Presidente do Sinpol culpa Governo por chacina: "Governo negou existência de facções por muito tempo"

CHACINA DAS CAJAZEIRAS

Presidente do Sinpol culpa Governo por chacina: “Governo negou existência de facções por muito tempo”

Para Francisco Lucas de Oliveira, facções dominaram o Ceará porque o Governo demorou a reconhecer o problema

Por Tribuna do Ceará em Segurança Pública

27 de Janeiro de 2018 às 11:46

Há 5 meses
"Essa barbaridade era previsível, extremamente previsível" (FOTO: Reprodução TV Jangadeiro)

“Essa barbaridade era previsível, extremamente previsível” (FOTO: Reprodução TV Jangadeiro)

O presidente do Sindicato dos Policiais Civis de Carreira do Estado do Ceará (Sinpol), Francisco Lucas de Oliveira, foi duro em sua análise após a Chacina das Cajazeiras, que registrou pelo menos 14 mortos numa festa na madrugada deste sábado (27). Para ele, o novo massacre ocorrido em Fortaleza, pouco mais de dois anos depois do assassinato de 11 homens na Chacina da Messejana, é culpa do governo de Camilo Santana, por não ter agido no momento certo.

“Isso era previsível, extremamente previsível. E a culpa é do Governo do Estado, que no início de sua gestão optou por negar a existência das facções, ao invés de enfrentar o problema que já existia. As facções dominaram os presídios, e agora estão dominando as delegacias, tanto na capital como no interior”, criticou Francisco Lucas, em entrevista a TV Jangadeiro/SBT.

O policial se preocupa com as condições de trabalho nas delegacias, e alerta que as facções estão ampliando seu controle nelas assim como fizeram nos presídios. “Um policial fica guardando até 20 presos nas delegacias. E há presos de facções entre eles”, indica Francisco Lucas, que teme retaliações após a nova chacina. “Certamente haverá revide, pois foram mortas pessoas sem envolvimento com o crime”.

Num cenário de guerra entre membros de Guardiões do Estado (GDE), Comando Vermelho (CV) e Primeiro Comando da Capital (PCC), o presidente do Sinpol conta que se impressionou em visita recente a Acarape, na Região Metropolitana de Fortaleza. “Praticamente todas as placas de sinalização têm siglas de facção. Essa é a realidade infelizmente no Estado do Ceará”, relata Francisco Lucas.

Procurado pelo Tribuna do Ceará, o Governo do Estado informou que o secretário de Segurança, André Costa, falará em nome da gestão, em coletiva que ocorrerá no fim da manhã deste sábado (27).

10 mulheres e 8 homens foram mortos na maior chacina do Ceará (FOTO: Eumar Lima/TV Jangadeiro)

10 mulheres e 8 homens foram mortos na maior chacina do Ceará (FOTO: Eumar Lima/TV Jangadeiro)

Maior chacina da história do Ceará

Segundo a SSPDS, 14 pessoas foram vítimas de uma chacina na madrugada deste sábado (27), no Bairro Cajazeiras, em Fortaleza. No entanto, outros órgãos já afirmam que o número seria maior: 18 mortes.

O caso aconteceu em uma pequena casa de shows, conhecida como “Forró do Gago”, na Rua Madre Tereza de Calcutá, na Comunidade Barreirão.

Pessoas armadas chegaram em carros e atiraram em outras que estavam na rua, sem qualquer alvo certo. Morreram clientes do local, trabalhadores que estavam vendendo lanches e até um motorista de um aplicativo de transporte de passageiros, que passava pela região.

Imagens divulgadas em redes sociais mostram que a maioria das vítimas trata-se de mulheres. O caso teria sido um ataque de facção criminosa à comunidade de seus inimigos. Sobreviventes da chacina foram encaminhados ao Frotinha da Messejana.

Em respeito às vítimas, o evento que seria realizado no Bairro Barroso, Feira Massa, foi cancelado.

Veja a declaração do presidente do Sinpol:

Evento cancelado

Em respeito às vítimas, o evento que seria realizado no Barroso neste fim de semana, a Feira Massa, foi cancelado. 

Chacinas recentes no Ceará:

– Em janeiro de 2018, quatro homens foram mortos em chacina em uma casa, em Maranguape.

– Em outubro de 2017, quatro jovens foram assassinados no Bom Jardim.

– Em julho, quatro foram mortos em Paraipaba.

– Em junho, uma chacina em uma festa de aniversário deixou quadro adultos e uma criança mortos em Horizonte. Também

– Em junho, uma chacina em uma casa de praia no Porto das Dunas, em Aquiraz, deixou seis mortos.

– Em maio, três pessoas foram assassinadas e outras ficaram feriadas em chacina no Dias Macedo.

– Em fevereiro de 2017, seis pessoas foram assassinadas e duas ficaram feridas em chacina na Granja Lisboa.

– Em novembro de 2015, outro caso chocava o Ceará. A Chacina de Messejana, que deixou 11 pessoas mortas. Mais de 40 policiais militares foram denunciados.

