"Preto e pobre vira estatística quando morre", lamenta sobrinha de vendedor morto em chacina

CHACINA DAS CAJAZEIRAS

“Preto e pobre vira estatística quando morre”, lamenta sobrinha de vendedor morto em chacina

A sobrinha do vendedor de lanches morto na Chacina das Cajazeiras fez um relato emocionado nas redes sociais

Por Tribuna do Ceará em Segurança Pública

28 de Janeiro de 2018 às 13:26

Há 5 meses
Antônio José, o Marrom, trabalhava fora da casa de show quando foi baleado (FOTO: Reprodução Facebook)

Antônio José, o Marrom, trabalhava fora da casa de shows quando foi baleado (FOTO: Reprodução Facebook)

Uma sobrinha de Antônio José Dias de Oliveira, de 54 anos, o vendedor de lanches que morreu ao ser baleado na Chacina das Cajazeiras, em Fortaleza, na madrugada deste sábado (27), fez um relato emocionado sobre seu tio, uma das 14 vítimas da barbárie. O post publicado no Facebook viralizou neste fim de semana, com mais de 1 mil compartilhamentos de 5 mil interações.

Conhecido como “Marrom”, Antônio José fazia bico vendendo lanches na porta de casas de show, como no “Forró do Gago”, na Rua Madre Tereza de Calcutá, na Comunidade Barreirão, no Bairro Cajazeiras. “Ele morava na comunidade, trabalhava de carteira assinada, e vendia lanche para ajudar na renda da família. Ele era um bom homem”, conta a estudante.

O Tribuna do Ceará não divulgará o nome da sobrinha de Antônio José, e nem informará o link da postagem. O enterro do vendedor de lanches, que ocorrerá na tarde deste domingo (28), só será possível porque vizinhos fizeram uma “vaquinha” para comprar um caixão, informa a repórter Emanuella Braga, do programa Barra Pesada, da TV Jangadeiro/SBT.

A estudante lamenta o tratamento dado às vítimas. “Meu tio era preto e pobre e morava em uma comunidade. Isso já basta para virar apenas um número, para entrar na estatística de pessoas inocentes que são assassinadas todos os dias”, destaca a sobrinha. “Preto e pobre quando morre vira apenas estatística, um fato isolado“, acrescenta a jovem, em referência a declaração do secretário de Segurança, André Costa.

A estudante encerra com uma despedida ao tio. “Vá em paz, meu tio Marrom. Você deixa aqui seu legado, seus filhos e eles irão lembrar de você como o homem trabalhador e honesto que você foi”.

 Maior matança da história

Pelo menos 14 pessoas foram vítimas de uma chacina na madrugada deste sábado (27), no Bairro Cajazeiras. O caso aconteceu em uma pequena casa de shows, conhecida como “Forró do Gago”, na Rua Madre Tereza de Calcutá, na Comunidade Barreirão.

Pessoas armadas chegaram em carros e atiraram em outras que estavam na rua, sem qualquer alvo certo. Morreram clientes do local, trabalhadores que estavam vendendo lanches e até um motorista do Uber, que passava pela região.

A SSPDS confirmou 14 mortes (oito mulheres e seis homens). Além deles, até as 13h deste domingo (28), quatro pessoas seguem internadas (um homem, uma mulher e duas adolescentes), no Instituto Dr. José Frota (IJF), no Centro de Fortaleza.

Cinco pessoas já receberam alta do IJF (uma mulher, dois adolescentes e duas adolescentes). Um dos garotos, de 12 anos, é filho de Antônio José, e trabalhava com o pai vendendo lanches em frente ao Forró do Gago.

Evento cancelado

Em respeito às vítimas, o evento que seria realizado no Bairro Barroso, Feira Massa, foi cancelado.

