Higienização: projeto abriga crianças e adultos em situação de rua durante a Copa do Mundo


“Higienização”: projeto abriga crianças e adultos em situação de rua durante a Copa do Mundo

Em Fortaleza, crianças, adolescentes e adultos em situação de rua e/ou de mendicância são abordados por agentes sociais, que oferecem abrigo com lazer, proteção e conforto. Benefício é oferecido somente durante os dias da Copa, estritamente nos horários de realização dos jogos e da Fifa Fan Fest.

Por Pedro Alves em Política

14 de junho de 2014 às 10:59

Há 5 anos
Escola municipal Alba Frota

Escola municipal Alba Frota é um dos abrigos improvisados durante a Copa do Mundo em Fortaleza (foto: Pedro Alves/Tribuna do Ceará)

Enquanto o telão de 130 metros quadrados montado na Praia de Iracema transmite partida entre Espanha e Holanda, na arena da Fifa Fan Fest, em Fortaleza, duas cozinheiras se despedem do resto da equipe, na escola municipal São Rafael, que funciona a 700 metros dali. Na praia, centenas de estrangeiros e nativos desfrutam da cidade em megaestrutura montada para a transmissão dos jogos, enquanto as cozinheiras, antes de partir, avisam que a sopa do dia está pronta. A comida é destinada a pessoas em situação de rua que serão levadas para a escola, em ação que faz parte do esquema montado por Prefeitura e Governo do Ceará para evitar a presença dessas pessoas nos palcos da Copa do Mundo, nos horários dos eventos.

A Agenda de Convergência – nome oficial do projeto – teve início no dia 12 de junho, data de abertura da Copa, sem divulgação oficial por parte dos governos municipal e estadual. O esquema vai funcionar somente durante o período do mundial, chegando ao fim no dia 13 de julho, segundo uma das coordenadoras. Em todos esses dias, agentes sociais fazem “externa” em busca de identificar crianças e adultos em situação de rua, e a partir daí, realizar procedimentos para levá-los a um equipamento municipal, improvisado como abrigo.

Ao cruzar o portão da saída, uma das cozinheiras diz ao repórter do Tribuna do Ceará que até àquelas 16h – do dia 13 de junho, segundo dia de Copa – ninguém havia sido levado, ainda, para a escola São Rafael e que, por isso, a sopa seria tomada pelos agentes que atuam no projeto. No local, funcionários se recusaram a apresentar os espaços transformados em abrigos, sob justificativa de que era preciso falar com a “chefia” antes de liberar acesso ou informar algo. Não havia alunos nas escolas, devido às férias escolares. No caminho até a parada de ônibus, as cozinheiras fizeram comentários de revolta ao que chamaram de “maquiagem” para a Copa.

Equipes externas

Mais de 100 profissionais saem às ruas em busca das pessoas em situação de vulnerabilidade, segundo Ana Maria Cruz, servidora da Secretaria do Trabalho e Desenvolvimento Social (STDS) e uma das articuladoras da ação. O coordenador de gestão escolar da Secretaria Municipal de Educação (SME), João Lúcio Alcântara, informou que as buscas são feitas na região da Praia de Iracema, com foco no local onde está montada a Fifa Fan Fest, e nos arredores da Arena Castelão – palcos oficiais da Copa do Mundo em Fortaleza. Equipes se espalham também pelos bolsões de estacionamentos – nos dias de jogo na capital cearense -, terminais de ônibus e regiões estratégicas, como Barra do Ceará, Praia do Futuro e toda a extensão da avenida Beira Mar. “Os agentes fazem a abordagem social, supervisionam todos esses eventos e fazem o encaminhamento das crianças para as escolas”, explicou Ana Maria.

Os governos locais executam o projeto com foco na ação social. Segundo João Lúcio, o objetivo é resguardar crianças sujeitas à violência e à exploração sexual. Ele afirmou que, durante todos os dias da Copa, agentes identificam filhos de ambulantes que não tem onde ficar enquanto os pais trabalham e crianças encontradas sem a companhia de pais ou responsáveis. Ele negou que adultos e crianças em situação de rua sejam o público-alvo da medida, embora a informação tenha sido confirmada por Ana, da STDS, e também por um funcionário da Prefeitura destacado para atuar no projeto, ouvido pelo Tribuna do Ceará. “É criança, é adolescente, é adulto, é quem estiver em situação de rua”, explicou Ana Maria.

Copa nos abrigos

Segundo a assessoria de imprensa da Secretaria Municipal de Educação, haverá telões montados em dias de jogo, dentro dos abrigos, para que os abrigados acompanhem as partidas do mundial da Fifa. O planejamento da Agenda de Convergência inclui ainda atividades lúdicas, brincadeiras, orientações pedagógicas e até sessões de cinema, à noite, dentro dos espaços. Segundo João, ninguém dorme nos locais. “O espaço vai funcionar de 11 horas da manhã, até 11 horas da noite, que é justamente o horário da Fan Fest”, declarou ele.

João Lúcio informou ainda que, no momento da “abordagem social” ninguém é forçado a ir para os abrigos. O Tribuna do Ceará apurou que, no caso de crianças com pais identificados, os agentes conversam com as famílias e propõem a assinatura de um Termo de Responsabilidade, autorizando o abrigo da criança, estritamente durante o horário em que a Copa acontece na capital cearense. Segundo o coordenador, veículos foram disponibilizados pelos órgãos governamentais para fazer o transporte das pessoas em situação de vulnerabilidade.

AGENDADECONVERGENCIA

Clique na imagem para ampliar e ver detalhes

O Tribuna do Ceará teve acesso ao planejamento montado por órgãos municipais e estaduais envolvidos na ação (ver na imagem ao lado).

Integram a Agenda de Convergência as escolas municipais João Pordeus, localizada a 7 Km da Arena Castelão, e Alba Filho, a 2,5 Km da Fifa Fan Fest. O Tribuna do Ceará apurou que os centros municipais especializados em atender pessoas em situação de rua – os Centro Pop, que funcionam nos bairros Centro e Benfica – também fazem parte da rede de atendimento especial criada para a Copa. Há ainda um planejamento cujo objetivo é estender o projeto para as ocasiões de outros grandes eventos na cidade.

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“Higienização”: projeto abriga crianças e adultos em situação de rua durante a Copa do Mundo

Em Fortaleza, crianças, adolescentes e adultos em situação de rua e/ou de mendicância são abordados por agentes sociais, que oferecem abrigo com lazer, proteção e conforto. Benefício é oferecido somente durante os dias da Copa, estritamente nos horários de realização dos jogos e da Fifa Fan Fest.

Por Pedro Alves em Política

14 de junho de 2014 às 10:59

Há 5 anos
Escola municipal Alba Frota

Escola municipal Alba Frota é um dos abrigos improvisados durante a Copa do Mundo em Fortaleza (foto: Pedro Alves/Tribuna do Ceará)

Enquanto o telão de 130 metros quadrados montado na Praia de Iracema transmite partida entre Espanha e Holanda, na arena da Fifa Fan Fest, em Fortaleza, duas cozinheiras se despedem do resto da equipe, na escola municipal São Rafael, que funciona a 700 metros dali. Na praia, centenas de estrangeiros e nativos desfrutam da cidade em megaestrutura montada para a transmissão dos jogos, enquanto as cozinheiras, antes de partir, avisam que a sopa do dia está pronta. A comida é destinada a pessoas em situação de rua que serão levadas para a escola, em ação que faz parte do esquema montado por Prefeitura e Governo do Ceará para evitar a presença dessas pessoas nos palcos da Copa do Mundo, nos horários dos eventos.

A Agenda de Convergência – nome oficial do projeto – teve início no dia 12 de junho, data de abertura da Copa, sem divulgação oficial por parte dos governos municipal e estadual. O esquema vai funcionar somente durante o período do mundial, chegando ao fim no dia 13 de julho, segundo uma das coordenadoras. Em todos esses dias, agentes sociais fazem “externa” em busca de identificar crianças e adultos em situação de rua, e a partir daí, realizar procedimentos para levá-los a um equipamento municipal, improvisado como abrigo.

