Irmãos recebem rins de único doador e têm cirurgias realizadas no mesmo dia em Fortaleza

CASO RARO

Irmãos recebem rins de único doador e têm cirurgias realizadas no mesmo dia em Fortaleza

A seleção dos pacientes que vão transplantar respeita uma lista de espera e segue critérios de compatibilidade; caso dos irmãos é raro

Por Tribuna do Ceará em Saúde

26 de junho de 2018 às 07:00

Há 5 meses
hospital universitário

Transplante foi realizado no Hospital Universitário Walter Cantídio. (FOTO: Divulgação/Portal HUWC)

Dois irmãos fizeram uma cirurgia de transplante para receber rins do mesmo doador, no mesmo dia. O caso inusitado e raro aconteceu no Hospital Universitário Walter Cantídio (HUWC), da Universidade Federal do Ceará (UFC), em Fortaleza. Raimundo, de 57 anos, e Antônio Rodrigues de Abreu, de 51, ambos aposentados, foram operados na unidade de saúde.

Os irmãos sofrem de uma doença renal progressiva, a nefropatia diabética. Raimundo já se preparava para receber o transplante há cinco anos, e Antonio, há quatro. Eles moravam em Manaus (AM) quando receberam a notícia da necessidade do transplante. Há um ano, vieram para Fortaleza em busca de oportunidades de realizar o procedimento.

A chefe da Unidade do Sistema Urinário do HUWC, Dra. Paula Fernandes, disse que essa é uma situação rara no mundo e foi a primeira vez que aconteceu no hospital. A equipe ficou motivada para que os dois pudessem ser operados no mesmo dia.

“No Walter Cantídio, todo mundo ficou muito admirado e torcendo para dar certo”, disse.

A seleção dos pacientes que vão transplantar respeita uma lista de espera e segue critérios de compatibilidade, entre eles o antígeno leucocitário humano (HLA). A chance de dois irmãos terem o HLA idêntico é de 25%, caso dos dois, que também eram compatíveis com o doador.

Qualquer célula exibindo algum tipo de HLA que não parece próprio do indivíduo é percebido como invasor pelo corpo, resultando na rejeição do transplante do tecido com essas células. Por isso, verificar a compatibilidade HLA é fundamental para o sucesso de um transplante.

Boa notícia

No dia 23 de maio, Raimundo recebeu uma ligação do hospital comunicando que um doador compatível havia aparecido e que ele era o próximo na fila de espera. Algumas horas depois, o irmão, Antonio, recebeu ligação semelhante.

“Eu conheço pessoas que foram chamadas 24 vezes e não estavam preparadas. Não fiquei muito confiante. A ficha não caiu. Não acreditei”, disse Raimundo.

Após fazer os exames e o transplante ser autorizado, Antonio foi o primeiro a ser encaminhado para a cirurgia. Horas depois, foi a vez de Raimundo. Tudo correu bem para ambos, que passaram a maior parte do período de recuperação juntos num quarto.

“Depois que eu acordei da cirurgia, senti aquela felicidade, aquela alegria, aquela vontade de chorar. Parecia que eu tinha ganhado na loteria”, resume Antonio, emocionado.

A recuperação dos dois também foi tranquila, ambos tiveram alta oito dias após a cirurgia.

Doações de orgãos

Segundo a Dra. Paula Fernandes, a população do Ceará é bastante sensibilizada em relação à doação. A taxa de doação dos pacientes que estão em morte cerebral no HUWC é de acima de 70%. E a taxa de sobrevida, no primeiro ano após o transplante, é acima de 95%.

De acordo com a chefe da Unidade do Sistema Urinário do HUWC, desde o primeiro procedimento, realizado em agosto de 1977, já foram realizados 1.556 transplantes renais no HUWC. Apenas entre janeiro e maio de 2018, foram 47 procedimentos. O paciente mais antigo tem 40 anos de transplante.

De acordo com levantamento da Central de Transplantes do Estado, em 2018 (até 8 de junho), o Ceará já contabiliza 565 transplantes realizados, sendo 327 de córnea, 111 de fígado, 104 de rim, 43 de medula óssea, 13 de coração e dois de pulmão.

Além dos elevados níveis de especialização e excelência das equipes transplantadoras no Ceará e do trabalho das comissões intra-hospitalares, um dos principais fatores que contribuem para o crescimento no número de transplantes é a solidariedade. Compreender a importância de doar órgãos diminui as chances de recusa.

Para ser um doador, não precisa deixar mais nada por escrito. Basta avisar a família sobre a vontade de doar e ajudar a salvar vidas.

