Na equoterapia, cavalos auxiliam tratamento de pessoas com doenças neurológicas


Na equoterapia, cavalos auxiliam tratamento de pessoas com doenças neurológicas

O método terapêutico com cavalos é recomendado principalmente para pacientes autistas, com síndrome de Down e paralisia cerebral.

Por Renata Monte em Saúde

10 de novembro de 2014 às 14:00

Há 4 anos
O Centro se divide em terapias e aulas de equitação. (Foto: Renata Monte/Tribuna do Ceará)

Segundo a coordenadora do Centro, os cavalos sabem como tratar bem os pacientes. (Foto: Renata Monte/Tribuna do Ceará)

Pode não parecer, mas o cavalo também pode ser o melhor amigo do homem. O animal é usado como auxílio no tratamento de pessoas com deficiência ou necessidades especiais. A equoterapia, apesar de não ser muito conhecida, vem sendo cada vez mais indicada por neurologistas. No Eusébio, na Região Metropolitana de Fortaleza, o Centro Hípico e Equoterapia Chambord atende 35 crianças, dois adultos e três idosos que fazem esse tipo de terapia.

Com uma abordagem interdisciplinar nas áreas da saúde, educação e equitação, a equoterapia visa o desenvolvimento biopsicossocial de pessoas com autismo, síndrome de down e doenças neurológicas que comprometam os movimentos, exigindo do paciente força muscular, concentração e conscientização do próprio corpo. O andar do cavalo provoca um desequilíbrio em quem o monta. Essa busca pelo reequilíbrio durante a montaria faz toda a diferença: melhora a postura, o controle da cabeça e do tronco e a autoestima.

Para a psicóloga do Chambord, Victoria Erel, é notável a evolução no tratamento dos pacientes que fazem equoterapia: “Eu acho que, em primeiro lugar, a confiança do paciente melhora. Geralmente são pessoas com a autoestima baixa e só o fato delas ficarem mais altas que as outras [quando está em cima de um cavalo], já muda o humor delas”. Victoria também citou ainda a afetividade e a socialização dos pacientes como pontos importantes no tratamento, já que são obrigados a socializar com os profissionais e com os cavalos do local.

Segundo a fisioterapeuta Luciana Jardim, coordenadora do Centro Hípico, o tratamento cativa os pacientes, já que estar em contato com a natureza muda a rotina clínica e hospitalar dos assistidos. “Aqui, os pacientes se adaptam aos cavalos e os cavalos se adaptam aos pacientes. O cavalo sabe quem tá em cima dele. Dependendo da pessoa, o próprio animal toma cuidado com a montaria”, explica.

É preciso lembrar ainda que a equoterapia não é uma cura. É uma terapia de suporte, que não pode ser feita sem as demais especialidades que compõe o tratamento dos pacientes. O contato com os cavalos pode ter restrições, dependendo de cada tipo de patologia. Por isso, é importante a recomendação médica.

Os gêmeos Daniel e Gustavo Cavalieri com a fisioterapeuta Luciana Jardim, a psicóloga Victoria Erel e o cavalo Jeje, no Centro Hípico e Equoterapia Chambord. (Foto: Renata Monte/Tribuna do Ceará)

Os gêmeos Daniel e Gustavo com a fisioterapeuta Luciana Jardim, a psicóloga Victoria Erel e o cavalo Jeje, no Centro Hípico e Equoterapia Chambord. (Foto: Renata Monte/Tribuna do Ceará)

A equoterapia e o autismo

Uma cavalgada e mais um passo no tratamento. É o caso dos gêmeos Daniel e Gustavo, de 4 anos. Os dois foram diagnosticados com autismo há dois anos e, há um, fazem tratamento no Chambord. A mãe, Fernanda Cavalieri, conta que os filhos já evoluíram bastante com o contato com os cavalos.

