Estudantes cearenses desenvolvem analgésicos a base do veneno de cobra e sapo
MENOS DOR NO PACIENTE

Estudantes cearenses desenvolvem analgésicos a base do veneno de cobra e sapo

Os estudantes da Uece estão criando um remédio que deve ser mais eficaz no combate às dores do que a morfina

Por Tribuna Bandnews FM em Saúde

20 de junho de 2017 às 06:45

Há 2 meses
A cobra cascavel está sendo utilizada para o desenvolvimento do analgésico (FOTO: Divulgação)

A cobra cascavel está sendo utilizada para o desenvolvimento do analgésico (FOTO: Divulgação)

É dentro de um laboratório de 100 metros quadrados que cinco estudantes e um professor da Universidade Estadual do Ceará (Uece) desenvolvem uma pesquisa que extrai do veneno da cobra cascavel e do sapo cururu uma substância exclusiva dos animais da biodiversidade do Nordeste, que é até 200% mais potente que a morfina.

Segundo a Secretaria de Saúde do Estado, o medicamento está classificado como Componente Especializado da Assistência Farmacêutica de alto custo. Só no ano passado, o Ceará gastou quase R$ 92 milhões na compra da morfina para pacientes ambulatoriais.

O remédio é muito utilizado no controle da dor crônica ou aguda intensa, no pós-operatório de cirurgias no tórax, rins ou tratamento contra o câncer. A ideia da pesquisa surgiu há 10 anos, quando o professor do curso de Medicina da Uece Krishnamurti de Morais estudava esses animais em Paris, na França.

“Retornando a Fortaleza nós pegamos esses animais, nosso sapo, nossa cascavel e verificamos que esses animais possuíam substâncias novas e fantásticas nesses venenos. Resolvemos então isolar desses animais esses analgésicos e tivemos sucesso pleno. Porque são substâncias muito potentes”, avalia, em entrevista à Rádio Tribuna BandNews FM, na série de reportagens: Pesquisas Científicas. 

Apesar de a morfina ser um analgésico natural derivado do ópio, que é uma planta, seu uso contínuo pode trazer efeitos colaterais para o corpo. Segundo anestesiologista Fabiana Freire, uma das principais preocupações dos profissionais da saúde é a dependência que o medicamento pode trazer ao corpo humano.

“Esses outros efeitos de náusea, vômito, realmente prendem o intestino. São preocupações desses efeitos que a gente sempre tem que ter com o paciente que está usando cronicamente”, alerta.

Foi preciso usar o medicamento apenas por três meses para a técnica de enfermagem Samara Lívia sentir os reflexos do uso contínuo da morfina no corpo. O medicamento foi receitado porque a paciente sentia dores muito fortes na cabeça, e não se conseguia identificar o seu problema.

“Uma dor insuportável parecia que estava fechando a minha cabeça, esmagando, mediante a minha dor, a doutora passou a morfina e foi o único medicamento que passou e aliviou essa dor. Eu tive que fazer uma avaliação mais rígida para saber que o problema era um dente ciso”, relembra.

A medicação era aplicada no hospital com o acompanhamento da médica. Mas essa realidade pode mudar com os resultados da pesquisa. Diferente da Samara, outros pacientes podem ter suas dores aliviadas sem adquirir as reações adversas do tratamento.

Segundo a estudante de doutorado que faz parte da equipe de pesquisa Gabriele Vitor, o novo analgésico pode ser usado também contra dor neuropática, que é associada a doenças que afetam o Sistema Nervoso Central. Os benefícios vão além do barateamento do remédio.

“O analgésico que estamos propondo não apresenta esses efeitos colaterais, por isso ele é importante. Ele é mais potente de 100% a 200% que a morfina”, explica.

Ela entrou para a equipe de pesquisa ainda esse ano e acha extremamente relevante para seu currículo fazer parte de estudos tão importantes como esse. A exemplo de Gabriele, outros estudantes dedicam horas de suas vidas nesse projeto.

Ainda de acordo com o professor Krishnamurti, a presença deles na pesquisa é essencial. O projeto, que tem parceria com o governo do estado e com a empresa Genpharma, está na fase de testes toxicológicos em animais. Em seguida a pesquisa vai ser encaminhada à Agência Nacional de Vigilância Sanitária. A expectativa é de que até o fim de 2018 a aplicação seja feita no homem.

O projeto, que tem parceria com o governo do estado e com a empresa Genpharma, está na fase de testes toxicológicos em animais. Em seguida a pesquisa vai ser encaminhada a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). A expectativa é de que até o fim de 2018 a aplicação seja feita no homem.

