"Se fosse presidente, demitiria esse ministro hoje", diz Camilo diante de pressão por reforma da previdência

REAÇÃO DOS GOVERNADORES

“Se fosse presidente, demitiria esse ministro hoje”, diz Camilo diante de pressão por reforma da previdência

O governador criticou falta de diálogo sobre a reforma da Previdência e rebateu a pressão do ministro Carlos Marun

Por Jéssica Welma em Política

27 de dezembro de 2017 às 10:52

Há 4 meses
Camilo Santana criticou reforma da Previdência em entrevista. (Foto: Jéssica Welma / Tribuna do Ceará)

Camilo Santana criticou reforma da Previdência em entrevista. (Foto: Jéssica Welma / Tribuna do Ceará)

Atualizada às 19h19min

O governador do Ceará, Camilo Santana (PT), foi enfático contra a pressão do Governo Temer para aprovar a reforma da Previdência Social. Em entrevista na rádio Tribuna BandNews FM, nesta quarta-feira (27), Camilo anunciou carta de governadores do Nordeste contra o ministro da Secretaria de Governo, Carlos Marun (PMDB), e disse: “Se eu fosse presidente, demitiria esse ministro hoje mesmo”.

Na terça-feira (26), Marun afirmou que governadores interessados em receber recursos federais ou financiamentos junto a bancos públicos terão de ajudar o Governo Temer a aprovar a reforma na Previdência.

“Isso é uma vergonha. Resumindo: ‘só libero teus empréstimos se orientar seus deputados a votarem a favor da previdência’. Já mandei recado, dizendo que não conte com governador Camilo”, afirmou o chefe do Executivo.

A “reciprocidade” pedida pelo ministro de Temer desagradou governadores. Segundo Camilo, os líderes dos estados estão assinando uma carta ao presidente Michel Temer “dizendo que é inadmissível essa forma de fazer política no Brasil”.

Na carta, os governadores chamam o ato de “arbitrário” e “possível somente na vigência de ditaduras cruéis”. “Não hesitaremos em promover a responsabilidade política e jurídica dos agentes públicos envolvidos, caso a ameaça se confirme”, diz o texto.

Camilo lembrou ainda a pressão afeta especialmente governadores cujos estados passam por crise financeira e dependem de ajuda, como o Rio Grande do Norte.

Aposentadoria rural tem um fator muito mais social que previdenciário”

O governador disse ser contra a reforma da Previdência na forma proposta pelo atual governo. “A reforma não pode prejudicar as pessoas mais pobres. Quando você fala em taxar contribuição de aposentado rural, é um crime. Vivemos em um país que tem diferenças regionais. Uma pessoa que vive no Nordeste, vive na seca, não pode ser tratado como quem mora no Paraná”, afirmou Camilo.

Para ele, o principal problema é a falta de diálogo do Governo. “É importante discutir uma reforma da previdência no Brasil, ter um diálogo sincero. A expectativa de vida aumentou, há uma fase transitória, mas não há diálogo”, pontuou.

Confira a carta dos governadores na íntegra:

“Os governadores do Nordeste vem manifestar profunda estranheza com declarações atribuídas ao Sr. Carlos Marun, ministro de articulação política. Segundo ele, a prática de atos jurídicos por parte da União seria condicionada a posições políticas dos governadores. Protestamos publicamente contra essa declaração e contra essa possibilidade, e não hesitaremos em promover a responsabilidade política e jurídica dos agentes públicos envolvidos, caso a ameaça se confirme. Vivemos em uma Federação, cláusula pétrea da Constituição, não se admitindo atos arbitrários para extrair alinhamentos políticos, algo possível somente na vigência de ditaduras cruéis. Esperamos que o presidente Michel Temer reoriente os seus auxiliares, a fim de coibir práticas inconstitucionais e criminosas.

Governadores do Nordeste”.

Procurados pela reportagem da Band News FM Fortaleza, os governos do Rio Grande do Norte, Maranhão, Piauí não responderam às ligações. Apenas o estado de Sergipe retornou, mas informando que não vai se pronunciar sobre o assunto.