Sem causas específicas, o autismo é um transtorno que compromete o desenvolvimento funcional do cérebro. Fernanda começou a perceber as diferenças nos filhos por comportamentos comuns: não atendiam aos comandos da mãe e só socializavam entre eles. Descartados outros transtornos, o autismo não abalou a mãe. “É claro que você fica um pouco assustada, mas a primeira coisa que eu pensei e perguntei para o médico foi: ‘E agora o que eu faço?’ Para eu não perder tempo e já procurar ajuda”, explica.

Os gêmeos fazem equoterapia uma vez por semana. Nos demais dias, fazem outros tipos de terapia, sozinhos e em grupo. O tratamento com os cavalos ajuda os meninos na concentração, na percepção visual, auditiva e corporal e na oralidade. “Os meninos tinham uma hiper sensibilidade. Agora, eles conseguem tocar nas folhas das árvores, sentir a diferença do pêlo do cavalo, diferenciar as cores”, comentou a psicóloga.

Na terapia, é importante levar em conta a personalidade de cada um. Gustavo é bem mais ativo, fica correndo pelo Centro. Daniel é mais introvertido, prefere os eletrônicos. O tratamento de Daniel tem ainda uma diferença: trabalha o lado fisioterápico, já que o menino só anda na ponta dos pés, o que encurtou os tendões das pernas.

Fernanda diz que, depois de um ano, os filhos, mesmo sem conseguirem falar, já apresentam melhora. “Hoje, eles me atendem mais. Pode até não ser na hora que eu chamo, mas eles acabam atendendo. Criaram uma consciência do próprio corpo, então na hora do banho, eles já passam o shampoo no cabelo… Essas pequenas coisas fazem toda a diferença”, relata.

Não é preciso análises científicas para comprovar os benefícios dos animais da vida das pessoas. O contato com os animais proporciona senso de responsabilidade e ajuda a sair do sedentarismo.

EQUOTERAPIA
EQUOTERAPIA
EQUOTERAPIA

Serviço:
Centro Hípico e Equoterapia Chambord
Rua das Flores, 103 – Eusébio
Contato: (85) 9660.0200

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Na equoterapia, cavalos auxiliam tratamento de pessoas com doenças neurológicas

O método terapêutico com cavalos é recomendado principalmente para pacientes autistas, com síndrome de Down e paralisia cerebral.

Por Renata Monte em Saúde

10 de novembro de 2014 às 14:00

Há 4 anos
O Centro se divide em terapias e aulas de equitação. (Foto: Renata Monte/Tribuna do Ceará)

Segundo a coordenadora do Centro, os cavalos sabem como tratar bem os pacientes. (Foto: Renata Monte/Tribuna do Ceará)

Pode não parecer, mas o cavalo também pode ser o melhor amigo do homem. O animal é usado como auxílio no tratamento de pessoas com deficiência ou necessidades especiais. A equoterapia, apesar de não ser muito conhecida, vem sendo cada vez mais indicada por neurologistas. No Eusébio, na Região Metropolitana de Fortaleza, o Centro Hípico e Equoterapia Chambord atende 35 crianças, dois adultos e três idosos que fazem esse tipo de terapia.

Com uma abordagem interdisciplinar nas áreas da saúde, educação e equitação, a equoterapia visa o desenvolvimento biopsicossocial de pessoas com autismo, síndrome de down e doenças neurológicas que comprometam os movimentos, exigindo do paciente força muscular, concentração e conscientização do próprio corpo. O andar do cavalo provoca um desequilíbrio em quem o monta. Essa busca pelo reequilíbrio durante a montaria faz toda a diferença: melhora a postura, o controle da cabeça e do tronco e a autoestima.

Para a psicóloga do Chambord, Victoria Erel, é notável a evolução no tratamento dos pacientes que fazem equoterapia: “Eu acho que, em primeiro lugar, a confiança do paciente melhora. Geralmente são pessoas com a autoestima baixa e só o fato delas ficarem mais altas que as outras [quando está em cima de um cavalo], já muda o humor delas”. Victoria também citou ainda a afetividade e a socialização dos pacientes como pontos importantes no tratamento, já que são obrigados a socializar com os profissionais e com os cavalos do local.

