Bolsonaro diz que é rejeitado por rótulos de ser "contra mulher, negro, nordestino e marciano"

PRÉ-CANDIDATO

Bolsonaro diz que é rejeitado por rótulos de ser “contra mulher, negro, nordestino e marciano”

Jair Bolsonaro falou também sobre propostas para o Nordeste, caso seja eleito, ressaltando possibilidades para o abastecimento de água

Por Jéssica Welma em Política

29 de junho de 2018 às 11:40

Há 3 semanas
Bolsonaro também concedeu coletiva de imprensa. (Foto: Tribuna BandNews FM)

Bolsonaro também concedeu coletiva de imprensa. (Foto: Tribuna BandNews FM)

Com 32% de rejeição do eleitorado na última pesquisa CNI/Ibope, o pré-candidato à presidência da República Jair Bolsonaro (PSL) disse que rejeição se deve a rótulos que recebeu, os quais, aos poucos, pretende desfazer. Em visita a Fortaleza, o militar reformado concedeu entrevista exclusiva ao jornalista Nonato Albuquerque, da rádio Tribuna BandNews FM 101.7, na quinta-feira (28).

Bolsonaro falou também sobre propostas para o Nordeste – ressaltando apenas ações voltadas para o abastecimento de água, alianças políticas e volta da ditadura militar.

> Leia também: 
“Não sou psiquiatra. A gente vai conversar com doido?”, diz Bolsonaro sobre ataques de Ciro

Rejeição

Pesquisa CNI/Ibope*, divulgada ontem, mostrou Bolsonaro com 17% das intenções de voto, seguido por Marina Silva (Rede) com 13%, Ciro Gomes (PDT) com 8% e Geraldo Alckmin (PSDB) com 6%. Votos brancos e nulos somam 33%. Nesse cenário, não foi considerada a participação de Lula (PT). Nos índices de rejeição, lideram Fernando Collor de Melo (PTC) com 32%, Bolsonaro com 32% e Lula com 31%.

O deputado federal do Rio de Janeiro acredita que a rejeição se deve “por ser militar”, “por bater de frente com as mentiras da esquerda no Brasil”, especialmente no período da ditadura militar e por rótulos dados a ele.

“Isso aí vem, muita vezes, de rótulo. ‘(Dizem): Ele é contra mulher, contra negro, contra nordestino, contra marciano, contra intergaláticos’… Aos poucos a gente vai se desfazendo desses rótulos”, disse o pré-candidato.

Polêmicas

Envolvido em polêmicas e condenado por ofensas à também deputada Maria do Rosário e por comentários racistas contra quilombolas e a população negra em geral, Bolsonaro diz que mudança de postura é relativa.

“Depende do que você for me perguntar. A defesa da mulher continuarei de forma intransigente. A minha briga com a Maria do Rosário foi naquele fato de ela estar defendendo um menor, estuprador e homicida, dizendo que deveria ser julgado de acordo com ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente). E eu dizendo que ele deveria ser julgado, para futuros casos se houvessem, à luz do nosso Código Penal”.

Em 2013, Maria do Rosário havia chamado Bolsonaro de estuprador, acusando o deputado de incentivar a prática “mesmo sem ter consciência disso”. Ele a empurrou e a chamou de “vagabunda”. Em outra ocasião, no plenário da Câmara dos Deputados, ele disse que “não estupraria” a deputada porque “ela não merecia”.

“Ela foi contra, me chamou de estuprador, e eu dei aquela resposta mal criada pra ela, foi uma resposta espontânea, os advogados dizem que se chama ato reverso”, defendeu-se Bolsonaro.

Relações políticas

Questionado sobre ampliação de alianças políticas, Bolsonaro disse que “o grande problema do Brasil são os acordos entre partidos para se somar tempo de televisão e fundo partidário”.

“Se é para fazer a mesma coisa, estou fora”, afirmou.

Recentemente, Bolsonaro anunciou como vice o deputado federal Magno Malta, do PR, partido do ex-presidiário no caso do mensalão Valdemar Costa Neto. Questionado sobre como vai conciliar a aliança com o discurso anticorrupção, o pré-candidato disse que sua relação é com Malta e pontuou que “nossa política está toda contaminada”.

Diante da descrença com os políticos e com os índices de votos brancos e nulos, Bolsonaro afirma ter eleitores fieis e acredita que decidirá eleição no primeiro turno.

