Casos de sífilis congênita em Fortaleza se mantém alta; 567 casos foram registrados em 2017

ALERTA À PREVENÇÃO

Casos de sífilis congênita em Fortaleza se mantém alta; 567 casos foram registrados em 2017

O número de casos de sífilis congênita em Fortaleza é considera alta e muito acima da meta estabelecida pela Organização Mundial da Saúde (OMS)

Por Daniel Rocha em Saúde

28 de outubro de 2017 às 06:47

Há 4 semanas

Nos últimos anos, Fortaleza registrou uma taxa de detecção de 15,5 casos por 100 mil nascidos vivos (FOTO: Agência Brasil)

A cidade Fortaleza apresenta número expressivo de casos de sífilis congênita neste ano. Segundo os dados da Vigilância Epidemiológica da Secretaria Municipal de Saúde, em 2016, foram registrados 773 casos. Até o mês de setembro de 2017, 567 bebês contraíram a doença por transmissão vertical, quando o contágio ocorre de mãe para o filho.

Segundo o Coordenador da Área Técnica de Infecções Sexualmente Transmissíveis (IST)/Aids e hepatites virais de Fortaleza, Marcos Paiva, a taxa de detecção em Fortaleza tem atingido uma  média de 15,5 casos por mil nascidos vivos nos últimos três anos. O índice está bem acima do que a Organização Mundial de Saúde preconiza como desejável: 0,5 casos por mil nascidos vivos.

O coordenador aponta como maior dificuldade em convencer o parceiro das gestantes ou das mulheres acometidas pela doença a realizarem o tratamento. “As gestantes e as crianças são as mais fáceis. A dificuldade maior é em relação ao parceiro porque ela volta a se infectar”, explica.

De acordo com ele, o tratamento é simples e de fácil acesso nas unidades de atendimento primário do Sistema Único de Saúde (SUS). Durante as consultas de pré-natal, as pacientes realizam o teste de sífilis e, caso o resultado seja positivo, irão ser submetidas ao tratamento para que não ocorra a transmissão da doença para o bebê.

“Na unidade básica de saúde, ela vai ser tratada com penicilina benzatina que garante a não transmissão para o feto. Esse procedimento deve ocorrer no máximo um mês antes do parto. Caso contrário, o tratamento não será eficaz”, ressalta.

Os parceiros das gestantes também devem ser submetido ao medicamento pelo mesmo período. Marcos explica que o tratamento corresponde a duas injeções por semana durante por três semanas.

Realidade Nacional

Segundo o Boletim Epidemiológico de Sífilis de 2016, disponibilizado pelo Ministério da Saúde, nos últimos sete anos o Brasil tem apresentado um aumento de 176% no números de casos de 2010 a 2015. Entretanto, o País conseguiu reduzir em 53% em 2016. De acordo com Marcos, a explicação para esse “boom” de sífilis congênita deve-se a falta de produção do laboratório responsável pelo fornecimento do penicilina benzatina.

“Um laboratório no mundo produz a matéria-prima para a produção desse medicamento conforme as restrições da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa)”, alegou o coordenador. De acordo com ele, os órgãos responsáveis pelo SUS compraram os medicamentos que estavam em estoque em outros laboratórios, mas com um preço mais alto.

O professor do curso de medicina da Universidade Federal do Ceará (UFC) e infectologista, Guilherme Henn, aponta que o aumento da oferta de serviços que diagnosticam a doença tem contribuído para o crescimento dos índices de infecção. Os casos que não eram notificados passaram a ser.

“Havia subnotificação de alguns casos. A gente tinha muitos casos de sífilis, mas não apareciam na estatística. A melhoria do pré-natal e os testes de sífilis fizeram que os índices aumentassem”, ressalta. Além disso, devido à recessão econômica, o País encontrou dificuldades de alcançar o índice estabelecido pela OMS. “Para a OMS, é inadimissível que se tenha taxas altas no Brasil”, pontua.

A camisinha é a medida preventiva mais eficaz para evitar a transmissão da doença (FOTO: Rovena Rosa/Agência Brasil)

O que é Sífilis?

A sífilis é uma doença sexualmente transmissível, causada pela bactéria Treponema Pallidum. De acordo com Marcos Paiva, o primeiro sintoma da doença é o aparecimento de ferimentos indolores na região genital. Nos casos das mulheres, podem aparecer na região interna órgão genital feminino.

Esse sintomas podem sumir com o tempo e, logo depois, podem surgir manchas na palma da mão e nos pés. “São manchas podem se espalhar pelo corpo e também vão sumir sozinhas”, esclarece. Segundo o coordenador, o contágio ocorre quando a pessoa tem o contato direto com a lesão por isso que a transmissão ser mais comum nas relações sexuais.

“É uma doença totalmente curável. Quando a criança contrai a doença por meio da mãe, pode ter sequelas como cegueira, surdez e até mesmo ir a óbito. E nós temos ampliado a distribuição de preservativos masculinos quanto femininos. Além disso, temos feito testes rápidos para sífilis. Caso o resultado der positivo, o paciente é encaminhado para um atendimento médico”, diz Marcos sobre as medidas de prevenção.

