“Declaração do secretário sobre mudanças em presídios instigou ataques”, avalia especialista

RETALIAÇÃO CRIMINOSA

“Declaração do secretário sobre mudanças em presídios instigou ataques”, avalia especialista

Especialista em segurança pública da Uece afirma que “salves” já circulavam desde o Natal, coordenando ataques que começaram após declaração de novo secretário

Por Tribuna do Ceará em Segurança Pública

4 de janeiro de 2019 às 09:59

Há 2 semanas
Ônibus foram incendiados em Fortaleza (FOTO: Reprodução WhatsApp)

Ônibus foram incendiados em Fortaleza (FOTO: Reprodução WhatsApp)

Especialista em segurança pública ouvido pelo Tribuna do Ceará avalia que a declaração do secretário da Administração Penitenciária, Luís Mauro Albuquerque, teria instigado uma insatisfação que já existia entre facções criminosas do estado desde dezembro, quando houve o anúncio de sua vinda para atuar no Ceará. Isso teria levado ao estopim das ações criminosas ocorridas desde a noite de quarta-feira (2), na Região Metropolitana de Fortaleza.

O pesquisador Ricardo Moura, do Laboratório de Estuados e Pesquisas Conflituante e Violência (Covio), da Universidade Estadual do Ceará (Uece), analisou a declaração do secretário, que prometeu novos procedimentos na rotina prisional e afirmou não reconhecer facção, incluindo a separação de detentos dos presídios.

Em entrevista ao Tribuna do Ceará, Ricardo Moura explica que a fala instigou as ameaças de facções criminosas, que – segundo ele – já existiam antes mesmo da posse do secretário, ocorrida no dia 1º de janeiro. “Na semana do Natal, já estavam circulando os ‘salves’ [ordens se dentro dos presídios] no sentido de que fossem realizados ataques a equipamentos públicos e a locais que pudessem causar transtorno à população e afrontar o governo”.

Na visão do especialista, no momento em que o secretário foi empossado e declarou o não-reconhecimento de facções, a situação de ameaça foi instigada. “Porque o ‘salve’ já tinha a orientação de realizar ataques e já mostrava que eles [integrantes de facção] estavam incomodados com a vinda”.

De acordo com Ricardo, as mensagens começaram a circular no momento em que foi noticiada a chegada do novo secretário. “Já havia um tom de ameaça, indicando a realização desses ataques; e, talvez, os órgãos de segurança já tivessem noção”.

Para o pesquisador da Uece, a comunicação com a sociedade é essencial nesse momento. “Por parte das autoridades, para a população ficar informada e se sentir mais segura”.

Na tarde desta quinta-feira (3), o governador Camilo Santana se manifestou nas redes sociais, anunciando, dentre outras medidas, que pediu apoio da Força Nacional e do Exército, para atuarem em conjunto com as forças cearenses contra as facções que provocaram a onda de terror.

Sem comentar

A assessoria de imprensa da Secretaria de Segurança Pública (SSPDS) informou que somente a Secretaria de Justiça do Ceará (Sejus) poderia comentar as avaliações do especialista. A Sejus, por sua vez, não retornou até o momento da publicação desta matéria.

O Tribuna do Ceará aguarda nota oficial da SSPDS, com o balanço de ataques, presos e feridos durante os ataques iniciados na noite de quarta-feira, que prosseguem nesta sexta-feira. Somente 30% da frota de ônibus circula na Região Metropolitana de Fortaleza, por medida de segurança.

Confira a cobertura sobre o caso:

3/1 – Dia de caos: veja resumo dos ataques criminosos registrados no Ceará

3/1 – Viaduto que corre risco de desabar após ataque criminoso passa por operação emergencial

3/1 – Casal de idosos e motorista ficam feridos após ataque a ônibus 

3/1 – Camilo Santana pede apoio da Força Nacional e do Exército após ataques no Ceará 

3/1 – “Pensei que era um meteoro”, diz moradora após explosão em viaduto de Caucaia

3/1 – Secretário opta por não comentar ataques registrados um dia após anunciar mudanças em presídios 

3/1 – Polícia prende 9 suspeitos de envolvimento na onda de ataques na Grande Fortaleza

3/1 – Cartas espalhadas em viaduto atacado ameaçam Governo por mudanças no sistema prisional 

3/1 – Ônibus de Fortaleza vão circular normalmente mesmo após ataques, garante Sindionibus

3/1 – General Theophilo oferece intervenção federal após ataques no Ceará: “Está na mão do governador”

3/1 – Grande Fortaleza sofre onda de ataques um dia após secretário anunciar fim da divisão de facções em presídios

2/1 – “Haverá matança, se juntar detentos de facções diferentes no mesmo presídio”, alerta Copen

