Novo secretário promete fim da divisão de presídios por facções no Ceará

ADMINISTRAÇÃO PENITENCIÁRIA

Novo secretário promete fim da divisão de presídios por facções no Ceará

Luís Mauro de Albuquerque chegou com discurso forte: “Quem manda é o Estado. Eu não reconheço facção. O preso é o preso, não tem diferenciação perante a lei”

Por Jéssica Welma em Segurança Pública

2 de janeiro de 2019 às 11:30

Há 5 meses
Luís Mauro Albuquerque assume Administração Penitenciária no Ceará. (Foto: Divulgação/Sejuc)

Luís Mauro Albuquerque assume Administração Penitenciária no Ceará. (Foto: Divulgação/Sejuc)

Com o propósito de garantir a segurança prisional no Ceará, o secretário da recém-criada Administração Penitenciária, Luís Mauro Albuquerque, promete novos procedimentos na rotina prisional, extinção da presença de celulares e não reconhecimento a facções criminosas, inclusive com a separação de detentos por filiação a grupos.

O secretário, juntamente com outros 19 titulares, tomou posse em solenidade de posse do secretariado na tarde da terça-feira (1°), no Palácio da Abolição. Em entrevista, ele destacou que o objetivo é tornar as cadeias mais seguras e proporcionar capacitação e ressocialização aos presos.

“É inédito e estamos vislumbrando isso. No decorrer dos anos, todo interno que entrar no sistema penitenciário vai sair com uma profissão. Com isso, haverá um ganho social”, ressalta o policial civil de carreira.

A criação de uma secretaria voltada para o sistema prisional, antes sob a alçada da Secretaria da Justiça, indica um novo momento na política de segurança do Estado. O Ceará vive uma crise com o crescimento de facções criminosas. A rivalidade entre grupos se estende aos presídios e motiva pedidos de transferências, como mostrado pela TV Jangadeiro, no final de outubro.

O secretário promete um novo trato da questão. “Quem manda é o Estado. Eu não reconheço facção, o Estado não deve reconhecer facção, a lei não reconhece facção, então nós vamos aplicar a lei”, pontuou.

O não reconhecimento a facções deve se estender, inclusive, para o fim da separação de presos por ligação a grupos. “O preso é o preso, não tem diferenciação perante a lei”, acrescenta Albuquerque.

> Leia também: Entenda o mapa da guerra das facções criminosas em Fortaleza

Bloqueadores de celular

Questionado sobre a instalação de bloqueadores entorno dos presídios, o secretário disse que o recurso não é prioridade. “Nossa prioridade é implementar procedimentos para que o celular não entre”, destacou.

Segundo ele, devem ser reforçados procedimentos de revista, tecnologias, uso de scanners e outros reforços para impedir a entrada de aparelhos.

Luís Mauro Albuquerque atuou no Ceará em 2016, na última grande rebelião nos presídios. “Passei quase seis meses aqui, não vejo essas dificuldades todas, é muito trabalho que deve ser feito. É um desafio bem interessante. A gente vai vencer com trabalho, procedimento e cumprimento da lei”, pontou.

Nova gestão

A criação de uma secretaria específica para o sistema penitenciário, antes ligado à Secretaria da Justiça, mostra a intenção do Governo de, pelo menos, estabelecer um novo trato com a segurança pública. Ao tomar posse no 2° mandato, o governador Camilo Santana (PT) destacou a criação da secretaria como peça-chave da nova gestão.

“Enxergo que é fundamental, nesse momento, o sistema penitenciário. Priorizei criar uma secretaria exclusiva para o sistema prisional, trouxe um grande profissional, e não tenho dúvida de que, agindo nesse setor, vamos contribuir muito, indiretamente, com a questão da segurança nas ruas do Ceará”, afirmou o governador em coletiva de imprensa.

Luís Mauro é policial civil do Distrito Federal, foi fundador da Diretoria Penitenciária de Operações Especiais (DPOE) do DF, onde foi diretor por 15 anos, de 2000 a 2015. Criou a doutrina de Intervenção Penitenciária e procedimentos de segurança, alguns adotados pelo Departamento Penitenciário Nacional (Depen). Também foi idealizador e coordenador da Força de Intervenção Penitenciária Integrada (Fipi) que atuou no Ceará.

