Ninguém dá tanta entrevista no Ceará quanto Disraelli Brasil, o agente que é "a cara" da AMC

HOMEM DO TRÂNSITO

Ninguém dá tanta entrevista no Ceará quanto Disraelli Brasil, o agente que é “a cara” da AMC

Depois de 10 anos dando entrevista quase todo dia, Disraeli resgata a trajetória que o levou a “porta-voz informal” da Autarquia Municipal de Trânsito

Por Jéssica Welma em Perfil

28 de novembro de 2016 às 07:00

Há 1 ano
Disraelli Brasil é presença constante no noticiário cearense. (Foto: Matheus Ribeiro / Tribuna do Ceará)

Disraelli Brasil é presença constante no noticiário cearense. (Foto: Matheus Ribeiro / Tribuna do Ceará)

“Recentemente eu fui fazer um discurso e brinquei: ‘Ó, pessoal, eu sou melhor de entrevista do que de discurso'”. Não há fala que traduza melhor quem é Disraelli Brasil, o gerente de operações da Autarquia Municipal de Trânsito e Cidadania (AMC) que se tornou “a cara” da instituição, dado seu desempenho em entrevistas para o noticiário local.

Disraelli já perdeu a conta de quantas entrevistas já concedeu tanto para jornais locais como nacionais. No dia 7 de novembro, foi a vez de vestir a farda da instituição não para falar de desvios de trânsito ou operações especiais da AMC, mas para contar como se tornou o porta-voz da autarquia nos últimos 10 anos.

“Teve uma senhora que uma vez me disse: ‘Todo dia eu durmo com você e acordo com você’, dizendo que, quando vai dormir, eu estou dando entrevista no jornal e, quando acorda, eu estou dando entrevista de novo”, conta Disraelli, rindo da situação.

Bem-humorado, descontraído, Disraelli não esconde o orgulho da carreira construída ao longo de 14 anos na AMC. O que ele fez antes disso? Foi baterista de uma banda de rock nos anos 1980, surfista por hobby na década de 1990, ajudante do irmão em uma marmitaria e dono de um self-service na Aldeota.

O empreendimento do irmão se tornou uma empresa de fornecimento de refeição coletiva, e Disraelli, à época, já percebia como a parceria com a imprensa podia ajudar no desempenho dos negócios. “Eu ia anunciar nas rádios, eu anunciava na Listel (Lista Telefônica S/A). Eu sempre vi a mídia, a divulgação, como nossa porta de entrada para clientes”, afirma.

Melhorar a vida das pessoas através do trânsito é orgulho para o agente. (Foto: Jéssica Welma / Tribuna do Ceará)

Melhorar a vida das pessoas através do trânsito é orgulho para o agente. (Foto: Jéssica Welma / Tribuna do Ceará)

Em 2000, após decidir abandonar os negócios para estudar para concursos, foi aprovado para a AMC e a Polícia Militar. Escolheu a AMC, apesar do salário menor, considerando os riscos da atuação na segurança pública. “Pensei: vou passar uma chuva – que é o que todo mundo pensa quando entra aqui”, pontua.

Em 2005, o agente foi convidado para assumir o cargo de supervisor de operações da AMC, época em que a presença na mídia se intensificou. Em 2009, tornou-se gerente de operações, cargo que ocupa até hoje. Assim, Disraelli já passou por diferentes gestões: dois mandatos de Luizianne Lins (PT) e o primeiro de Roberto Cláudio (PDT), e com a perspectiva, claro, de continuar na nova gestão do atual prefeito.

“Quando entrei na AMC, a gente só fiscalizava parada, estacionamento e circulação, que eram as competências do município. Com o convênio com o Detran, a gente passou a fiscalizar documento do condutor, veículo não licenciado, material na via, como mesas e cadeiras de bares; a fazer teste de alcoolemia, dentre outros”, destaca.

Disraelli também é instrutor de trânsito e responsável pelo treinamento de novos agentes. Entre as preocupações, está a de desmitificar a imagem de que a AMC promove uma “indústria da multa”. “O que existe é uma indústria de infrações, uma parcela da população que é mal educada, não respeita as regras gerais de habilitação”, pontua.

Imprensa

No cotidiano em frente às câmeras, Disraelli fala sobre operações especiais, engenharia de trânsito e outros programas relacionados ao trânsito em Fortaleza. Isso garante uma presença constante no noticiário. “Até minha mãe, que me vê muito pouco diz: ‘ainda bem que você sempre aparece na televisão para eu poder lhe ver”, conta.