Segundo a fisioterapeuta Luciana Jardim, coordenadora do Centro Hípico, o tratamento cativa os pacientes, já que estar em contato com a natureza muda a rotina clínica e hospitalar dos assistidos. “Aqui, os pacientes se adaptam aos cavalos e os cavalos se adaptam aos pacientes. O cavalo sabe quem tá em cima dele. Dependendo da pessoa, o próprio animal toma cuidado com a montaria”, explica.

É preciso lembrar ainda que a equoterapia não é uma cura. É uma terapia de suporte, que não pode ser feita sem as demais especialidades que compõe o tratamento dos pacientes. O contato com os cavalos pode ter restrições, dependendo de cada tipo de patologia. Por isso, é importante a recomendação médica.

Os gêmeos Daniel e Gustavo Cavalieri com a fisioterapeuta Luciana Jardim, a psicóloga Victoria Erel e o cavalo Jeje, no Centro Hípico e Equoterapia Chambord. (Foto: Renata Monte/Tribuna do Ceará)

Os gêmeos Daniel e Gustavo com a fisioterapeuta Luciana Jardim, a psicóloga Victoria Erel e o cavalo Jeje, no Centro Hípico e Equoterapia Chambord. (Foto: Renata Monte/Tribuna do Ceará)

A equoterapia e o autismo

Uma cavalgada e mais um passo no tratamento. É o caso dos gêmeos Daniel e Gustavo, de 4 anos. Os dois foram diagnosticados com autismo há dois anos e, há um, fazem tratamento no Chambord. A mãe, Fernanda Cavalieri, conta que os filhos já evoluíram bastante com o contato com os cavalos.

Sem causas específicas, o autismo é um transtorno que compromete o desenvolvimento funcional do cérebro. Fernanda começou a perceber as diferenças nos filhos por comportamentos comuns: não atendiam aos comandos da mãe e só socializavam entre eles. Descartados outros transtornos, o autismo não abalou a mãe. “É claro que você fica um pouco assustada, mas a primeira coisa que eu pensei e perguntei para o médico foi: ‘E agora o que eu faço?’ Para eu não perder tempo e já procurar ajuda”, explica.

Os gêmeos fazem equoterapia uma vez por semana. Nos demais dias, fazem outros tipos de terapia, sozinhos e em grupo. O tratamento com os cavalos ajuda os meninos na concentração, na percepção visual, auditiva e corporal e na oralidade. “Os meninos tinham uma hiper sensibilidade. Agora, eles conseguem tocar nas folhas das árvores, sentir a diferença do pêlo do cavalo, diferenciar as cores”, comentou a psicóloga.

Na terapia, é importante levar em conta a personalidade de cada um. Gustavo é bem mais ativo, fica correndo pelo Centro. Daniel é mais introvertido, prefere os eletrônicos. O tratamento de Daniel tem ainda uma diferença: trabalha o lado fisioterápico, já que o menino só anda na ponta dos pés, o que encurtou os tendões das pernas.

Fernanda diz que, depois de um ano, os filhos, mesmo sem conseguirem falar, já apresentam melhora. “Hoje, eles me atendem mais. Pode até não ser na hora que eu chamo, mas eles acabam atendendo. Criaram uma consciência do próprio corpo, então na hora do banho, eles já passam o shampoo no cabelo… Essas pequenas coisas fazem toda a diferença”, relata.

Não é preciso análises científicas para comprovar os benefícios dos animais da vida das pessoas. O contato com os animais proporciona senso de responsabilidade e ajuda a sair do sedentarismo.

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Serviço:
Centro Hípico e Equoterapia Chambord
Rua das Flores, 103 – Eusébio
Contato: (85) 9660.0200