Número de ataques a bancos cresce 2.125% em apenas cinco anos no Ceará


Número de ataques a bancos cresce 2.125% em apenas cinco anos no Ceará

“Criminosos usam fuzis e metralhadoras, e os policiais usam pistola ponto 40 e revólver. Então os PMs não têm condição nenhuma de reagir”

Por Roberta Tavares em Polícia

2 de agosto de 2013 às 11:01

Há 6 anos

O número de ataques a bancos vem crescendo assustadoramente no Ceará. Em apenas cinco anos – de 2008 a 2013 – as ocorrências contra agências bancárias cresceram 2.125%.

Até julho deste ano, foram registrados 89 ataques a bancos, sendo 34 em Fortaleza e 55 no interior do estado. No mesmo período de 2008, foram apenas quatro ações: duas na capital e duas no interior. O número é ainda maior se contabilizarmos todos os meses de todos os anos até agora. Os dados são do Sindicato dos Bancários do Ceará (SEEB/CE).

Somente nesta semana, três agências bancárias foram explodidas no interior do Ceará: uma em Baturité e duas em Monsenhor Tabosa. Nas ações, os bandidos se dividiram em dois grupos: enquanto uma parte inibia a ação da polícia no quartel, a outra explodia os caixas eletrônicos, deixando a população apavorada.

Novo cangaço

De acordo com o presidente do Sindicato dos Bancários, Carlos Eduardo Bezerra, o crescimento do número de ocorrências é decorrente da proliferação do ‘novo cangaço’, que se caracteriza por assaltos violentos a agências bancárias.

“Eles sitiam a cidade, assaltam os bancos e somem mato adentro, desaparecendo na caatinga. É uma nova onda do crime organizado”, explica, remetendo às ações da famosa quadrilha de Lampião, em meados do século 18.

Agências bancárias sem segurança

Bezerra ressalta também precariedade da segurança nas agências. “Os bancos passaram a retirar alguns equipamentos de segurança, como câmeras, portas detectoras de metais e vigilantes. As agências estão preferindo economizar dinheiro, em vez de poupar a vida dos clientes”, diz. O presidente explica que a falta desses equipamentos facilita a ação dos bandidos, já que, além de outros problemas, diminui a fiscalização da entrada de armas nas agências.

O crescimento do número das ações ainda alerta para a necessidade de maior preparo da polícia. “A segurança pública deve preparar melhor os policiais, aumentar o efetivo e ter organização. Essas medidas não devem ser apenas no interior do estado, mas também em Fortaleza, já que somente neste ano foram contabilizados mais de 30 ataques a bancos na capital”.

Medo e tensão

O efetivo da polícia nas cidades do interior é pequeno diante da necessidade dos municípios, de acordo com o presidente da Associação dos Praças da Polícia Militar (Aspramece), Pedro Queiroz.

Nas ações contra bancos no estado, a quantidade de bandidos chega a 15 ou 20; enquanto o efetivo de policiais é de, em média, cinco. “Os criminosos usam fuzis e metralhadoras, e os policiais usam pistola ponto 40 e revólver. Então os PMs não têm condição nenhuma de reagir”, conta.

De acordo com Pedro Queiroz, os bandidos se sentem em uma situação confortável para sitiar a cidade e atacar os bancos. “O governo subestimou a capacidade das quadrilhas, achando que não iriam fazer mapeamento da ineficiência da segurança pública. Sempre alertamos para esse quadro que poderia se instalar no Ceará. Resumindo, o que está acontecendo é seguinte: o governo faz de conta que investe em segurança, e o agente faz de conta que está trabalhando”, desabafa Queiroz.

Visão da PM

O comando-geral da Polícia Militar, no entanto, acredita que o efetivo de policiais é suficiente, e a culpa dos ataques é a falta de investimento dos bancários nas agências. “O que a gente pode dizer é que existe falha, mas não da estrutura de segurança pública, e sim da estrutura do próprio banco. A agência bancária tem que fazer a parte de segurança dela”, finaliza o comandante da PM, Werisleik Matias.