Confira matéria da Rádio Tribuna Bandnews FM com as declarações de Camilo:

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REAÇÃO DOS GOVERNADORES

“Se fosse presidente, demitiria esse ministro hoje”, diz Camilo diante de pressão por reforma da previdência

O governador criticou falta de diálogo sobre a reforma da Previdência e rebateu a pressão do ministro Carlos Marun

Por Jéssica Welma em Política

27 de dezembro de 2017 às 10:52

Há 4 meses
Camilo Santana criticou reforma da Previdência em entrevista. (Foto: Jéssica Welma / Tribuna do Ceará)

Camilo Santana criticou reforma da Previdência em entrevista. (Foto: Jéssica Welma / Tribuna do Ceará)

Atualizada às 19h19min

O governador do Ceará, Camilo Santana (PT), foi enfático contra a pressão do Governo Temer para aprovar a reforma da Previdência Social. Em entrevista na rádio Tribuna BandNews FM, nesta quarta-feira (27), Camilo anunciou carta de governadores do Nordeste contra o ministro da Secretaria de Governo, Carlos Marun (PMDB), e disse: “Se eu fosse presidente, demitiria esse ministro hoje mesmo”.

Na terça-feira (26), Marun afirmou que governadores interessados em receber recursos federais ou financiamentos junto a bancos públicos terão de ajudar o Governo Temer a aprovar a reforma na Previdência.

“Isso é uma vergonha. Resumindo: ‘só libero teus empréstimos se orientar seus deputados a votarem a favor da previdência’. Já mandei recado, dizendo que não conte com governador Camilo”, afirmou o chefe do Executivo.

A “reciprocidade” pedida pelo ministro de Temer desagradou governadores. Segundo Camilo, os líderes dos estados estão assinando uma carta ao presidente Michel Temer “dizendo que é inadmissível essa forma de fazer política no Brasil”.

Na carta, os governadores chamam o ato de “arbitrário” e “possível somente na vigência de ditaduras cruéis”. “Não hesitaremos em promover a responsabilidade política e jurídica dos agentes públicos envolvidos, caso a ameaça se confirme”, diz o texto.

Camilo lembrou ainda a pressão afeta especialmente governadores cujos estados passam por crise financeira e dependem de ajuda, como o Rio Grande do Norte.

Aposentadoria rural tem um fator muito mais social que previdenciário”

O governador disse ser contra a reforma da Previdência na forma proposta pelo atual governo. “A reforma não pode prejudicar as pessoas mais pobres. Quando você fala em taxar contribuição de aposentado rural, é um crime. Vivemos em um país que tem diferenças regionais. Uma pessoa que vive no Nordeste, vive na seca, não pode ser tratado como quem mora no Paraná”, afirmou Camilo.

Para ele, o principal problema é a falta de diálogo do Governo. “É importante discutir uma reforma da previdência no Brasil, ter um diálogo sincero. A expectativa de vida aumentou, há uma fase transitória, mas não há diálogo”, pontuou.

Confira a carta dos governadores na íntegra:

“Os governadores do Nordeste vem manifestar profunda estranheza com declarações atribuídas ao Sr. Carlos Marun, ministro de articulação política. Segundo ele, a prática de atos jurídicos por parte da União seria condicionada a posições políticas dos governadores. Protestamos publicamente contra essa declaração e contra essa possibilidade, e não hesitaremos em promover a responsabilidade política e jurídica dos agentes públicos envolvidos, caso a ameaça se confirme. Vivemos em uma Federação, cláusula pétrea da Constituição, não se admitindo atos arbitrários para extrair alinhamentos políticos, algo possível somente na vigência de ditaduras cruéis. Esperamos que o presidente Michel Temer reoriente os seus auxiliares, a fim de coibir práticas inconstitucionais e criminosas.

Governadores do Nordeste”.

Procurados pela reportagem da Band News FM Fortaleza, os governos do Rio Grande do Norte, Maranhão, Piauí não responderam às ligações. Apenas o estado de Sergipe retornou, mas informando que não vai se pronunciar sobre o assunto.

Confira matéria da Rádio Tribuna Bandnews FM com as declarações de Camilo: