Família denuncia morte de idoso após 45 minutos esperando atendimento médico em hospital de Maracanaú
"OMISSÃO DE SOCORRO"

Família denuncia morte de idoso após 45 minutos esperando atendimento médico em hospital de Maracanaú

Médicos plantonistas estariam dormindo e o homem, que teve um ataque fulminante do coração, ficou sem receber atendimento

Por Lucas Barbosa em Saúde

5 de setembro de 2017 às 08:30

Há 2 semanas
atendimento-medico

Idoso (sem blusa) pedia atendimento médico, mas não resistiu à espera (FOTO: Reprodução)

Familiares denunciam a morte de um idoso após sofrer ataque fulminante do coração e passar cerca de 45 minutos sem atendimento médico no Hospital Municipal João Elísio de Holanda, em Maracanaú, Região Metropolitana de Fortaleza. Francisco Joel tinha 63 anos.

O caso aconteceu na última quarta-feira (30). A filha do idoso, Francisca Joelma Rodrigues da Silva, relata que o hospital contava com três médicos de plantão, que dormiam enquanto seu pai esperava atendimento. Ela ainda afirma que o hospital não contava com atendente nem enfermeiro no momento em que o pai dela chegou à unidade, por volta das 3h50.

Durante o tempo em que Francisco Joel aguardou atendimento, ele não chegou a sequer ser medicado ou ter a pressão medida. Mesmo a chegada de um enfermeiro, continua Joelma, não amenizou a situação. Ela diz que um profissional do hospital disse que não atenderia o caso, pois o acompanhante de Joel estaria “gritando” e “com abuso” e ela “estava em horário de folga”, portanto, “fazendo um favor”.

O vídeo feito por uma pessoa que acompanhava o idoso registra a indignação e a frustração pela espera, assim como a falta de amparo ao paciente. Confira:

Só por volta das 4h30, um médico examinou Joel. Não deu tempo. Ele desmaiou e faleceu, não tendo efeito o processo de reanimação.

Joelma pensa em processar o Município sob alegação de omissão de socorro. “Eu tenho os vídeos. As salas dos médicos desocupadas, tá tudo gravado…”

No Sistema de Verificação de Óbitos (SVO), um médico contou a ela que, por mais que o infarto fosse fulminante, socorro a tempo poderia ter salvado a vida dele. “Ele chegou andando e falando ao hospital”, indigna-se.

A necrópsia, no entanto, não foi feita. O procedimento só poderia ser feito no fim da tarde de quarta-feira, enquanto a família planejava velar o corpo em Jaguaribara,a 228 quilômetros de Maracanaú. O corpo de Joel chegou por volta das 13 horas ao SVO. “Se eu esperasse dar 6 horas da noite, para fazer a necrópsia, levar a para uma clínica e embalsamar o corpo do meu pai… Seria muito sofrimento”, justifica Joelma.

Em nota, a Prefeitura de Maracanaú prestou esclarecimentos sobre o caso. O órgão informa que será realizada uma rígida apuração e serão tomadas todas as medidas administrativas contra quem negligenciou ou não prestou o atendimento ao paciente. Além disso, a administração do hospital abriu sindicância para apurar detalhadamente o caso.

“Supostamente o incidente decorreu em virtude de falha dos profissionais, não por falta de médicos contratados para atender no hospital; a Gestão Municipal jamais aceitará tal conduta e irá punir com todo rigor os envolvidos após a completa apuração dos fatos, para que incidentes deste tipo não se repitam. Por último, a Gestão Municipal lamenta profundamente o ocorrido e presta solidariedade à família de Francisco Joel pela irreparável perda”.

A prefeitura ainda ressaltou que investe para que o hospital garanta o amplo atendimento à população. “São oito médicos no atendimento emergencial, sendo três nos consultórios da emergência adulto, dois na cirurgia, dois na emergência infantil e um no eixo vermelho”.

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"OMISSÃO DE SOCORRO"

Família denuncia morte de idoso após 45 minutos esperando atendimento médico em hospital de Maracanaú

Médicos plantonistas estariam dormindo e o homem, que teve um ataque fulminante do coração, ficou sem receber atendimento

Por Lucas Barbosa em Saúde

5 de setembro de 2017 às 08:30

Há 2 semanas
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Idoso (sem blusa) pedia atendimento médico, mas não resistiu à espera (FOTO: Reprodução)

Familiares denunciam a morte de um idoso após sofrer ataque fulminante do coração e passar cerca de 45 minutos sem atendimento médico no Hospital Municipal João Elísio de Holanda, em Maracanaú, Região Metropolitana de Fortaleza. Francisco Joel tinha 63 anos.

O caso aconteceu na última quarta-feira (30). A filha do idoso, Francisca Joelma Rodrigues da Silva, relata que o hospital contava com três médicos de plantão, que dormiam enquanto seu pai esperava atendimento. Ela ainda afirma que o hospital não contava com atendente nem enfermeiro no momento em que o pai dela chegou à unidade, por volta das 3h50.

Durante o tempo em que Francisco Joel aguardou atendimento, ele não chegou a sequer ser medicado ou ter a pressão medida. Mesmo a chegada de um enfermeiro, continua Joelma, não amenizou a situação. Ela diz que um profissional do hospital disse que não atenderia o caso, pois o acompanhante de Joel estaria “gritando” e “com abuso” e ela “estava em horário de folga”, portanto, “fazendo um favor”.

O vídeo feito por uma pessoa que acompanhava o idoso registra a indignação e a frustração pela espera, assim como a falta de amparo ao paciente. Confira:

Só por volta das 4h30, um médico examinou Joel. Não deu tempo. Ele desmaiou e faleceu, não tendo efeito o processo de reanimação.

Joelma pensa em processar o Município sob alegação de omissão de socorro. “Eu tenho os vídeos. As salas dos médicos desocupadas, tá tudo gravado…”

No Sistema de Verificação de Óbitos (SVO), um médico contou a ela que, por mais que o infarto fosse fulminante, socorro a tempo poderia ter salvado a vida dele. “Ele chegou andando e falando ao hospital”, indigna-se.

A necrópsia, no entanto, não foi feita. O procedimento só poderia ser feito no fim da tarde de quarta-feira, enquanto a família planejava velar o corpo em Jaguaribara,a 228 quilômetros de Maracanaú. O corpo de Joel chegou por volta das 13 horas ao SVO. “Se eu esperasse dar 6 horas da noite, para fazer a necrópsia, levar a para uma clínica e embalsamar o corpo do meu pai… Seria muito sofrimento”, justifica Joelma.

Em nota, a Prefeitura de Maracanaú prestou esclarecimentos sobre o caso. O órgão informa que será realizada uma rígida apuração e serão tomadas todas as medidas administrativas contra quem negligenciou ou não prestou o atendimento ao paciente. Além disso, a administração do hospital abriu sindicância para apurar detalhadamente o caso.

“Supostamente o incidente decorreu em virtude de falha dos profissionais, não por falta de médicos contratados para atender no hospital; a Gestão Municipal jamais aceitará tal conduta e irá punir com todo rigor os envolvidos após a completa apuração dos fatos, para que incidentes deste tipo não se repitam. Por último, a Gestão Municipal lamenta profundamente o ocorrido e presta solidariedade à família de Francisco Joel pela irreparável perda”.

A prefeitura ainda ressaltou que investe para que o hospital garanta o amplo atendimento à população. “São oito médicos no atendimento emergencial, sendo três nos consultórios da emergência adulto, dois na cirurgia, dois na emergência infantil e um no eixo vermelho”.