Assassinatos com cabeças cortadas são nova demonstração de poder para facções, alerta especialista

TEMPOS BÁRBAROS

Assassinatos com cabeças cortadas são nova demonstração de poder para facções, alerta especialista

Só nesta semana cinco pessoas tiveram a cabeça cortada por bandidos, em crimes bárbaros registrados em dois pontos de Fortaleza

Por Tribuna do Ceará em Segurança Pública

1 de novembro de 2018 às 10:49

Há 2 semanas
Suspeito levou os policiais até o local (FOTO: Reprodução WhatsApp)

Suspeito levou os policiais até o local onde cabeças foram deixadas (FOTO: Reprodução WhatsApp)

Quatro corpos com as cabeças decapitadas foram encontrados nesta semana em Fortaleza. Todos às margens da Lagoa do Urubu, que abrange bairros como Jardim Iracema, Floresta, Padre Andrade e Álvaro Weyne. Dois suspeitos dos crimes já foram presos pela polícia, que segue em diligência à procura de outros culpados. No dia anterior, um homem também foi morto da mesma forma, na comunidade Babilônia, no bairro Barroso.

Para o coordenador do Laboratório de Estudos da Violência da Universidade Federal do Ceará (UFC), César Barreira, as mortes têm relação com demonstrações de poder, estando no plano da crueldade.

“Nós estamos vivendo uma situação muito séria do sentido da ampliação desses atos de crueldade. Esses aspectos são carregados de questões simbólicas de hoje – a desconfiança do outro, o resolver problemas com as próprias mãos, cada pessoa ter uma arma para se defender. Eles têm um grande elemento impulsionador que são as redes sociais. As pessoas terminam divulgando, dando dimensão maior, que são classificadas como crueldade”, explicou o coordenador do LEV.

O especialista explica também que mortes com requintes de crueldade, como o triplo homicídio em Fortaleza, são uma espécie de demonstração de poder dos criminosos.

“Essas práticas de violência usadas por facções são como elementos de poder. Nós temos, no século passado, alguns atos violentos que eram claramente de demonstração de poder dominador, tinha que ter ações cruéis. Hoje, a questão do poder não é só mais feito através de práticas de violência e sim de crueldade”, esclareceu o especialista.

Em março deste ano, outro caso envolvendo o mesmo tipo de morte ocorreu no bairro Vila Velha, em Fortaleza, quando três mulheres foram torturadas e mortas. Elas também tiveram as cabeças decapitadas. Os corpos foram deixados em um mangue.

Entenda o caso

Três corpos do sexo masculino foram encontrados decapitados próximos à Lagoa do Urubu, no bairro Jardim Iracema, em Fortaleza, na madrugada desta quarta-feira (31). Do outro lado da margem, ficam os bairros Álvaro Weyne e Padre Andrade. Uma mulher também havia sido morta no local. A polícia acredita que o triplo homicídio tenha sido retaliação de facção rival pelo crime anterior.

Os corpos foram recolhidos para a sede da Coordenadoria de Medicina Legal (Comel) da Pefoce, onde foram realizados os exames periciais. A polícia também encontrou as 4 cabeças de corpos decapitados. Até o momento, as vítimas não foram identificadas.

O Tribuna do Ceará entrou em contato com a Secretaria de Segurança Pública (SSPDS) para saber a quantidade de mortes com esse perfil, mas a pasta informou que não tem essa estatística. A secretaria informou ainda que não pode passar mais informações sobre os casos de cabeças cortadas nesta semana, para não atrapalhar as investigações.

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TEMPOS BÁRBAROS

Assassinatos com cabeças cortadas são nova demonstração de poder para facções, alerta especialista

Só nesta semana cinco pessoas tiveram a cabeça cortada por bandidos, em crimes bárbaros registrados em dois pontos de Fortaleza

Por Tribuna do Ceará em Segurança Pública

1 de novembro de 2018 às 10:49

Há 2 semanas
Suspeito levou os policiais até o local (FOTO: Reprodução WhatsApp)

Suspeito levou os policiais até o local onde cabeças foram deixadas (FOTO: Reprodução WhatsApp)

Quatro corpos com as cabeças decapitadas foram encontrados nesta semana em Fortaleza. Todos às margens da Lagoa do Urubu, que abrange bairros como Jardim Iracema, Floresta, Padre Andrade e Álvaro Weyne. Dois suspeitos dos crimes já foram presos pela polícia, que segue em diligência à procura de outros culpados. No dia anterior, um homem também foi morto da mesma forma, na comunidade Babilônia, no bairro Barroso.

Para o coordenador do Laboratório de Estudos da Violência da Universidade Federal do Ceará (UFC), César Barreira, as mortes têm relação com demonstrações de poder, estando no plano da crueldade.

“Nós estamos vivendo uma situação muito séria do sentido da ampliação desses atos de crueldade. Esses aspectos são carregados de questões simbólicas de hoje – a desconfiança do outro, o resolver problemas com as próprias mãos, cada pessoa ter uma arma para se defender. Eles têm um grande elemento impulsionador que são as redes sociais. As pessoas terminam divulgando, dando dimensão maior, que são classificadas como crueldade”, explicou o coordenador do LEV.

O especialista explica também que mortes com requintes de crueldade, como o triplo homicídio em Fortaleza, são uma espécie de demonstração de poder dos criminosos.

“Essas práticas de violência usadas por facções são como elementos de poder. Nós temos, no século passado, alguns atos violentos que eram claramente de demonstração de poder dominador, tinha que ter ações cruéis. Hoje, a questão do poder não é só mais feito através de práticas de violência e sim de crueldade”, esclareceu o especialista.

Em março deste ano, outro caso envolvendo o mesmo tipo de morte ocorreu no bairro Vila Velha, em Fortaleza, quando três mulheres foram torturadas e mortas. Elas também tiveram as cabeças decapitadas. Os corpos foram deixados em um mangue.

Entenda o caso

Três corpos do sexo masculino foram encontrados decapitados próximos à Lagoa do Urubu, no bairro Jardim Iracema, em Fortaleza, na madrugada desta quarta-feira (31). Do outro lado da margem, ficam os bairros Álvaro Weyne e Padre Andrade. Uma mulher também havia sido morta no local. A polícia acredita que o triplo homicídio tenha sido retaliação de facção rival pelo crime anterior.

Os corpos foram recolhidos para a sede da Coordenadoria de Medicina Legal (Comel) da Pefoce, onde foram realizados os exames periciais. A polícia também encontrou as 4 cabeças de corpos decapitados. Até o momento, as vítimas não foram identificadas.

O Tribuna do Ceará entrou em contato com a Secretaria de Segurança Pública (SSPDS) para saber a quantidade de mortes com esse perfil, mas a pasta informou que não tem essa estatística. A secretaria informou ainda que não pode passar mais informações sobre os casos de cabeças cortadas nesta semana, para não atrapalhar as investigações.