Maior chacina da história do Ceará completa 2 meses, ainda sem autoria conhecida


Maior chacina da história do Ceará completa 2 meses, ainda sem autoria conhecida

Governador do Estado do Ceará, Camilo Santana (PT), anunciou que a Polícia Federal está auxiliando na investigação do caso. Espera por respostas ainda angustia familiares

Por Matheus Ribeiro em Segurança Pública

12 de Janeiro de 2016 às 06:00

Há 2 anos
Moradores realizaram protestos e homenagens às vítimas da chacina ocorrido no fim do ano passado. Caso completa dois meses e ainda permanece indefinido (FOTO: Hayanne Narlla/ Tribuna do Ceará)

Moradores realizaram protestos e homenagens às vítimas da chacina (FOTO: Hayanne Narlla/ Tribuna do Ceará)

O costume de sentar na calçada para conversar não é mais frequente. Escolas ficaram fechadas, comércio baixando as portas antes do horário e moradores fugindo da comunidade às pressas. Essa foi a situação de medo que tomou conta dos bairros Curió, São Miguel, Alagadiço Novo e Messejana, em Fortaleza, em 12 de novembro de 2015, após a maior chacina da história do Ceará.

O dia ganhou destaque pela tensão e dor de muitas famílias. Nesta terça-feira (12), a chacina na Grande Messejana, que deixou 11 vítimas durante a madrugada, completa dois meses de acontecimento, mas ainda sem conclusão.

Entre os familiares das vítimas está Ana Cecília, uma bebê de cinco meses, e sua mãe de apenas 17 anos de idade. Até o momento, mais de 80 pessoas foram ouvidas durante as investigações, entre suspeitos, vítimas, familiares e testemunhas.

O Tribuna do Ceará entrou em contato com a Controladoria Geral da Disciplina dos Órgãos de Segurança Pública e Sistema Penitenciário (CGD), departamento responsável pelas investigações sobre o caso, e foi informado por meio de sua assessoria de comunicação que as investigações da maior chacina do estado permanecem em segredo de Justiça. 

Durante entrevista coletiva na tarde de ontem, ao anunciar os dados dos crimes Violentos Letais Internacionais  (CVLIs), o governador Camilo Santana afirmou que as investigações estão encaminhadas e que a Polícia Federal (PF) foi acionada para ajudar em perícias técnicas e investigações aprofundadas. “Eu fiz uma reunião no fim do ano passado com a Controladoria. O caso está bem encaminhado. Foi solicitado um exame de balística à Polícia Federal. Mas, preferimos lançar um contexto geral, pois é preciso ter mais segurança ao apontar os fatos”, ressalta o governador.

Relembre o caso

Os crimes que chocaram o estado aconteceram em um intervalo de três horas e meia. As suspeitas seriam que a chacina seria uma forma de resposta à morte de um policial militar do 16º Batalhão, assassinado durante uma tentativa de assalto no Bairro Lagoa Redonda. No dia seguinte do ocorrido, a Secretaria de Segurança e Defesa Social do Ceará (SSPDS) emitiu uma lista com os dados preliminares das vítimas.

Curió
0h20min – Antônio Alisson Inácio Cardoso, 17 anos
0h20min – Jardel Lima dos Santos, 17 anos
1h20min – Alef Souza Cavalcante , 17 anos
1h20min – Renayson Girão da Silva, 17 anos
1h54min – Patricio João Pinho Leite, 16 anos
3h33min – Jandson Alexandre de Sousa, 19 anos
3h33min – Francisco Elenildo Pereira Chagas, 41 anos
3h33min – Valmir Ferreira da Conceição, 37 anos
3h57min – Pedro Alcantara Barroso do Nascimento, 18 anos

Messejana
3h57min – Marcelo da Silva Pereira, 17 anos
3h57min – Desconhecido do sexo masculino

Na época, o documento oficial emitido pela secretaria confirmou que nenhum dos mortos tinha antecedentes criminais graves. Além disso, dos 11 homens mortos na chacina, 7 eram adolescentes, com idades que variavam entre 16 e 17 anos. Do total, apenas três se envolveram em ações de potencial leve: acidente de trânsito, pensão alimentícia e ameaça.

Desde o acontecimento, a SSPDS informou que a Polícia trabalha com outras duas linhas de investigação. Entre elas, está a prisão de Carlos Alexandre Alberto da Silva, de 38 anos, vulgo ‘Castor’, que possuía antecedentes criminais por tráfico de drogas, porte e posse ilegal de arma de fogo, ameaça, homicídios, tentativa de homicídio, e estava com três mandados de prisão em aberto. A suspeita era a de que o homem teria ordenado a morte dos seus delatores. Semanas depois, ele acabou morto no presídio.

