Novo caso de tortura em presídio ultrapassa os limites da barbaridade
VÍDEO ATERRADOR

Novo caso de tortura em presídio ultrapassa os limites da barbaridade

Apesar de detentos afirmarem que estão registrando o caso na CPPL 3, Sejus não confirma que o vídeo tenha sido gravado no Ceará

Por Lyvia Rocha em Segurança Pública

13 de julho de 2017 às 08:42

Há 2 meses
Detentos afirmam que o vídeo é feito na CPPL 3 (FOTO: Divulgação)

Detentos afirmam que o vídeo é feito na CPPL 3 (FOTO: Divulgação)

Novos casos de morte e tortura foram registrados por presos e enviados por Whatsapp. Segundo os detentos, as imagens compartilhadas ocorrem dentro da Casa de Privação Provisória de Liberdade Professor José Jucá Neto (CPPL III), em Itaitinga, na Região Metropolitana de Fortaleza.

Nesta quarta-feira (12), um vídeo com cenas muito fortes, que o Tribuna do Ceará optou por não divulgar, mostra detentos torturando um preso e, logo depois, ironizando a morte dele.

Nas imagens, após a morte, os detentos falam: “Olha o bichinho, olha para mim, safado. Conhece isso aqui, olha que nós faz, agora tu vai para o inferno e vai ficar só a lembrança aqui”. Em outro momento do vídeo é possível ouvir mais uma vez que tudo deve se tratar de uma guerra entre facções criminosas cearenses.

Porém, apesar das imagens e da confirmação dos detentos de que tudo acontece dentro da unidade prisional no Ceará, a Secretaria de Justiça do Ceará (Sejus) disse em nota que a última morte registrada foi de Willamy Rocha Castro, no último dia 6 de julho. Ela teria motivado a suspensão das visitas na unidade no último fim de semana.

A nota da Sejus informa ainda que, neste ano, até o mês de junho, já foram registradas seis mortes de detentos. Na última segunda-feira (10), uma rebelião aconteceu dentro da unidade prisional. Na ocasião, os detentos realizaram o motim para pedir melhor tratamento.

Visão do Conselho Penitenciário

De acordo com o presidente do Conselho Penitenciário do Estado do Ceará (Copen), Cláudio Justa, a apuração sobre todos os fatos ocorridos nos últimos dias no sistema penitenciário está sendo apurado por ele e um grupo, que inclui a Defensoria Público, Ministério Público e Comissão de Comitê de Combate a Tortura.

“Não queremos nos precipitar, porém a superlotação, os relatos de falta de água, por exemplo, já configura como tortura institucional, e os indícios de práticas abusivas contra os detentos são grandes”, afirma.

Sobre os atos de tortura entre os detentos, Cláudio Justa entende que o Estado não pode se omitir e também deve ter condições para que isso não aconteça. “O Estado não pode se eximir, está dentro de um equipamento público, se o Estado não fornece uma estrutura tão digna, eles estão em omissão dolosa. Ideal seria se tivessem unidades menores. Quanto menos detentos por unidade, melhor, porque o problema seria menor. 1.800 homens para uma capacidade de 900 homens é um absurdo”, explica.

O presidente da Copen ainda alerta para as consequências da superlotação. “Quando se coloca naquelas condições de vivência dentro das unidades prisionais, o Estado corre o risco de receber uma resposta mais violenta”, finaliza.

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VÍDEO ATERRADOR

Novo caso de tortura em presídio ultrapassa os limites da barbaridade

Apesar de detentos afirmarem que estão registrando o caso na CPPL 3, Sejus não confirma que o vídeo tenha sido gravado no Ceará

Por Lyvia Rocha em Segurança Pública

13 de julho de 2017 às 08:42

Há 2 meses
Detentos afirmam que o vídeo é feito na CPPL 3 (FOTO: Divulgação)

Detentos afirmam que o vídeo é feito na CPPL 3 (FOTO: Divulgação)

Novos casos de morte e tortura foram registrados por presos e enviados por Whatsapp. Segundo os detentos, as imagens compartilhadas ocorrem dentro da Casa de Privação Provisória de Liberdade Professor José Jucá Neto (CPPL III), em Itaitinga, na Região Metropolitana de Fortaleza.

Nesta quarta-feira (12), um vídeo com cenas muito fortes, que o Tribuna do Ceará optou por não divulgar, mostra detentos torturando um preso e, logo depois, ironizando a morte dele.

Nas imagens, após a morte, os detentos falam: “Olha o bichinho, olha para mim, safado. Conhece isso aqui, olha que nós faz, agora tu vai para o inferno e vai ficar só a lembrança aqui”. Em outro momento do vídeo é possível ouvir mais uma vez que tudo deve se tratar de uma guerra entre facções criminosas cearenses.

Porém, apesar das imagens e da confirmação dos detentos de que tudo acontece dentro da unidade prisional no Ceará, a Secretaria de Justiça do Ceará (Sejus) disse em nota que a última morte registrada foi de Willamy Rocha Castro, no último dia 6 de julho. Ela teria motivado a suspensão das visitas na unidade no último fim de semana.

A nota da Sejus informa ainda que, neste ano, até o mês de junho, já foram registradas seis mortes de detentos. Na última segunda-feira (10), uma rebelião aconteceu dentro da unidade prisional. Na ocasião, os detentos realizaram o motim para pedir melhor tratamento.

Visão do Conselho Penitenciário

De acordo com o presidente do Conselho Penitenciário do Estado do Ceará (Copen), Cláudio Justa, a apuração sobre todos os fatos ocorridos nos últimos dias no sistema penitenciário está sendo apurado por ele e um grupo, que inclui a Defensoria Público, Ministério Público e Comissão de Comitê de Combate a Tortura.

“Não queremos nos precipitar, porém a superlotação, os relatos de falta de água, por exemplo, já configura como tortura institucional, e os indícios de práticas abusivas contra os detentos são grandes”, afirma.

Sobre os atos de tortura entre os detentos, Cláudio Justa entende que o Estado não pode se omitir e também deve ter condições para que isso não aconteça. “O Estado não pode se eximir, está dentro de um equipamento público, se o Estado não fornece uma estrutura tão digna, eles estão em omissão dolosa. Ideal seria se tivessem unidades menores. Quanto menos detentos por unidade, melhor, porque o problema seria menor. 1.800 homens para uma capacidade de 900 homens é um absurdo”, explica.

O presidente da Copen ainda alerta para as consequências da superlotação. “Quando se coloca naquelas condições de vivência dentro das unidades prisionais, o Estado corre o risco de receber uma resposta mais violenta”, finaliza.