"Não compro discurso do policial justiceiro e nem do bandido vítima", diz secretário de Segurança
ENTREVISTA

“Não compro discurso do policial justiceiro e nem do bandido vítima”, diz secretário de Segurança

Em entrevista, André Costa defende uma posição de equilíbrio para a Segurança, mas reafirma sua declaração sobre “Justiça ou cemitério” para a criminalidade

Por Matheus Ribeiro em Segurança Pública

16 de fevereiro de 2017 às 11:52

Há 3 meses

Secretário André Costa concedeu entrevista nesta manhã (FOTO: Adriano Paiva/Tribuna do Ceará)

A atual situação da segurança pública do Ceará precisa ser pensada estrategicamente e com equilíbrio. É o que pensa o novo secretário da pasta, André Costa. Em entrevista à TV Jangadeiro, a rádio Tribuna Bandnews FM e ao Tribuna do Ceará, na manhã desta quinta-feira (16), André salientou que não defende policial bandido, mas também que não compra discurso de que criminoso é vítima.

Segundo o secretário, que assumiu o cargo em janeiro e vem ganhando seguidores por participar ativamente de operações policiais, é preciso analisar e manter um critério bem definido entre o radicalismo e a defesa.

“Não defendo que bandido bom é bandido morto, mas também não compro o discurso dos direitos humanos de que o bandido é vítima. Até porque a maioria das pessoas pobres não se envolve com a criminalidade”, pontuou.

Para o secretário, as pessoas precisam saber que o Estado está do lado delas e não contra. “Tanto a população quanto os policiais precisam saber que nós estamos juntos, ao lado um do outro e não distantes, como alguns pensam. Então, o que eu posso dizer é que o futuro vai mostrar o reflexo do meu trabalho, peço um voto de confiança”, enfatizou.

“Justiça ou cemitério” 

Durante a entrevista, André agradeceu a oportunidade concedida a ele pelo governador do estado, Camilo Santana (PT), e o apoio por suas ações nas ruas, mas afirmou que não mudará sua posição em relação a declaração polêmica de que bandidos terão “Justiça ou cemitério” a partir de agora.

Segundo o gestor, essa é uma posição que teve uma grande repercussão na sociedade, mas boa parte dela positiva.

“Mantenho minha posição. Como já informei antes, não recuo no que eu disse. Vi a repercussão da minha fala como muito positiva. Percebi que muitas pessoas entenderam o que queria falar. Acho que, se alguém precisa explicar algo, é quem entendeu diferente do que eu disse, e não eu. Falei que a polícia sempre age dentro da legalidade nas ruas e que é importante também que a população saiba que a polícia precisa reagir de forma proporcional em determinadas situações”, reafirmou.

Durante a solenidade de posse do presidente do Tribunal de Justiça do Estado do Ceará, no último dia 31 de janeiro, o governador Camilo Santana comentou as declarações do secretário. Segundo o governador, houve uma má interpretação das declarações.

“O secretário é uma pessoa jovem, um professor em Direito Penal, e jamais ele poderia interpretar desta maneira. Então, acho que houve um equívoco na interpretação da entrevista dele, mas o que eu quero dizer é que nós não abriremos mão de combater a criminalidade no nosso estado”, comentou Camilo.

Para o Sindicato dos Policiais Civis (Sinpol), a declaração foi corajosa. O presidente do sindicato, Lucas de Oliveira, concorda com o posicionamento do secretário. “Precisa ter coragem para se dar uma declaração dessa, mas eu acho que as forças de segurança têm que reagir à altura. Concordamos com o secretário”.

Postura ativa

Entre os destaques da gestão de Andre Costa à frente da SSPDS, está a postura ativa. O Tribuna do Ceará já mostrou isso, listando 10 vezes em somente um mês em que o secretário chamou a atenção nas redes sociais por sua presença em operações.

Conhecido pela população como o gestor que sai do gabinete, ele comenta que essa é uma característica sua, e que isso casou com o desejo particular do governador.

“Decidi ir às ruas pelo fato de mostrar liderança. Assumi como delegado de polícia aos 23 anos, e trabalhei com agentes que eram bem mais velhos, que tinham a idade dos meus pais. Então, sabia que se não liderasse pelo exemplo, não conseguiria liderá-los. Notei que havia a necessidade disso no Ceará, e resolvi tirar o terno e colocar uma roupa mais operacional, para estar ali junto com o policial no combate ao crime”, concluiu.

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“Não compro discurso do policial justiceiro e nem do bandido vítima”, diz secretário de Segurança

Em entrevista, André Costa defende uma posição de equilíbrio para a Segurança, mas reafirma sua declaração sobre “Justiça ou cemitério” para a criminalidade

Por Matheus Ribeiro em Segurança Pública

16 de fevereiro de 2017 às 11:52

Há 3 meses

Secretário André Costa concedeu entrevista nesta manhã (FOTO: Adriano Paiva/Tribuna do Ceará)

A atual situação da segurança pública do Ceará precisa ser pensada estrategicamente e com equilíbrio. É o que pensa o novo secretário da pasta, André Costa. Em entrevista à TV Jangadeiro, a rádio Tribuna Bandnews FM e ao Tribuna do Ceará, na manhã desta quinta-feira (16), André salientou que não defende policial bandido, mas também que não compra discurso de que criminoso é vítima.

Segundo o secretário, que assumiu o cargo em janeiro e vem ganhando seguidores por participar ativamente de operações policiais, é preciso analisar e manter um critério bem definido entre o radicalismo e a defesa.

“Não defendo que bandido bom é bandido morto, mas também não compro o discurso dos direitos humanos de que o bandido é vítima. Até porque a maioria das pessoas pobres não se envolve com a criminalidade”, pontuou.

Para o secretário, as pessoas precisam saber que o Estado está do lado delas e não contra. “Tanto a população quanto os policiais precisam saber que nós estamos juntos, ao lado um do outro e não distantes, como alguns pensam. Então, o que eu posso dizer é que o futuro vai mostrar o reflexo do meu trabalho, peço um voto de confiança”, enfatizou.

“Justiça ou cemitério” 

Durante a entrevista, André agradeceu a oportunidade concedida a ele pelo governador do estado, Camilo Santana (PT), e o apoio por suas ações nas ruas, mas afirmou que não mudará sua posição em relação a declaração polêmica de que bandidos terão “Justiça ou cemitério” a partir de agora.

Segundo o gestor, essa é uma posição que teve uma grande repercussão na sociedade, mas boa parte dela positiva.

“Mantenho minha posição. Como já informei antes, não recuo no que eu disse. Vi a repercussão da minha fala como muito positiva. Percebi que muitas pessoas entenderam o que queria falar. Acho que, se alguém precisa explicar algo, é quem entendeu diferente do que eu disse, e não eu. Falei que a polícia sempre age dentro da legalidade nas ruas e que é importante também que a população saiba que a polícia precisa reagir de forma proporcional em determinadas situações”, reafirmou.

Durante a solenidade de posse do presidente do Tribunal de Justiça do Estado do Ceará, no último dia 31 de janeiro, o governador Camilo Santana comentou as declarações do secretário. Segundo o governador, houve uma má interpretação das declarações.

“O secretário é uma pessoa jovem, um professor em Direito Penal, e jamais ele poderia interpretar desta maneira. Então, acho que houve um equívoco na interpretação da entrevista dele, mas o que eu quero dizer é que nós não abriremos mão de combater a criminalidade no nosso estado”, comentou Camilo.

Para o Sindicato dos Policiais Civis (Sinpol), a declaração foi corajosa. O presidente do sindicato, Lucas de Oliveira, concorda com o posicionamento do secretário. “Precisa ter coragem para se dar uma declaração dessa, mas eu acho que as forças de segurança têm que reagir à altura. Concordamos com o secretário”.

Postura ativa

Entre os destaques da gestão de Andre Costa à frente da SSPDS, está a postura ativa. O Tribuna do Ceará já mostrou isso, listando 10 vezes em somente um mês em que o secretário chamou a atenção nas redes sociais por sua presença em operações.

Conhecido pela população como o gestor que sai do gabinete, ele comenta que essa é uma característica sua, e que isso casou com o desejo particular do governador.

“Decidi ir às ruas pelo fato de mostrar liderança. Assumi como delegado de polícia aos 23 anos, e trabalhei com agentes que eram bem mais velhos, que tinham a idade dos meus pais. Então, sabia que se não liderasse pelo exemplo, não conseguiria liderá-los. Notei que havia a necessidade disso no Ceará, e resolvi tirar o terno e colocar uma roupa mais operacional, para estar ali junto com o policial no combate ao crime”, concluiu.