5 golpes de telefone mais comuns aplicados por criminosos de dentro de presídios

5 golpes de telefone mais comuns aplicados por criminosos de dentro de presídios

Os golpes normalmente são aplicados por quem está atrás das grades. Assim, o preso tem tempo de sobra para pensar em como agir. Veja como evitá-los

Por Roberta Tavares em Segurança Pública

10 de setembro de 2014 às 08:00

Há 3 anos

O telefone de casa toca. Você, ingenuamente, atende e acaba confundindo a voz do interlocutor que está do outro lado com a de algum parente ou amigo. Pronto, era tudo que os golpistas queriam. O que vem a seguir é terrorismo e tentativa de extorsão. Diversos golpes por telefone estão cada vez mais comuns em todas as regiões do Brasil. É preciso cuidado e muita cautela, como alerta o Tribuna do Ceará.

“Ligação premiada”, “Sequestro virtual”, “Bença, tia”, “Envelope vazio” e “Anúncio de veículo” são alguns dos golpes registrados no Ceará. As histórias são as mais diversas, como falsos sorteios e promoções, sequestros de parentes, sobrinho distante que está a caminho da cidade e precisa de dinheiro para consertar o carro na estrada, transferências inexistentes e confirmação de resgate de carro roubado.

“Recebi uma mensagem no celular dizendo que eu tinha sido premiada com uma moto e R$ 6 mil. Liguei de volta, e a pessoa falou que era um advogado. Disse que, para liberar a moto, eu tinha que pagar uma taxa de R$ 280. Eu expliquei que não tinha. Ele me ameaçou e disse que, se eu não transferisse o dinheiro, ele ia mandar a Polícia Federal na minha casa, e eu ainda ia ter que pagar uma taxa de R$ 1.500. Fiquei com medo, arranjei o dinheiro emprestado e depositei”, relembra uma moradora do município de Aquiraz, que prefere não se identificar.

(ARTE: Tiago Leite/Tribuna do Ceará)

(ARTE: Tiago Leite/Tribuna do Ceará)

Os golpes normalmente são aplicados por quem está atrás das grades. Assim, o preso tem tempo de sobra para pensar em como agir. O número do telefone, ele consegue discando aleatoriamente. De acordo com o delegado Jaime de Paula, titular da Delegacia de Defraudações, a maioria de ligações como essas são feitas de dentro dos presídios.

“A ligação premiada é o mais comum. Eles usam o nome de um programa de televisão de grande audiência, dizendo que a vítima ganhou motocicleta e dinheiro, e pedem para ela depositar um dinheiro com o intuito de retirar o prêmio. Tudo mentira, e muitas pessoas caem nesse golpe”, indica.

Outro que está ficando comum é o “Bença, tia”. Uma pessoa liga, se identifica como parente que mora longe e estava indo a Fortaleza de surpresa, mas o automóvel quebra e necessita de um valor em dinheiro para consertar e chegar à cidade. Nesse caso, a própria vítima é induzida a informar os dados do familiar para o golpista.

Golpista: – Oi, tia, bença. Adivinha quem está indo para aí hoje?
Vítima: Quem será?
Golpista: Um dos mais queridos da família.
Vítima: Pai do céu. Tem tanto querido na família.
Golpista: Chuta o nome de dois.
Vítima: Quem é você?
Golpista: É de São Paulo.
Vítima: Filho da minha irmã?
Golpista: É.
Vítima: O Arthur?
Golpista: Como é que a senhora sabia que era eu?

Segundo o delegado, em média são registrados 40 Boletins de Ocorrência por mês. Ou seja, mais de um golpe contabilizado diariamente. “São uns 15 registros de BOs de pessoas de fora de Fortaleza, dizendo que receberam trotes daqui”, diz.

Estelionato

Os golpistas usam contas bancárias de outras pessoas, que tanto podem ser clonadas, como de parentes ou amigos dos próprios presidiários. A partir dos dados, a polícia inicia a investigação, podendo indiciar o dono da conta por estelionato, cuja pena é de 1 a 5 anos de prisão. “A gente atua em cima da conta, porque é a forma mais rápida para obter os dados. Em quase 100% dos casos, a gente indica o correntista”, explica Jaime de Paula.

No interior do Ceará, em Juazeiro do Norte, uma senhora – que também não quis se identificar – quase caiu no golpe. A informação era de que a filha tinha sido sequestrada, e eles exigiam R$ 4 mil para libertar a menina.

Assista à matéria exibida no programa Barra Pesada:

[uol video=”http://mais.uol.com.br/view/15133486″]

 

“Começaram a me pressionar e passaram o telefone para uma mulher, se passando pela minha filha. Ela dizia chorando: ‘Mãe, eu estou machucada’. Não deu para perceber que não era a voz dela. Pediram para eu não desligar o telefone fixo e passar o número do meu celular. Até que a minha filha mais velha, que estava em casa, ligou para a escola e descobriu que a irmã estava em sala de aula”, conta aliviada.

Para se proteger, o cidadão precisa tomar alguns cuidados, como obter informações sobre a premiação, ligar para os parentes; e, em hipótese alguma, depositar o dinheiro. De acordo com o delegado, não se deve fazer um depósito a troco de nada. “Em premiações que não está participando, não tem como você ganhar. Jamais fale o nome do parente. Em caso de empréstimos facilitados, verifique junto ao serviço de proteção ao consumidor. E sempre lembrar de procurar a polícia”, conclui.