Já a outra linha de investigação aponta para retaliação pela morte do traficante Lindemberg Vieira Dias, morto dias antes dos acontecimentos na região.

Desde então, a apuração do caso foi encarada como prioridade pela secretaria de segurança pública do Estado. Dentre as apurações está a suspeita do envolvimento indireto de policiais. No entanto, até hoje a conclusão do caso está indefinida.

Acompanhe o caso:

12 de novembro – Secretaria de Segurança monta força-tarefa para investigar mortes em sequência em Messejana

12 de novembro – Escolas suspendem aulas por sequência de mortes na Grande Messejana

13 de novembro – Sequência de mortes em Fortaleza aconteceu em 4 horas com pelos menos 4 adolescentes assassinados

13 de novembro – Sequência de mortes muda rotina no terminal da Messejana

13 de novembro – Nenhuma das vítimas de chacina da Messejana tinha antecedentes criminais graves

14 de novembro – Associação de PMs diz que é inadmissível associar crimes à represália por morte de policial

16 de novembro – Após sequência de mortes, moradores do Curió realizam protesto

16 de novembro – Mensagens de ameaças em Fortaleza espalham-se por Whatsapp; PM desmente boatos

16 de novembro – Após divulgar vídeo com ameaças, adolescente pede desculpas à polícia

16 de novembro – Viatura da polícia é incendiada, e quartel é alvejado por tiros em Fortaleza

16 de novembro – Ministério Público vai investigar mortes da chacina na Grande Messejana

17 de novembro – Presidente de associação lamenta que sociedade não se sensibiliza mais com morte de policiais

17 de novembro – Dois carros com atiradores encapuzados metralham quatro pessoas em dois bairros de Fortaleza

17 de novembro – #TamoJuntoCurió: Página de apoio às vítimas de chacina vira febre em poucas horas

18 de novembro – Moradores do Curió prometem “marcação cerrada” ao governo por justiça após chacina

18 de novembro – Secretário de Segurança promete investigar denúncia sobre grupo de extermínio na Polícia

19 de novembro – Parentes e amigos querem que vítimas de chacina deem nome a ruas do Curió

20 de novembro – Mãe de jovem morto em chacina contesta que ele respondia a ação por pensão alimentícia

23 de novembro – Vítima da chacina de Messejana deixou viúva de 16 anos, já mãe de bebê de 3 meses

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Maior chacina da história do Ceará completa 2 meses, ainda sem autoria conhecida

Governador do Estado do Ceará, Camilo Santana (PT), anunciou que a Polícia Federal está auxiliando na investigação do caso. Espera por respostas ainda angustia familiares

Por Matheus Ribeiro em Segurança Pública

12 de Janeiro de 2016 às 06:00

Há 2 anos
Moradores realizaram protestos e homenagens às vítimas da chacina ocorrido no fim do ano passado. Caso completa dois meses e ainda permanece indefinido (FOTO: Hayanne Narlla/ Tribuna do Ceará)

Moradores realizaram protestos e homenagens às vítimas da chacina (FOTO: Hayanne Narlla/ Tribuna do Ceará)

O costume de sentar na calçada para conversar não é mais frequente. Escolas ficaram fechadas, comércio baixando as portas antes do horário e moradores fugindo da comunidade às pressas. Essa foi a situação de medo que tomou conta dos bairros Curió, São Miguel, Alagadiço Novo e Messejana, em Fortaleza, em 12 de novembro de 2015, após a maior chacina da história do Ceará.

O dia ganhou destaque pela tensão e dor de muitas famílias. Nesta terça-feira (12), a chacina na Grande Messejana, que deixou 11 vítimas durante a madrugada, completa dois meses de acontecimento, mas ainda sem conclusão.

Entre os familiares das vítimas está Ana Cecília, uma bebê de cinco meses, e sua mãe de apenas 17 anos de idade. Até o momento, mais de 80 pessoas foram ouvidas durante as investigações, entre suspeitos, vítimas, familiares e testemunhas.

O Tribuna do Ceará entrou em contato com a Controladoria Geral da Disciplina dos Órgãos de Segurança Pública e Sistema Penitenciário (CGD), departamento responsável pelas investigações sobre o caso, e foi informado por meio de sua assessoria de comunicação que as investigações da maior chacina do estado permanecem em segredo de Justiça. 

Durante entrevista coletiva na tarde de ontem, ao anunciar os dados dos crimes Violentos Letais Internacionais  (CVLIs), o governador Camilo Santana afirmou que as investigações estão encaminhadas e que a Polícia Federal (PF) foi acionada para ajudar em perícias técnicas e investigações aprofundadas. “Eu fiz uma reunião no fim do ano passado com a Controladoria. O caso está bem encaminhado. Foi solicitado um exame de balística à Polícia Federal. Mas, preferimos lançar um contexto geral, pois é preciso ter mais segurança ao apontar os fatos”, ressalta o governador.

