Para advogado, internação de namorado de universitária morta é para atrapalhar a polícia

INVESTIGAÇÃO

Para advogado, internação de namorado de universitária morta é para atrapalhar a polícia

O empresário Gregório Donizeti contratou três advogados e pediu para ser internado em clínica de reabilitação

Por Rosana Romão em Segurança Pública

5 de maio de 2016 às 06:45

Há 3 anos
Yrna Castro tinha 27 anos e era formada em Design de Moda, pela UFC. (FOTO: reprodução/ facebook)

Yrna Castro tinha 27 anos e era formada em Design de Moda, pela UFC. (FOTO: reprodução/ facebook)

Advogados da família de universitária encontrada morta no porta-malas do carro do namorado compareceram, na quarta-feira (4), à Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) e cobraram uma investigação mais ampla sobre o caso. Segundo o advogado Cândido Albuquerque, que representa a família de Yrna Castro, o pedido de internação de Gregório Donizeti é uma forma de dificultar a atuação da polícia.

“Nós viemos aqui pedir à delegada para investigar sob todos os ângulos. A primeira versão, de que não havia violência, me parece que tem que ser descartada. Não é possível afirmar o que aconteceu, mas existem lesões que me parecem que devem ser investigadas. A investigação precisa ser a mais ampla possível”, cobra Cândido Albuquerque.

Já o advogado de defesa do rapaz, afirma que Gregório está “absolutamente abalado”. Reafirma que ele colaborou com as primeiras investigações e continua a colaborar.  “Está internado novamente e consciente de que nada fez que desejasse a morte da namorada. Se internou a próprio pedido, ele tem um histórico de dependência química e lamentavelmente já esteve internado em outras oportunidades”, declara Leandro Vasques, advogado do rapaz.

Confronto de ideias

“A versão contada pelo rapaz ainda está muito solta, não é crível. Não é possível acreditar na versão contada por ele. Foi muito tempo com o corpo dentro do carro. Ela apresenta lesões em várias partes do corpo, há uma lesão nas costas que precisa ser investigada. Então me parece que a investigação precisa ser zerada e começada do zero, e a partir daí se buscar identificar a verdade”, contrapõe Cândido Albuquerque.

O advogado de defesa de Gregório Donizeti classifica a morte como uma tragédia e afirma que ele estava sob o efeito de entorpecente durante as 12 horas que passou com o corpo da universitária dentro do carro. “Na verdade você há de considerar o efeito que esse entorpecente é capaz de desenvolver. Obviamente a prova pericial também irá considerar a elasticidade de tempo e o efeito que o consumo dessa droga, que é mesclada com morfina, pode causar”, considera Leandro Vasques.

Advogados de defesa de Gregório Donizeti comapreceram à DHPP. (FOTO: reprodução/ TV Jangadeiro/ Barra Pesada)

Advogados de defesa de Gregório Donizeti comapreceram à DHPP. (FOTO: reprodução/ TV Jangadeiro/ Barra Pesada)

Investigação

“Não é possível se partir do princípio de que foi uma morte por overdose. É preciso que sejam investigadas todas as possibilidades. É preciso que sejam feitos alguns levantamentos fundamentais: filmagem, o mapa do GPS para saber onde ele andou, para ver se a versão que ele contou confirma com o que está no GPS do carro dele. É preciso fazer uma investigação completa. Não podemos ficar no conforto de uma versão de que não houve violência”, cobra Cândido Albuquerque.

Gregório Donizeti possui três advogados de defesa, enquanto a família da universitária tem apenas dois. A defesa nega que o relacionamento entre o casal era conturbado. “Ele tinha um relacionamento estável com a Yrna de quase seis meses, sem nenhum tipo de desavença, sem nenhum tipo de desentendimento. Ambos foram abatidos por essa fatalidade que nós nos solidarizamos e lamentamos muito”, alega.