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Número de ataques a bancos cresce 2.125% em apenas cinco anos no Ceará

“Criminosos usam fuzis e metralhadoras, e os policiais usam pistola ponto 40 e revólver. Então os PMs não têm condição nenhuma de reagir”

Por Roberta Tavares em Polícia

2 de agosto de 2013 às 11:01

Há 6 anos

O número de ataques a bancos vem crescendo assustadoramente no Ceará. Em apenas cinco anos – de 2008 a 2013 – as ocorrências contra agências bancárias cresceram 2.125%.

Até julho deste ano, foram registrados 89 ataques a bancos, sendo 34 em Fortaleza e 55 no interior do estado. No mesmo período de 2008, foram apenas quatro ações: duas na capital e duas no interior. O número é ainda maior se contabilizarmos todos os meses de todos os anos até agora. Os dados são do Sindicato dos Bancários do Ceará (SEEB/CE).

Somente nesta semana, três agências bancárias foram explodidas no interior do Ceará: uma em Baturité e duas em Monsenhor Tabosa. Nas ações, os bandidos se dividiram em dois grupos: enquanto uma parte inibia a ação da polícia no quartel, a outra explodia os caixas eletrônicos, deixando a população apavorada.

Novo cangaço

De acordo com o presidente do Sindicato dos Bancários, Carlos Eduardo Bezerra, o crescimento do número de ocorrências é decorrente da proliferação do ‘novo cangaço’, que se caracteriza por assaltos violentos a agências bancárias.

“Eles sitiam a cidade, assaltam os bancos e somem mato adentro, desaparecendo na caatinga. É uma nova onda do crime organizado”, explica, remetendo às ações da famosa quadrilha de Lampião, em meados do século 18.

Agências bancárias sem segurança

Bezerra ressalta também precariedade da segurança nas agências. “Os bancos passaram a retirar alguns equipamentos de segurança, como câmeras, portas detectoras de metais e vigilantes. As agências estão preferindo economizar dinheiro, em vez de poupar a vida dos clientes”, diz. O presidente explica que a falta desses equipamentos facilita a ação dos bandidos, já que, além de outros problemas, diminui a fiscalização da entrada de armas nas agências.

O crescimento do número das ações ainda alerta para a necessidade de maior preparo da polícia. “A segurança pública deve preparar melhor os policiais, aumentar o efetivo e ter organização. Essas medidas não devem ser apenas no interior do estado, mas também em Fortaleza, já que somente neste ano foram contabilizados mais de 30 ataques a bancos na capital”.

Medo e tensão

O efetivo da polícia nas cidades do interior é pequeno diante da necessidade dos municípios, de acordo com o presidente da Associação dos Praças da Polícia Militar (Aspramece), Pedro Queiroz.

Nas ações contra bancos no estado, a quantidade de bandidos chega a 15 ou 20; enquanto o efetivo de policiais é de, em média, cinco. “Os criminosos usam fuzis e metralhadoras, e os policiais usam pistola ponto 40 e revólver. Então os PMs não têm condição nenhuma de reagir”, conta.

De acordo com Pedro Queiroz, os bandidos se sentem em uma situação confortável para sitiar a cidade e atacar os bancos. “O governo subestimou a capacidade das quadrilhas, achando que não iriam fazer mapeamento da ineficiência da segurança pública. Sempre alertamos para esse quadro que poderia se instalar no Ceará. Resumindo, o que está acontecendo é seguinte: o governo faz de conta que investe em segurança, e o agente faz de conta que está trabalhando”, desabafa Queiroz.

Visão da PM

O comando-geral da Polícia Militar, no entanto, acredita que o efetivo de policiais é suficiente, e a culpa dos ataques é a falta de investimento dos bancários nas agências. “O que a gente pode dizer é que existe falha, mas não da estrutura de segurança pública, e sim da estrutura do próprio banco. A agência bancária tem que fazer a parte de segurança dela”, finaliza o comandante da PM, Werisleik Matias.