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ADMINISTRAÇÃO PENITENCIÁRIA

Novo secretário promete fim da divisão de presídios por facções no Ceará

Luís Mauro de Albuquerque chegou com discurso forte: “Quem manda é o Estado. Eu não reconheço facção. O preso é o preso, não tem diferenciação perante a lei”

Por Jéssica Welma em Segurança Pública

2 de janeiro de 2019 às 11:30

Há 5 meses
Luís Mauro Albuquerque assume Administração Penitenciária no Ceará. (Foto: Divulgação/Sejuc)

Luís Mauro Albuquerque assume Administração Penitenciária no Ceará. (Foto: Divulgação/Sejuc)

Com o propósito de garantir a segurança prisional no Ceará, o secretário da recém-criada Administração Penitenciária, Luís Mauro Albuquerque, promete novos procedimentos na rotina prisional, extinção da presença de celulares e não reconhecimento a facções criminosas, inclusive com a separação de detentos por filiação a grupos.

O secretário, juntamente com outros 19 titulares, tomou posse em solenidade de posse do secretariado na tarde da terça-feira (1°), no Palácio da Abolição. Em entrevista, ele destacou que o objetivo é tornar as cadeias mais seguras e proporcionar capacitação e ressocialização aos presos.

“É inédito e estamos vislumbrando isso. No decorrer dos anos, todo interno que entrar no sistema penitenciário vai sair com uma profissão. Com isso, haverá um ganho social”, ressalta o policial civil de carreira.

A criação de uma secretaria voltada para o sistema prisional, antes sob a alçada da Secretaria da Justiça, indica um novo momento na política de segurança do Estado. O Ceará vive uma crise com o crescimento de facções criminosas. A rivalidade entre grupos se estende aos presídios e motiva pedidos de transferências, como mostrado pela TV Jangadeiro, no final de outubro.

O secretário promete um novo trato da questão. “Quem manda é o Estado. Eu não reconheço facção, o Estado não deve reconhecer facção, a lei não reconhece facção, então nós vamos aplicar a lei”, pontuou.

O não reconhecimento a facções deve se estender, inclusive, para o fim da separação de presos por ligação a grupos. “O preso é o preso, não tem diferenciação perante a lei”, acrescenta Albuquerque.

> Leia também: Entenda o mapa da guerra das facções criminosas em Fortaleza

Bloqueadores de celular

Questionado sobre a instalação de bloqueadores entorno dos presídios, o secretário disse que o recurso não é prioridade. “Nossa prioridade é implementar procedimentos para que o celular não entre”, destacou.

Segundo ele, devem ser reforçados procedimentos de revista, tecnologias, uso de scanners e outros reforços para impedir a entrada de aparelhos.

Luís Mauro Albuquerque atuou no Ceará em 2016, na última grande rebelião nos presídios. “Passei quase seis meses aqui, não vejo essas dificuldades todas, é muito trabalho que deve ser feito. É um desafio bem interessante. A gente vai vencer com trabalho, procedimento e cumprimento da lei”, pontou.

Nova gestão

A criação de uma secretaria específica para o sistema penitenciário, antes ligado à Secretaria da Justiça, mostra a intenção do Governo de, pelo menos, estabelecer um novo trato com a segurança pública. Ao tomar posse no 2° mandato, o governador Camilo Santana (PT) destacou a criação da secretaria como peça-chave da nova gestão.

“Enxergo que é fundamental, nesse momento, o sistema penitenciário. Priorizei criar uma secretaria exclusiva para o sistema prisional, trouxe um grande profissional, e não tenho dúvida de que, agindo nesse setor, vamos contribuir muito, indiretamente, com a questão da segurança nas ruas do Ceará”, afirmou o governador em coletiva de imprensa.

Luís Mauro é policial civil do Distrito Federal, foi fundador da Diretoria Penitenciária de Operações Especiais (DPOE) do DF, onde foi diretor por 15 anos, de 2000 a 2015. Criou a doutrina de Intervenção Penitenciária e procedimentos de segurança, alguns adotados pelo Departamento Penitenciário Nacional (Depen). Também foi idealizador e coordenador da Força de Intervenção Penitenciária Integrada (Fipi) que atuou no Ceará.