Série de rebeliões simultâneas ocorre em 8 presídios do Ceará

CRISE CARCERÁRIA

Série de rebeliões simultâneas ocorre em 8 presídios do Ceará

Greve dos agentes penitenciários impediu a visita de familiares neste sábado, gerando uma crise em cadeia

Por Tribuna do Ceará em Segurança Pública

21 de Maio de 2016 às 10:00

Há 2 anos
Presos da CPPL II atearam fogo em colchões. (Foto: Reprodução/Whatsapp)

Presos da CPPL II atearam fogo em colchões. (Foto: Reprodução/Whatsapp)

(*) Atualizada às 14h.

Uma série de rebeliões simultâneas ocorreu em pelo menos oito presídios do Ceará, na manhã e início da tarde deste sábado (21). A manifestação dos presos se deve à greve dos agentes penitenciários iniciada nesta sexta-feira (20), que impediram a entrada de familiares dos detentos na visita semanal deste sábado.

A Polícia Militar foi acionada para garantir a segurança na visita dos familiares nos presídios, mas o protesto dos agentes penitenciários levou a conflito com os PMs na Casa de Privação Provisória de Liberdade (CPPL) 1, em Itaitinga, na Região Metropolitana de Fortaleza. No mesmo complexo prisional, também houve rebelião no Sanatório Penal Professor Otávio Lobo.

Em outro complexo prisional de Itaitinga, houve rebeliões nas Casas de Privação Provisória de Liberdade (CPPL) 2, 3 e 4. Na CPPL 2, detentos atearam fogo em colchões e quebraram parte da estrutura interna. O Corpo de Bombeiros teve de entrar na unidade para controlar as chamas.

Familiares de detentos das CPPLs 2, 3 e 4 fecharam o acesso às unidades pela BR-116 (FOTO: PRF-CE)

Familiares de detentos das CPPLs 2, 3 e 4 fecharam o acesso às unidades pela BR-116 (FOTO: PRF-CE)

Já na CPPL 4, houve confronto entre familiares e a Polícia Militar, que em meio a confusão impediu a entrada dos visitantes. Insatisfeitos, cerca de mil familiares de detentos do complexo penitenciário fecharam o acesso às unidades pela BR-116 e atearam fogo em matagal. A Polícia Rodoviária Federal (PRF) liberou parcialmente o tráfego no final desta manhã.

Presos fizeram vídeos com celulares e compartilharam em redes sociais, registrando o quebra-quebra na CPPL 4. Em meio às rebeliões, o Batalhão de Choque e os agentes penitenciários das CPPLs 2, 3 e 4 entraram em confronto, com disparos de bombas de gás lacrimogênio e balas de borracha.

Empurra-empurra

Os agentes, cuja greve foi anunciada na quinta-feira (19), dizem que a proibição parte do Batalhão de Choque. A Secretaria da Justiça (Sejus) nega a proibição e afirma que a polícia está no local para garantir o direito de visita.

Na CPPL I e no Sanatório Otávio Lobo, parte dos visitantes conseguiu acesso após a polícia entrar em confronto com os agentes e afastá-los do bloqueio com bombas de gás e balas de borracha. O Grupo de Ações Táticas Especiais (Gate) foi chamado para intervir no conflito.

Outros presídios

Além disso, também houve rebeliões na Unidade Prisional de Caucaia, popularmente conhecida como “Carrapicho”; na Cadeia Pública de Camocim; e no presídio feminino Auri Moura Costa, em Itaitinga.

No Carrapicho, houve princípio de tumulto e bate-boca durante a manhã, mas o conflito entre agentes e familiares foi controlado. Em Camocim, fugiram 18 presos durante a noite, e 12 já foram recapturados. A unidade tinha 163 internos, mais do que o dobro da capacidade de 67.

Para o diretor do Sindasp-CE, Luis Carlos de Sousa, a maioria das 139 cadeias do Ceará está em situação precária (FOTO: Reprodução Whatsapp)

Para o diretor do Sindasp-CE, Luis Carlos de Sousa, a maioria das 139 cadeias do Ceará está em situação precária (FOTO: Reprodução Whatsapp)

 

Temendo o caos, a desembargadora Tereze Neumann Duarte Chaves decretou ilegal a greve do Sindicato dos Agentes e Servidores Penitenciário do Ceará (Sindasp-CE) em expediente de urgência, nesta sexta-feira (20). O protesto dos presos motivou um encontro entre o secretário de Justiça do Ceará, Hélio Leitão, e o sindicato, na tarde deste sábado (21), no Palácio da Abolição.

A categoria pede que a Gratificação por Atividades e Riscos passe dos 60% propostos pelo Governo para 100%, compra de novas armas de fogo e equipamentos de segurança. Para o diretor do Sindasp-CE, Luis Carlos de Sousa, a maioria das 139 cadeias do Ceará está em situação precária. Na Carrapicho, são 950 vagas, mas existem 1.900 homens.