“Tenho ouvido muita gente dizer que, depois de décadas sem votar, está preparando seu título para voltar em mim. A pesquisa diz que quem vota em mim não muda o voto, o que me dá esperança de resolver essa fatura em primeiro turno”, afirmou.

Bolsonaro provocou risos da plateia ao falar de sexualidade. (Foto: Tribuna BandNews FM)

Bolsonaro provocou risos da plateia ao falar de sexualidade na coletiva de imprensa. (Foto: Tribuna BandNews FM)

Ditadura militar

O ex-capitão do Exército voltou a defender um governo comandado por militares. “Não há impedimento algum”, afirmou.

“Nós tínhamos liberdade até para sair do Brasil. Tinha uma certa censura na imprensa? Sim. Tinha a questão que você não votava para presidente, para governador de território e as cidades onde imperava a questão da segurança nacional… No resto, o Brasil foi muito bem”, disse.

Sobre a crise da segurança pública, Bolsonaro citou como exemplo a atuação do Exército no Haiti, destacou apoio à posse de armas por civis e disse que a política de direitos humanos no Brasil “é equivocada”.

Ele defende, por exemplo, que um policial em operação “responda” por erros, mas “não seja punido”. “Você tem que garantir o legítimo direito a defesa no Brasil”, frisou.

Nordeste

Ele disse ainda que a violência é prejudicial para o Nordeste, que é um “polo de turismo”. Sobre outras ações para a região, ele destacou visita que fez a Israel e disse que pretende criar parceria para desenvolver a tecnologia de lá no Brasil. Ele também pontuou possibilidades de retirar água de poços usando energia solar.

Em relação à transposição do Rio São Francisco, ele disse que não há garantia da efetividade da obra. “O rio pode ter problema um dia, e como ficaria? Não seria algo definitivo”, afirmou.

“Sou casado com filha de nordestino, de Crateús. Somos um só povo, uma só raça, uma só bandeira e devemos trabalhar para todos sermos uma boa nação”, pontuou.

*A pesquisa CNI-Ibope ouviu 2 mil pessoas em 128 municípios, entre os dias 21 a 24 de junho. O levantamento foi registrado no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) com o número BR-02265/2018.

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PRÉ-CANDIDATO

Bolsonaro diz que é rejeitado por rótulos de ser “contra mulher, negro, nordestino e marciano”

Jair Bolsonaro falou também sobre propostas para o Nordeste, caso seja eleito, ressaltando possibilidades para o abastecimento de água

Por Jéssica Welma em Política

29 de junho de 2018 às 11:40

Há 3 semanas
Bolsonaro também concedeu coletiva de imprensa. (Foto: Tribuna BandNews FM)

Bolsonaro também concedeu coletiva de imprensa. (Foto: Tribuna BandNews FM)

Com 32% de rejeição do eleitorado na última pesquisa CNI/Ibope, o pré-candidato à presidência da República Jair Bolsonaro (PSL) disse que rejeição se deve a rótulos que recebeu, os quais, aos poucos, pretende desfazer. Em visita a Fortaleza, o militar reformado concedeu entrevista exclusiva ao jornalista Nonato Albuquerque, da rádio Tribuna BandNews FM 101.7, na quinta-feira (28).

Bolsonaro falou também sobre propostas para o Nordeste – ressaltando apenas ações voltadas para o abastecimento de água, alianças políticas e volta da ditadura militar.

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“Não sou psiquiatra. A gente vai conversar com doido?”, diz Bolsonaro sobre ataques de Ciro

Rejeição

Pesquisa CNI/Ibope*, divulgada ontem, mostrou Bolsonaro com 17% das intenções de voto, seguido por Marina Silva (Rede) com 13%, Ciro Gomes (PDT) com 8% e Geraldo Alckmin (PSDB) com 6%. Votos brancos e nulos somam 33%. Nesse cenário, não foi considerada a participação de Lula (PT). Nos índices de rejeição, lideram Fernando Collor de Melo (PTC) com 32%, Bolsonaro com 32% e Lula com 31%.

O deputado federal do Rio de Janeiro acredita que a rejeição se deve “por ser militar”, “por bater de frente com as mentiras da esquerda no Brasil”, especialmente no período da ditadura militar e por rótulos dados a ele.