Relembre o caso

Os crimes que chocaram o estado aconteceram em um intervalo de três horas e meia. As suspeitas seriam que a chacina seria uma forma de resposta à morte de um policial militar do 16º Batalhão, assassinado durante uma tentativa de assalto no Bairro Lagoa Redonda. No dia seguinte do ocorrido, a Secretaria de Segurança e Defesa Social do Ceará (SSPDS) emitiu uma lista com os dados preliminares das vítimas.

Curió
0h20min – Antônio Alisson Inácio Cardoso, 17 anos
0h20min – Jardel Lima dos Santos, 17 anos
1h20min – Alef Souza Cavalcante , 17 anos
1h20min – Renayson Girão da Silva, 17 anos
1h54min – Patricio João Pinho Leite, 16 anos
3h33min – Jandson Alexandre de Sousa, 19 anos
3h33min – Francisco Elenildo Pereira Chagas, 41 anos
3h33min – Valmir Ferreira da Conceição, 37 anos
3h57min – Pedro Alcantara Barroso do Nascimento, 18 anos

Messejana
3h57min – Marcelo da Silva Pereira, 17 anos
3h57min – Desconhecido do sexo masculino

Na época, o documento oficial emitido pela secretaria confirmou que nenhum dos mortos tinha antecedentes criminais graves. Além disso, dos 11 homens mortos na chacina, 7 eram adolescentes, com idades que variavam entre 16 e 17 anos. Do total, apenas três se envolveram em ações de potencial leve: acidente de trânsito, pensão alimentícia e ameaça.

Desde o acontecimento, a SSPDS informou que a Polícia trabalha com outras duas linhas de investigação. Entre elas, está a prisão de Carlos Alexandre Alberto da Silva, de 38 anos, vulgo ‘Castor’, que possuía antecedentes criminais por tráfico de drogas, porte e posse ilegal de arma de fogo, ameaça, homicídios, tentativa de homicídio, e estava com três mandados de prisão em aberto. A suspeita era a de que o homem teria ordenado a morte dos seus delatores. Semanas depois, ele acabou morto no presídio.

Já a outra linha de investigação aponta para retaliação pela morte do traficante Lindemberg Vieira Dias, morto dias antes dos acontecimentos na região.

Desde então, a apuração do caso foi encarada como prioridade pela secretaria de segurança pública do Estado. Dentre as apurações está a suspeita do envolvimento indireto de policiais. No entanto, até hoje a conclusão do caso está indefinida.

Acompanhe o caso:

12 de novembro – Secretaria de Segurança monta força-tarefa para investigar mortes em sequência em Messejana

12 de novembro – Escolas suspendem aulas por sequência de mortes na Grande Messejana

13 de novembro – Sequência de mortes em Fortaleza aconteceu em 4 horas com pelos menos 4 adolescentes assassinados

13 de novembro – Sequência de mortes muda rotina no terminal da Messejana

13 de novembro – Nenhuma das vítimas de chacina da Messejana tinha antecedentes criminais graves

14 de novembro – Associação de PMs diz que é inadmissível associar crimes à represália por morte de policial

16 de novembro – Após sequência de mortes, moradores do Curió realizam protesto

16 de novembro – Mensagens de ameaças em Fortaleza espalham-se por Whatsapp; PM desmente boatos

16 de novembro – Após divulgar vídeo com ameaças, adolescente pede desculpas à polícia

16 de novembro – Viatura da polícia é incendiada, e quartel é alvejado por tiros em Fortaleza

16 de novembro – Ministério Público vai investigar mortes da chacina na Grande Messejana

17 de novembro – Presidente de associação lamenta que sociedade não se sensibiliza mais com morte de policiais

17 de novembro – Dois carros com atiradores encapuzados metralham quatro pessoas em dois bairros de Fortaleza

17 de novembro – #TamoJuntoCurió: Página de apoio às vítimas de chacina vira febre em poucas horas

18 de novembro – Moradores do Curió prometem “marcação cerrada” ao governo por justiça após chacina

18 de novembro – Secretário de Segurança promete investigar denúncia sobre grupo de extermínio na Polícia

19 de novembro – Parentes e amigos querem que vítimas de chacina deem nome a ruas do Curió

20 de novembro – Mãe de jovem morto em chacina contesta que ele respondia a ação por pensão alimentícia

23 de novembro – Vítima da chacina de Messejana deixou viúva de 16 anos, já mãe de bebê de 3 meses