Hoje, ele já entende das técnicas do jornalismo tão bem quanto muitos jornalistas. Ao dar entrevista para TV, já sabe como se posicionar, qual o melhor ângulo e como identificar a hora de passar por detrás do cinegrafista. Durante a entrevista para o Tribuna do Ceará, preocupou-se logo se o diálogo estava sendo gravado para saber se podia falar rápido ou não.

O gerente de operações incentiva outros agentes a perder o receio de dar entrevista. “A maioria não quer por timidez, mas isso também é uma barreira para se enfrentar”, ressalta.

Disraelli até tenta fazer acreditar que é tímido e introvertido. “Quando fui ser supervisor em 2009, era uma barreira tremenda pra mim ir ao auditório dar um aviso aos agentes”, relembra.

Disraelli já coordenou a mobilidade em grandes eventos no Ceará. (Foto: Jéssica Welma / Tribuna do Ceará0

Disraelli já coordenou a mobilidade em grandes eventos no Ceará. (Foto: Jéssica Welma / Tribuna do Ceará)

Nem parece com o Disraelli que tão bem fala em frente às câmeras. O agente da AMC já foi convidado, até mesmo, para ser candidato a vereador por dois partidos, dada a visibilidade na imprensa.

O sucesso também tem seus aspectos negativos. Como se tornou a pessoa pública da AMC, Disraelli conta que recebe mensagens nas redes sociais de gente que pede emprego ou faz cobrança sobre o trânsito. Em um supermercado, já foi destratado por uma senhora que decidiu reclamar com ele sobre um retorno na avenida Washington Soares.

Especializar-se na área de comunicação social está na lista de planos para o futuro. “Já estou sendo instrutor de trânsito, já dou palestras, porque não me profissionalizar nisso, ter a parte técnica embora empiricamente eu já a faça?”, cogita.

Enquanto essa época não chega, Disraelli mantém a rotina junto à imprensa cearense. Acumulando o orgulho de ser parte de grandes operações de trânsito, como em eventos como Copa do Mundo de Futebol, Olimpiadas, Iron Man, dentre outros.

Curiosidades

Disraelli Paraíba Brasil tem 44 anos e nasceu em Fortaleza. O sobrenome Paraíba foi herdado da mãe, e o Brasil, do pai. Um de seus irmãos foi batizado como João Pessoa Paraíba Brasil, “invenção” do próprio pai, como conta o agente.

Ele é casado com a também agente de trânsito da AMC Vilma Scarcela Brasil há 11 anos. Diferentemente do marido, Vilma prefere atuar nos bastidores e integra o setor jurídico da autarquia.

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HOMEM DO TRÂNSITO

Ninguém dá tanta entrevista no Ceará quanto Disraelli Brasil, o agente que é “a cara” da AMC

Depois de 10 anos dando entrevista quase todo dia, Disraeli resgata a trajetória que o levou a “porta-voz informal” da Autarquia Municipal de Trânsito

Por Jéssica Welma em Perfil

28 de novembro de 2016 às 07:00

Há 1 ano
Disraelli Brasil é presença constante no noticiário cearense. (Foto: Matheus Ribeiro / Tribuna do Ceará)

Disraelli Brasil é presença constante no noticiário cearense. (Foto: Matheus Ribeiro / Tribuna do Ceará)

“Recentemente eu fui fazer um discurso e brinquei: ‘Ó, pessoal, eu sou melhor de entrevista do que de discurso'”. Não há fala que traduza melhor quem é Disraelli Brasil, o gerente de operações da Autarquia Municipal de Trânsito e Cidadania (AMC) que se tornou “a cara” da instituição, dado seu desempenho em entrevistas para o noticiário local.

Disraelli já perdeu a conta de quantas entrevistas já concedeu tanto para jornais locais como nacionais. No dia 7 de novembro, foi a vez de vestir a farda da instituição não para falar de desvios de trânsito ou operações especiais da AMC, mas para contar como se tornou o porta-voz da autarquia nos últimos 10 anos.

“Teve uma senhora que uma vez me disse: ‘Todo dia eu durmo com você e acordo com você’, dizendo que, quando vai dormir, eu estou dando entrevista no jornal e, quando acorda, eu estou dando entrevista de novo”, conta Disraelli, rindo da situação.

Bem-humorado, descontraído, Disraelli não esconde o orgulho da carreira construída ao longo de 14 anos na AMC. O que ele fez antes disso? Foi baterista de uma banda de rock nos anos 1980, surfista por hobby na década de 1990, ajudante do irmão em uma marmitaria e dono de um self-service na Aldeota.

O empreendimento do irmão se tornou uma empresa de fornecimento de refeição coletiva, e Disraelli, à época, já percebia como a parceria com a imprensa podia ajudar no desempenho dos negócios. “Eu ia anunciar nas rádios, eu anunciava na Listel (Lista Telefônica S/A). Eu sempre vi a mídia, a divulgação, como nossa porta de entrada para clientes”, afirma.

