Sabe quem é o artesão que constrói esculturas expostas na Aguanambi? Conheça o Rei dos Negros
ARTISTA

Sabe quem é o artesão que constrói esculturas expostas na Aguanambi? Conheça o Rei dos Negros

Maurício Gomes de Oliveira, de 77 anos, é o autor das esculturas de gesso e cimento que há duas décadas chamam a atenção na altura do viaduto da Aguanambi

Por Ana Clara Jovino em Perfil

16 de abril de 2017 às 07:00

Há 1 mês

O Rei dos Negros trabalha como artesão há 20 anos (FOTO: Ana Clara Jovino/Tribuna do Ceará)

Logo no início da Avenida Aguanambi, esculturas de gesso e cimento expostas chamam a atenção de quem passa de carro. Mas quase ninguém conhece quem é o artista por trás das famosas obras, um simpático senhor de 77 anos, Maurício Gomes de Oliveira, conhecido como Rei dos Negros.

Antes mesmo das ruas e avenidas do Bairro de Fátima serem construídas, ele já fazia parte do local. O Rei dos Negros fez questão de nunca deixar o bairro e testemunhar todas as transformações. Então, quando ele conta a sua história, praticamente conta a história do lugar.

O Rei dos Negros aprendeu a fazer as esculturas com um ajudante que tinha, que ele diz que era um dependente químico, mas foi o responsável por lhe ensinar algo que se tornou fundamental na sua vida, pois é de onde tira seu sustento.

“Ele chegou e disse que o que eu mandasse ele fazer, ele fazia, porque eu sou o Rei dos Negros. Pedi para ele fazer algumas estátuas, ele fez e eu observei tudo para aprender. Então, eu aprendi com um drogado. As pessoas dizem que um drogado não tem nada para ensinar, mas tem”, relata.

Maurício diz que os clientes são atraídos pelas esculturas expostas na Avenida Aguanambi. “As pessoas passam, se interessam e vêm aqui falar comigo, perguntar os preços e fazer a encomenda”, esclarece.

Em setembro de 2016, foi iniciada em frente ao comércio do Rei dos Negros, a construção de um viaduto sobre a rotatória da Aguanambi. A obra ainda está em andamento. O viaduto permitirá acesso expresso à BR-116.

Por causa da construção, o terreno que pertence ao Rei dos Negros teve que ser reduzido cerca de 3 metros. Ele recebeu da Prefeitura de Fortaleza uma indenização de R$ 8 mil.

“A obra não prejudicou o meu comércio. O que foi injusto foi a indenização que recebi, porque teve gente que disse que eu devia receber uns R$ 50 mil, porque esse terreno é na BR e vale muito mais. Isso porque eu não apresentei a escritura”, explica Maurício.

O terreno onde funciona o comércio do artesão foi um presente do Coronel Pergentino Ferreira. Ele vivia na fazenda dele, que ficava localizada onde hoje é a Base Aérea de Fortaleza, ajudando seu pai a plantar batata. “O coronel disse que ia me dar um terreno e eu disse que queria no Bairro de Fátima, porque foi onde nasci”, conta.

Maurício começou a ser conhecido como Rei dos Negros após uma briga, entre um negro e um branco e porque apostou que o negro iria ganhar. “Na época eu treinava boxe e pediram para eu apartar, mas eu fiquei olhando para ver quem era o mais macho, se era o negro ou o branco, então o negro ganhou e o pessoal começou a me chamar de Rei dos Negros”, relata.

Por conta do novo nome, o Rei dos Negros se orgulha em dizer que começou a fazer sucesso com as mulheres e afirma que é mais potente que o Pelé. “Depois disso, as mulheres começaram a querer saber quem é o Rei dos Negros. Eu gostei de 980 mulheres e o Pelé fez 1.001 gols e já parou. Eu ainda não parei, então sou mais potente que ele”, compara.

As lembranças pessoais dele em sua maioria são eventos históricos para a comunidade do Bairro de Fátima, como a construção da Igreja de Fátima e do canal da Aguanambi. Então, o Rei dos Negros pode ser considerado um personagem da história de Fortaleza.