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CASO RARO

Irmãos recebem rins de único doador e têm cirurgias realizadas no mesmo dia em Fortaleza

A seleção dos pacientes que vão transplantar respeita uma lista de espera e segue critérios de compatibilidade; caso dos irmãos é raro

Por Tribuna do Ceará em Saúde

26 de junho de 2018 às 07:00

Há 5 meses
hospital universitário

Transplante foi realizado no Hospital Universitário Walter Cantídio. (FOTO: Divulgação/Portal HUWC)

Dois irmãos fizeram uma cirurgia de transplante para receber rins do mesmo doador, no mesmo dia. O caso inusitado e raro aconteceu no Hospital Universitário Walter Cantídio (HUWC), da Universidade Federal do Ceará (UFC), em Fortaleza. Raimundo, de 57 anos, e Antônio Rodrigues de Abreu, de 51, ambos aposentados, foram operados na unidade de saúde.

Os irmãos sofrem de uma doença renal progressiva, a nefropatia diabética. Raimundo já se preparava para receber o transplante há cinco anos, e Antonio, há quatro. Eles moravam em Manaus (AM) quando receberam a notícia da necessidade do transplante. Há um ano, vieram para Fortaleza em busca de oportunidades de realizar o procedimento.

A chefe da Unidade do Sistema Urinário do HUWC, Dra. Paula Fernandes, disse que essa é uma situação rara no mundo e foi a primeira vez que aconteceu no hospital. A equipe ficou motivada para que os dois pudessem ser operados no mesmo dia.

“No Walter Cantídio, todo mundo ficou muito admirado e torcendo para dar certo”, disse.

A seleção dos pacientes que vão transplantar respeita uma lista de espera e segue critérios de compatibilidade, entre eles o antígeno leucocitário humano (HLA). A chance de dois irmãos terem o HLA idêntico é de 25%, caso dos dois, que também eram compatíveis com o doador.

Qualquer célula exibindo algum tipo de HLA que não parece próprio do indivíduo é percebido como invasor pelo corpo, resultando na rejeição do transplante do tecido com essas células. Por isso, verificar a compatibilidade HLA é fundamental para o sucesso de um transplante.

Boa notícia

No dia 23 de maio, Raimundo recebeu uma ligação do hospital comunicando que um doador compatível havia aparecido e que ele era o próximo na fila de espera. Algumas horas depois, o irmão, Antonio, recebeu ligação semelhante.

“Eu conheço pessoas que foram chamadas 24 vezes e não estavam preparadas. Não fiquei muito confiante. A ficha não caiu. Não acreditei”, disse Raimundo.

Após fazer os exames e o transplante ser autorizado, Antonio foi o primeiro a ser encaminhado para a cirurgia. Horas depois, foi a vez de Raimundo. Tudo correu bem para ambos, que passaram a maior parte do período de recuperação juntos num quarto.

“Depois que eu acordei da cirurgia, senti aquela felicidade, aquela alegria, aquela vontade de chorar. Parecia que eu tinha ganhado na loteria”, resume Antonio, emocionado.

A recuperação dos dois também foi tranquila, ambos tiveram alta oito dias após a cirurgia.

Doações de orgãos

Segundo a Dra. Paula Fernandes, a população do Ceará é bastante sensibilizada em relação à doação. A taxa de doação dos pacientes que estão em morte cerebral no HUWC é de acima de 70%. E a taxa de sobrevida, no primeiro ano após o transplante, é acima de 95%.

De acordo com a chefe da Unidade do Sistema Urinário do HUWC, desde o primeiro procedimento, realizado em agosto de 1977, já foram realizados 1.556 transplantes renais no HUWC. Apenas entre janeiro e maio de 2018, foram 47 procedimentos. O paciente mais antigo tem 40 anos de transplante.

De acordo com levantamento da Central de Transplantes do Estado, em 2018 (até 8 de junho), o Ceará já contabiliza 565 transplantes realizados, sendo 327 de córnea, 111 de fígado, 104 de rim, 43 de medula óssea, 13 de coração e dois de pulmão.

Além dos elevados níveis de especialização e excelência das equipes transplantadoras no Ceará e do trabalho das comissões intra-hospitalares, um dos principais fatores que contribuem para o crescimento no número de transplantes é a solidariedade. Compreender a importância de doar órgãos diminui as chances de recusa.

Para ser um doador, não precisa deixar mais nada por escrito. Basta avisar a família sobre a vontade de doar e ajudar a salvar vidas.