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CHACINA DAS CAJAZEIRAS

Presidente do Sinpol culpa Governo por chacina: “Governo negou existência de facções por muito tempo”

Para Francisco Lucas de Oliveira, facções dominaram o Ceará porque o Governo demorou a reconhecer o problema

Por Tribuna do Ceará em Segurança Pública

27 de Janeiro de 2018 às 11:46

Há 5 meses
"Essa barbaridade era previsível, extremamente previsível" (FOTO: Reprodução TV Jangadeiro)

“Essa barbaridade era previsível, extremamente previsível” (FOTO: Reprodução TV Jangadeiro)

O presidente do Sindicato dos Policiais Civis de Carreira do Estado do Ceará (Sinpol), Francisco Lucas de Oliveira, foi duro em sua análise após a Chacina das Cajazeiras, que registrou pelo menos 14 mortos numa festa na madrugada deste sábado (27). Para ele, o novo massacre ocorrido em Fortaleza, pouco mais de dois anos depois do assassinato de 11 homens na Chacina da Messejana, é culpa do governo de Camilo Santana, por não ter agido no momento certo.

“Isso era previsível, extremamente previsível. E a culpa é do Governo do Estado, que no início de sua gestão optou por negar a existência das facções, ao invés de enfrentar o problema que já existia. As facções dominaram os presídios, e agora estão dominando as delegacias, tanto na capital como no interior”, criticou Francisco Lucas, em entrevista a TV Jangadeiro/SBT.

O policial se preocupa com as condições de trabalho nas delegacias, e alerta que as facções estão ampliando seu controle nelas assim como fizeram nos presídios. “Um policial fica guardando até 20 presos nas delegacias. E há presos de facções entre eles”, indica Francisco Lucas, que teme retaliações após a nova chacina. “Certamente haverá revide, pois foram mortas pessoas sem envolvimento com o crime”.

Num cenário de guerra entre membros de Guardiões do Estado (GDE), Comando Vermelho (CV) e Primeiro Comando da Capital (PCC), o presidente do Sinpol conta que se impressionou em visita recente a Acarape, na Região Metropolitana de Fortaleza. “Praticamente todas as placas de sinalização têm siglas de facção. Essa é a realidade infelizmente no Estado do Ceará”, relata Francisco Lucas.

Procurado pelo Tribuna do Ceará, o Governo do Estado informou que o secretário de Segurança, André Costa, falará em nome da gestão, em coletiva que ocorrerá no fim da manhã deste sábado (27).

10 mulheres e 8 homens foram mortos na maior chacina do Ceará (FOTO: Eumar Lima/TV Jangadeiro)

10 mulheres e 8 homens foram mortos na maior chacina do Ceará (FOTO: Eumar Lima/TV Jangadeiro)

Maior chacina da história do Ceará

Segundo a SSPDS, 14 pessoas foram vítimas de uma chacina na madrugada deste sábado (27), no Bairro Cajazeiras, em Fortaleza. No entanto, outros órgãos já afirmam que o número seria maior: 18 mortes.

O caso aconteceu em uma pequena casa de shows, conhecida como “Forró do Gago”, na Rua Madre Tereza de Calcutá, na Comunidade Barreirão.

Pessoas armadas chegaram em carros e atiraram em outras que estavam na rua, sem qualquer alvo certo. Morreram clientes do local, trabalhadores que estavam vendendo lanches e até um motorista de um aplicativo de transporte de passageiros, que passava pela região.

Imagens divulgadas em redes sociais mostram que a maioria das vítimas trata-se de mulheres. O caso teria sido um ataque de facção criminosa à comunidade de seus inimigos. Sobreviventes da chacina foram encaminhados ao Frotinha da Messejana.

Em respeito às vítimas, o evento que seria realizado no Bairro Barroso, Feira Massa, foi cancelado.

Veja a declaração do presidente do Sinpol:

Evento cancelado

Em respeito às vítimas, o evento que seria realizado no Barroso neste fim de semana, a Feira Massa, foi cancelado. 

Chacinas recentes no Ceará:

– Em janeiro de 2018, quatro homens foram mortos em chacina em uma casa, em Maranguape.

– Em outubro de 2017, quatro jovens foram assassinados no Bom Jardim.

– Em julho, quatro foram mortos em Paraipaba.

– Em junho, uma chacina em uma festa de aniversário deixou quadro adultos e uma criança mortos em Horizonte. Também

– Em junho, uma chacina em uma casa de praia no Porto das Dunas, em Aquiraz, deixou seis mortos.

– Em maio, três pessoas foram assassinadas e outras ficaram feriadas em chacina no Dias Macedo.

– Em fevereiro de 2017, seis pessoas foram assassinadas e duas ficaram feridas em chacina na Granja Lisboa.

– Em novembro de 2015, outro caso chocava o Ceará. A Chacina de Messejana, que deixou 11 pessoas mortas. Mais de 40 policiais militares foram denunciados.