"BO virou Boletim de Otário", desabafa vice-presidente do sindicato dos policiais civis
GRITO DE SOCORRO

“BO virou Boletim de Otário”, desabafa vice-presidente do sindicato dos policiais civis

Em meio aos altos índices de criminalidade no Ceará, a categoria critica baixo efetivo de policiais e falta de estrutura

Por Matheus Ribeiro em Segurança Pública

26 de janeiro de 2017 às 07:00

Há 1 mês

Ana Paula Cavalcante critica a falta de estrutura para os policiais em suas funções (FOTO: Reprodução TV Jangadeiro)

Os policiais civis do Estado do Ceará possuem o pior salário do Nordeste e o terceiro pior do Brasil, de acordo com o Sindicado dos Policiais Civis do Estado (Sinpol). Esse tem sido um dos principais motivos do aumento significativo dos pedidos de exoneração do cargo nos últimos anos. Desde 2013, de 600 a 700 policiais deixaram a corporação em busca de melhores posições no mercado de trabalho.

É a denúncia da vice-presidente do Sinpol, Ana Paula Cavalcante, que afirmou em entrevista ao programa Jornal Jangadeiro, da TV Jangadeiro/SBT que o baixo efetivo da polícia tem ocasionado problemas significativos à população.

“Na década de 1980 nós tínhamos mais ou menos o dobro do efetivo. A população cearense era a metade e nós tínhamos o dobro. Hoje, lamentavelmente, é com muita vergonha que eu digo que o cidadão está certo quando ele diz que registra o Boletim de Otário, porque nós não temos efetivo para investigar a enorme quantidade de Boletins de Ocorrência. Na verdade, nós temos que escolher o que será investigado”, enfatizou. 

Ainda segundo a representante da categoria, a falta de estrutura para o exercício profissional dos policiais também é uma preocupação constante.

“Não restam dúvidas que boas turmas de policiais tenham sido formadas nos últimos anos, mas quando o policial civil vem vivenciar o cotidiano é difícil nós o segurarmos. Para você ter uma ideia, nós não recebemos sequer munição no ano de 2016. Além de tudo isso, ainda existe a questão da condição salarial, que é vexatória. O estado do Piauí, que é um dos piores PIBs do Brasil, paga o dobro do Ceará”, concluiu.

Em nota, a Polícia Civil informou que seu atual efetivo da corporação é de 3.101 profissionais, entre delegados, escrivães e inspetores. No início de 2016 até hoje, 24 profissionais se aposentaram e 46 pediram exoneração dos seus cargos.

No início de dezembro do ano passado, o governador do Estado, Camilo Santana (PT), nomeou 255 policiais civis, sendo 65 delegados, 105 escrivães e 85 inspetores. Eles fizeram parte do segundo grupo da primeira turma chamada dos 703 candidatos aprovados no concurso de 2015. A previsão é de que a terceira fração seja nomeada no primeiro trimestre de 2017.

Veja a reportagem da TV Jangadeiro/SBT:

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“BO virou Boletim de Otário”, desabafa vice-presidente do sindicato dos policiais civis

Em meio aos altos índices de criminalidade no Ceará, a categoria critica baixo efetivo de policiais e falta de estrutura

Por Matheus Ribeiro em Segurança Pública

26 de janeiro de 2017 às 07:00

Há 1 mês

Ana Paula Cavalcante critica a falta de estrutura para os policiais em suas funções (FOTO: Reprodução TV Jangadeiro)

Os policiais civis do Estado do Ceará possuem o pior salário do Nordeste e o terceiro pior do Brasil, de acordo com o Sindicado dos Policiais Civis do Estado (Sinpol). Esse tem sido um dos principais motivos do aumento significativo dos pedidos de exoneração do cargo nos últimos anos. Desde 2013, de 600 a 700 policiais deixaram a corporação em busca de melhores posições no mercado de trabalho.

É a denúncia da vice-presidente do Sinpol, Ana Paula Cavalcante, que afirmou em entrevista ao programa Jornal Jangadeiro, da TV Jangadeiro/SBT que o baixo efetivo da polícia tem ocasionado problemas significativos à população.

“Na década de 1980 nós tínhamos mais ou menos o dobro do efetivo. A população cearense era a metade e nós tínhamos o dobro. Hoje, lamentavelmente, é com muita vergonha que eu digo que o cidadão está certo quando ele diz que registra o Boletim de Otário, porque nós não temos efetivo para investigar a enorme quantidade de Boletins de Ocorrência. Na verdade, nós temos que escolher o que será investigado”, enfatizou. 

Ainda segundo a representante da categoria, a falta de estrutura para o exercício profissional dos policiais também é uma preocupação constante.

“Não restam dúvidas que boas turmas de policiais tenham sido formadas nos últimos anos, mas quando o policial civil vem vivenciar o cotidiano é difícil nós o segurarmos. Para você ter uma ideia, nós não recebemos sequer munição no ano de 2016. Além de tudo isso, ainda existe a questão da condição salarial, que é vexatória. O estado do Piauí, que é um dos piores PIBs do Brasil, paga o dobro do Ceará”, concluiu.

Em nota, a Polícia Civil informou que seu atual efetivo da corporação é de 3.101 profissionais, entre delegados, escrivães e inspetores. No início de 2016 até hoje, 24 profissionais se aposentaram e 46 pediram exoneração dos seus cargos.

No início de dezembro do ano passado, o governador do Estado, Camilo Santana (PT), nomeou 255 policiais civis, sendo 65 delegados, 105 escrivães e 85 inspetores. Eles fizeram parte do segundo grupo da primeira turma chamada dos 703 candidatos aprovados no concurso de 2015. A previsão é de que a terceira fração seja nomeada no primeiro trimestre de 2017.

Veja a reportagem da TV Jangadeiro/SBT: