Detentos gravam vídeo em motim denunciando maus tratos: "é a resposta para as covardias dos agentes"
SISTEMA PENITENCIÁRIO

Detentos gravam vídeo em motim denunciando maus tratos: “é a resposta para as covardias dos agentes”

Presos exigem troca dos agentes envolvidos nas torturas. Ainda reclamam da suspensão das visitas, medida implementada após túneis terem sido encontrados

Por Lucas Barbosa em Segurança Pública

11 de julho de 2017 às 19:29

Há 4 meses
Novo vídeo denuncia maus-tratos (FOTO: Reprodução)

Novo vídeo denuncia maus-tratos (FOTO: Reprodução)

Mais um vídeo foi produzido e divulgado por presos durante o motim iniciado na madrugada dessa segunda-feira (10), na Casa de Privação Provisória de Liberdade Professor José Jucá Neto (CPPL III), em Itaitinga, na Grande Fortaleza.

As imagens mostram o incêndio provocado pelos detentos, que afirmam ter feito isso em protesto contra os maus tratos aos quais estariam sendo submetidos por agentes penitenciários.

“Nós quer [sic] que todos os agentes saiam. Que sejam colocados agentes novos que saibam trabalhar”, exige um dos presos no vídeo, sem se identificar. “Nós estava [sic] sendo oprimindo, isso é a resposta que estamos dando em cima das covardias deles”; “Nós estamos ficando sem visita quase toda semana por nada, entendeu?”, ele diz. “Isso aí é só o começo“, afirma outro, em referência ao incêndio. “Nós pode [sic] parar é tudo, o Estado e até o Brasil, se duvidar”, ameaça. “É o Primeiro Comando da Capital!”

Veja o vídeo na íntegra:

O vídeo foi encaminhado para o programa Barra Pesada, da TV Jangadeiro/SBT, por uma pessoa que se identificou como companheira de um detento. Segundo ela, os presos estão há seis dias sem receber alimentação — o que é negado pela Secretaria da Justiça e da Cidadania (Sejus). A pasta afirma, por meio de nota à imprensa, que o fornecimento de alimentos ocorre normalmente, assim como os demais atendimentos existentes na unidade.

Sobre as denúncias de tortura, a secretaria orienta que sejam comunicadas formalmente à Ouvidoria do órgão, através do número 3231-3485, onde serão “prontamente investigadas”.

Ainda segundo a Sejus, a rebelião comprometeu apenas a parte elétrica da unidade, além de deteriorar portões de acesso e grades que levam à parte superior da CPPL. Os internos atearam fogo a colchões e a madeiras utilizada em obras de reparo que já vinham acontecendo na CPPL. “Nesta terça [11], a obra continuou, já reparando os danos registrados. Nenhuma vivência foi quebrada. Não haverá transferências”, afirma a secretaria. 

De acordo com a Sejus, o motim ocorreu após a suspensão das visitas aos internos, o que foi uma punição à descoberta de um túnel em escavação na unidade. A medida disciplinar também se deve, afirma a Sejus, ao fato de um interno ter sido encontrado morto, na última quinta (6), em outro túnel em escavação.

Mais denúncias

Outros vídeos foram feitos por detentos da CPPL III, também com denúncias de maus tratos. Em um deles, conforme mostrou Tribuna do Ceará, um interno relata uma sessão de humilhação praticada pelos agentes penitenciários. “Eles mijaram na gente [sic]”, diz um dos detentos.

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Detentos gravam vídeo em motim denunciando maus tratos: “é a resposta para as covardias dos agentes”

Presos exigem troca dos agentes envolvidos nas torturas. Ainda reclamam da suspensão das visitas, medida implementada após túneis terem sido encontrados

Por Lucas Barbosa em Segurança Pública

11 de julho de 2017 às 19:29

Há 4 meses
Novo vídeo denuncia maus-tratos (FOTO: Reprodução)

Novo vídeo denuncia maus-tratos (FOTO: Reprodução)

Mais um vídeo foi produzido e divulgado por presos durante o motim iniciado na madrugada dessa segunda-feira (10), na Casa de Privação Provisória de Liberdade Professor José Jucá Neto (CPPL III), em Itaitinga, na Grande Fortaleza.

As imagens mostram o incêndio provocado pelos detentos, que afirmam ter feito isso em protesto contra os maus tratos aos quais estariam sendo submetidos por agentes penitenciários.

“Nós quer [sic] que todos os agentes saiam. Que sejam colocados agentes novos que saibam trabalhar”, exige um dos presos no vídeo, sem se identificar. “Nós estava [sic] sendo oprimindo, isso é a resposta que estamos dando em cima das covardias deles”; “Nós estamos ficando sem visita quase toda semana por nada, entendeu?”, ele diz. “Isso aí é só o começo“, afirma outro, em referência ao incêndio. “Nós pode [sic] parar é tudo, o Estado e até o Brasil, se duvidar”, ameaça. “É o Primeiro Comando da Capital!”

Veja o vídeo na íntegra:

O vídeo foi encaminhado para o programa Barra Pesada, da TV Jangadeiro/SBT, por uma pessoa que se identificou como companheira de um detento. Segundo ela, os presos estão há seis dias sem receber alimentação — o que é negado pela Secretaria da Justiça e da Cidadania (Sejus). A pasta afirma, por meio de nota à imprensa, que o fornecimento de alimentos ocorre normalmente, assim como os demais atendimentos existentes na unidade.

Sobre as denúncias de tortura, a secretaria orienta que sejam comunicadas formalmente à Ouvidoria do órgão, através do número 3231-3485, onde serão “prontamente investigadas”.

Ainda segundo a Sejus, a rebelião comprometeu apenas a parte elétrica da unidade, além de deteriorar portões de acesso e grades que levam à parte superior da CPPL. Os internos atearam fogo a colchões e a madeiras utilizada em obras de reparo que já vinham acontecendo na CPPL. “Nesta terça [11], a obra continuou, já reparando os danos registrados. Nenhuma vivência foi quebrada. Não haverá transferências”, afirma a secretaria. 

De acordo com a Sejus, o motim ocorreu após a suspensão das visitas aos internos, o que foi uma punição à descoberta de um túnel em escavação na unidade. A medida disciplinar também se deve, afirma a Sejus, ao fato de um interno ter sido encontrado morto, na última quinta (6), em outro túnel em escavação.

Mais denúncias

Outros vídeos foram feitos por detentos da CPPL III, também com denúncias de maus tratos. Em um deles, conforme mostrou Tribuna do Ceará, um interno relata uma sessão de humilhação praticada pelos agentes penitenciários. “Eles mijaram na gente [sic]”, diz um dos detentos.