Execução bárbara de internos já havia sido alertada ao Governo, avisa juiz da Adolescência

CHACINA DA SAPIRANGA

Execução bárbara de internos já havia sido alertada ao Governo, avisa juiz da Adolescência

Jovens mencionaram que o Centro poderia ser invadido por membros de facção criminosa para matar rivais, denuncia Manoel Clístenes

Por Lyvia Rocha em Segurança Pública

14 de novembro de 2017 às 10:59

Há 6 dias
O juiz lamenta e alerta que é o momento de refletir o que aconteceu (FOTO: Reprodução/TV Jangadeiro)

O juiz lamenta e alerta que é o momento é de refletir pelo que aconteceu (FOTO: Reprodução/TV Jangadeiro)

Após a chacina que aconteceu com adolescentes que estavam no Centro de Semiliberdade Mártir Francisca, quando 4 adolescentes foram retirados e assassinados com vários tiros, o juiz Manoel Clístenes, da 5ª Vara da Criança e Adolescência, acredita que esse foi o pior momento vivido por um centro educacional no Ceará.

“Aquelas pessoas estavam ali sob a custódia do Estado, tinham que ter a garantia de segurança e foram tiradas de madrugada para serem brutalmente mortas. É um caso muito grave”, afirma.

Mas o juiz alerta que há alguns meses os órgãos responsáveis por cuidar dos jovens tinham sido alertados sobre uma possível invasão.

“Alguns jovens nos últimos 2, 3 meses mencionaram que o Centro podia ser invadido por membros de uma determinada facção criminosa. Essa denúncia chegou ao Ministério Público, Defensoria Pública, elas tiveram as medidas suspensas e foi encaminhado para o Estado tomar medidas de segurança, mas infelizmente aconteceu essa tragédia”, lamenta.

Assim como alertou, o presidente do Conselho Penitenciário do Estado, Cláudio Justa, o juiz também concorda que a lógica das facções também está inserida nos centros educacionais. “O que acontece hoje foi reflexo do que acontece nos presídios, infelizmente. Consequência dessas guerras de facções. Eles invadiram para matar jovens que poderiam fazer parte de outra facção”, acredita.

Para o magistrado, se residir em um determinado local que é dominado por uma facção inimiga de outra, a pessoa já vira um alvo. “Os jovens nem precisavam ser membros de facções. Todo mundo precisa morar em algum lugar e maior parte da cidade tem facções dominando. O adolescente que cumpre medida vai morar em algum lugar e lá pode ser de uma facção inimiga de outra”, explica.

Agora, o momento será de reflexão, pois o centro ficará fechado por uma semana após os crimes bárbaros que aconteceram. “Tem que pensar muito o que virá pela frente. Será que virão represálias? Será que vão ter represálias nos bairros? Nos presídios? Foi uma ação cruel eu diria, mataram pessoas que estavam dormindo. Os funcionários estão muito abalados com tudo o que aconteceu. Uma semana para ver o que se pode fazer nesse tempo”, disse.

Publicidade

Dê sua opinião

CHACINA DA SAPIRANGA

Execução bárbara de internos já havia sido alertada ao Governo, avisa juiz da Adolescência

Jovens mencionaram que o Centro poderia ser invadido por membros de facção criminosa para matar rivais, denuncia Manoel Clístenes

Por Lyvia Rocha em Segurança Pública

14 de novembro de 2017 às 10:59

Há 6 dias
O juiz lamenta e alerta que é o momento de refletir o que aconteceu (FOTO: Reprodução/TV Jangadeiro)

O juiz lamenta e alerta que é o momento é de refletir pelo que aconteceu (FOTO: Reprodução/TV Jangadeiro)

Após a chacina que aconteceu com adolescentes que estavam no Centro de Semiliberdade Mártir Francisca, quando 4 adolescentes foram retirados e assassinados com vários tiros, o juiz Manoel Clístenes, da 5ª Vara da Criança e Adolescência, acredita que esse foi o pior momento vivido por um centro educacional no Ceará.

“Aquelas pessoas estavam ali sob a custódia do Estado, tinham que ter a garantia de segurança e foram tiradas de madrugada para serem brutalmente mortas. É um caso muito grave”, afirma.

Mas o juiz alerta que há alguns meses os órgãos responsáveis por cuidar dos jovens tinham sido alertados sobre uma possível invasão.

“Alguns jovens nos últimos 2, 3 meses mencionaram que o Centro podia ser invadido por membros de uma determinada facção criminosa. Essa denúncia chegou ao Ministério Público, Defensoria Pública, elas tiveram as medidas suspensas e foi encaminhado para o Estado tomar medidas de segurança, mas infelizmente aconteceu essa tragédia”, lamenta.

Assim como alertou, o presidente do Conselho Penitenciário do Estado, Cláudio Justa, o juiz também concorda que a lógica das facções também está inserida nos centros educacionais. “O que acontece hoje foi reflexo do que acontece nos presídios, infelizmente. Consequência dessas guerras de facções. Eles invadiram para matar jovens que poderiam fazer parte de outra facção”, acredita.

Para o magistrado, se residir em um determinado local que é dominado por uma facção inimiga de outra, a pessoa já vira um alvo. “Os jovens nem precisavam ser membros de facções. Todo mundo precisa morar em algum lugar e maior parte da cidade tem facções dominando. O adolescente que cumpre medida vai morar em algum lugar e lá pode ser de uma facção inimiga de outra”, explica.

Agora, o momento será de reflexão, pois o centro ficará fechado por uma semana após os crimes bárbaros que aconteceram. “Tem que pensar muito o que virá pela frente. Será que virão represálias? Será que vão ter represálias nos bairros? Nos presídios? Foi uma ação cruel eu diria, mataram pessoas que estavam dormindo. Os funcionários estão muito abalados com tudo o que aconteceu. Uma semana para ver o que se pode fazer nesse tempo”, disse.