Ceará ganha 1° banco de pele animal do Brasil, para avanço dos estudos com pele de tilápia

REFERÊNCIA MUNDIAL

Ceará ganha 1° banco de pele animal do Brasil, para avanço dos estudos com pele de tilápia

O centro será em breve o primeiro banco de pele de animal aquático no mundo, evolução revolucionária no tratamento de pacientes queimados

Por Jéssica Welma em Saúde

12 de julho de 2017 às 06:30

Há 5 meses
Pele de Tilápia tem mostrado eficiência no tratamento de queimaduras. (Foto: Arquivo pessoal)

Pele de tilápia tem mostrado eficiência no tratamento de queimaduras. (Foto: Arquivo pessoal)

Pela primeira vez na história, o Brasil terá um banco de pele animal. E sediado no Ceará. Ele surgiu a partir dos estudos sobre o uso da pele de tilápia para o tratamento de queimaduras, e é o primeiro do mundo de pele de animal aquático.

O equipamento será inaugurado na quinta-feira (13), em parceria do Núcleo de Pesquisa e Desenvolvimento de Medicamentos da Universidade Federal do Ceará (UFC) e o Instituto de Apoio ao Queimado.

No Brasil, na rede pública de saúde, o tratamento local das queimaduras é feito com a pomada sulfadiazina de prata, na grande maioria dos serviços de queimados.

O Brasil jamais teve uma pele animal registrada na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e disponibilizada pelo SUS (Sistema Único de Saúde), para uso nos pacientes queimados.

A ideia da aplicação da pele de tilápia no tratamento de queimados surgiu em 2011, quando o médico pernambucano e cirurgião plástico Marcelo Borges leu reportagem sobre o descarte da pele do animal. Ele compartilhou a proposta de estudar a aplicação da pele com o cirurgião plástico cearense Edmar Maciel, que mobilizou outros pesquisadores no Estado. Dezenas de profissionais de áreas diversas estão envolvidos na pesquisa.

Piscicultura

Inicialmente, os pesquisadores foram conhecer a piscicultura no açude Castanhão, em Jaguaribara, para entender sobre a criação da tilápia, que chegou ao Brasil em 1956. A Tilápia do Nilo, de onde são removidas as peles para este estudo, chegou pela primeira vez no Brasil em 1971, entrando pelo Ceará.

Após ser detectado que a pele apresenta boa quantidade de colágeno tipo 1, boa resistência à tração e umidade, semelhantes à pele humana, além de outros benefícios, os resultados foram apresentados para a Anvisa.

Estudos com a pele de tilápia têm sido feitos no IJF. Foto: Reprodução

Estudos com a pele de tilápia têm sido feitos no IJF. (Foto: Reprodução)

 

Estudo em humanos

O estudo em humanos começou em 16 de julho no Instituto José Frota (IJF) – referência no atendimento de queimados no País. 60 pacientes com queimaduras de segundo grau foram submetidos ao tratamento com a pele de tilápia.

O material resultou em boa aderência à ferida, evitando contaminação externa e a perda de líquidos, além de não ser necessária a remoção até a completa cicatrização. O estudo comprovou diminuição na dor e no desconforto do tratamento com a pele da tilápia, menor trabalho da equipe e redução os custos.

Anvisa

Desde abril de 2017, a pesquisa com a pele de tilápia está na última etapa de análise clínica para a aprovação do uso pela Anvisa. 120 pacientes vítimas de queimaduras fazem parte do trabalho de avaliação da dor durante aplicação do curativo.

Também está em andamento um estudo com 30 crianças vítimas de queimaduras e uma pesquisa comparativa dos custos entre o tratamento com pele de tilápia e a sulfadiazina de prata.

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Ceará ganha 1° banco de pele animal do Brasil, para avanço dos estudos com pele de tilápia

O centro será em breve o primeiro banco de pele de animal aquático no mundo, evolução revolucionária no tratamento de pacientes queimados

Por Jéssica Welma em Saúde

12 de julho de 2017 às 06:30

Há 5 meses
Pele de Tilápia tem mostrado eficiência no tratamento de queimaduras. (Foto: Arquivo pessoal)

Pele de tilápia tem mostrado eficiência no tratamento de queimaduras. (Foto: Arquivo pessoal)

Pela primeira vez na história, o Brasil terá um banco de pele animal. E sediado no Ceará. Ele surgiu a partir dos estudos sobre o uso da pele de tilápia para o tratamento de queimaduras, e é o primeiro do mundo de pele de animal aquático.

O equipamento será inaugurado na quinta-feira (13), em parceria do Núcleo de Pesquisa e Desenvolvimento de Medicamentos da Universidade Federal do Ceará (UFC) e o Instituto de Apoio ao Queimado.

No Brasil, na rede pública de saúde, o tratamento local das queimaduras é feito com a pomada sulfadiazina de prata, na grande maioria dos serviços de queimados.

O Brasil jamais teve uma pele animal registrada na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e disponibilizada pelo SUS (Sistema Único de Saúde), para uso nos pacientes queimados.

A ideia da aplicação da pele de tilápia no tratamento de queimados surgiu em 2011, quando o médico pernambucano e cirurgião plástico Marcelo Borges leu reportagem sobre o descarte da pele do animal. Ele compartilhou a proposta de estudar a aplicação da pele com o cirurgião plástico cearense Edmar Maciel, que mobilizou outros pesquisadores no Estado. Dezenas de profissionais de áreas diversas estão envolvidos na pesquisa.

Piscicultura

Inicialmente, os pesquisadores foram conhecer a piscicultura no açude Castanhão, em Jaguaribara, para entender sobre a criação da tilápia, que chegou ao Brasil em 1956. A Tilápia do Nilo, de onde são removidas as peles para este estudo, chegou pela primeira vez no Brasil em 1971, entrando pelo Ceará.

Após ser detectado que a pele apresenta boa quantidade de colágeno tipo 1, boa resistência à tração e umidade, semelhantes à pele humana, além de outros benefícios, os resultados foram apresentados para a Anvisa.

Estudos com a pele de tilápia têm sido feitos no IJF. Foto: Reprodução

Estudos com a pele de tilápia têm sido feitos no IJF. (Foto: Reprodução)

 

Estudo em humanos

O estudo em humanos começou em 16 de julho no Instituto José Frota (IJF) – referência no atendimento de queimados no País. 60 pacientes com queimaduras de segundo grau foram submetidos ao tratamento com a pele de tilápia.

O material resultou em boa aderência à ferida, evitando contaminação externa e a perda de líquidos, além de não ser necessária a remoção até a completa cicatrização. O estudo comprovou diminuição na dor e no desconforto do tratamento com a pele da tilápia, menor trabalho da equipe e redução os custos.

Anvisa

Desde abril de 2017, a pesquisa com a pele de tilápia está na última etapa de análise clínica para a aprovação do uso pela Anvisa. 120 pacientes vítimas de queimaduras fazem parte do trabalho de avaliação da dor durante aplicação do curativo.

Também está em andamento um estudo com 30 crianças vítimas de queimaduras e uma pesquisa comparativa dos custos entre o tratamento com pele de tilápia e a sulfadiazina de prata.