Pesquisa inédita revela que uso de agrotóxicos no Ceará afeta o DNA de agricultores
AGRICULTURA

Pesquisa inédita revela que uso de agrotóxicos no Ceará afeta o DNA de agricultores

O próximo passo da pesquisa feita na UFC é avaliar se essa falha no DNA dos agricultores expostos a agrotóxicos pode passar para os filhos

Por Tribuna Bandnews FM em Saúde

25 de junho de 2017 às 06:15

Há 4 meses
Os agricultores ficam mais vulneráveis a doenças (FOTO: Agência Brasil)

Os agricultores ficam mais vulneráveis a doenças (FOTO: Agência Brasil)

A pesquisa inédita no País é realizada desde 2011 e acompanha três grupos de trabalhadores rurais do Vale do Jaguaribe, no leste do Ceará. São grandes empresas de agronegócio, agricultura familiar e agricultura ecológica, onde não são usados agrotóxicos.

De acordo com o professor Ronald Feitosa, do Departamento de Medicina Clínica da Universidade Federal do Ceará (UFC) e coordenador do projeto, ao ser avaliada a situação dos equipamentos utilizados por cada grupo, percebeu-se que menos de 12% dos agricultores utilizavam proteção.

“O primeiro levantamento que nós fizemos na Região da Chapada do Apodi, onde está uma região de agronegócio da banana, pode se verificar que faltam proteção aos agricultores”, revela, em entrevista à Rádio Tribuna BandNews FM, na série de reportagens: Pesquisas Científicas. 

Por conta dessa grande exposição aos agrotóxicos, o professor Ronald Feitosa diz que foram encontrados, com exceção no grupo de agricultura ecológica, lesões na cadeia de DNA. Essas lesões, muitas vezes irreversíveis, facilitam o desenvolvimento de diversas doenças crônicas, como o câncer.

Para o professor, esta é a finalidade principal da pesquisa: Conscientizar quem trabalha no agronegócio a importância de utilizar equipamento de proteção e para manuseios de agrotóxicos.

“Para o agricultor que aplica, manipula o agrotóxico, a gente está mostrando que o DNA dele realmente está alterado. São poucos que usam proteção e estamos chamando a atenção deles para isso”, garante.

Essa preocupação também é compartilhada pela Comissão de Meio Ambiente de Assembleia Legislativa, que mantém discussão acerca do uso de agrotóxicos. O deputado estadual Renato Roseno, membro da Comissão, diz que uma alternativa para incentivar o uso de equipamentos por parte dos agricultores é o reforço da fiscalização.

Ele cobra do Governo do Estado a aprovação de uma nova lei, mais rígida, para tratar sobre o tema. O parlamentar é o autor de um projeto que tramita na casa, que proíbe a pulverização aérea.

“O uso de veneno no Ceará se concentra no Vale do Jaguaribe, Cariri e na Serra Grande. É um problema de saúde pública e um problema ambiental. Atinge os trabalhadores rurais, as comunidades, a nossa água, a nossa terra e aquele que utiliza o consumo desses produtos. Por isso defendemos produzir alimentos saudáveis”, diz.

O próximo passo da pesquisa é avaliar que essa falha no gene de reparo do DNA dos agricultores expostos a agrotóxicos podem passar para os filhos.

Um dos nomes mais lembrados na luta contra o uso de agrotóxico na Região Jaguaribana é a do líder sindicalista José Maria do Tomé, que promovia palestras sobre os riscos dos produtores, e denunciava grandes produtores da Região. Em abril de 2010, Zé Maria do Tomé foi morto com 25 tiros.

Ouça a reportagem da Rádio Tribuna BandNews FM:

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Pesquisa inédita revela que uso de agrotóxicos no Ceará afeta o DNA de agricultores

O próximo passo da pesquisa feita na UFC é avaliar se essa falha no DNA dos agricultores expostos a agrotóxicos pode passar para os filhos

Por Tribuna Bandnews FM em Saúde

25 de junho de 2017 às 06:15

Há 4 meses
Os agricultores ficam mais vulneráveis a doenças (FOTO: Agência Brasil)

Os agricultores ficam mais vulneráveis a doenças (FOTO: Agência Brasil)

A pesquisa inédita no País é realizada desde 2011 e acompanha três grupos de trabalhadores rurais do Vale do Jaguaribe, no leste do Ceará. São grandes empresas de agronegócio, agricultura familiar e agricultura ecológica, onde não são usados agrotóxicos.

De acordo com o professor Ronald Feitosa, do Departamento de Medicina Clínica da Universidade Federal do Ceará (UFC) e coordenador do projeto, ao ser avaliada a situação dos equipamentos utilizados por cada grupo, percebeu-se que menos de 12% dos agricultores utilizavam proteção.

“O primeiro levantamento que nós fizemos na Região da Chapada do Apodi, onde está uma região de agronegócio da banana, pode se verificar que faltam proteção aos agricultores”, revela, em entrevista à Rádio Tribuna BandNews FM, na série de reportagens: Pesquisas Científicas. 

Por conta dessa grande exposição aos agrotóxicos, o professor Ronald Feitosa diz que foram encontrados, com exceção no grupo de agricultura ecológica, lesões na cadeia de DNA. Essas lesões, muitas vezes irreversíveis, facilitam o desenvolvimento de diversas doenças crônicas, como o câncer.

Para o professor, esta é a finalidade principal da pesquisa: Conscientizar quem trabalha no agronegócio a importância de utilizar equipamento de proteção e para manuseios de agrotóxicos.

“Para o agricultor que aplica, manipula o agrotóxico, a gente está mostrando que o DNA dele realmente está alterado. São poucos que usam proteção e estamos chamando a atenção deles para isso”, garante.

Essa preocupação também é compartilhada pela Comissão de Meio Ambiente de Assembleia Legislativa, que mantém discussão acerca do uso de agrotóxicos. O deputado estadual Renato Roseno, membro da Comissão, diz que uma alternativa para incentivar o uso de equipamentos por parte dos agricultores é o reforço da fiscalização.

Ele cobra do Governo do Estado a aprovação de uma nova lei, mais rígida, para tratar sobre o tema. O parlamentar é o autor de um projeto que tramita na casa, que proíbe a pulverização aérea.

“O uso de veneno no Ceará se concentra no Vale do Jaguaribe, Cariri e na Serra Grande. É um problema de saúde pública e um problema ambiental. Atinge os trabalhadores rurais, as comunidades, a nossa água, a nossa terra e aquele que utiliza o consumo desses produtos. Por isso defendemos produzir alimentos saudáveis”, diz.

O próximo passo da pesquisa é avaliar que essa falha no gene de reparo do DNA dos agricultores expostos a agrotóxicos podem passar para os filhos.

Um dos nomes mais lembrados na luta contra o uso de agrotóxico na Região Jaguaribana é a do líder sindicalista José Maria do Tomé, que promovia palestras sobre os riscos dos produtores, e denunciava grandes produtores da Região. Em abril de 2010, Zé Maria do Tomé foi morto com 25 tiros.

Ouça a reportagem da Rádio Tribuna BandNews FM: