Carta que seria do Comando Vermelho pede fim de matança em presídios do Ceará

REBELIÕES

Carta que seria do Comando Vermelho pede fim de matança em presídios do Ceará

Criminosos temem que rebeliões motivem a entrada da PM nos presídios, com risco de novo “massacre do Carandiru”

Por Matheus Ribeiro em Segurança Pública

23 de Maio de 2016 às 11:01

Há 2 anos
Oito presídios do Ceará tiveram rebeliões neste sábado (21) (FOTO: Reprodução Whatsapp)

Oito presídios do Ceará tiveram rebeliões neste sábado (21) (FOTO: Reprodução Whatsapp)

Após um fim de semana turbulento em diversas unidades prisionais do Ceará, supostos integrantes da facção criminosa Comando Vermelho (CV) enviaram uma carta aos detentos pedindo o fim das rebeliões e mortes dentro dos presídios. De acordo com a carta, a determinação serve para evitar que aconteça no sistema penitenciário do Ceará o que ocorreu na chacina do Carandiru, em São Paulo.

Na carta, propagada por meio do aplicativo de mensagens Whatsapp neste domingo (22), o grupo pede aos “companheiros que fecham com o Comando Vermelho que parem com os homicídios para evitar um derramamento de sangue dentro do presídio”.

“A família CV vem através desse salve pedir a todas as unidades que parem com as matanças. Temos decretos a serem concluídos, mas temos que ter a visão de que se continuarmos matando todos os desafetos, as penitenciárias vão se tornar uma piscina de sangue e, logo depois, podemos perder vários irmãos, pois a polícia, assim como todos os órgãos que são submetidos aos trabalhos do governo, está entrando dentro das unidades pronta para matar”, diz trecho da carta.

Ainda conforme a determinação da carta, o aviso é destinado aos internos que estão nas unidades prisionais CPPL I, II, III e IV, em Itaitinga, além da Unidade Prisional de Caucaia, conhecida popularmente como ‘Carrapicho’. Os integrantes do CV afirmam que estão lutando por benefícios. “Estamos lutando por benefícios e não por sangue. Juntos somos mais fortes. Então, a família vem pedir força da massa para poder parar com o derramamento de sangue para evitar algo parecido com o que eles fizeram no antigo Carandiru”, conclui. 

Rebeliões

Depois dos agentes penitenciários decretarem greve geral neste fim de semana e impedirem a entrada de familiares dos detentos na visita semanal, neste sábado (21), diversos internos iniciaram rebeliões nas unidade prisionais do Ceará. A Polícia Militar foi acionada para garantir a segurança na visita dos familiares nos presídios, mas o protesto dos agentes penitenciários levou a conflito com os PMs na Casa de Privação Provisória de Liberdade (CPPL) 1. No mesmo complexo prisional, também houve rebelião no Sanatório Penal Professor Otávio Lobo.

Em outro complexo prisional de Itaitinga, houve rebeliões nas Casas de Privação Provisória de Liberdade (CPPL) 2, 3 e 4. Na CPPL 2, detentos atearam fogo em colchões e quebraram parte da estrutura interna. O Corpo de Bombeiros teve de entrar na unidade para controlar as chamas. A situação só foi ser controlada após os agentes penitenciários decretarem fim da greve. A principal reivindicação da categoria era o reajuste de 100% da gratificação por atividade de risco. A categoria aceitou a contra-proposta de reajuste escalonado e, após 19h, decretou fim da paralisação.

Mortes

Segundo a Secretaria de Justiça do Ceará (Sejus), cinco internos foram mortos durante as rebeliões. No entanto, conforme a Perícia Forense, oito internos teriam sido mortos durante os conflitos.

O Tribuna do Ceará apurou que o número real de mortos dentro das unidades prisionais não condiz com a contabilidade divulgada pelos órgãos. Uma fonte do programa Barra Pesada, da TV Jangadeiro/SBT, estima que pelo menos 26 internos teriam sido mortos nestas unidades prisionais desde o fim de semana.

Acompanhe o caso:

23 de maio – Carta que seria do Comando Vermelho pede fim de matança em presídios do Ceará

22 de maio – Chega ao fim greve de agentes penitenciários após onda de rebeliões no Ceará

21 de maio – Série de rebeliões simultâneas ocorre em 8 presídios do Ceará

21 de maio – Presos compartilham vídeos de quebra-quebra em rebelião na CPPL 4

21 de maio – Ministério Público vai apurar se agentes penitenciários tiveram culpa por caos em presídios

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REBELIÕES

Carta que seria do Comando Vermelho pede fim de matança em presídios do Ceará

Criminosos temem que rebeliões motivem a entrada da PM nos presídios, com risco de novo “massacre do Carandiru”

Por Matheus Ribeiro em Segurança Pública

23 de Maio de 2016 às 11:01

Há 2 anos
Oito presídios do Ceará tiveram rebeliões neste sábado (21) (FOTO: Reprodução Whatsapp)

Oito presídios do Ceará tiveram rebeliões neste sábado (21) (FOTO: Reprodução Whatsapp)

Após um fim de semana turbulento em diversas unidades prisionais do Ceará, supostos integrantes da facção criminosa Comando Vermelho (CV) enviaram uma carta aos detentos pedindo o fim das rebeliões e mortes dentro dos presídios. De acordo com a carta, a determinação serve para evitar que aconteça no sistema penitenciário do Ceará o que ocorreu na chacina do Carandiru, em São Paulo.

Na carta, propagada por meio do aplicativo de mensagens Whatsapp neste domingo (22), o grupo pede aos “companheiros que fecham com o Comando Vermelho que parem com os homicídios para evitar um derramamento de sangue dentro do presídio”.

“A família CV vem através desse salve pedir a todas as unidades que parem com as matanças. Temos decretos a serem concluídos, mas temos que ter a visão de que se continuarmos matando todos os desafetos, as penitenciárias vão se tornar uma piscina de sangue e, logo depois, podemos perder vários irmãos, pois a polícia, assim como todos os órgãos que são submetidos aos trabalhos do governo, está entrando dentro das unidades pronta para matar”, diz trecho da carta.

Ainda conforme a determinação da carta, o aviso é destinado aos internos que estão nas unidades prisionais CPPL I, II, III e IV, em Itaitinga, além da Unidade Prisional de Caucaia, conhecida popularmente como ‘Carrapicho’. Os integrantes do CV afirmam que estão lutando por benefícios. “Estamos lutando por benefícios e não por sangue. Juntos somos mais fortes. Então, a família vem pedir força da massa para poder parar com o derramamento de sangue para evitar algo parecido com o que eles fizeram no antigo Carandiru”, conclui. 

Rebeliões

Depois dos agentes penitenciários decretarem greve geral neste fim de semana e impedirem a entrada de familiares dos detentos na visita semanal, neste sábado (21), diversos internos iniciaram rebeliões nas unidade prisionais do Ceará. A Polícia Militar foi acionada para garantir a segurança na visita dos familiares nos presídios, mas o protesto dos agentes penitenciários levou a conflito com os PMs na Casa de Privação Provisória de Liberdade (CPPL) 1. No mesmo complexo prisional, também houve rebelião no Sanatório Penal Professor Otávio Lobo.

Em outro complexo prisional de Itaitinga, houve rebeliões nas Casas de Privação Provisória de Liberdade (CPPL) 2, 3 e 4. Na CPPL 2, detentos atearam fogo em colchões e quebraram parte da estrutura interna. O Corpo de Bombeiros teve de entrar na unidade para controlar as chamas. A situação só foi ser controlada após os agentes penitenciários decretarem fim da greve. A principal reivindicação da categoria era o reajuste de 100% da gratificação por atividade de risco. A categoria aceitou a contra-proposta de reajuste escalonado e, após 19h, decretou fim da paralisação.

Mortes

Segundo a Secretaria de Justiça do Ceará (Sejus), cinco internos foram mortos durante as rebeliões. No entanto, conforme a Perícia Forense, oito internos teriam sido mortos durante os conflitos.

O Tribuna do Ceará apurou que o número real de mortos dentro das unidades prisionais não condiz com a contabilidade divulgada pelos órgãos. Uma fonte do programa Barra Pesada, da TV Jangadeiro/SBT, estima que pelo menos 26 internos teriam sido mortos nestas unidades prisionais desde o fim de semana.

Acompanhe o caso:

23 de maio – Carta que seria do Comando Vermelho pede fim de matança em presídios do Ceará

22 de maio – Chega ao fim greve de agentes penitenciários após onda de rebeliões no Ceará

21 de maio – Série de rebeliões simultâneas ocorre em 8 presídios do Ceará

21 de maio – Presos compartilham vídeos de quebra-quebra em rebelião na CPPL 4

21 de maio – Ministério Público vai apurar se agentes penitenciários tiveram culpa por caos em presídios