Ouça a reportagem da Rádio Tribuna BandNews FM completa:

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MENOS DOR NO PACIENTE

Estudantes cearenses desenvolvem analgésicos a base do veneno de cobra e sapo

Os estudantes da Uece estão criando um remédio que deve ser mais eficaz no combate às dores do que a morfina

Por Tribuna Bandnews FM em Saúde

20 de junho de 2017 às 06:45

Há 2 meses
A cobra cascavel está sendo utilizada para o desenvolvimento do analgésico (FOTO: Divulgação)

A cobra cascavel está sendo utilizada para o desenvolvimento do analgésico (FOTO: Divulgação)

É dentro de um laboratório de 100 metros quadrados que cinco estudantes e um professor da Universidade Estadual do Ceará (Uece) desenvolvem uma pesquisa que extrai do veneno da cobra cascavel e do sapo cururu uma substância exclusiva dos animais da biodiversidade do Nordeste, que é até 200% mais potente que a morfina.

Segundo a Secretaria de Saúde do Estado, o medicamento está classificado como Componente Especializado da Assistência Farmacêutica de alto custo. Só no ano passado, o Ceará gastou quase R$ 92 milhões na compra da morfina para pacientes ambulatoriais.

O remédio é muito utilizado no controle da dor crônica ou aguda intensa, no pós-operatório de cirurgias no tórax, rins ou tratamento contra o câncer. A ideia da pesquisa surgiu há 10 anos, quando o professor do curso de Medicina da Uece Krishnamurti de Morais estudava esses animais em Paris, na França.

“Retornando a Fortaleza nós pegamos esses animais, nosso sapo, nossa cascavel e verificamos que esses animais possuíam substâncias novas e fantásticas nesses venenos. Resolvemos então isolar desses animais esses analgésicos e tivemos sucesso pleno. Porque são substâncias muito potentes”, avalia, em entrevista à Rádio Tribuna BandNews FM, na série de reportagens: Pesquisas Científicas. 

Apesar de a morfina ser um analgésico natural derivado do ópio, que é uma planta, seu uso contínuo pode trazer efeitos colaterais para o corpo. Segundo anestesiologista Fabiana Freire, uma das principais preocupações dos profissionais da saúde é a dependência que o medicamento pode trazer ao corpo humano.

“Esses outros efeitos de náusea, vômito, realmente prendem o intestino. São preocupações desses efeitos que a gente sempre tem que ter com o paciente que está usando cronicamente”, alerta.

Foi preciso usar o medicamento apenas por três meses para a técnica de enfermagem Samara Lívia sentir os reflexos do uso contínuo da morfina no corpo. O medicamento foi receitado porque a paciente sentia dores muito fortes na cabeça, e não se conseguia identificar o seu problema.

“Uma dor insuportável parecia que estava fechando a minha cabeça, esmagando, mediante a minha dor, a doutora passou a morfina e foi o único medicamento que passou e aliviou essa dor. Eu tive que fazer uma avaliação mais rígida para saber que o problema era um dente ciso”, relembra.

A medicação era aplicada no hospital com o acompanhamento da médica. Mas essa realidade pode mudar com os resultados da pesquisa. Diferente da Samara, outros pacientes podem ter suas dores aliviadas sem adquirir as reações adversas do tratamento.

Segundo a estudante de doutorado que faz parte da equipe de pesquisa Gabriele Vitor, o novo analgésico pode ser usado também contra dor neuropática, que é associada a doenças que afetam o Sistema Nervoso Central. Os benefícios vão além do barateamento do remédio.

“O analgésico que estamos propondo não apresenta esses efeitos colaterais, por isso ele é importante. Ele é mais potente de 100% a 200% que a morfina”, explica.

Ela entrou para a equipe de pesquisa ainda esse ano e acha extremamente relevante para seu currículo fazer parte de estudos tão importantes como esse. A exemplo de Gabriele, outros estudantes dedicam horas de suas vidas nesse projeto.

Ainda de acordo com o professor Krishnamurti, a presença deles na pesquisa é essencial. O projeto, que tem parceria com o governo do estado e com a empresa Genpharma, está na fase de testes toxicológicos em animais. Em seguida a pesquisa vai ser encaminhada à Agência Nacional de Vigilância Sanitária. A expectativa é de que até o fim de 2018 a aplicação seja feita no homem.

O projeto, que tem parceria com o governo do estado e com a empresa Genpharma, está na fase de testes toxicológicos em animais. Em seguida a pesquisa vai ser encaminhada a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). A expectativa é de que até o fim de 2018 a aplicação seja feita no homem.

Ouça a reportagem da Rádio Tribuna BandNews FM completa: