Delações da Lava-Jato indicam irregularidades em obra no açude Castanhão
DELAÇÃO PREMIADA

Delações da Lava-Jato indicam irregularidades em obra no açude Castanhão

A Odebrecht teria pago R$ 500 mil de propina a ex-diretor do Dnocs. Além disso, empreiteiras teriam se unido em formação de cartel para conseguir sobrepreço

Por Lucas Barbosa em Política

19 de abril de 2017 às 10:57

Há 6 meses
As obras no Castanhão, segundo Antônio Pacífico, foram alvo de acordos entre diversas empreiteiras (FOTO: Jéssica Welma/Tribuna do Ceará)

As obras no Castanhão, segundo Antônio Pacífico, foram alvo de acordos entre empreiteiras (FOTO: Jéssica Welma/Tribuna do Ceará)

Mais uma obra no Estado está sob investigação em desdobramento das delações premiadas feitas à Operação Lava-Jato, da Polícia Federal. Ex-executivos da empreiteira Odebrecht afirmaram ter havido formação de cartel na disputa de licitações contempladas com recursos do Departamento Nacional de Obras Contra a Seca (Dnocs), incluindo o sistema adutor do açude Castanhão, em Tabuleiro das Russas, na região do Vale do Jaguaribe, em 2002.

As delações também atingem o ex-presidente da Superintendência de Obras Hidráulicas (Sohidra) e ex-diretor do Dnocs Leão Montezuma. Os depoimentos de João Pacífico e Ariel Parente Costa também motivaram abertura de investigação apurando um suposto pagamento de R$ 500 mil a Leão Montezuma na época em que ele estava à frente da Sohidra, durante o governo Cid Gomes.

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Edson Fachin determinou que as informações fossem enviadas à Procuradoria da República no Ceará, para que fossem apuradas, já que o Leão Montezuma não possui foro privilegiado.

As obras no Castanhão, segundo Antônio Pacífico, foram alvo de acordos entre diversas empreiteiras, que combinavam previamente quem venceria as licitações. Tocaram a obra Andrade Gutiérrez e OAS, enquanto Odebrecht, Mendes Júnior, Camargo Corrêa e Queiroz Galvão ficaram com duas obras no Piauí, afirma o delator.

As reuniões para combinar os acertos aconteciam, sobretudo, nos escritórios das empresas em Fortaleza, contou o delator.

Obras do Sistema Adutor do Castanhão já haviam sido alvo de suspeitas em investigações da Polícia Federal (PF). Segundo o que o jornal O Globo publicou em setembro de 2016, a Odebrecht pagou propinas para participar de um trecho da obra, que atuou em consórcio com a Andrade Gutierrez e com a Queiroz Galvão.

As delações da Lava-Jato divulgadas na semana passada também citaram o Castelão, como um dos estádios que tiveram possível desvio de recursos durante as obras para a Copa do Mundo de 2014. O Tribuna do Ceará não conseguiu localizar as pessoas citadas nas supostas irregularidades no Castanhão.

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DELAÇÃO PREMIADA

Delações da Lava-Jato indicam irregularidades em obra no açude Castanhão

A Odebrecht teria pago R$ 500 mil de propina a ex-diretor do Dnocs. Além disso, empreiteiras teriam se unido em formação de cartel para conseguir sobrepreço

Por Lucas Barbosa em Política

19 de abril de 2017 às 10:57

Há 6 meses
As obras no Castanhão, segundo Antônio Pacífico, foram alvo de acordos entre diversas empreiteiras (FOTO: Jéssica Welma/Tribuna do Ceará)

As obras no Castanhão, segundo Antônio Pacífico, foram alvo de acordos entre empreiteiras (FOTO: Jéssica Welma/Tribuna do Ceará)

Mais uma obra no Estado está sob investigação em desdobramento das delações premiadas feitas à Operação Lava-Jato, da Polícia Federal. Ex-executivos da empreiteira Odebrecht afirmaram ter havido formação de cartel na disputa de licitações contempladas com recursos do Departamento Nacional de Obras Contra a Seca (Dnocs), incluindo o sistema adutor do açude Castanhão, em Tabuleiro das Russas, na região do Vale do Jaguaribe, em 2002.

As delações também atingem o ex-presidente da Superintendência de Obras Hidráulicas (Sohidra) e ex-diretor do Dnocs Leão Montezuma. Os depoimentos de João Pacífico e Ariel Parente Costa também motivaram abertura de investigação apurando um suposto pagamento de R$ 500 mil a Leão Montezuma na época em que ele estava à frente da Sohidra, durante o governo Cid Gomes.

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Edson Fachin determinou que as informações fossem enviadas à Procuradoria da República no Ceará, para que fossem apuradas, já que o Leão Montezuma não possui foro privilegiado.

As obras no Castanhão, segundo Antônio Pacífico, foram alvo de acordos entre diversas empreiteiras, que combinavam previamente quem venceria as licitações. Tocaram a obra Andrade Gutiérrez e OAS, enquanto Odebrecht, Mendes Júnior, Camargo Corrêa e Queiroz Galvão ficaram com duas obras no Piauí, afirma o delator.

As reuniões para combinar os acertos aconteciam, sobretudo, nos escritórios das empresas em Fortaleza, contou o delator.

Obras do Sistema Adutor do Castanhão já haviam sido alvo de suspeitas em investigações da Polícia Federal (PF). Segundo o que o jornal O Globo publicou em setembro de 2016, a Odebrecht pagou propinas para participar de um trecho da obra, que atuou em consórcio com a Andrade Gutierrez e com a Queiroz Galvão.

As delações da Lava-Jato divulgadas na semana passada também citaram o Castelão, como um dos estádios que tiveram possível desvio de recursos durante as obras para a Copa do Mundo de 2014. O Tribuna do Ceará não conseguiu localizar as pessoas citadas nas supostas irregularidades no Castanhão.