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Casos de sífilis congênita em Fortaleza se mantém alta; 567 casos foram registrados em 2017

O número de casos de sífilis congênita em Fortaleza é considera alta e muito acima da meta estabelecida pela Organização Mundial da Saúde (OMS)

Por Daniel Rocha em Saúde

28 de outubro de 2017 às 06:47

Há 4 semanas

Nos últimos anos, Fortaleza registrou uma taxa de detecção de 15,5 casos por 100 mil nascidos vivos (FOTO: Agência Brasil)

A cidade Fortaleza apresenta número expressivo de casos de sífilis congênita neste ano. Segundo os dados da Vigilância Epidemiológica da Secretaria Municipal de Saúde, em 2016, foram registrados 773 casos. Até o mês de setembro de 2017, 567 bebês contraíram a doença por transmissão vertical, quando o contágio ocorre de mãe para o filho.

Segundo o Coordenador da Área Técnica de Infecções Sexualmente Transmissíveis (IST)/Aids e hepatites virais de Fortaleza, Marcos Paiva, a taxa de detecção em Fortaleza tem atingido uma  média de 15,5 casos por mil nascidos vivos nos últimos três anos. O índice está bem acima do que a Organização Mundial de Saúde preconiza como desejável: 0,5 casos por mil nascidos vivos.

O coordenador aponta como maior dificuldade em convencer o parceiro das gestantes ou das mulheres acometidas pela doença a realizarem o tratamento. “As gestantes e as crianças são as mais fáceis. A dificuldade maior é em relação ao parceiro porque ela volta a se infectar”, explica.

De acordo com ele, o tratamento é simples e de fácil acesso nas unidades de atendimento primário do Sistema Único de Saúde (SUS). Durante as consultas de pré-natal, as pacientes realizam o teste de sífilis e, caso o resultado seja positivo, irão ser submetidas ao tratamento para que não ocorra a transmissão da doença para o bebê.

“Na unidade básica de saúde, ela vai ser tratada com penicilina benzatina que garante a não transmissão para o feto. Esse procedimento deve ocorrer no máximo um mês antes do parto. Caso contrário, o tratamento não será eficaz”, ressalta.

Os parceiros das gestantes também devem ser submetido ao medicamento pelo mesmo período. Marcos explica que o tratamento corresponde a duas injeções por semana durante por três semanas.

Realidade Nacional

Segundo o Boletim Epidemiológico de Sífilis de 2016, disponibilizado pelo Ministério da Saúde, nos últimos sete anos o Brasil tem apresentado um aumento de 176% no números de casos de 2010 a 2015. Entretanto, o País conseguiu reduzir em 53% em 2016. De acordo com Marcos, a explicação para esse “boom” de sífilis congênita deve-se a falta de produção do laboratório responsável pelo fornecimento do penicilina benzatina.

“Um laboratório no mundo produz a matéria-prima para a produção desse medicamento conforme as restrições da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa)”, alegou o coordenador. De acordo com ele, os órgãos responsáveis pelo SUS compraram os medicamentos que estavam em estoque em outros laboratórios, mas com um preço mais alto.

O professor do curso de medicina da Universidade Federal do Ceará (UFC) e infectologista, Guilherme Henn, aponta que o aumento da oferta de serviços que diagnosticam a doença tem contribuído para o crescimento dos índices de infecção. Os casos que não eram notificados passaram a ser.

“Havia subnotificação de alguns casos. A gente tinha muitos casos de sífilis, mas não apareciam na estatística. A melhoria do pré-natal e os testes de sífilis fizeram que os índices aumentassem”, ressalta. Além disso, devido à recessão econômica, o País encontrou dificuldades de alcançar o índice estabelecido pela OMS. “Para a OMS, é inadimissível que se tenha taxas altas no Brasil”, pontua.

A camisinha é a medida preventiva mais eficaz para evitar a transmissão da doença (FOTO: Rovena Rosa/Agência Brasil)

O que é Sífilis?

A sífilis é uma doença sexualmente transmissível, causada pela bactéria Treponema Pallidum. De acordo com Marcos Paiva, o primeiro sintoma da doença é o aparecimento de ferimentos indolores na região genital. Nos casos das mulheres, podem aparecer na região interna órgão genital feminino.

Esse sintomas podem sumir com o tempo e, logo depois, podem surgir manchas na palma da mão e nos pés. “São manchas podem se espalhar pelo corpo e também vão sumir sozinhas”, esclarece. Segundo o coordenador, o contágio ocorre quando a pessoa tem o contato direto com a lesão por isso que a transmissão ser mais comum nas relações sexuais.

“É uma doença totalmente curável. Quando a criança contrai a doença por meio da mãe, pode ter sequelas como cegueira, surdez e até mesmo ir a óbito. E nós temos ampliado a distribuição de preservativos masculinos quanto femininos. Além disso, temos feito testes rápidos para sífilis. Caso o resultado der positivo, o paciente é encaminhado para um atendimento médico”, diz Marcos sobre as medidas de prevenção.