Acompanhe o caso:

28/1 – “Violência no Ceará não é caso isolado”, afirma sociólogo após maior chacina no estado

27/1 – Motorista de Uber levava passageiro quando foi atingido por tiros na Chacina das Cajazeiras

27/1 – Facção assume autoria de Chacina das Cajazeiras; Facção rival promete revanche

27/1 – Sobrevivente detalha momentos de terror durante maior chacina do Ceará

27/1 – Preso o 1º suspeito de chacina que deixou pelo menos 14 mortos em Fortaleza

27/1 – “Não há motivo para pânico”, declara secretário da Segurança Pública após maior chacina no Ceará

27/1 – Número de homicídios no Ceará saltou 545% nos últimos 20 anos

27/1 – Presidente do Sinpol culpa Governo por chacina: “Governo negou existência de facções por muito tempo”

27/1 – Chacina das Cajazeiras deixa pelo menos 14 mortos durante festa

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CHACINA DAS CAJAZEIRAS

“Preto e pobre vira estatística quando morre”, lamenta sobrinha de vendedor morto em chacina

A sobrinha do vendedor de lanches morto na Chacina das Cajazeiras fez um relato emocionado nas redes sociais

Por Tribuna do Ceará em Segurança Pública

28 de Janeiro de 2018 às 13:26

Há 5 meses
Antônio José, o Marrom, trabalhava fora da casa de show quando foi baleado (FOTO: Reprodução Facebook)

Antônio José, o Marrom, trabalhava fora da casa de shows quando foi baleado (FOTO: Reprodução Facebook)

Uma sobrinha de Antônio José Dias de Oliveira, de 54 anos, o vendedor de lanches que morreu ao ser baleado na Chacina das Cajazeiras, em Fortaleza, na madrugada deste sábado (27), fez um relato emocionado sobre seu tio, uma das 14 vítimas da barbárie. O post publicado no Facebook viralizou neste fim de semana, com mais de 1 mil compartilhamentos de 5 mil interações.

Conhecido como “Marrom”, Antônio José fazia bico vendendo lanches na porta de casas de show, como no “Forró do Gago”, na Rua Madre Tereza de Calcutá, na Comunidade Barreirão, no Bairro Cajazeiras. “Ele morava na comunidade, trabalhava de carteira assinada, e vendia lanche para ajudar na renda da família. Ele era um bom homem”, conta a estudante.

O Tribuna do Ceará não divulgará o nome da sobrinha de Antônio José, e nem informará o link da postagem. O enterro do vendedor de lanches, que ocorrerá na tarde deste domingo (28), só será possível porque vizinhos fizeram uma “vaquinha” para comprar um caixão, informa a repórter Emanuella Braga, do programa Barra Pesada, da TV Jangadeiro/SBT.

A estudante lamenta o tratamento dado às vítimas. “Meu tio era preto e pobre e morava em uma comunidade. Isso já basta para virar apenas um número, para entrar na estatística de pessoas inocentes que são assassinadas todos os dias”, destaca a sobrinha. “Preto e pobre quando morre vira apenas estatística, um fato isolado“, acrescenta a jovem, em referência a declaração do secretário de Segurança, André Costa.

A estudante encerra com uma despedida ao tio. “Vá em paz, meu tio Marrom. Você deixa aqui seu legado, seus filhos e eles irão lembrar de você como o homem trabalhador e honesto que você foi”.

 Maior matança da história

Pelo menos 14 pessoas foram vítimas de uma chacina na madrugada deste sábado (27), no Bairro Cajazeiras. O caso aconteceu em uma pequena casa de shows, conhecida como “Forró do Gago”, na Rua Madre Tereza de Calcutá, na Comunidade Barreirão.

Pessoas armadas chegaram em carros e atiraram em outras que estavam na rua, sem qualquer alvo certo. Morreram clientes do local, trabalhadores que estavam vendendo lanches e até um motorista do Uber, que passava pela região.

A SSPDS confirmou 14 mortes (oito mulheres e seis homens). Além deles, até as 13h deste domingo (28), quatro pessoas seguem internadas (um homem, uma mulher e duas adolescentes), no Instituto Dr. José Frota (IJF), no Centro de Fortaleza.

Cinco pessoas já receberam alta do IJF (uma mulher, dois adolescentes e duas adolescentes). Um dos garotos, de 12 anos, é filho de Antônio José, e trabalhava com o pai vendendo lanches em frente ao Forró do Gago.

Evento cancelado

Em respeito às vítimas, o evento que seria realizado no Bairro Barroso, Feira Massa, foi cancelado.

Acompanhe o caso:

28/1 – “Violência no Ceará não é caso isolado”, afirma sociólogo após maior chacina no estado

27/1 – Motorista de Uber levava passageiro quando foi atingido por tiros na Chacina das Cajazeiras

27/1 – Facção assume autoria de Chacina das Cajazeiras; Facção rival promete revanche

27/1 – Sobrevivente detalha momentos de terror durante maior chacina do Ceará

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