2/1 – Novo secretário promete fim da divisão de presídios por facções no Ceará

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RETALIAÇÃO CRIMINOSA

“Declaração do secretário sobre mudanças em presídios instigou ataques”, avalia especialista

Especialista em segurança pública da Uece afirma que “salves” já circulavam desde o Natal, coordenando ataques que começaram após declaração de novo secretário

Por Tribuna do Ceará em Segurança Pública

4 de janeiro de 2019 às 09:59

Há 2 semanas
Ônibus foram incendiados em Fortaleza (FOTO: Reprodução WhatsApp)

Ônibus foram incendiados em Fortaleza (FOTO: Reprodução WhatsApp)

Especialista em segurança pública ouvido pelo Tribuna do Ceará avalia que a declaração do secretário da Administração Penitenciária, Luís Mauro Albuquerque, teria instigado uma insatisfação que já existia entre facções criminosas do estado desde dezembro, quando houve o anúncio de sua vinda para atuar no Ceará. Isso teria levado ao estopim das ações criminosas ocorridas desde a noite de quarta-feira (2), na Região Metropolitana de Fortaleza.

O pesquisador Ricardo Moura, do Laboratório de Estuados e Pesquisas Conflituante e Violência (Covio), da Universidade Estadual do Ceará (Uece), analisou a declaração do secretário, que prometeu novos procedimentos na rotina prisional e afirmou não reconhecer facção, incluindo a separação de detentos dos presídios.

Em entrevista ao Tribuna do Ceará, Ricardo Moura explica que a fala instigou as ameaças de facções criminosas, que – segundo ele – já existiam antes mesmo da posse do secretário, ocorrida no dia 1º de janeiro. “Na semana do Natal, já estavam circulando os ‘salves’ [ordens se dentro dos presídios] no sentido de que fossem realizados ataques a equipamentos públicos e a locais que pudessem causar transtorno à população e afrontar o governo”.

Na visão do especialista, no momento em que o secretário foi empossado e declarou o não-reconhecimento de facções, a situação de ameaça foi instigada. “Porque o ‘salve’ já tinha a orientação de realizar ataques e já mostrava que eles [integrantes de facção] estavam incomodados com a vinda”.

De acordo com Ricardo, as mensagens começaram a circular no momento em que foi noticiada a chegada do novo secretário. “Já havia um tom de ameaça, indicando a realização desses ataques; e, talvez, os órgãos de segurança já tivessem noção”.

Para o pesquisador da Uece, a comunicação com a sociedade é essencial nesse momento. “Por parte das autoridades, para a população ficar informada e se sentir mais segura”.

Na tarde desta quinta-feira (3), o governador Camilo Santana se manifestou nas redes sociais, anunciando, dentre outras medidas, que pediu apoio da Força Nacional e do Exército, para atuarem em conjunto com as forças cearenses contra as facções que provocaram a onda de terror.

Sem comentar

A assessoria de imprensa da Secretaria de Segurança Pública (SSPDS) informou que somente a Secretaria de Justiça do Ceará (Sejus) poderia comentar as avaliações do especialista. A Sejus, por sua vez, não retornou até o momento da publicação desta matéria.

O Tribuna do Ceará aguarda nota oficial da SSPDS, com o balanço de ataques, presos e feridos durante os ataques iniciados na noite de quarta-feira, que prosseguem nesta sexta-feira. Somente 30% da frota de ônibus circula na Região Metropolitana de Fortaleza, por medida de segurança.

Confira a cobertura sobre o caso:

3/1 – Dia de caos: veja resumo dos ataques criminosos registrados no Ceará

3/1 – Viaduto que corre risco de desabar após ataque criminoso passa por operação emergencial

3/1 – Casal de idosos e motorista ficam feridos após ataque a ônibus 

3/1 – Camilo Santana pede apoio da Força Nacional e do Exército após ataques no Ceará 

3/1 – “Pensei que era um meteoro”, diz moradora após explosão em viaduto de Caucaia

3/1 – Secretário opta por não comentar ataques registrados um dia após anunciar mudanças em presídios 

3/1 – Polícia prende 9 suspeitos de envolvimento na onda de ataques na Grande Fortaleza

3/1 – Cartas espalhadas em viaduto atacado ameaçam Governo por mudanças no sistema prisional 

3/1 – Ônibus de Fortaleza vão circular normalmente mesmo após ataques, garante Sindionibus

3/1 – General Theophilo oferece intervenção federal após ataques no Ceará: “Está na mão do governador”

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2/1 – “Haverá matança, se juntar detentos de facções diferentes no mesmo presídio”, alerta Copen

2/1 – Novo secretário promete fim da divisão de presídios por facções no Ceará