Presença de soins em árvores da Aldeota chama a atenção. Especialistas alertam sobre riscos
FOCO DA RAIVA

Presença de soins em árvores da Aldeota chama a atenção. Especialistas alertam sobre riscos

Especialistas alertam sobre os riscos de transmissão de Raiva e recomenda aos moradores do bairro a não alimentá-los nem domesticá-los

Por Daniel Rocha em Saúde

27 de junho de 2017 às 07:00

Há 2 meses
Moradores da Aldeota dizem que presença de soins é constante na região (FOTO: Diego Lage)

Moradores da Aldeota dizem que presença de soins é constante na região (FOTO: Diego Lage/TV Jangadeiro)

Em meio a vários edifícios residenciais, moradores do Bairro Aldeota, em Fortaleza, têm visto saguis, conhecidos popularmente como “saguis”, passando pelos fios de energias e nas poucas árvores presentes no local. As aparições despertam curiosidade entre os moradores e das pessoas que trabalham na região.

Emerson Pereira, de 23 anos, é um deles. Todos os dias, o motorista presencia a “visita” dos soins no prédio residencial em que trabalha, situado na Rua José Avilar, na Aldeota. Segundo ele, os bichos sempre aparecem no início da manhã e no fim da tarde.

“É uma família. Todos os dias eu dou uma banana para eles (saguis). Faz duas semanas que aparecem pelo prédio e ficam nas árvores em frente da portaria”, informou ao Tribuna do Ceará.

Emanuel esclarece que não há parque ou praças com várias árvores próximo ao edifício. Há somente algumas árvores. “Os soins passam pelos fios de energia de um lado para o outro”, comentou.

O porteiro Emanuel Jackson, de 43 anos, também tem presenciado a visita dos soins na região. Ele vê todos os dias uma família de saguis nas poucas árvores da rua e nos fios de energia. “Eu percebo que são os mesmos porque um deles tem um problema na pata”, informou.

Assim como Emerson, Emanuel afirma que as “visitas” dos saguis têm horários: “Eu tô aqui há quase cinco anos. Eles sempre passam por aqui todos os dias pela manhã, por volta das 8h, e no fim da tarde”.

Apesar de ‘bonitinhos’, os soins oferecem riscos

Segundo a professora do curso de Veterinária da Universidade Estadual do Ceará (Uece) Fátima Teixeira, os saguis podem transmitir doenças para os seres humanos, e a recomendação é não alimentá-los.

“Ele é um possível transmissor de raiva, apesar de ser um animal ‘bonitinho’”, explicou ao Tribuna do Ceará. Sobre o hábito de alimentá-los, a professora recomendou a não oferecer frutas ou outro tipo de comida. “Se der alimento a eles, vão acabar voltando”.

Sagui em cima de uma árvore

Os saguis podem transmitir doenças como a raiva (FOTO: Divulgação)

A coordenadora da Unidade de Vigilância de Zoonoses de Fortaleza, Rosania Ramalho, também alerta para os riscos que o animal pode trazer para a saúde pública. “O Ceará é o estado com maior potencial para a transmissão da raiva, porque temos muito saguis em todo o Estado”, pontua.

Além da raiva, Rosania comenta que o animal também pode ser transmissor da febre amarela e de outras doenças desconhecidas. “O animal pode adquirir a doença na mata e trazer para a cidade, porque eles conseguem transitar por grandes distâncias. Como as pessoas os alimentam e os acham bonitinhos, eles se aproximam e ficam cada vez mais próximo da população”, afirma.

Segundo os dados da Secretaria Estadual de Saúde  do Ceará (Sesa), dos 43 óbitos registrados por raiva no Estado do Ceará por animais silvestres em 10 anos, 11 foram causados por soins.

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FOCO DA RAIVA

Presença de soins em árvores da Aldeota chama a atenção. Especialistas alertam sobre riscos

Especialistas alertam sobre os riscos de transmissão de Raiva e recomenda aos moradores do bairro a não alimentá-los nem domesticá-los

Por Daniel Rocha em Saúde

27 de junho de 2017 às 07:00

Há 2 meses
Moradores da Aldeota dizem que presença de soins é constante na região (FOTO: Diego Lage)

Moradores da Aldeota dizem que presença de soins é constante na região (FOTO: Diego Lage/TV Jangadeiro)

Em meio a vários edifícios residenciais, moradores do Bairro Aldeota, em Fortaleza, têm visto saguis, conhecidos popularmente como “saguis”, passando pelos fios de energias e nas poucas árvores presentes no local. As aparições despertam curiosidade entre os moradores e das pessoas que trabalham na região.

Emerson Pereira, de 23 anos, é um deles. Todos os dias, o motorista presencia a “visita” dos soins no prédio residencial em que trabalha, situado na Rua José Avilar, na Aldeota. Segundo ele, os bichos sempre aparecem no início da manhã e no fim da tarde.

“É uma família. Todos os dias eu dou uma banana para eles (saguis). Faz duas semanas que aparecem pelo prédio e ficam nas árvores em frente da portaria”, informou ao Tribuna do Ceará.

Emanuel esclarece que não há parque ou praças com várias árvores próximo ao edifício. Há somente algumas árvores. “Os soins passam pelos fios de energia de um lado para o outro”, comentou.

O porteiro Emanuel Jackson, de 43 anos, também tem presenciado a visita dos soins na região. Ele vê todos os dias uma família de saguis nas poucas árvores da rua e nos fios de energia. “Eu percebo que são os mesmos porque um deles tem um problema na pata”, informou.

Assim como Emerson, Emanuel afirma que as “visitas” dos saguis têm horários: “Eu tô aqui há quase cinco anos. Eles sempre passam por aqui todos os dias pela manhã, por volta das 8h, e no fim da tarde”.

Apesar de ‘bonitinhos’, os soins oferecem riscos

Segundo a professora do curso de Veterinária da Universidade Estadual do Ceará (Uece) Fátima Teixeira, os saguis podem transmitir doenças para os seres humanos, e a recomendação é não alimentá-los.

“Ele é um possível transmissor de raiva, apesar de ser um animal ‘bonitinho’”, explicou ao Tribuna do Ceará. Sobre o hábito de alimentá-los, a professora recomendou a não oferecer frutas ou outro tipo de comida. “Se der alimento a eles, vão acabar voltando”.

Sagui em cima de uma árvore

Os saguis podem transmitir doenças como a raiva (FOTO: Divulgação)

A coordenadora da Unidade de Vigilância de Zoonoses de Fortaleza, Rosania Ramalho, também alerta para os riscos que o animal pode trazer para a saúde pública. “O Ceará é o estado com maior potencial para a transmissão da raiva, porque temos muito saguis em todo o Estado”, pontua.

Além da raiva, Rosania comenta que o animal também pode ser transmissor da febre amarela e de outras doenças desconhecidas. “O animal pode adquirir a doença na mata e trazer para a cidade, porque eles conseguem transitar por grandes distâncias. Como as pessoas os alimentam e os acham bonitinhos, eles se aproximam e ficam cada vez mais próximo da população”, afirma.

Segundo os dados da Secretaria Estadual de Saúde  do Ceará (Sesa), dos 43 óbitos registrados por raiva no Estado do Ceará por animais silvestres em 10 anos, 11 foram causados por soins.