Cearenses desenvolvem alga para combater proliferação do mosquito da dengue

BIOTECNOLOGIA

Cearenses desenvolvem alga para combater proliferação do mosquito da dengue

O objetivo é que a microalga excrete uma proteína tóxica para as larvas do mosquito, que acabariam morrendo

Por Tribuna do Ceará em Saúde

3 de Março de 2017 às 15:33

Há 10 meses

Grupo de alunos do Curso de Biotecnologia desenvolve projeto de combate às larvas do Aedes aegypti (FOTO: Viktor Braga/UFC)

Estudantes cearenses fazem parte do desenvolvimento de um projeto que objetiva combater a proliferação do mosquito Aedes aegypti, com microalgas geneticamente modificadas (GM). O inseto é responsável pela transmissão de doenças como dengue, zika vírus, febre chikungunya e febre amarela.

Um time composto por 13 estudantes da graduação e pós-graduação da Universidade Federal do Ceará (UFC) e da Universidade de Brasília (UnB), além de três profissionais da UFC, trabalha para modificar a espécie de água doce Chlamydomonas reinhardtii.

Segundo Larissa Queiroz, graduada em Biotecnologia, a ideia é fazer com que a espécie produza uma proteína inseticida (chamada Cry) e seja colocada em caixas d’água e outros locais onde o Aedes aegypti costuma se reproduzir. “Nosso

. E não haveria nenhum risco para o homem ou animais caso consumissem essa água”, destaca.

Esses seres unicelulares, visíveis apenas no microscópio, foram escolhidos pelo time porque já têm o genoma totalmente sequenciado, são bem resistentes, sobrevivem até em ambiente salino, e porque há uma vasta literatura sobre eles. Já o projeto relacionado ao mosquito da dengue foi escolhido por sua urgência e relevância social, aponta o estudante Marcus Rafael Lobo Bezerra.

O professor e orientador da UFC André Luís Coelho já fechou uma parceria com a Universidade do Minho, em Portugal, para estudar as microalgas. Ele afirma que o processo que se pretende com as microalgas já foi testado anteriormente em bactérias, leveduras e células de plantas. Para o orientador, o trabalho com as Chlamydomonas vai ajudar os estudantes a ter uma visão mais empreendedora, inovadora e prática da ciência. “Eles vão conseguir pensar na pesquisa como um produto, como algo viável e direcionado à sociedade; aí mora o segredo da aplicação da biotecnologia”, enfatiza.

Os estudantes planejam se inscrever, com o projeto, no International Genetically Engineered Machine (iGEM), um torneio internacional sobre biologia sintética realizado pelo Massachusetts Institute of Technology (MIT). Na competição, que terá sua próxima edição de 9 a 13 de novembro, em Boston, os participantes deverão desenvolver ações com impacto social. Entre os planos do time, está a realização de minicursos e palestras sobre a pesquisa em escolas públicas, para alunos do ensino médio.

“Se conseguirmos concluir todas as etapas da transformação genética das microalgas com os genes de interesse até outubro, a ideia é fazer a inscrição do projeto nas próximas edições do iGEM, para que nossos alunos possam apresentar a pesquisa lá fora”, explica André Luís. A meta do grupo da UFC é colaborar para que o projeto se transforme em um produto que chegue, de fato, às casas das pessoas.

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BIOTECNOLOGIA

Cearenses desenvolvem alga para combater proliferação do mosquito da dengue

O objetivo é que a microalga excrete uma proteína tóxica para as larvas do mosquito, que acabariam morrendo

Por Tribuna do Ceará em Saúde

3 de Março de 2017 às 15:33

Há 10 meses

Grupo de alunos do Curso de Biotecnologia desenvolve projeto de combate às larvas do Aedes aegypti (FOTO: Viktor Braga/UFC)

Estudantes cearenses fazem parte do desenvolvimento de um projeto que objetiva combater a proliferação do mosquito Aedes aegypti, com microalgas geneticamente modificadas (GM). O inseto é responsável pela transmissão de doenças como dengue, zika vírus, febre chikungunya e febre amarela.

Um time composto por 13 estudantes da graduação e pós-graduação da Universidade Federal do Ceará (UFC) e da Universidade de Brasília (UnB), além de três profissionais da UFC, trabalha para modificar a espécie de água doce Chlamydomonas reinhardtii.

Segundo Larissa Queiroz, graduada em Biotecnologia, a ideia é fazer com que a espécie produza uma proteína inseticida (chamada Cry) e seja colocada em caixas d’água e outros locais onde o Aedes aegypti costuma se reproduzir. “Nosso

. E não haveria nenhum risco para o homem ou animais caso consumissem essa água”, destaca.

Esses seres unicelulares, visíveis apenas no microscópio, foram escolhidos pelo time porque já têm o genoma totalmente sequenciado, são bem resistentes, sobrevivem até em ambiente salino, e porque há uma vasta literatura sobre eles. Já o projeto relacionado ao mosquito da dengue foi escolhido por sua urgência e relevância social, aponta o estudante Marcus Rafael Lobo Bezerra.

O professor e orientador da UFC André Luís Coelho já fechou uma parceria com a Universidade do Minho, em Portugal, para estudar as microalgas. Ele afirma que o processo que se pretende com as microalgas já foi testado anteriormente em bactérias, leveduras e células de plantas. Para o orientador, o trabalho com as Chlamydomonas vai ajudar os estudantes a ter uma visão mais empreendedora, inovadora e prática da ciência. “Eles vão conseguir pensar na pesquisa como um produto, como algo viável e direcionado à sociedade; aí mora o segredo da aplicação da biotecnologia”, enfatiza.

Os estudantes planejam se inscrever, com o projeto, no International Genetically Engineered Machine (iGEM), um torneio internacional sobre biologia sintética realizado pelo Massachusetts Institute of Technology (MIT). Na competição, que terá sua próxima edição de 9 a 13 de novembro, em Boston, os participantes deverão desenvolver ações com impacto social. Entre os planos do time, está a realização de minicursos e palestras sobre a pesquisa em escolas públicas, para alunos do ensino médio.

“Se conseguirmos concluir todas as etapas da transformação genética das microalgas com os genes de interesse até outubro, a ideia é fazer a inscrição do projeto nas próximas edições do iGEM, para que nossos alunos possam apresentar a pesquisa lá fora”, explica André Luís. A meta do grupo da UFC é colaborar para que o projeto se transforme em um produto que chegue, de fato, às casas das pessoas.