Confira as fotos:

Rebelião
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Rebelião

Presídios cearenses com rebeliões neste sábado (FOTO: Reprodução)

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Presídios cearenses com rebeliões neste sábado (FOTO: Reprodução)

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CRISE CARCERÁRIA

Série de rebeliões simultâneas ocorre em 8 presídios do Ceará

Greve dos agentes penitenciários impediu a visita de familiares neste sábado, gerando uma crise em cadeia

Por Tribuna do Ceará em Segurança Pública

21 de Maio de 2016 às 10:00

Há 2 anos
Presos da CPPL II atearam fogo em colchões. (Foto: Reprodução/Whatsapp)

Presos da CPPL II atearam fogo em colchões. (Foto: Reprodução/Whatsapp)

(*) Atualizada às 14h.

Uma série de rebeliões simultâneas ocorreu em pelo menos oito presídios do Ceará, na manhã e início da tarde deste sábado (21). A manifestação dos presos se deve à greve dos agentes penitenciários iniciada nesta sexta-feira (20), que impediram a entrada de familiares dos detentos na visita semanal deste sábado.

A Polícia Militar foi acionada para garantir a segurança na visita dos familiares nos presídios, mas o protesto dos agentes penitenciários levou a conflito com os PMs na Casa de Privação Provisória de Liberdade (CPPL) 1, em Itaitinga, na Região Metropolitana de Fortaleza. No mesmo complexo prisional, também houve rebelião no Sanatório Penal Professor Otávio Lobo.

Em outro complexo prisional de Itaitinga, houve rebeliões nas Casas de Privação Provisória de Liberdade (CPPL) 2, 3 e 4. Na CPPL 2, detentos atearam fogo em colchões e quebraram parte da estrutura interna. O Corpo de Bombeiros teve de entrar na unidade para controlar as chamas.

Familiares de detentos das CPPLs 2, 3 e 4 fecharam o acesso às unidades pela BR-116 (FOTO: PRF-CE)

Familiares de detentos das CPPLs 2, 3 e 4 fecharam o acesso às unidades pela BR-116 (FOTO: PRF-CE)

Já na CPPL 4, houve confronto entre familiares e a Polícia Militar, que em meio a confusão impediu a entrada dos visitantes. Insatisfeitos, cerca de mil familiares de detentos do complexo penitenciário fecharam o acesso às unidades pela BR-116 e atearam fogo em matagal. A Polícia Rodoviária Federal (PRF) liberou parcialmente o tráfego no final desta manhã.

Presos fizeram vídeos com celulares e compartilharam em redes sociais, registrando o quebra-quebra na CPPL 4. Em meio às rebeliões, o Batalhão de Choque e os agentes penitenciários das CPPLs 2, 3 e 4 entraram em confronto, com disparos de bombas de gás lacrimogênio e balas de borracha.

Empurra-empurra

Os agentes, cuja greve foi anunciada na quinta-feira (19), dizem que a proibição parte do Batalhão de Choque. A Secretaria da Justiça (Sejus) nega a proibição e afirma que a polícia está no local para garantir o direito de visita.

Na CPPL I e no Sanatório Otávio Lobo, parte dos visitantes conseguiu acesso após a polícia entrar em confronto com os agentes e afastá-los do bloqueio com bombas de gás e balas de borracha. O Grupo de Ações Táticas Especiais (Gate) foi chamado para intervir no conflito.

Outros presídios

Além disso, também houve rebeliões na Unidade Prisional de Caucaia, popularmente conhecida como “Carrapicho”; na Cadeia Pública de Camocim; e no presídio feminino Auri Moura Costa, em Itaitinga.

No Carrapicho, houve princípio de tumulto e bate-boca durante a manhã, mas o conflito entre agentes e familiares foi controlado. Em Camocim, fugiram 18 presos durante a noite, e 12 já foram recapturados. A unidade tinha 163 internos, mais do que o dobro da capacidade de 67.

Para o diretor do Sindasp-CE, Luis Carlos de Sousa, a maioria das 139 cadeias do Ceará está em situação precária (FOTO: Reprodução Whatsapp)

Para o diretor do Sindasp-CE, Luis Carlos de Sousa, a maioria das 139 cadeias do Ceará está em situação precária (FOTO: Reprodução Whatsapp)

 

Temendo o caos, a desembargadora Tereze Neumann Duarte Chaves decretou ilegal a greve do Sindicato dos Agentes e Servidores Penitenciário do Ceará (Sindasp-CE) em expediente de urgência, nesta sexta-feira (20). O protesto dos presos motivou um encontro entre o secretário de Justiça do Ceará, Hélio Leitão, e o sindicato, na tarde deste sábado (21), no Palácio da Abolição.

A categoria pede que a Gratificação por Atividades e Riscos passe dos 60% propostos pelo Governo para 100%, compra de novas armas de fogo e equipamentos de segurança. Para o diretor do Sindasp-CE, Luis Carlos de Sousa, a maioria das 139 cadeias do Ceará está em situação precária. Na Carrapicho, são 950 vagas, mas existem 1.900 homens.

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