Publicidade

Dê sua opinião

5 golpes de telefone mais comuns aplicados por criminosos de dentro de presídios

Os golpes normalmente são aplicados por quem está atrás das grades. Assim, o preso tem tempo de sobra para pensar em como agir. Veja como evitá-los

Por Roberta Tavares em Segurança Pública

10 de setembro de 2014 às 08:00

Há 3 anos

O telefone de casa toca. Você, ingenuamente, atende e acaba confundindo a voz do interlocutor que está do outro lado com a de algum parente ou amigo. Pronto, era tudo que os golpistas queriam. O que vem a seguir é terrorismo e tentativa de extorsão. Diversos golpes por telefone estão cada vez mais comuns em todas as regiões do Brasil. É preciso cuidado e muita cautela, como alerta o Tribuna do Ceará.

“Ligação premiada”, “Sequestro virtual”, “Bença, tia”, “Envelope vazio” e “Anúncio de veículo” são alguns dos golpes registrados no Ceará. As histórias são as mais diversas, como falsos sorteios e promoções, sequestros de parentes, sobrinho distante que está a caminho da cidade e precisa de dinheiro para consertar o carro na estrada, transferências inexistentes e confirmação de resgate de carro roubado.

“Recebi uma mensagem no celular dizendo que eu tinha sido premiada com uma moto e R$ 6 mil. Liguei de volta, e a pessoa falou que era um advogado. Disse que, para liberar a moto, eu tinha que pagar uma taxa de R$ 280. Eu expliquei que não tinha. Ele me ameaçou e disse que, se eu não transferisse o dinheiro, ele ia mandar a Polícia Federal na minha casa, e eu ainda ia ter que pagar uma taxa de R$ 1.500. Fiquei com medo, arranjei o dinheiro emprestado e depositei”, relembra uma moradora do município de Aquiraz, que prefere não se identificar.

(ARTE: Tiago Leite/Tribuna do Ceará)

(ARTE: Tiago Leite/Tribuna do Ceará)

Os golpes normalmente são aplicados por quem está atrás das grades. Assim, o preso tem tempo de sobra para pensar em como agir. O número do telefone, ele consegue discando aleatoriamente. De acordo com o delegado Jaime de Paula, titular da Delegacia de Defraudações, a maioria de ligações como essas são feitas de dentro dos presídios.

“A ligação premiada é o mais comum. Eles usam o nome de um programa de televisão de grande audiência, dizendo que a vítima ganhou motocicleta e dinheiro, e pedem para ela depositar um dinheiro com o intuito de retirar o prêmio. Tudo mentira, e muitas pessoas caem nesse golpe”, indica.

Outro que está ficando comum é o “Bença, tia”. Uma pessoa liga, se identifica como parente que mora longe e estava indo a Fortaleza de surpresa, mas o automóvel quebra e necessita de um valor em dinheiro para consertar e chegar à cidade. Nesse caso, a própria vítima é induzida a informar os dados do familiar para o golpista.

Golpista: – Oi, tia, bença. Adivinha quem está indo para aí hoje?
Vítima: Quem será?
Golpista: Um dos mais queridos da família.
Vítima: Pai do céu. Tem tanto querido na família.
Golpista: Chuta o nome de dois.
Vítima: Quem é você?
Golpista: É de São Paulo.
Vítima: Filho da minha irmã?
Golpista: É.
Vítima: O Arthur?
Golpista: Como é que a senhora sabia que era eu?

Segundo o delegado, em média são registrados 40 Boletins de Ocorrência por mês. Ou seja, mais de um golpe contabilizado diariamente. “São uns 15 registros de BOs de pessoas de fora de Fortaleza, dizendo que receberam trotes daqui”, diz.

Estelionato

Os golpistas usam contas bancárias de outras pessoas, que tanto podem ser clonadas, como de parentes ou amigos dos próprios presidiários. A partir dos dados, a polícia inicia a investigação, podendo indiciar o dono da conta por estelionato, cuja pena é de 1 a 5 anos de prisão. “A gente atua em cima da conta, porque é a forma mais rápida para obter os dados. Em quase 100% dos casos, a gente indica o correntista”, explica Jaime de Paula.

No interior do Ceará, em Juazeiro do Norte, uma senhora – que também não quis se identificar – quase caiu no golpe. A informação era de que a filha tinha sido sequestrada, e eles exigiam R$ 4 mil para libertar a menina.

Assista à matéria exibida no programa Barra Pesada:

[uol video=”http://mais.uol.com.br/view/15133486″]

 

“Começaram a me pressionar e passaram o telefone para uma mulher, se passando pela minha filha. Ela dizia chorando: ‘Mãe, eu estou machucada’. Não deu para perceber que não era a voz dela. Pediram para eu não desligar o telefone fixo e passar o número do meu celular. Até que a minha filha mais velha, que estava em casa, ligou para a escola e descobriu que a irmã estava em sala de aula”, conta aliviada.

Para se proteger, o cidadão precisa tomar alguns cuidados, como obter informações sobre a premiação, ligar para os parentes; e, em hipótese alguma, depositar o dinheiro. De acordo com o delegado, não se deve fazer um depósito a troco de nada. “Em premiações que não está participando, não tem como você ganhar. Jamais fale o nome do parente. Em caso de empréstimos facilitados, verifique junto ao serviço de proteção ao consumidor. E sempre lembrar de procurar a polícia”, conclui.