Sobre a internação de Gregório em uma clínica de reabilitação para dependentes químicos, o advogado da família da vítima volta a mencionar que o jovem está tentando dificultar o trabalho de investigação da polícia. “Ele vai se internar em uma clínica, dizer que não pode falar, que não pode ser ouvido, mas ele precisa ser reinquirido imediatamente”, declara. Ainda considera o fato da internação “absolutamente suspeito”. “É incompreensível, porque se ele se diz inocente, por que ele está dificultando? A grande questão é essa: dificultar as investigações não irá beneficiá-lo. Ele pode ficar certo disso”, garante. 

Entenda o caso

A universitária foi encontrada morta dentro do carro do namorado, no Bairro Dionísio Torres, na madrugada de domingo. De acordo com a Polícia Civil, a jovem morreu na madrugada de sábado, no apartamento do namorado, com quem tinha um relacionamento desde 2015.

O homem foi indiciado por ocultação de cadáver por permanecer com o corpo de Yrna Castro por mais de 12 horas dentro do seu carro e não ter informado à polícia e aos familiares sobre a morte. Segundo a delegada Socorro Portela, o empresário Gregório Donizeti, namorado da vítima, informou em depoimento que os dois usaram morfina misturada a um comprimido e injetaram as substâncias na veia.

O efeito da morfina dura de 4 a 6 horas. Pode provocar alívio de alguma dor e da ansiedade, diminuindo o sentimento de desconfiança e proporcionando um misto de sensações, como bem-estar, tranquilidade, sonolência e até depressão.

Acompanhe o caso:

4 de maio – Perito e delegada afirmam que não viram hematomas no corpo de universitária

4 de maio – Amigas de universitária achada morta em porta-malas cobram maior investigação

4 de maio – “Ela nunca falou sobre drogas”, diz amiga íntima de universitária achada morta em porta-malas

3 de maio – Namorado diz à Polícia que tentou se matar após ver universitária morta no carro

3 de maio – Familiares apontam hematomas no corpo de universitária encontrada morta em porta-malas

3 de maio – Universitária encontrada em porta-malas do carro do namorado teria injetado morfina

2 de maio – Universitária é encontrada morta no porta-malas do carro do namorado

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INVESTIGAÇÃO

Para advogado, internação de namorado de universitária morta é para atrapalhar a polícia

O empresário Gregório Donizeti contratou três advogados e pediu para ser internado em clínica de reabilitação

Por Rosana Romão em Segurança Pública

5 de maio de 2016 às 06:45

Há 3 anos
Yrna Castro tinha 27 anos e era formada em Design de Moda, pela UFC. (FOTO: reprodução/ facebook)

Yrna Castro tinha 27 anos e era formada em Design de Moda, pela UFC. (FOTO: reprodução/ facebook)

Advogados da família de universitária encontrada morta no porta-malas do carro do namorado compareceram, na quarta-feira (4), à Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) e cobraram uma investigação mais ampla sobre o caso. Segundo o advogado Cândido Albuquerque, que representa a família de Yrna Castro, o pedido de internação de Gregório Donizeti é uma forma de dificultar a atuação da polícia.

“Nós viemos aqui pedir à delegada para investigar sob todos os ângulos. A primeira versão, de que não havia violência, me parece que tem que ser descartada. Não é possível afirmar o que aconteceu, mas existem lesões que me parecem que devem ser investigadas. A investigação precisa ser a mais ampla possível”, cobra Cândido Albuquerque.

Já o advogado de defesa do rapaz, afirma que Gregório está “absolutamente abalado”. Reafirma que ele colaborou com as primeiras investigações e continua a colaborar.  “Está internado novamente e consciente de que nada fez que desejasse a morte da namorada. Se internou a próprio pedido, ele tem um histórico de dependência química e lamentavelmente já esteve internado em outras oportunidades”, declara Leandro Vasques, advogado do rapaz.

Confronto de ideias

“A versão contada pelo rapaz ainda está muito solta, não é crível. Não é possível acreditar na versão contada por ele. Foi muito tempo com o corpo dentro do carro. Ela apresenta lesões em várias partes do corpo, há uma lesão nas costas que precisa ser investigada. Então me parece que a investigação precisa ser zerada e começada do zero, e a partir daí se buscar identificar a verdade”, contrapõe Cândido Albuquerque.

