Mãe de Dandara ainda se pergunta por que ninguém impediu a tortura de travesti
6 MESES DO MASSACRE

Mãe de Dandara ainda se pergunta por que ninguém impediu a tortura de travesti

No próximo dia 15 de agosto, completa seis meses da morte de Dandara dos Santos, que foi massacrada por um grupo de homens no Bairro Bom Jardim

Por Daniel Rocha em Segurança Pública

11 de agosto de 2017 às 12:08

Há 2 meses

A mãe da Travesti ressalta que Dandara dos Santos era muito querida no bairro (FOTO: Reprodução/Barra Pesada)

“Ninguém socorreu o meu filho”, lamenta Francisca Pereira, mãe de Dandara dos Santos, de 42 anos. A travesti foi morta após ser agredida por um grupo de homens. O crime aconteceu no dia 15 de fevereiro e teve repercussão internacional após um vídeo ter circulado nas redes sociais, mostrando Dandara sendo agredida no meio da rua e, depois, morta. Ao lembrar da crueldade dos autores do crime, dona Francisca não consegue compreender o porquê que ninguém impediu a ação.

“Fico imaginando como as pessoas viram massacrar um ser humano e deixar que isso aconteça”, disse mãe em entrevista exclusiva ao programa Barra Pesada, da TV Jangadeiro/SBT.

O questionamento de dona Francisca torna-se mais forte ao relembrar como a sua filha era querida no Bom Jardim. Sempre ajudava em casa e outras pessoas. No mercantil próximo de sua casa, por exemplo, Dandara era recebida com sorrisos. “Todos os funcionários gostavam dela”, ressalta a mãe.

Após o crime de Dandara, as funcionárias do mercantil relembraram das conversas ditas durante as visitas ao supermercado. Elas comentaram à dona Francisca que a travesti sempre mencionava que um dia todos iriam vê-la na televisão. “Quando elas lembram disso, começam a chorar”, comenta a mãe.

Durante esses meses sem a presença da filha, dona Francisca fica imaginando o sofrimento de Dandara. A mãe nunca conseguiu ver todo o vídeo do crime, mas das poucas imagens que conferiu se colocou no lugar da filha. Em uma das cenas em que a travesti fica sentada, Francisca imagina a situação de Dandara em que esperava por um socorro e a morte ao mesmo tempo. “É uma cena horrível. Meu filho morreu. Foi discriminado”, frisa.

Dandara foi morta no dia 15 de fevereiro deste ano no bairro Bom Jardim. A travesti foi agredida com socos, chutes, pauladas e humilhada. Logo depois, os autores do crime deram dois disparos contra Dandara e uma forte pedrada na cabeça, resultando na morte da travesti por traumatismo craniano.  As cenas do crime foram registradas e publicadas nas redes sociais.

Caso de Dandara na justiça

A primeira audiência relativa à morte de Dandara dos Santos aconteceu na tarde desta quinta-feira, 10, no Fórum Clóvis Beviláqua. A sessão ouviu as testemunhas de acusação da ação penal e também as de defesa sobre a morte da travesti. A próxima audiência está prevista para ocorrer no dia 5 de setembro às 14h.

Os réus estão sendo denunciados por homicídio quadruplamente qualificado por ter sido motivado por preconceito ou por transfobia, por motivo fútil já que os acusados acreditavam que Dandara teria cometido pequenos furtos no bairro, pela crueldade e pela incapacidade da vítima ter se defendido. Além disso, os réus foram denunciado por crime de corrupção de menores.

A entrevista completa com a mãe de Dandara dos Santos vai ao ar nesta sexta-feira (11), no programa Barra Pesada, da TV Jangadeiro/SBT, às 12h10min.

Publicidade

Dê sua opinião

6 MESES DO MASSACRE

Mãe de Dandara ainda se pergunta por que ninguém impediu a tortura de travesti

No próximo dia 15 de agosto, completa seis meses da morte de Dandara dos Santos, que foi massacrada por um grupo de homens no Bairro Bom Jardim

Por Daniel Rocha em Segurança Pública

11 de agosto de 2017 às 12:08

Há 2 meses

A mãe da Travesti ressalta que Dandara dos Santos era muito querida no bairro (FOTO: Reprodução/Barra Pesada)

“Ninguém socorreu o meu filho”, lamenta Francisca Pereira, mãe de Dandara dos Santos, de 42 anos. A travesti foi morta após ser agredida por um grupo de homens. O crime aconteceu no dia 15 de fevereiro e teve repercussão internacional após um vídeo ter circulado nas redes sociais, mostrando Dandara sendo agredida no meio da rua e, depois, morta. Ao lembrar da crueldade dos autores do crime, dona Francisca não consegue compreender o porquê que ninguém impediu a ação.

“Fico imaginando como as pessoas viram massacrar um ser humano e deixar que isso aconteça”, disse mãe em entrevista exclusiva ao programa Barra Pesada, da TV Jangadeiro/SBT.

O questionamento de dona Francisca torna-se mais forte ao relembrar como a sua filha era querida no Bom Jardim. Sempre ajudava em casa e outras pessoas. No mercantil próximo de sua casa, por exemplo, Dandara era recebida com sorrisos. “Todos os funcionários gostavam dela”, ressalta a mãe.

Após o crime de Dandara, as funcionárias do mercantil relembraram das conversas ditas durante as visitas ao supermercado. Elas comentaram à dona Francisca que a travesti sempre mencionava que um dia todos iriam vê-la na televisão. “Quando elas lembram disso, começam a chorar”, comenta a mãe.

Durante esses meses sem a presença da filha, dona Francisca fica imaginando o sofrimento de Dandara. A mãe nunca conseguiu ver todo o vídeo do crime, mas das poucas imagens que conferiu se colocou no lugar da filha. Em uma das cenas em que a travesti fica sentada, Francisca imagina a situação de Dandara em que esperava por um socorro e a morte ao mesmo tempo. “É uma cena horrível. Meu filho morreu. Foi discriminado”, frisa.

Dandara foi morta no dia 15 de fevereiro deste ano no bairro Bom Jardim. A travesti foi agredida com socos, chutes, pauladas e humilhada. Logo depois, os autores do crime deram dois disparos contra Dandara e uma forte pedrada na cabeça, resultando na morte da travesti por traumatismo craniano.  As cenas do crime foram registradas e publicadas nas redes sociais.

Caso de Dandara na justiça

A primeira audiência relativa à morte de Dandara dos Santos aconteceu na tarde desta quinta-feira, 10, no Fórum Clóvis Beviláqua. A sessão ouviu as testemunhas de acusação da ação penal e também as de defesa sobre a morte da travesti. A próxima audiência está prevista para ocorrer no dia 5 de setembro às 14h.

Os réus estão sendo denunciados por homicídio quadruplamente qualificado por ter sido motivado por preconceito ou por transfobia, por motivo fútil já que os acusados acreditavam que Dandara teria cometido pequenos furtos no bairro, pela crueldade e pela incapacidade da vítima ter se defendido. Além disso, os réus foram denunciado por crime de corrupção de menores.

A entrevista completa com a mãe de Dandara dos Santos vai ao ar nesta sexta-feira (11), no programa Barra Pesada, da TV Jangadeiro/SBT, às 12h10min.