Tentativa de soltar ex-presidente Lula divide opiniões em Fortaleza

IMPASSE

Tentativa de soltar ex-presidente Lula divide opiniões em Fortaleza

Na opinião do advogado com atuação em direito eleitoral, Djalma Pinto, o vai-e-vem de medidas judiciais que envolvem a prisão do ex-presidente pode se repetir até o início das eleições

Por Tribuna Bandnews FM em Política

9 de julho de 2018 às 17:31

Há 4 meses
Lula teve o habeas corpus negado (FOTO: Agência Brasil)

Lula teve o habeas corpus negado (FOTO: Agência Brasil)

Depois de idas e vindas na justiça neste domingo (8), o ex-presidente Lula continua preso. O petista teve o habeas corpus concedido pelo desembargador plantonista do TRF4, Rogério Favreto, mas anulado em seguida pelo relator das ações da Operação Lava Jato no mesmo Tribunal, João Pedro Gebran Neto.

A medida também veio após o juiz Sérgio Moro questionar a competência de Favret para conceder liberdade a Lula.

Pelo menos sete despachos divergentes sobre a soltura foram emitidos em 10 horas, o que causou um vaivém judicial, que só teve fim depois que o presidente do Tribunal Regional Federal da Quarta Região, Thompson Flores, decidiu manter a prisão.

Na opinião do advogado com atuação em direito eleitoral, Djalma Pinto, o vai-e-vem de medidas judiciais que envolvem a prisão do ex-presidente pode se repetir até o início das convenções partidárias.

“Lamentavelmente nós poderemos conviver com isso. Infelizmente, não formamos pessoas com maturidade suficiente para o execício do poder. Seja no âmbito do legislativo, executivo ou judiciário. A prova disso é que temos mais de 150 deputados e senadores indiciados ou denunciados no Supremo Tribunal Federal (STF)”.

Tal impasse jurídico foi visto pela especialista política, Carla Michele, como um enfraquecimento da democracia brasileira.

“Temos no Brasil algumas situações de indivíduos que cumprindo pena conseguiram uma candidatura. Mas, nesse caso, estamos tratando de uma campanha presidencial. O mínimo que a sociedade espera é que haja muita clareza no posicionamento da justiça. A insegurança de uma decisão monocrática, tomada por um desembargador, pode gerar uma instabilidade muito grande para o país”, conta Carla. 

Segundo a especialista, mesmo que ganhe liberdade, o ex-presidente continua inelegível e precisaria de uma nova análise da Corte Eleitoral e do STJ para conseguir registrar candidatura. Até lá, a cientista política acredita que a estratégia da legenda petista indicar um nome próprio para a disputa presidencial ganhe força e descarte possíveis alianças.

Já para o especialista Josênio Parente, se o cenário ainda mudar e Lula ganhe a liberdade, ele também poderá ser favorecido no julgamento da inelegibilidade. Caso contrário, o cientista vislumbra um quadro favorável a Ciro Gomes na ala esquerdista.

“Isso só reforça a possibilidade dele ser candidato. Quem ganharia se ele não conseguisse (a candidatura) seria o Ciro Gomes. Porque ele tem um discurso voltado para esquerda e poderia conseguir votos suficientes para ir ao segundo turno”.

Recente pesquisa de intenções de votos feita pelo portal Data Poder 360, sem a presença do ex-presidente Lula, aponta a liderança do candidato à presidência da república, Jair Bolsonaro, do PSL, com 21%. Em segundo, está o cearense Ciro Gomes, do PDT, com 13%. Com oito, Geraldo Alckmin, do PSDB, figura em terceiro lugar. Em seguida, aparecem Marina Silva, da REDE, e Fernando Haddad, do PT, com 7% e 6%.

Confira as entrevista realizadas pela Rádio Tribuna BandNews/FM:

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Na opinião do advogado com atuação em direito eleitoral, Djalma Pinto, o vai-e-vem de medidas judiciais que envolvem a prisão do ex-presidente pode se repetir até o início das eleições

Por Tribuna Bandnews FM em Política

9 de julho de 2018 às 17:31

Há 4 meses
Lula teve o habeas corpus negado (FOTO: Agência Brasil)

Lula teve o habeas corpus negado (FOTO: Agência Brasil)

Depois de idas e vindas na justiça neste domingo (8), o ex-presidente Lula continua preso. O petista teve o habeas corpus concedido pelo desembargador plantonista do TRF4, Rogério Favreto, mas anulado em seguida pelo relator das ações da Operação Lava Jato no mesmo Tribunal, João Pedro Gebran Neto.

A medida também veio após o juiz Sérgio Moro questionar a competência de Favret para conceder liberdade a Lula.

Pelo menos sete despachos divergentes sobre a soltura foram emitidos em 10 horas, o que causou um vaivém judicial, que só teve fim depois que o presidente do Tribunal Regional Federal da Quarta Região, Thompson Flores, decidiu manter a prisão.

Na opinião do advogado com atuação em direito eleitoral, Djalma Pinto, o vai-e-vem de medidas judiciais que envolvem a prisão do ex-presidente pode se repetir até o início das convenções partidárias.

“Lamentavelmente nós poderemos conviver com isso. Infelizmente, não formamos pessoas com maturidade suficiente para o execício do poder. Seja no âmbito do legislativo, executivo ou judiciário. A prova disso é que temos mais de 150 deputados e senadores indiciados ou denunciados no Supremo Tribunal Federal (STF)”.

Tal impasse jurídico foi visto pela especialista política, Carla Michele, como um enfraquecimento da democracia brasileira.

“Temos no Brasil algumas situações de indivíduos que cumprindo pena conseguiram uma candidatura. Mas, nesse caso, estamos tratando de uma campanha presidencial. O mínimo que a sociedade espera é que haja muita clareza no posicionamento da justiça. A insegurança de uma decisão monocrática, tomada por um desembargador, pode gerar uma instabilidade muito grande para o país”, conta Carla. 

Segundo a especialista, mesmo que ganhe liberdade, o ex-presidente continua inelegível e precisaria de uma nova análise da Corte Eleitoral e do STJ para conseguir registrar candidatura. Até lá, a cientista política acredita que a estratégia da legenda petista indicar um nome próprio para a disputa presidencial ganhe força e descarte possíveis alianças.

Já para o especialista Josênio Parente, se o cenário ainda mudar e Lula ganhe a liberdade, ele também poderá ser favorecido no julgamento da inelegibilidade. Caso contrário, o cientista vislumbra um quadro favorável a Ciro Gomes na ala esquerdista.

“Isso só reforça a possibilidade dele ser candidato. Quem ganharia se ele não conseguisse (a candidatura) seria o Ciro Gomes. Porque ele tem um discurso voltado para esquerda e poderia conseguir votos suficientes para ir ao segundo turno”.

Recente pesquisa de intenções de votos feita pelo portal Data Poder 360, sem a presença do ex-presidente Lula, aponta a liderança do candidato à presidência da república, Jair Bolsonaro, do PSL, com 21%. Em segundo, está o cearense Ciro Gomes, do PDT, com 13%. Com oito, Geraldo Alckmin, do PSDB, figura em terceiro lugar. Em seguida, aparecem Marina Silva, da REDE, e Fernando Haddad, do PT, com 7% e 6%.

Confira as entrevista realizadas pela Rádio Tribuna BandNews/FM: