Chefe do furto ao Banco Central é baleado durante tentativa de fuga em Pacatuba
INTENSO TIROTEIO

Chefe do furto ao Banco Central é baleado durante tentativa de fuga em Pacatuba

A tentativa de resgate de Alemão aconteceu exatamente 12 anos depois da descoberta do furto ao Banco Central

Por Lyvia Rocha em Segurança Pública

8 de agosto de 2017 às 08:51

Há 2 semanas
Alemão foi baleado (FOTO: Reprodução/Whatsapp)

Alemão foi baleado na operação de resgate (FOTO: Reprodução/Whatsapp)

O chefe do furto ao Banco Central de Fortaleza, Antônio Jussivan Alves, o “Alemão“, foi baleado durante uma tentativa de fuga na madrugada desta terça-feira (8), na Penitenciária Francisco Hélio Viana de Araújo, em Pacatuba, na Região Metropolitana de Fortaleza.

Alemão foi atingido na região do abdômen, segundo informações da Polícia. O detento foi levado para o Instituto Doutor José Frota (IJF), no Centro de Fortaleza, para receber atendimento médico. Ainda não há informações sobre o estado de saúde de Alemão.

A Secretaria da Justiça e Cidadania (Sejus) confirmou que a tentativa de fuga aconteceu nesta madrugada, porém mais detalhes, como o número de feridos no caso, não foram confirmados. Cerca de 30 homens participaram da tentativa de resgate de Alemão e de outro detento, conhecido como Boi.

Investigações

Alemão foi condenado a 49 anos e 10 meses de prisão, por ter chefiado o maior roubo a banco na história do país. A quadrilha comandada por ele levou, em 2005, R$ 164 milhões do Banco Central, localizado no Centro de Fortaleza, após uma operação montada por mais de um ano pelos bandidos.

O bandido foi transferido do Presídio Federal de Segurança Máxima do Mato Grosso do Sul, em Campo Grande, para a Casa de Privação Provisória de Liberdade (CPPL) III, em Itaitinga, Região Metropolitana, em 2010, quando retornou ao Ceará. Posteriormente, ele foi encaminhado para Pacatuba.

Em dezembro de 2008, a Polícia Federal deu por encerradas as investigações. No inquérito foram indiciadas cerca de 150 pessoas. Destas, 122 foram presas e outras 120 denunciadas pelo Ministério Público Federal no Ceará (PPF). Duas delas acabaram mortas no decorrer das investigações. Dos R$ 164,8 milhões furtados, a PF só conseguiu recuperar em torno de R$ 20 milhões em bens em poder dos acusados.

Assalto ao BC

O furto começou na noite de uma sexta-feira, dia 5 de agosto de 2005, teve continuidade durante a madrugada e término na manhã do dia seguinte, sábado, dia 6 de agosto de 2005. Após meses de escavação, tendo chão de terra, ferro, concreto, sistema de esgoto e calor como obstáculos, os bandidos percorreram o túnel de 80,5 metros de extensão, sendo sua estrutura formada por 65 centímetros de largura por 70 centímetros de altura.

Foram cerca de 3,5 toneladas de notas transportadas durante nove horas. Os cúmplices se revezavam para levar o dinheiro em tambores cortados na metade e puxados com os braços até à casa alugada na Rua 25 de março. Os líderes da quadrilha eram Antônio Jussivan Alves dos Santos, vulgo Alemão, e Luís Fernando Ribeiro, Fernandinho, que financiou a organização criminosa.

A polícia descobriu o furto dois dias depois do crime, em 8 de agosto de 2005. O caso moveu Polícia Civil, Ministério Público e Justiça Federal, que realizaram a investigação dividida em fases. A operação policial durou cinco anos com o auxílio de escutas telefônicas e depoimentos. Foram 28 ações penais, com 133 réus, entre eles financiadores, executores e envolvidos com lavagem de dinheiro. Destes, 94 foram condenados, sendo 30 deles com participação direta na ação, e 16 absolvidos.