“Isso aí vem, muita vezes, de rótulo. ‘(Dizem): Ele é contra mulher, contra negro, contra nordestino, contra marciano, contra intergaláticos’… Aos poucos a gente vai se desfazendo desses rótulos”, disse o pré-candidato.

Polêmicas

Envolvido em polêmicas e condenado por ofensas à também deputada Maria do Rosário e por comentários racistas contra quilombolas e a população negra em geral, Bolsonaro diz que mudança de postura é relativa.

“Depende do que você for me perguntar. A defesa da mulher continuarei de forma intransigente. A minha briga com a Maria do Rosário foi naquele fato de ela estar defendendo um menor, estuprador e homicida, dizendo que deveria ser julgado de acordo com ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente). E eu dizendo que ele deveria ser julgado, para futuros casos se houvessem, à luz do nosso Código Penal”.

Em 2013, Maria do Rosário havia chamado Bolsonaro de estuprador, acusando o deputado de incentivar a prática “mesmo sem ter consciência disso”. Ele a empurrou e a chamou de “vagabunda”. Em outra ocasião, no plenário da Câmara dos Deputados, ele disse que “não estupraria” a deputada porque “ela não merecia”.

“Ela foi contra, me chamou de estuprador, e eu dei aquela resposta mal criada pra ela, foi uma resposta espontânea, os advogados dizem que se chama ato reverso”, defendeu-se Bolsonaro.

Relações políticas

Questionado sobre ampliação de alianças políticas, Bolsonaro disse que “o grande problema do Brasil são os acordos entre partidos para se somar tempo de televisão e fundo partidário”.

“Se é para fazer a mesma coisa, estou fora”, afirmou.

Recentemente, Bolsonaro anunciou como vice o deputado federal Magno Malta, do PR, partido do ex-presidiário no caso do mensalão Valdemar Costa Neto. Questionado sobre como vai conciliar a aliança com o discurso anticorrupção, o pré-candidato disse que sua relação é com Malta e pontuou que “nossa política está toda contaminada”.

Diante da descrença com os políticos e com os índices de votos brancos e nulos, Bolsonaro afirma ter eleitores fieis e acredita que decidirá eleição no primeiro turno.

“Tenho ouvido muita gente dizer que, depois de décadas sem votar, está preparando seu título para voltar em mim. A pesquisa diz que quem vota em mim não muda o voto, o que me dá esperança de resolver essa fatura em primeiro turno”, afirmou.

Bolsonaro provocou risos da plateia ao falar de sexualidade. (Foto: Tribuna BandNews FM)

Bolsonaro provocou risos da plateia ao falar de sexualidade na coletiva de imprensa. (Foto: Tribuna BandNews FM)

Ditadura militar

O ex-capitão do Exército voltou a defender um governo comandado por militares. “Não há impedimento algum”, afirmou.

“Nós tínhamos liberdade até para sair do Brasil. Tinha uma certa censura na imprensa? Sim. Tinha a questão que você não votava para presidente, para governador de território e as cidades onde imperava a questão da segurança nacional… No resto, o Brasil foi muito bem”, disse.

Sobre a crise da segurança pública, Bolsonaro citou como exemplo a atuação do Exército no Haiti, destacou apoio à posse de armas por civis e disse que a política de direitos humanos no Brasil “é equivocada”.

Ele defende, por exemplo, que um policial em operação “responda” por erros, mas “não seja punido”. “Você tem que garantir o legítimo direito a defesa no Brasil”, frisou.

Nordeste

Ele disse ainda que a violência é prejudicial para o Nordeste, que é um “polo de turismo”. Sobre outras ações para a região, ele destacou visita que fez a Israel e disse que pretende criar parceria para desenvolver a tecnologia de lá no Brasil. Ele também pontuou possibilidades de retirar água de poços usando energia solar.

Em relação à transposição do Rio São Francisco, ele disse que não há garantia da efetividade da obra. “O rio pode ter problema um dia, e como ficaria? Não seria algo definitivo”, afirmou.

“Sou casado com filha de nordestino, de Crateús. Somos um só povo, uma só raça, uma só bandeira e devemos trabalhar para todos sermos uma boa nação”, pontuou.

*A pesquisa CNI-Ibope ouviu 2 mil pessoas em 128 municípios, entre os dias 21 a 24 de junho. O levantamento foi registrado no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) com o número BR-02265/2018.