O advogado de defesa de Gregório Donizeti classifica a morte como uma tragédia e afirma que ele estava sob o efeito de entorpecente durante as 12 horas que passou com o corpo da universitária dentro do carro. “Na verdade você há de considerar o efeito que esse entorpecente é capaz de desenvolver. Obviamente a prova pericial também irá considerar a elasticidade de tempo e o efeito que o consumo dessa droga, que é mesclada com morfina, pode causar”, considera Leandro Vasques.

Advogados de defesa de Gregório Donizeti comapreceram à DHPP. (FOTO: reprodução/ TV Jangadeiro/ Barra Pesada)

Advogados de defesa de Gregório Donizeti comapreceram à DHPP. (FOTO: reprodução/ TV Jangadeiro/ Barra Pesada)

Investigação

“Não é possível se partir do princípio de que foi uma morte por overdose. É preciso que sejam investigadas todas as possibilidades. É preciso que sejam feitos alguns levantamentos fundamentais: filmagem, o mapa do GPS para saber onde ele andou, para ver se a versão que ele contou confirma com o que está no GPS do carro dele. É preciso fazer uma investigação completa. Não podemos ficar no conforto de uma versão de que não houve violência”, cobra Cândido Albuquerque.

Gregório Donizeti possui três advogados de defesa, enquanto a família da universitária tem apenas dois. A defesa nega que o relacionamento entre o casal era conturbado. “Ele tinha um relacionamento estável com a Yrna de quase seis meses, sem nenhum tipo de desavença, sem nenhum tipo de desentendimento. Ambos foram abatidos por essa fatalidade que nós nos solidarizamos e lamentamos muito”, alega.

Sobre a internação de Gregório em uma clínica de reabilitação para dependentes químicos, o advogado da família da vítima volta a mencionar que o jovem está tentando dificultar o trabalho de investigação da polícia. “Ele vai se internar em uma clínica, dizer que não pode falar, que não pode ser ouvido, mas ele precisa ser reinquirido imediatamente”, declara. Ainda considera o fato da internação “absolutamente suspeito”. “É incompreensível, porque se ele se diz inocente, por que ele está dificultando? A grande questão é essa: dificultar as investigações não irá beneficiá-lo. Ele pode ficar certo disso”, garante. 

Entenda o caso

A universitária foi encontrada morta dentro do carro do namorado, no Bairro Dionísio Torres, na madrugada de domingo. De acordo com a Polícia Civil, a jovem morreu na madrugada de sábado, no apartamento do namorado, com quem tinha um relacionamento desde 2015.

O homem foi indiciado por ocultação de cadáver por permanecer com o corpo de Yrna Castro por mais de 12 horas dentro do seu carro e não ter informado à polícia e aos familiares sobre a morte. Segundo a delegada Socorro Portela, o empresário Gregório Donizeti, namorado da vítima, informou em depoimento que os dois usaram morfina misturada a um comprimido e injetaram as substâncias na veia.

O efeito da morfina dura de 4 a 6 horas. Pode provocar alívio de alguma dor e da ansiedade, diminuindo o sentimento de desconfiança e proporcionando um misto de sensações, como bem-estar, tranquilidade, sonolência e até depressão.

Acompanhe o caso:

4 de maio – Perito e delegada afirmam que não viram hematomas no corpo de universitária

4 de maio – Amigas de universitária achada morta em porta-malas cobram maior investigação

4 de maio – “Ela nunca falou sobre drogas”, diz amiga íntima de universitária achada morta em porta-malas

3 de maio – Namorado diz à Polícia que tentou se matar após ver universitária morta no carro

3 de maio – Familiares apontam hematomas no corpo de universitária encontrada morta em porta-malas

3 de maio – Universitária encontrada em porta-malas do carro do namorado teria injetado morfina

2 de maio – Universitária é encontrada morta no porta-malas do carro do namorado