(ARTE: Tiago Leite/Arquivo/Tribuna do Ceará)

(ARTE: Tiago Leite/Arquivo/Tribuna do Ceará)

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INTENSO TIROTEIO

Chefe do furto ao Banco Central é baleado durante tentativa de fuga em Pacatuba

A tentativa de resgate de Alemão aconteceu exatamente 12 anos depois da descoberta do furto ao Banco Central

Por Lyvia Rocha em Segurança Pública

8 de agosto de 2017 às 08:51

Há 2 semanas
Alemão foi baleado (FOTO: Reprodução/Whatsapp)

Alemão foi baleado na operação de resgate (FOTO: Reprodução/Whatsapp)

O chefe do furto ao Banco Central de Fortaleza, Antônio Jussivan Alves, o “Alemão“, foi baleado durante uma tentativa de fuga na madrugada desta terça-feira (8), na Penitenciária Francisco Hélio Viana de Araújo, em Pacatuba, na Região Metropolitana de Fortaleza.

Alemão foi atingido na região do abdômen, segundo informações da Polícia. O detento foi levado para o Instituto Doutor José Frota (IJF), no Centro de Fortaleza, para receber atendimento médico. Ainda não há informações sobre o estado de saúde de Alemão.

A Secretaria da Justiça e Cidadania (Sejus) confirmou que a tentativa de fuga aconteceu nesta madrugada, porém mais detalhes, como o número de feridos no caso, não foram confirmados. Cerca de 30 homens participaram da tentativa de resgate de Alemão e de outro detento, conhecido como Boi.

Investigações

Alemão foi condenado a 49 anos e 10 meses de prisão, por ter chefiado o maior roubo a banco na história do país. A quadrilha comandada por ele levou, em 2005, R$ 164 milhões do Banco Central, localizado no Centro de Fortaleza, após uma operação montada por mais de um ano pelos bandidos.

O bandido foi transferido do Presídio Federal de Segurança Máxima do Mato Grosso do Sul, em Campo Grande, para a Casa de Privação Provisória de Liberdade (CPPL) III, em Itaitinga, Região Metropolitana, em 2010, quando retornou ao Ceará. Posteriormente, ele foi encaminhado para Pacatuba.

Em dezembro de 2008, a Polícia Federal deu por encerradas as investigações. No inquérito foram indiciadas cerca de 150 pessoas. Destas, 122 foram presas e outras 120 denunciadas pelo Ministério Público Federal no Ceará (PPF). Duas delas acabaram mortas no decorrer das investigações. Dos R$ 164,8 milhões furtados, a PF só conseguiu recuperar em torno de R$ 20 milhões em bens em poder dos acusados.

Assalto ao BC

O furto começou na noite de uma sexta-feira, dia 5 de agosto de 2005, teve continuidade durante a madrugada e término na manhã do dia seguinte, sábado, dia 6 de agosto de 2005. Após meses de escavação, tendo chão de terra, ferro, concreto, sistema de esgoto e calor como obstáculos, os bandidos percorreram o túnel de 80,5 metros de extensão, sendo sua estrutura formada por 65 centímetros de largura por 70 centímetros de altura.

Foram cerca de 3,5 toneladas de notas transportadas durante nove horas. Os cúmplices se revezavam para levar o dinheiro em tambores cortados na metade e puxados com os braços até à casa alugada na Rua 25 de março. Os líderes da quadrilha eram Antônio Jussivan Alves dos Santos, vulgo Alemão, e Luís Fernando Ribeiro, Fernandinho, que financiou a organização criminosa.

A polícia descobriu o furto dois dias depois do crime, em 8 de agosto de 2005. O caso moveu Polícia Civil, Ministério Público e Justiça Federal, que realizaram a investigação dividida em fases. A operação policial durou cinco anos com o auxílio de escutas telefônicas e depoimentos. Foram 28 ações penais, com 133 réus, entre eles financiadores, executores e envolvidos com lavagem de dinheiro. Destes, 94 foram condenados, sendo 30 deles com participação direta na ação, e 16 absolvidos.

(ARTE: Tiago Leite/Arquivo/Tribuna do Ceará)

(ARTE: Tiago Leite/Arquivo/Tribuna do Ceará)