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Sabe quem é o artesão que constrói esculturas expostas na Aguanambi? Conheça o Rei dos Negros

Maurício Gomes de Oliveira, de 77 anos, é o autor das esculturas de gesso e cimento que há duas décadas chamam a atenção na altura do viaduto da Aguanambi

Por Ana Clara Jovino em Perfil

16 de abril de 2017 às 07:00

Há 1 mês

O Rei dos Negros trabalha como artesão há 20 anos (FOTO: Ana Clara Jovino/Tribuna do Ceará)

Logo no início da Avenida Aguanambi, esculturas de gesso e cimento expostas chamam a atenção de quem passa de carro. Mas quase ninguém conhece quem é o artista por trás das famosas obras, um simpático senhor de 77 anos, Maurício Gomes de Oliveira, conhecido como Rei dos Negros.

Antes mesmo das ruas e avenidas do Bairro de Fátima serem construídas, ele já fazia parte do local. O Rei dos Negros fez questão de nunca deixar o bairro e testemunhar todas as transformações. Então, quando ele conta a sua história, praticamente conta a história do lugar.

O Rei dos Negros aprendeu a fazer as esculturas com um ajudante que tinha, que ele diz que era um dependente químico, mas foi o responsável por lhe ensinar algo que se tornou fundamental na sua vida, pois é de onde tira seu sustento.

“Ele chegou e disse que o que eu mandasse ele fazer, ele fazia, porque eu sou o Rei dos Negros. Pedi para ele fazer algumas estátuas, ele fez e eu observei tudo para aprender. Então, eu aprendi com um drogado. As pessoas dizem que um drogado não tem nada para ensinar, mas tem”, relata.

Maurício diz que os clientes são atraídos pelas esculturas expostas na Avenida Aguanambi. “As pessoas passam, se interessam e vêm aqui falar comigo, perguntar os preços e fazer a encomenda”, esclarece.

Em setembro de 2016, foi iniciada em frente ao comércio do Rei dos Negros, a construção de um viaduto sobre a rotatória da Aguanambi. A obra ainda está em andamento. O viaduto permitirá acesso expresso à BR-116.

Por causa da construção, o terreno que pertence ao Rei dos Negros teve que ser reduzido cerca de 3 metros. Ele recebeu da Prefeitura de Fortaleza uma indenização de R$ 8 mil.

“A obra não prejudicou o meu comércio. O que foi injusto foi a indenização que recebi, porque teve gente que disse que eu devia receber uns R$ 50 mil, porque esse terreno é na BR e vale muito mais. Isso porque eu não apresentei a escritura”, explica Maurício.

O terreno onde funciona o comércio do artesão foi um presente do Coronel Pergentino Ferreira. Ele vivia na fazenda dele, que ficava localizada onde hoje é a Base Aérea de Fortaleza, ajudando seu pai a plantar batata. “O coronel disse que ia me dar um terreno e eu disse que queria no Bairro de Fátima, porque foi onde nasci”, conta.

Maurício começou a ser conhecido como Rei dos Negros após uma briga, entre um negro e um branco e porque apostou que o negro iria ganhar. “Na época eu treinava boxe e pediram para eu apartar, mas eu fiquei olhando para ver quem era o mais macho, se era o negro ou o branco, então o negro ganhou e o pessoal começou a me chamar de Rei dos Negros”, relata.

Por conta do novo nome, o Rei dos Negros se orgulha em dizer que começou a fazer sucesso com as mulheres e afirma que é mais potente que o Pelé. “Depois disso, as mulheres começaram a querer saber quem é o Rei dos Negros. Eu gostei de 980 mulheres e o Pelé fez 1.001 gols e já parou. Eu ainda não parei, então sou mais potente que ele”, compara.

As lembranças pessoais dele em sua maioria são eventos históricos para a comunidade do Bairro de Fátima, como a construção da Igreja de Fátima e do canal da Aguanambi. Então, o Rei dos Negros pode ser considerado um personagem da história de Fortaleza.