Morte de motorista em abordagem policial abre discussão sobre a formação de PMs no Ceará

BALEADA NO CARRO

Morte de motorista em abordagem policial abre discussão sobre a formação de PMs no Ceará

Polícia afirma que motorista desobedeceu voz de parada; família contesta

Por Tribuna Bandnews FM em Segurança Pública

13 de junho de 2018 às 13:36

Há 2 semanas
Giselle

Giselle foi assassinada durante abordagem policial na última segunda-feira (11) (Foto: Reprodução/Facebook)

A morte da administradora de empresas Giselle Távora Araújo, de 42 anos, após ser atingida por um tiro nas costas durante abordagem policial em Fortaleza, levantou o debate sobre a formação dos policiais. Segundo o sociólogo César Barreira, um bom treinamento para os PMs é crucial para evitar homicídios por intervenção policial.

“Isso revela toda uma situação que a própria sociedade vive. Essas ações podem revelar estresse, má-formação, esse medo e essa insegurança, porque as pessoas atiram antes para se manter vivas”, comentou Cesar Barreira, em entrevista à Tribuna Band News FM.

Em nota sobre o caso, a Secretaria de Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS) informou que a motorista recebeu voz de parada, mas não obedeceu e seguiu viagem. A família, por sua vez, contesta. Em entrevista ao jornal O Povo, a tia da vítima, Clara Moura Távora, afirmou que Giselle e sua filha haviam escutado os disparos, e imaginaram que se tratava de um assalto em outro veículo. Além disso, o disparo aconteceu enquanto o veículo estava parado no sinal.

O policial que atirou em Giselle se apresentou ao 13º Distrito Policial, responsável pela região onde o fato ocorreu, segundo a Controladoria Geral de Disciplina dos Órgãos de Segurança (CGD). A arma utilizada na ação teria sido uma carabina ponto 40 que, posteriormente, foi recolhida para perícia.

O presidente da federação de Tiro Tático, André Azevedo, ressalta que armas desse porte são precisas e que qualquer movimento ou mudança de inclinação pode alterar o alvo do disparo. “O problema não é o calibre em si. É o manuseio do momento da ação. Se você estiver em movimento e balançando, pode causar uma diferença de 2 a 10 metros”, explica André.

Abordagem policial

Segundo o especialista de segurança Valmir Medeiros, os treinamentos de policiais sobre esses tipos de ação, como a abordagem que resultou na morte de Giselle Távora, são ofertadas para os agentes apenas de forma teórica. É necessário métodos práticos durante a formação, diz Medeiros.

Desde 2010, uma portaria do Ministério da Justiça elencou uma série de restrições ao uso de armas de fogo em abordagem policial.

A alteração proibiu que policiais apontem armas para as pessoas durante abordagens nas ruas e atirem em pessoas em fuga desarmadas. A portaria prevê também que os policiais apenas efetuem disparos caso haja ameaça de lesão ou morte.

O policial que atirou em Giselle se apresentou ao 13º Distrito Policial, responsável pela região onde o fato ocorreu, segundo a CGD.

Em entrevista coletiva na manhã desta quarta-feira, durante solenidade de formatura da nova turma de policiais militares, o governador Camilo Santana (PT) não quis comentar possível erro na ação policial. Disse apenas que tinha ordenado uma apuração rigorosa. Falou ainda que a formação dos policiais é adequada e segue padrões nacionais.

Ouça a matéria da Rádio Tribuna BandNews FM: 

Publicidade

Dê sua opinião

BALEADA NO CARRO

Morte de motorista em abordagem policial abre discussão sobre a formação de PMs no Ceará

Polícia afirma que motorista desobedeceu voz de parada; família contesta

Por Tribuna Bandnews FM em Segurança Pública

13 de junho de 2018 às 13:36

Há 2 semanas
Giselle

Giselle foi assassinada durante abordagem policial na última segunda-feira (11) (Foto: Reprodução/Facebook)

A morte da administradora de empresas Giselle Távora Araújo, de 42 anos, após ser atingida por um tiro nas costas durante abordagem policial em Fortaleza, levantou o debate sobre a formação dos policiais. Segundo o sociólogo César Barreira, um bom treinamento para os PMs é crucial para evitar homicídios por intervenção policial.

“Isso revela toda uma situação que a própria sociedade vive. Essas ações podem revelar estresse, má-formação, esse medo e essa insegurança, porque as pessoas atiram antes para se manter vivas”, comentou Cesar Barreira, em entrevista à Tribuna Band News FM.

Em nota sobre o caso, a Secretaria de Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS) informou que a motorista recebeu voz de parada, mas não obedeceu e seguiu viagem. A família, por sua vez, contesta. Em entrevista ao jornal O Povo, a tia da vítima, Clara Moura Távora, afirmou que Giselle e sua filha haviam escutado os disparos, e imaginaram que se tratava de um assalto em outro veículo. Além disso, o disparo aconteceu enquanto o veículo estava parado no sinal.

O policial que atirou em Giselle se apresentou ao 13º Distrito Policial, responsável pela região onde o fato ocorreu, segundo a Controladoria Geral de Disciplina dos Órgãos de Segurança (CGD). A arma utilizada na ação teria sido uma carabina ponto 40 que, posteriormente, foi recolhida para perícia.

O presidente da federação de Tiro Tático, André Azevedo, ressalta que armas desse porte são precisas e que qualquer movimento ou mudança de inclinação pode alterar o alvo do disparo. “O problema não é o calibre em si. É o manuseio do momento da ação. Se você estiver em movimento e balançando, pode causar uma diferença de 2 a 10 metros”, explica André.

Abordagem policial

Segundo o especialista de segurança Valmir Medeiros, os treinamentos de policiais sobre esses tipos de ação, como a abordagem que resultou na morte de Giselle Távora, são ofertadas para os agentes apenas de forma teórica. É necessário métodos práticos durante a formação, diz Medeiros.

Desde 2010, uma portaria do Ministério da Justiça elencou uma série de restrições ao uso de armas de fogo em abordagem policial.

A alteração proibiu que policiais apontem armas para as pessoas durante abordagens nas ruas e atirem em pessoas em fuga desarmadas. A portaria prevê também que os policiais apenas efetuem disparos caso haja ameaça de lesão ou morte.

O policial que atirou em Giselle se apresentou ao 13º Distrito Policial, responsável pela região onde o fato ocorreu, segundo a CGD.

Em entrevista coletiva na manhã desta quarta-feira, durante solenidade de formatura da nova turma de policiais militares, o governador Camilo Santana (PT) não quis comentar possível erro na ação policial. Disse apenas que tinha ordenado uma apuração rigorosa. Falou ainda que a formação dos policiais é adequada e segue padrões nacionais.

Ouça a matéria da Rádio Tribuna BandNews FM: