Redes sociais podem auxiliar mulheres na luta contra o câncer de mama
SUPERAÇÃO

Redes sociais podem auxiliar mulheres na luta contra o câncer de mama

A busca pela felicidade constante “exigida” nas redes sociais é uma forma de fortalecer essas mulheres

Por Tribuna do Ceará em Saúde

10 de outubro de 2017 às 07:00

Há 1 semana
Maria Camila é uma das que usam as redes sociais (FOTO: Arquivo pessoal)

Maria Camila é uma das que usam as redes sociais (FOTO: Arquivo pessoal)

O desenvolvimento das redes sociais reserva surpresas diárias aos usuários. Hoje, pessoas que lutam contra o câncer já fazem uso dessas plataformas como um suporte na busca pela cura.

Uma pesquisa realizada pela Universidade Federal do Ceará (UFC) busca entender a representação das mulheres com câncer de mama, e o diálogo entre elas nas redes sociais.

O câncer de mama é o que mais atinge as mulheres em todo o mundo. Além dos riscos que a doença proporciona, não há dúvidas que uma situação traumática pode ser gerada.

Se, por muitas vezes, a doença causava uma mudança na autoestima feminina e as mulheres preferiam omitir a doença, hoje a exposição do problema nas mídias sociais se tornou uma aliada. 

A professora Idilva Germano, coordenadora da pesquisa, conta um pouco mais dessa relação das mulheres com as redes. “Há muitas histórias positivas, de heroísmo, enfrentamento e resiliência, criando uma imagem de si como guerreira”.

A pesquisa analisou 10 contas de usuários do Instagram que fazem postagens mostrando a realidade do câncer de mama. O objetivo é identificar temas, enredos e outros aspectos nas interações dessas mulheres no ambiente digital.

Para a coordenadora da pesquisa, a busca pela felicidade constante “exigida” nas redes sociais é uma forma de fortalecer essas mulheres. “Há uma expectativa do público para o qual elas se dirigem de realmente ouvir essas histórias e ver essas imagens. As pessoas parecem não estar abertas a acompanhar imagens que não sejam evocativas de felicidade”, revela.

O aspecto da feminilidade e beleza, segundo a professora, também é um dos mais fortemente encontrados nas postagens. Não é incomum, por exemplo, que, mesmo em situações adversas, como pouco antes da quimioterapia ou dos exames de imagem (ressonância magnética ou mamografia, por exemplo), as usuárias posem maquiadas e com adereços. Por isso, também, a grande prevalência dos autorretratos, as chamadas selfies.

A pesquisadora avalia que a análise das interações em redes sociais amplia o olhar sobre os efeitos das novas tecnologias sobre as experiências de saúde e doença na sociedade contemporânea. No caso dessa pesquisa sobre o câncer de mama, reconhece que se deve observar tanto os aspectos positivos gerados pelas novas formas de comunicação (por exemplo, redução do estigma da doença, maior acesso à informação, mais espaços para solidariedade e apoio mútuo) quanto os negativos (imperativo de felicidade, culpabilização da mulher, normatividade de gênero), que também atravessam esses meios. “Esse é um campo emaranhado de tensões que devemos desenredar”, conclui.

Com informações da Agência UFC

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Redes sociais podem auxiliar mulheres na luta contra o câncer de mama

A busca pela felicidade constante “exigida” nas redes sociais é uma forma de fortalecer essas mulheres

Por Tribuna do Ceará em Saúde

10 de outubro de 2017 às 07:00

Há 1 semana
Maria Camila é uma das que usam as redes sociais (FOTO: Arquivo pessoal)

Maria Camila é uma das que usam as redes sociais (FOTO: Arquivo pessoal)

O desenvolvimento das redes sociais reserva surpresas diárias aos usuários. Hoje, pessoas que lutam contra o câncer já fazem uso dessas plataformas como um suporte na busca pela cura.

Uma pesquisa realizada pela Universidade Federal do Ceará (UFC) busca entender a representação das mulheres com câncer de mama, e o diálogo entre elas nas redes sociais.

O câncer de mama é o que mais atinge as mulheres em todo o mundo. Além dos riscos que a doença proporciona, não há dúvidas que uma situação traumática pode ser gerada.

Se, por muitas vezes, a doença causava uma mudança na autoestima feminina e as mulheres preferiam omitir a doença, hoje a exposição do problema nas mídias sociais se tornou uma aliada. 

A professora Idilva Germano, coordenadora da pesquisa, conta um pouco mais dessa relação das mulheres com as redes. “Há muitas histórias positivas, de heroísmo, enfrentamento e resiliência, criando uma imagem de si como guerreira”.

A pesquisa analisou 10 contas de usuários do Instagram que fazem postagens mostrando a realidade do câncer de mama. O objetivo é identificar temas, enredos e outros aspectos nas interações dessas mulheres no ambiente digital.

Para a coordenadora da pesquisa, a busca pela felicidade constante “exigida” nas redes sociais é uma forma de fortalecer essas mulheres. “Há uma expectativa do público para o qual elas se dirigem de realmente ouvir essas histórias e ver essas imagens. As pessoas parecem não estar abertas a acompanhar imagens que não sejam evocativas de felicidade”, revela.

O aspecto da feminilidade e beleza, segundo a professora, também é um dos mais fortemente encontrados nas postagens. Não é incomum, por exemplo, que, mesmo em situações adversas, como pouco antes da quimioterapia ou dos exames de imagem (ressonância magnética ou mamografia, por exemplo), as usuárias posem maquiadas e com adereços. Por isso, também, a grande prevalência dos autorretratos, as chamadas selfies.

A pesquisadora avalia que a análise das interações em redes sociais amplia o olhar sobre os efeitos das novas tecnologias sobre as experiências de saúde e doença na sociedade contemporânea. No caso dessa pesquisa sobre o câncer de mama, reconhece que se deve observar tanto os aspectos positivos gerados pelas novas formas de comunicação (por exemplo, redução do estigma da doença, maior acesso à informação, mais espaços para solidariedade e apoio mútuo) quanto os negativos (imperativo de felicidade, culpabilização da mulher, normatividade de gênero), que também atravessam esses meios. “Esse é um campo emaranhado de tensões que devemos desenredar”, conclui.

Com informações da Agência UFC