Ao cruzar o portão da saída, uma das cozinheiras diz ao repórter do Tribuna do Ceará que até àquelas 16h – do dia 13 de junho, segundo dia de Copa – ninguém havia sido levado, ainda, para a escola São Rafael e que, por isso, a sopa seria tomada pelos agentes que atuam no projeto. No local, funcionários se recusaram a apresentar os espaços transformados em abrigos, sob justificativa de que era preciso falar com a “chefia” antes de liberar acesso ou informar algo. Não havia alunos nas escolas, devido às férias escolares. No caminho até a parada de ônibus, as cozinheiras fizeram comentários de revolta ao que chamaram de “maquiagem” para a Copa.

Equipes externas

Mais de 100 profissionais saem às ruas em busca das pessoas em situação de vulnerabilidade, segundo Ana Maria Cruz, servidora da Secretaria do Trabalho e Desenvolvimento Social (STDS) e uma das articuladoras da ação. O coordenador de gestão escolar da Secretaria Municipal de Educação (SME), João Lúcio Alcântara, informou que as buscas são feitas na região da Praia de Iracema, com foco no local onde está montada a Fifa Fan Fest, e nos arredores da Arena Castelão – palcos oficiais da Copa do Mundo em Fortaleza. Equipes se espalham também pelos bolsões de estacionamentos – nos dias de jogo na capital cearense -, terminais de ônibus e regiões estratégicas, como Barra do Ceará, Praia do Futuro e toda a extensão da avenida Beira Mar. “Os agentes fazem a abordagem social, supervisionam todos esses eventos e fazem o encaminhamento das crianças para as escolas”, explicou Ana Maria.

Os governos locais executam o projeto com foco na ação social. Segundo João Lúcio, o objetivo é resguardar crianças sujeitas à violência e à exploração sexual. Ele afirmou que, durante todos os dias da Copa, agentes identificam filhos de ambulantes que não tem onde ficar enquanto os pais trabalham e crianças encontradas sem a companhia de pais ou responsáveis. Ele negou que adultos e crianças em situação de rua sejam o público-alvo da medida, embora a informação tenha sido confirmada por Ana, da STDS, e também por um funcionário da Prefeitura destacado para atuar no projeto, ouvido pelo Tribuna do Ceará. “É criança, é adolescente, é adulto, é quem estiver em situação de rua”, explicou Ana Maria.

Copa nos abrigos

Segundo a assessoria de imprensa da Secretaria Municipal de Educação, haverá telões montados em dias de jogo, dentro dos abrigos, para que os abrigados acompanhem as partidas do mundial da Fifa. O planejamento da Agenda de Convergência inclui ainda atividades lúdicas, brincadeiras, orientações pedagógicas e até sessões de cinema, à noite, dentro dos espaços. Segundo João, ninguém dorme nos locais. “O espaço vai funcionar de 11 horas da manhã, até 11 horas da noite, que é justamente o horário da Fan Fest”, declarou ele.

João Lúcio informou ainda que, no momento da “abordagem social” ninguém é forçado a ir para os abrigos. O Tribuna do Ceará apurou que, no caso de crianças com pais identificados, os agentes conversam com as famílias e propõem a assinatura de um Termo de Responsabilidade, autorizando o abrigo da criança, estritamente durante o horário em que a Copa acontece na capital cearense. Segundo o coordenador, veículos foram disponibilizados pelos órgãos governamentais para fazer o transporte das pessoas em situação de vulnerabilidade.

AGENDADECONVERGENCIA

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O Tribuna do Ceará teve acesso ao planejamento montado por órgãos municipais e estaduais envolvidos na ação (ver na imagem ao lado).

Integram a Agenda de Convergência as escolas municipais João Pordeus, localizada a 7 Km da Arena Castelão, e Alba Filho, a 2,5 Km da Fifa Fan Fest. O Tribuna do Ceará apurou que os centros municipais especializados em atender pessoas em situação de rua – os Centro Pop, que funcionam nos bairros Centro e Benfica – também fazem parte da rede de atendimento especial criada para a Copa. Há ainda um planejamento cujo objetivo é estender o projeto para as ocasiões de outros grandes eventos na cidade.