Melhorar a vida das pessoas através do trânsito é orgulho para o agente. (Foto: Jéssica Welma / Tribuna do Ceará)

Melhorar a vida das pessoas através do trânsito é orgulho para o agente. (Foto: Jéssica Welma / Tribuna do Ceará)

Em 2000, após decidir abandonar os negócios para estudar para concursos, foi aprovado para a AMC e a Polícia Militar. Escolheu a AMC, apesar do salário menor, considerando os riscos da atuação na segurança pública. “Pensei: vou passar uma chuva – que é o que todo mundo pensa quando entra aqui”, pontua.

Em 2005, o agente foi convidado para assumir o cargo de supervisor de operações da AMC, época em que a presença na mídia se intensificou. Em 2009, tornou-se gerente de operações, cargo que ocupa até hoje. Assim, Disraelli já passou por diferentes gestões: dois mandatos de Luizianne Lins (PT) e o primeiro de Roberto Cláudio (PDT), e com a perspectiva, claro, de continuar na nova gestão do atual prefeito.

“Quando entrei na AMC, a gente só fiscalizava parada, estacionamento e circulação, que eram as competências do município. Com o convênio com o Detran, a gente passou a fiscalizar documento do condutor, veículo não licenciado, material na via, como mesas e cadeiras de bares; a fazer teste de alcoolemia, dentre outros”, destaca.

Disraelli também é instrutor de trânsito e responsável pelo treinamento de novos agentes. Entre as preocupações, está a de desmitificar a imagem de que a AMC promove uma “indústria da multa”. “O que existe é uma indústria de infrações, uma parcela da população que é mal educada, não respeita as regras gerais de habilitação”, pontua.

Imprensa

No cotidiano em frente às câmeras, Disraelli fala sobre operações especiais, engenharia de trânsito e outros programas relacionados ao trânsito em Fortaleza. Isso garante uma presença constante no noticiário. “Até minha mãe, que me vê muito pouco diz: ‘ainda bem que você sempre aparece na televisão para eu poder lhe ver”, conta.

Hoje, ele já entende das técnicas do jornalismo tão bem quanto muitos jornalistas. Ao dar entrevista para TV, já sabe como se posicionar, qual o melhor ângulo e como identificar a hora de passar por detrás do cinegrafista. Durante a entrevista para o Tribuna do Ceará, preocupou-se logo se o diálogo estava sendo gravado para saber se podia falar rápido ou não.

O gerente de operações incentiva outros agentes a perder o receio de dar entrevista. “A maioria não quer por timidez, mas isso também é uma barreira para se enfrentar”, ressalta.

Disraelli até tenta fazer acreditar que é tímido e introvertido. “Quando fui ser supervisor em 2009, era uma barreira tremenda pra mim ir ao auditório dar um aviso aos agentes”, relembra.

Disraelli já coordenou a mobilidade em grandes eventos no Ceará. (Foto: Jéssica Welma / Tribuna do Ceará0

Disraelli já coordenou a mobilidade em grandes eventos no Ceará. (Foto: Jéssica Welma / Tribuna do Ceará)

Nem parece com o Disraelli que tão bem fala em frente às câmeras. O agente da AMC já foi convidado, até mesmo, para ser candidato a vereador por dois partidos, dada a visibilidade na imprensa.

O sucesso também tem seus aspectos negativos. Como se tornou a pessoa pública da AMC, Disraelli conta que recebe mensagens nas redes sociais de gente que pede emprego ou faz cobrança sobre o trânsito. Em um supermercado, já foi destratado por uma senhora que decidiu reclamar com ele sobre um retorno na avenida Washington Soares.

Especializar-se na área de comunicação social está na lista de planos para o futuro. “Já estou sendo instrutor de trânsito, já dou palestras, porque não me profissionalizar nisso, ter a parte técnica embora empiricamente eu já a faça?”, cogita.

Enquanto essa época não chega, Disraelli mantém a rotina junto à imprensa cearense. Acumulando o orgulho de ser parte de grandes operações de trânsito, como em eventos como Copa do Mundo de Futebol, Olimpiadas, Iron Man, dentre outros.

Curiosidades

Disraelli Paraíba Brasil tem 44 anos e nasceu em Fortaleza. O sobrenome Paraíba foi herdado da mãe, e o Brasil, do pai. Um de seus irmãos foi batizado como João Pessoa Paraíba Brasil, “invenção” do próprio pai, como conta o agente.

Ele é casado com a também agente de trânsito da AMC Vilma Scarcela Brasil há 11 anos. Diferentemente do marido, Vilma prefere atuar nos bastidores e integra o setor jurídico da autarquia.