou Diógenes, famoso pela personagem de humor Raimundinha, uma travesti.

Na época, a Defensoria Pública do Ceará também se manifestou sobre a morte da travesti. “A Defensoria Pública do Estado do Ceará repudia as ações de transfobia que ocorrem em Fortaleza, incluindo a divulgação das imagens destes crimes pelas redes sociais, e informa que realizará, por seu Núcleo de Direitos Humanos, audiência pública sobre a  questão para propor ações preventivas e apuração rigorosa de qualquer atitude discriminatória e criminosa”.

O governador do Ceará, Camilo Santana (PT), foi outro que se pronunciou a respeito da morte da travesti Dandara do Santos, de 42 anos. O caso ganhou repercussão 15 dias depois, após as imagens do crime serem compartilhadas em redes sociais.

Relembre o caso através da cobertura de Tribuna do Ceará:

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CRIME BRUTAL

“Se não fosse a divulgação de vídeo, caso seria esquecido”, diz irmão de Dandara

Os cinco acusados vão a júri popular no primeiro trimestre de 2018. A decisão foi da juíza Danielle Pontes de Arruda

Por Lyvia Rocha em Segurança Pública

3 de dezembro de 2017 às 07:00

Há 2 semanas
A morte de Dandara foi brutal e divulgada nas redes sociais (FOTO: Reprodução)

A morte de Dandara foi brutal e divulgada nas redes sociais (FOTO: Reprodução)

Após 10 meses de angústia e de sofrimento com a perda do ente querido, o irmão de Dandara comenta sobre o caso que chocou o mundo, após a decisão na última quinta-feira (29), da juíza Danielle Pontes de Arruda, titular da 1ª Vara do Júri, de que os acusados irão a júri popular no primeiro trimestre de 2018.

Em entrevista ao programa Barra Pesada, da TV Jangadeiro/SBT, Ricardo Ferreira diz que o sentimento é de justiça sendo feita. “Eu me sinto um pouco aliviado, já que a família nunca quis vingança, mas sim justiça. Estamos felizes por estar indo à frente um caso que chocou o país e o mundo e não pode ser esquecido jamais”, disse.

Apesar de todo o sofrimento, o irmão de Dandara diz que o sentimento de alívio é grande, mas afirma que apesar das imagens brutais divulgadas, elas foram essenciais para que o caso não fosse esquecido.

“Se não fosse o vídeo, era mais um caso que ia ficar impune. O vídeo que chocou o país e o mundo fez com que o caso não caísse no esquecimento. Apesar de ter acontecido com ele, não quero que aconteça com ninguém jamais. A bandeira vai ser levantada e que os assassinos paguem e não venham mais cometer e pensem duas vezes antes de maltratar um ser humano”, desabafa.

Os cinco acusados que irão a júri popular são: Francisco José Monteiro de Oliveira, Isaías da Silva Camurça, Jean Vitor da Silva Oliveira, Júlio Cesar Braga da Costa e Rafael Alves da Silva Paiva. Eles foram denunciados por homicídio triplamente qualificado por motivo fútil e que impossibilitou a defesa da vítima. O acusados podem ser condenados de 12 a 30 anos de prisão.

O caso

Dandara dos Santos foi linchada e morta no dia 15 de fevereiro no Bairro Bom Jardim, em Fortaleza. Um vídeo, gravado por um dos agressores, ganhou repercussão internacional e mostra o momento do espancamento.

Segundo coordenador da Diversidade Sexual da Secretaria de Cidadania e Direitos Humanos de Fortaleza, Paulo Diógenes, relatos da comunidade afirmam que Dandara teria ficado cerca de 20 minutos à espera de socorro, mas nada foi feito.

“Uma fatalidade que autoridades precisam dar os devidos esclarecimentos!”, reforçou Diógenes, famoso pela personagem de humor Raimundinha, uma travesti.

Na época, a Defensoria Pública do Ceará também se manifestou sobre a morte da travesti. “A Defensoria Pública do Estado do Ceará repudia as ações de transfobia que ocorrem em Fortaleza, incluindo a divulgação das imagens destes crimes pelas redes sociais, e informa que realizará, por seu Núcleo de Direitos Humanos, audiência pública sobre a  questão para propor ações preventivas e apuração rigorosa de qualquer atitude discriminatória e criminosa”.

O governador do Ceará, Camilo Santana (PT), foi outro que se pronunciou a respeito da morte da travesti Dandara do Santos, de 42 anos. O caso ganhou repercussão 15 dias depois, após as imagens do crime serem compartilhadas em redes sociais.

Relembre o caso através da cobertura de Tribuna do Ceará: