"Governo ilegítimo de Temer é misto de incompetência com bandidagem", diz Ciro Gomes

LÍNGUA FERINA

“Governo ilegítimo de Temer é misto de incompetência com bandidagem”, diz Ciro Gomes

Pré-candidato à presidência em 2018, Ciro não deixa de fazer críticas e ataques a protagonistas da política no Brasil

Por Jéssica Welma em Política

22 de julho de 2016 às 07:00

Há 2 anos
Dilma com Ciro Gomes em Fortaleza

Ciro Gomes é aliado de Dilma, apesar de críticas à gestão política e econômica da petista. (Foto: Roberto Stuckert/PR)

Pré-candidato à presidência da República em 2018 pelo PDT, o ex-governador do Ceará Ciro Gomes disse que não vai mudar seu temperamento explosivo, ainda que essa característica seja apontada como um dos aspectos negativos de sua vida política. Capa da revista Poder de julho, Ciro falou sobre o cenário político e econômico do País e disparou críticas contra o governo do presidente interino Michel Temer (PMDB) e outros protagonistas da crise política, como o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), a presidente afastada Dilma Rousseff (PT) e o juiz Sérgio Moro, responsável pelas investigações da Operação Lava Jato.

“Não vou mudar meu jeito. Fico p… da vida com esse fru-fru aristocrático. Já viu o (Eduardo) Cunha sendo chamado de ladrão? Ele olha para o outro lado. Essa é a elegância que a elite brasileira gosta“, disparou Ciro, sobre seu temperamento, que já lhe rendeu diversas ações judiciais.

Algumas delas partem do atual presidente da República interino, Michel Temer , a quem já chamou de “conspirador” e “capitão do golpe”. Em entrevista à revista Poder, o ex-ministro faz novas críticas ao peemedebista, e diz que o atual governo “é um misto de incompetência com bandidagem”.

O irmão de Ciro, o também ex-governador do Ceará Cid Gomes, foi condenado pelo Tribunal de Justiça do Distrito Federal, neste mês, ao pagamento de R$ 40 mil por danos morais causados ao presidente interino Michel Temer.

“Salvo Henrique Meirelles, de quem discordo, mas é meu amigo; justiça seja feita: esse governo é um misto de incompetência com bandidagem. O povo tem razão de estar zangado, porém o desastre de um governo ilegítimo se projeta para 20 anos, enquanto um mau governo passaria em dois”, disse Ciro.

Para Ciro, o processo de impeachment de Dilma baseado nas pedaladas fiscais “é mero pretexto”. Ele faz um paralelo com a golpe militar de 1964. “Naquela época, o STF (Supremo Tribunal Federal) também declarou a legalidade de tudo aquilo, exatamente como estão fazendo hoje”, afirmou. Ciro reafirma que a presidente afastada é “honrada e fiadora da democracia, mas não tem treinamento para a política e se cerca mal”.

“É impressionante que a sociedade brasileira aceite o nível de mesquinharia de proibi-la, ainda presidente, de andar nos aviões da FAB, enquanto o Eduardo Cunha anda pra cima e pra baixo, um marginal afastado pelo STF. E cortar comida do Palácio, como se a Dilma estivesse comendo 60 mil por mês no maior luxo. Há um destacamento de 50 homens do Exército morando lá! Nunca quis viver pra assistir a isso. É justa a queixa da corrupção, do desmantelo do governo, mas não é possível que não saibam separar uma coisa da outra”, critica Ciro.

Relações

Em outro trecho da entrevista, Ciro volta a atacar Temer e diz que, quando o ex-presidente Lula o colocou no governo, o presidente interino já era “figura pequena e moralmente indefensável”. Sobre a relação com o petista, o ex-governador afirma que se afastou de Lula quando o petista nomeou o ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha para a presidência de Furnas. Ainda assim, ele sai em defesa de Lula, no que diz respeito às investigações da operação Lava Jato:

“Nada justifica, porém, a violência que o Lula tem sofrido. Foi ilegal a condução coercitiva: só pode levar debaixo de vara, como se diz no Ceará, quem se negou a obedecer à intimação”, ressalta.

Em relação à Lava Jato, Ciro critica supostas ilegalidades cometidas na operação e que abrem brecha para a anulação de algumas ações no futuro. Ele cita como exemplo o vazamento das gravações entre Dilma e Lula, às vésperas de o petista assumir a Casa Civil.

“Certas ilegalidades cometidas na Lava Jato abrem brecha para a anulação de muita coisa lá na frente, como aconteceu na Satiagraha. O delegado herói de então (Protógenes Queiroz) está exilado, com ordem de prisão, e os acusados estão livres porque as nulidades destruíram as evidências reais. Nos Estados Unidos, divulgar gravação de um presidente da República dá até pena de morte. Moro sabe que violou a lei e tinha obrigação de destruir as gravações”, afirma.

Para Ciro, o juiz Sérgio Moro “tem papel importante, mas pode estar sendo manipulado por ser muito jovem e a política ser mais complexa do que ele consiga perceber”.

Apontado como pré-candidato em 2018 pelo PDT, Ciro ainda afirma que vai “pensar mil vezes antes de ser candidato”

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LÍNGUA FERINA

“Governo ilegítimo de Temer é misto de incompetência com bandidagem”, diz Ciro Gomes

Pré-candidato à presidência em 2018, Ciro não deixa de fazer críticas e ataques a protagonistas da política no Brasil

Por Jéssica Welma em Política

22 de julho de 2016 às 07:00

Há 2 anos
Dilma com Ciro Gomes em Fortaleza

Ciro Gomes é aliado de Dilma, apesar de críticas à gestão política e econômica da petista. (Foto: Roberto Stuckert/PR)

Pré-candidato à presidência da República em 2018 pelo PDT, o ex-governador do Ceará Ciro Gomes disse que não vai mudar seu temperamento explosivo, ainda que essa característica seja apontada como um dos aspectos negativos de sua vida política. Capa da revista Poder de julho, Ciro falou sobre o cenário político e econômico do País e disparou críticas contra o governo do presidente interino Michel Temer (PMDB) e outros protagonistas da crise política, como o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), a presidente afastada Dilma Rousseff (PT) e o juiz Sérgio Moro, responsável pelas investigações da Operação Lava Jato.

“Não vou mudar meu jeito. Fico p… da vida com esse fru-fru aristocrático. Já viu o (Eduardo) Cunha sendo chamado de ladrão? Ele olha para o outro lado. Essa é a elegância que a elite brasileira gosta“, disparou Ciro, sobre seu temperamento, que já lhe rendeu diversas ações judiciais.

Algumas delas partem do atual presidente da República interino, Michel Temer , a quem já chamou de “conspirador” e “capitão do golpe”. Em entrevista à revista Poder, o ex-ministro faz novas críticas ao peemedebista, e diz que o atual governo “é um misto de incompetência com bandidagem”.

O irmão de Ciro, o também ex-governador do Ceará Cid Gomes, foi condenado pelo Tribunal de Justiça do Distrito Federal, neste mês, ao pagamento de R$ 40 mil por danos morais causados ao presidente interino Michel Temer.

“Salvo Henrique Meirelles, de quem discordo, mas é meu amigo; justiça seja feita: esse governo é um misto de incompetência com bandidagem. O povo tem razão de estar zangado, porém o desastre de um governo ilegítimo se projeta para 20 anos, enquanto um mau governo passaria em dois”, disse Ciro.

Para Ciro, o processo de impeachment de Dilma baseado nas pedaladas fiscais “é mero pretexto”. Ele faz um paralelo com a golpe militar de 1964. “Naquela época, o STF (Supremo Tribunal Federal) também declarou a legalidade de tudo aquilo, exatamente como estão fazendo hoje”, afirmou. Ciro reafirma que a presidente afastada é “honrada e fiadora da democracia, mas não tem treinamento para a política e se cerca mal”.

“É impressionante que a sociedade brasileira aceite o nível de mesquinharia de proibi-la, ainda presidente, de andar nos aviões da FAB, enquanto o Eduardo Cunha anda pra cima e pra baixo, um marginal afastado pelo STF. E cortar comida do Palácio, como se a Dilma estivesse comendo 60 mil por mês no maior luxo. Há um destacamento de 50 homens do Exército morando lá! Nunca quis viver pra assistir a isso. É justa a queixa da corrupção, do desmantelo do governo, mas não é possível que não saibam separar uma coisa da outra”, critica Ciro.

Relações

Em outro trecho da entrevista, Ciro volta a atacar Temer e diz que, quando o ex-presidente Lula o colocou no governo, o presidente interino já era “figura pequena e moralmente indefensável”. Sobre a relação com o petista, o ex-governador afirma que se afastou de Lula quando o petista nomeou o ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha para a presidência de Furnas. Ainda assim, ele sai em defesa de Lula, no que diz respeito às investigações da operação Lava Jato:

“Nada justifica, porém, a violência que o Lula tem sofrido. Foi ilegal a condução coercitiva: só pode levar debaixo de vara, como se diz no Ceará, quem se negou a obedecer à intimação”, ressalta.

Em relação à Lava Jato, Ciro critica supostas ilegalidades cometidas na operação e que abrem brecha para a anulação de algumas ações no futuro. Ele cita como exemplo o vazamento das gravações entre Dilma e Lula, às vésperas de o petista assumir a Casa Civil.

“Certas ilegalidades cometidas na Lava Jato abrem brecha para a anulação de muita coisa lá na frente, como aconteceu na Satiagraha. O delegado herói de então (Protógenes Queiroz) está exilado, com ordem de prisão, e os acusados estão livres porque as nulidades destruíram as evidências reais. Nos Estados Unidos, divulgar gravação de um presidente da República dá até pena de morte. Moro sabe que violou a lei e tinha obrigação de destruir as gravações”, afirma.

Para Ciro, o juiz Sérgio Moro “tem papel importante, mas pode estar sendo manipulado por ser muito jovem e a política ser mais complexa do que ele consiga perceber”.

Apontado como pré-candidato em 2018 pelo PDT, Ciro ainda afirma que vai “pensar mil vezes antes de ser candidato”