Ceará já tem 108 mortes em abordagens policiais em 2018, o mesmo que todo o ano de 2016

ABORDAGENS

Ceará já tem 108 mortes em abordagens policiais em 2018, o mesmo que todo o ano de 2016

Nos cinco primeiros meses de 2018, o Ceará registrou mais de 100 assassinatos em abordagens policiais. Para o Unicef, falta transparência nas investigações aos casos

Por Daniel Rocha em Segurança Pública

12 de junho de 2018 às 15:50

Há 1 mês
O projeto foi aprovada na Comissão do Senado (FOTO: Fernanda Moura/Arquivo/Tribuna do Ceará)

De 2013 a 2017, houve um aumento de 290% nos casos de homicídios por intervenção policial no Ceará (FOTO: Fernanda Moura/Arquivo/Tribuna do Ceará)

A morte de Giselle Távora de Araújo, de 42 anos, na manhã desta terça-feira (12), em Fortaleza, após ter sido baleada por policiais durante abordagem na noite desta segunda (11), traz à tona o aumento no número de mortes por intervenção policial no Ceará.

Segundo o Comitê Cearense pela Prevenção de Homicídios na Adolescência, de janeiro a maio deste ano, foram registrados 108 homicídios do tipo, correspondendo a 67% do total contabilizado em todo o ano passado (161 mortes). O número também já é quase igual aos casos ocorridos em 2016, quando foram registrados 109 homicídios.

Os dados preocupam. De 2013 a 2017, houve um aumento de 290%. Em 2013, por exemplo, 41 pessoas foram assassinadas por policiais militares. Logo depois, foram 53, 85 e 109 homicídios em 2014, 2015 e 2016, respectivamente.

Para o Coordenador do Fundo das Nações Unidos para a Infância (Unicef) no Ceará, Rui Aguiar, o Comitê tem percebido esse aumento, mas não consegue identificar as causas para esse fenômeno. Segundo ele, falta transparência nas investigações dos casos.

“Só temos os números de mortes. Não temos um retorno sobre as causas, e isso é algo que precisa ser aprofundado a partir das investigações das mortes. Não sabemos as circunstâncias ou o perfil dos policiais”, explica.

Além a morte de Giselle, outros casos ganharam repercussão neste ano. No último mês de abril, uma criança de seis anos morreu durante uma ocorrência, no bairro Bom Jardim. A criança teria sido usada como um escudo por uma familiar em meio a uma troca de tiros.

Também no mesmo mês, o motoqueiro Cícero Leonardo dos Santos Silva foi atingido por dois tiros nas costas na Av. Leste Oeste. O rapaz era deficiente auditivo e não teria ouvido a ordem de parada dada pela polícia.

O Ceará tem histórico de abordagens desastrosas. O caso de maior repercussão foi a morte do adolescente Bruce Cristian, em 2010, que morreu com um tiro na cabeça, na garupa da moto do pai, na Av. Desembargador Moreira. O tiro também foi dado por um policial.

Em 2007, por exemplo, três estrangeiros e uma brasileira que saíram do Aeroporto Internacional Pinto Martins e seguiam pela Av. Raul Barbosa tiveram o carro metralhado. O veículo foi confundido com um automóvel usado durante roubo. Um italiano teve o braço fraturado por um disparo, um espanhol atingido na coluna cervical ficou paraplégico.

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Ceará já tem 108 mortes em abordagens policiais em 2018, o mesmo que todo o ano de 2016

Nos cinco primeiros meses de 2018, o Ceará registrou mais de 100 assassinatos em abordagens policiais. Para o Unicef, falta transparência nas investigações aos casos

Por Daniel Rocha em Segurança Pública

12 de junho de 2018 às 15:50

Há 1 mês
O projeto foi aprovada na Comissão do Senado (FOTO: Fernanda Moura/Arquivo/Tribuna do Ceará)

De 2013 a 2017, houve um aumento de 290% nos casos de homicídios por intervenção policial no Ceará (FOTO: Fernanda Moura/Arquivo/Tribuna do Ceará)

A morte de Giselle Távora de Araújo, de 42 anos, na manhã desta terça-feira (12), em Fortaleza, após ter sido baleada por policiais durante abordagem na noite desta segunda (11), traz à tona o aumento no número de mortes por intervenção policial no Ceará.

Segundo o Comitê Cearense pela Prevenção de Homicídios na Adolescência, de janeiro a maio deste ano, foram registrados 108 homicídios do tipo, correspondendo a 67% do total contabilizado em todo o ano passado (161 mortes). O número também já é quase igual aos casos ocorridos em 2016, quando foram registrados 109 homicídios.

Os dados preocupam. De 2013 a 2017, houve um aumento de 290%. Em 2013, por exemplo, 41 pessoas foram assassinadas por policiais militares. Logo depois, foram 53, 85 e 109 homicídios em 2014, 2015 e 2016, respectivamente.

Para o Coordenador do Fundo das Nações Unidos para a Infância (Unicef) no Ceará, Rui Aguiar, o Comitê tem percebido esse aumento, mas não consegue identificar as causas para esse fenômeno. Segundo ele, falta transparência nas investigações dos casos.

“Só temos os números de mortes. Não temos um retorno sobre as causas, e isso é algo que precisa ser aprofundado a partir das investigações das mortes. Não sabemos as circunstâncias ou o perfil dos policiais”, explica.

Além a morte de Giselle, outros casos ganharam repercussão neste ano. No último mês de abril, uma criança de seis anos morreu durante uma ocorrência, no bairro Bom Jardim. A criança teria sido usada como um escudo por uma familiar em meio a uma troca de tiros.

Também no mesmo mês, o motoqueiro Cícero Leonardo dos Santos Silva foi atingido por dois tiros nas costas na Av. Leste Oeste. O rapaz era deficiente auditivo e não teria ouvido a ordem de parada dada pela polícia.

O Ceará tem histórico de abordagens desastrosas. O caso de maior repercussão foi a morte do adolescente Bruce Cristian, em 2010, que morreu com um tiro na cabeça, na garupa da moto do pai, na Av. Desembargador Moreira. O tiro também foi dado por um policial.

Em 2007, por exemplo, três estrangeiros e uma brasileira que saíram do Aeroporto Internacional Pinto Martins e seguiam pela Av. Raul Barbosa tiveram o carro metralhado. O veículo foi confundido com um automóvel usado durante roubo. Um italiano teve o braço fraturado por um disparo, um espanhol atingido na coluna cervical ficou paraplégico.